sábado, 6 de abril de 2013

Doutrina Cristã - Parte 28

Nota do blogue: Acompanhar esse Especial AQUI.

Monsenhor Francisco Pascucci, 1935, Doutrina Cristã, 
tradução por Padre Armando Guerrazzi, 2.ª Edição, biblioteca Anchieta.


A SANTA MISSA
Definição

            29. — A Eucaristia é o sacrifício do Novo Tes­tamento, e, como tal, se chama a Santa Missa.
            Pela palavra sacrifício, entende-se a pública oferta a Deus de uma coisa que se destrói, para professarmos que Deus é o Criador e Senhor Supremo, a quem tudo é devido.
            Todas as religiões tiveram e possuem o sacrifício: a religião hebraica, antes de Jesus Cristo, celebrou di­versos sacrifícios, estabelecidos por Deus, e que eram a figura do sacrifício de Jesus Cristo, o qual, imolando-Se a Si mesmo para expiar os nossos pecados e restituir-nos a graça divina, realizou o único, verdadeiro e va­lioso sacrifício, e quis se perpetuasse este em Sua Igreja.
            A Santa Missa é o sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo que, sob as espécies do pão e do vi­nho, se oferece por meio do sacerdote a Deus, no al­tar, em memória e renovação do sacrifício da cruz.

Verdadeiro sacrifício

            30. — A Missa é verdadeiro sacrifício, enquanto é pública oblação a Deus de uma vítima que se destrói, não real, mas apenas misticamente: — o sacerdote, de fato, consagrando separadamente o pão e o vinho, põe com as suas palavras uma sepa­ração entre o corpo e o sangue de Jesus Cristo — separa­ção que efetivamente não se verifica, porque o corpo de Jesus Cristo, na Eucaristia, é vivo e glorioso, e, portanto, não pode haver ali a real separação entre o corpo e o sangue.c
            O sacrifício da Missa não é uma simples lem­brança, mas renovação do sacrifício da Cruz, com a diferença de: Que o sacrifício da cruz foi cruento, isto é, com derramamento de sangue, enquanto o da Missa é incruento, isto é, sem derramamento de sangue; que, na cruz, Jesus Cristo mereceu por nós toda graça, enquanto na Missa nos aplica as graças me­recidas ao morrer por nós.

A quem e por quem se oferece

            31. — A Missa se oferece só a Deus, porque o sacrifício diz respeito só ao Criador e Dono supremo de todas as coisas.
            Às vezes, porém, celebra-se em honra de Nossa Senhora e dos Santos, e, em tal caso, entende-se agradecer a Deus as graças concedidas aos Santos, ou também a nós, mediante a intercessão deles, — ou entende-se implorar de Deus para nós graças e bênçãos pelos méritos e preces dos Santos.
            A Missa se oferece a Deus por quatro fins; — latrêutico ou de adoração; eucarístico ou de ação de graças pelos benefícios recebidos; satisfatório, para aplacá-lo ou dar-lhe satisfação dos nossos pecados; imperatório, para obter graças para nós e para os fiéis vivos e defuntos.


Valor e fruto

            32. — O valor da Missa é infinito, porém sua aplicação a nós é limitada e finita, segundo as disposições de Deus.
            O fruto da Missa é de três espécies: geral, em favor da Santa Igreja e de todos os fiéis vivos e defuntos; especial, em favor daqueles pelos quais é celebrada a santa Missa; especialíssimo, em favor do sacerdote celebrante e dos que devotamente a as­sistem.

Obrigação de assistir a ela

            37. — Há obrigações de ouvir a Missa aos Do­mingos e nas outras festas de guarda; é útil, porém, assistir a ela frequentemente, e, se possível fôra, todos os dias, para participar do ato maior de culto pú­blico, que a Igreja presta a Deus.
            O modo mais conveniente de assistir à santa Missa é o de oferecer a Deus a Missa em união ao sacerdote, relembrando a Paixão e Morte de Jesus Cristo e de participar realmente do santo sacrifí­cio, comungando.
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