domingo, 14 de abril de 2013

MATÉRIA E FORMA DA EUCARISTIA

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.

A Igreja e seus mandamentos
por
Monsenhor Henrique Magalhães
Editora Vozes, 1946


MATÉRIA E FORMA DA EUCARISTIA
26 de Junho de 1940

       Hoje trataremos da matéria e da forma do Sacramento da Eucaristia.
A matéria é dupla — pão e vinho. Só é maté­ria válida para a consagração o pão de trigo. Foi a matéria que empregou Jesus na última Ceia. É o que diz a Tradição. E quando, em todas as línguas, se emprega a palavra pão, entende-se invariavelmente o pão de trigo. Qualquer outra espécie deve ser indicada, com expressões que estabeleçam distinção. Assim dizemos — pão de cevada, de centeio, etc.
Praticamente, convém saber que o pão para ser consagrado deve ser amassado com trigo e água natural, sem nenhuma outra mistura ou in­grediente. A Igreja latina usa pão ázimo, isto é, sem fermento, em memória do que fez Jesus. Pois na Páscoa dos judeus só se podia usar essa espé­cie de pão. Na Igreja grega emprega-se o pão fer­mentado, que constitui matéria válida. O pão de trigo, fermentado ou ázimo, é sempre pão. O Con­cílio Florentino disse expressamente: “Os Sacerdo­tes devem consagrar o Corpo do Senhor, cada um segundo o costume da sua Igreja, quer ocidental, quer oriental.”[1]
O vinho, para ser matéria válida, há de ser de uva. Jesus Cristo consagrou vinho de uva na Instituição da Eucaristia, como lemos no capítulo 14, versículo 25, de São Marcos. Há de ser puro, natural, não corrompido.[2]

A Igreja tem sempre o máximo cuidado a res­peito do pão e do vinho para a consagração. Sub­mete-os frequentemente a exames, verificando a pureza da farinha e qualidade do vinho, bem como a dosagem do álcool.
E ninguém estranhará esses cuidados, pois trata-se do Santíssimo Sacramento, o que nós te­mos de mais precioso e respeitável no mundo.
A Igreja prescreve que o Sacerdote que ce­lebra a Missa adicione algumas gotas de água ao vinho que deve ser consagrado[3]; isto lembra o fato de ter saído sangue e água, do lado aberto de Jesus, morto. Significa também a partici­pação dos fiéis no Sacrifício do altar.
A forma, como a matéria, é dupla. Para o pão, diz em latim o celebrante: Isto é o meu corpo. Para o vinho: Este é, pois, o Cálice do meu sangue, do novo Testamentomistério da que por vós e por muitos será derramado, para remissão dos pecados.
Estas palavras são pronunciadas no grande momento da Consagração, na Missa. Duas con­sagrações — a do pão e a do vinho... fazendo-nos conceber o corpo e o sangue, como separados sa­cramentalmente. Que riqueza de doutrina em que se revelam realidades misteriosas! Por certo a Paixão de Jesus Cristo é maravilhosamente aqui representada por esta separação sacramental. Mas o símbolo e a realidade estão unidos estrei­tamente. É o próprio Cristo que, por Sua maneira de ser sacramental, exprime de novo e realiza o estado de morte no qual Ele Se ofereceu ao Eterno Pai, sobre a cruz. O que leva Santo Tomás a dizer: “A Eucaristia é o Sacramento perfeito da Paixão do Senhor, porque contém o mesmo Cristo em sua Paixão[4]”.
Eis a matéria e a forma do Santíssimo Sacra­mento.
Pelas palavras da forma vê-se bem que o Mi­nistro principal do Santo Sacrifício da Missa é Jesus Cristo. Os Sacerdotes, — e só os sacerdotessão ministros secundários que oferecem o Sa­crifício em nome de Jesus Cristo e pelo poder que dEle receberam.



[1] Denzinger, n.º 692.
[2] Concílio Florentino – Denz. 698.
[3] C.Trid., Sess. XIII – Do S. Sacrifício da Missa, cap. 7.º.
[4] Summa Theológica, pars III, quest. 73, art. 5, sol. 2.ª.
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