terça-feira, 23 de abril de 2013

Doutrina Cristã - Parte 36

Nota do blogue: Acompanhar esse Especial AQUI.

Monsenhor Francisco Pascucci, 1935, Doutrina Cristã, 
tradução por Padre Armando Guerrazzi, 2.ª Edição, biblioteca Anchieta.

XI. — PATER NOSTER

Excelência

            77. - A mais excelente oração é o Padre Nosso ou Oração dominical, isto é, do Senhor.
            O Padre Nosso é a mais excelente oração, por que:
            a) a compôs Jesus Cristo diretamente e Ele mesmo a ensinou aos Apóstolos, quando O interrogaram de que modo deviam orar. (Luc. XI, 1-4);
            b) porque encerra claramente em poucas pa­lavras tudo o que podemos pedir a Deus e de Deus esperar.

Proêmio

            78. - O Padre Nosso compõe-se de um proêmio ou introdução e de sete petições ou pedidos. Os três primeiros pedidos referem-se à glória de Deus e os outros quatro, às nossas necessidades espirituais e temporais.
            No proêmio — “Padre Nosso, que estais no Céu” —, chamamos a Deus nosso Pai, porque Ele verdadeiramente é pai de todos os homens, a quem criou, e de modo especial pai adotivo dos cristãos, porque os remiu e adotou por filhos no Batismo.
            (A palavra Padre, em Português, é o mesmo ter­mo pai dito mais reverentemente, como o termo V. Excelência é mais reverencial que o termo Você).
            Chamar a Deus nosso Pai nos anima a recorrer a Deus com a confiança de filhos e orai, não só por nós, senão também pelos nossos irmãos; por esse motivo dizemos — Padre nosso.
            Acrescentamos — “que estais no Céu”, — não para excluirmos que Deus esteja em toda parte, mas para pensarmos em Seu reino, onde Ele se mani­festa plena e visivelmente aos eleitos.

As três primeiras petições

            79. - Como filhos, desejamos e pedimos em pri­meiro lugar a glória de nosso Pai e dizemos “santificado seja o vosso nome", isto é, queremos que Deus seja conhecido e glorificado pelos homens.
            É, porém, nosso vivo desejo participar também nós da glória de nosso Pai. Daí o acrescentarmos: Venha a nós o vosso Reino, isto é, reinai em nós com a Vossa graça, reinai na Igreja com o Vos­so espírito e concedei-nos o reinar convoco em Vos­sa glória.
            O meio essencial para que Deus possa reinar em nós com a graça e possamos reinar com Ele na glória é o de fazer-Lhe a vontade; pelo que, na ter­ceira petição, Jesus Cristo nos faz dizer: “Seja feita a vossa vontade, assim na terra, como no céu”. Com essas palavras, declaramo-nos dispostos a aceitar das mãos de Deus tudo o que Ele estabeleceu na economia geral do mundo; ao mesmo tempo im­plorarmos fazer a vontade de Deus nas coisas que deixou ao nosso livre arbítrio e fazei-a prontamente, como no céu o fazem os anjos.

Quarta petição

            80. - Além do meio essencial, há os meios secundários, isto é, praticar o bem e ficar longe do mal. O bem desejado pode ser duplo: — espiritual e material. Está contido na quarta petição: — “O pão nosso de cada dia nos dai hoje”, isto é, tudo o que serve para manter a vida da alma e do corpo.
            Para a alma, a graça de Deus, dada pelos sacra­mentos, especialmente pela SSma. Eucaristia, e alimentada pela palavra de Deus nos sermões, nas leituras espirituais e nas inspirações divinas.
            Para o corpo, tudo quanto for necessário à vida material: — alimento, vestuário, habitação, etc.
            Pão "nosso”, — isto é, ganho justamente, sem fraude nem dano alheio; e pão "quotidiano”, reservado pela Providência cada dia, por ser neces­sário à nossa subsistência humana.

As três últimas petições. — Amém

            81. - As três últimas petições entendem com a libertação do mal passado, futuro e presente.
            Mal passado são os pecados, com os quais contraímos o débito de pena com a divina justiça e por isso dizemos: “Perdoai as nossas dívidas, assim, como nós perdoamos aos nossos devedores”, lembrados da palavra de Jesus Cristo, isto é, que o Pai ce­leste não perdoará os nossos pecados, se não perdoarmos, de coração, primeiro a quem nos ofendeu.
            Mal futuro é o perigo a que nos expõem as ten­tações ou provas que o Senhor permite para conhecer a nossa fidelidade.
            “Não nos deixeis cair em tentação”, isto é, não permitais que sejamos tentados e dai-nos a graça para das tentações sairmos vitoriosos.
            Mal presente é o pecado, — único mal verda­deiro, do qual pedimos ser libertos: “Mas livrai-nos do mal.”
            Chamamos também mal ao que nos faz sofrer moral ou fisicamente: desses males podemos pedir também fiquemos livres, se tal for útil à nossa própria santificação.
            Concluímos com o Amém, “assim seja”, — para exprimirmos a nossa confiança de ser ouvidos por Deus.
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