quinta-feira, 18 de abril de 2013

Doutrina Cristã - Parte 29

Nota do blogue: Acompanhar esse Especial AQUI.

Monsenhor Francisco Pascucci, 1935, Doutrina Cristã, 
tradução por Padre Armando Guerrazzi, 2.ª Edição, biblioteca Anchieta.

1.º — A SANTA MISSA

Definição

            29. - A Eucaristia é o sacrifício do Novo Tes­tamento, e, como tal, se chama a Santa Missa.
            Pela palavra sacrifício, entende-se a pública oferta a Deus de uma coisa que se destrói, para professarmos que Deus é o Criador e Senhor Supremo, a quem tudo é devido.
            Todas as religiões tiveram e possuem o sacrifício: a religião hebraica, antes de Jesus Cristo, celebrou di­versos sacrifícios, estabelecidos por Deus, e que eram a figura do sacrifício de Jesus Cristo, o qual, imolando-Se a Si mesmo para expiar os nossos pecados e restituir- nos a graça divina, realizou o único, verdadeiro e va­lioso sacrifício, e quis se perpetuasse este em Sua Igreja.
            A Santa Missa é o sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo que, sob as espécies do pão e do vi­nho, se oferece por meio do sacerdote a Deus, no al­tar, em memória e renovação do sacrifício da cruz.

Verdadeiro sacrifício

            30. - A Missa é verdadeiro sacrifício, enquanto é publica oblação a Deus de uma vítima que se destrói, não real, mas apenas misticamente: — o sacerdote, de fato, consagrando separadamente o pão e o vinho, põe com as suas palavras uma sepa­ração entre o corpo e o sangue de Jesus Cristo — separa­ção que efetivamente não se verifica, porque o corpo de Jesus Cristo, na Eucaristia, é vivo e glorioso, e, portanto, não pode haver ali a real separação entre o corpo e o sangue.
            O sacrifício da Missa não é uma simples lem­brança, mas renovação do sacrifício da Cruz, com a diferença de:
a)      que o sacrifício da cruz foi cruento, isto é, com derramamento de sangue, enquanto o da Missa é incruento, isto é, sem derramamento de sangue;
b)      que, na cruz, Jesus Cristo mereceu por nós toda graça, enquanto na Missa nos aplica as graças me­recidas ao morrer por nós.


A quem e por quem se oferece

            31. - A Missa se oferece só a Deus, porque o sacrifício diz respeito só ao Criador e Dono supre­mo de todas as coisas.
            Às vezes, porém, celebra-se em honra de Nossa Senhora e dos Santos, e, em tal caso, entende-se agradecer a Deus as graças concedidas aos Santos, ou também a nós, mediante a intercessão deles, — ou entende-se implorar de Deus para nós graças e bênçãos pelos méritos e preces dos Santos.
            A Missa se oferece a Deus por quatro fins; — latrêutico ou de adoração; eucarístico ou de ação de graças pelos benefícios recebidos; satisfatório, para aplacá-lo ou dar-lhe satisfação dos nossos pecados; impetratório, para obter graças para nós e para os fieis vivos e defuntos.

Valor e fruto

            32. - O valor da Missa é infinito, porém sua aplicação a nós é limitada e finita, segundo as dis­posições de Deus.
            O fruto da Missa é de três espécies: geral, em favor da Santa Igreja e de todos os fiéis vivos e de­funtos; especial, em favor daqueles pelos quais é celebrada a santa Missa; especialíssimo, em favor do sacerdote celebrante e dos que devotamente a assistem.

Obrigação de assistir a ela

            37. - Há obrigações de ouvir a Missa aos Do­mingos e nas outras festas de guarda; é útil, porém, assistir a ela frequentemente, e, se possível fôra, todos os dias, para participar do ato maior de culto pú­blico, que a Igreja presta a Deus.
            O modo mais conveniente de assistir à santa Missa é o de oferecer a Deus a Missa em união ao sacerdote, relembrando a Paixão e Morte de Jesus Cristo e de participar realmente do santo sacrifí­cio, comungando.

2.º — A SANTA COMUNHÃO

Definição. — Ministro

            34. - A Santa Comunhão é a participação real da alma com a Vítima divina.
            Ministro ordinário da Santa Comunhão é o sa­cerdote; extraordinário, o diácono com licença do Bispo e do Pároco.
            A Eucaristia, antigamente, era também rece­bida pelos fiéis sob as duas espécies; agora, na Igre­ja latina, se administra somente sob a espécie do pão.
            Razão disto é que a dignidade do Sacramento requer que se removam os inconvenientes de derra­mar-se o vinho consagrado; da repugnância de al­guns em recebê-lo em jejum ou em torná-lo no mes­mo cálice, onde foi ministrado a outros; das dificuldades em tê-lo em tanta cópia, especialmente em alguns países, para dar a comunhão a tantas pes­soas; e também das dificuldades em levá-la aos en­fermos.
            Tanto mais que, sob a espécie do pão, está pre­sente Jesus Cristo corpo, sangue, alma e Divindade, e se recebe a Jesus inteiramente.

Efeitos

            35. - A Eucaristia é verdadeiramente o ali­mento da alma, pelos efeitos que produz em quem perdoa os pecados veniais e preserva dos mortais; dá a graça sacramental, isto é, o direito às graças atuais necessárias, porque é verdadeiro alimento da alma; produz consolação espiritual aumentando o amor para com Deus e a esperança da vida eterna.

Quantas vezes podemos recebê-la
            36. - A Eucaristia pode ser recebida uma vez ao dia; mas, em perigo de morte, podemos recebê-la como viático, mesmo que tenhamos já nesse mesmo dia recebido a Santa Comunhão. Os Sacerdotes comungam mais vezes, quando celebram outras missas no mesmo dia: mas, para conservarem o je­jum, se abstêm das abluções.

Obrigação de recebê-la

            37. - Há obrigação de receber a Eucaristia, ao menos uma vez por ano, pela Páscoa, e em pe­rigo de morte, como viático, para sustentar a alma na viagem à eternidade. Todavia, a Igreja, fiel in­terprete das palavras de Jesus Cristo, exorta seus filhos a comungarem frequentemente, todos os dias até, para se nutrirem de vida cristã.

Condições para recebê-la bem

            38. - Para se comungar bem são necessárias três coisas:
            1.º Estar na graça de Deus, isto é, ter a alma limpa de qualquer pecado mortal. Quem recebesse a Eucaristia, sabendo estar em pecado mortal, cometeria gravíssimo pecado de sacrilé­gio.
            2.º- Estar em jejum natural desde a meia noite: Jejum natural, ou total, que se rompe com qualquer coisa tomada como alimento, seja comida, seja be­bida. A comunhão, sem se observar o jejum, só é permitida em perigo de morte e também nas lon­gas doenças, observadas as normas prescritas pela Igreja. (Can. 858, 2)
            3.º- Pensar no que se vai receber, isto é, ache­gar-se à Comunhão com devoção e fé, preparan­do-se, para tal ato, dignamente, e conservando-se por algum tempo em devota ação de graças.

Adoração

            39. - A Igreja conserva no tabernáculo a S. Eucaristia, não só porque os fiéis a recebam pela S. Comunhão, senão ainda para que apresentem as suas adorações a Jesus. Por esse motivo, expõe solenemente a Hóstia santa e a leva até em triunfo nas procissões.
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