sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A alma unida

Nota do blogue:   Com este post encerro este especial, ver o livro todo AQUI. Por favor, peço que algum(a) leitor(a) advogado(a) que entenda sobre direitos autorais entre em contato comigo. Pretendo colocar esse livro no mercado e tenho algumas dúvidas. Por caridade.
Email: agrandeguerra@gmail.com

Saudações,
Letícia de Paula

Por um cartuxo anônimo
Intimidade com Deus



Como é que as almas absorvidas na Divindade chegaram ao termo da bem-aventurança? Atravessaram as trevas, caminharam com perseverança durante a noite; procuram pacientemente a verdade e ouviram o Verbo; e guardaram fidelidade às Suas inspirações. «E Jesus, voltando-se para trás, e vendo que o seguiram, disse-lhes: Que buscais? Eles disseram-lhe: Mestre, onde habitas? E ele disse-lhes: Vinde e vede. Foram, e viram onde habitava, e ficaram lá com Ele» (João, I, 38-39).
Elas conversaram com o Filho de Deus: estudaram junto dele. «Senhor, sabemos que sois o Mestre vindo de Deus! (João, III, 2). Aceitaram docilmente a sua doutrina, e a cada uma delas Jesus disse: «Não te maravilhes de eu te dizer: Importa-vos nascer de novo. Se vos tenho falado das coisas terrenas e não me acreditais, como me acreditareis se vos falar das celestes?» (João, III, 7 e 12). Estas almas acreditaram nele; Ele falou-lhes do céu. «O Pai ama o Filho e pôs todas as coisas na sua mão. O que crê no Filho tem a vida eterna» (João, III, 35-36).
Mostrando que queriam fazer o que Ele ordenava, encontraram nele não o rigor dum juiz, mas a delicadeza da misericórdia dum Deus.
Seguiram-no na via dolorosa, às vezes com excessiva solicitude, a maior parte das vezes com demasiada lentidão. Mas nunca deixaram de O seguir. Ele deu-lhes coragem: com suprema delicadeza, ajudou-as nas dificuldades, acompanhando-as em todos os seus passos e mostrando-lhes sempre o caminho. «Pois que, porque ele mesmo sofreu e foi tentado, é que pode socorrer aqueles que são tentados» (Hebr., II, 18).

Formação para os homens - parte 4

Padre Emmanuel de Gibergues


Receber o complemento de si mesmo, o seu aperfeiçoamento moral e divino no sacrifício mútuo, eis o fim essencial da sociedade conjugal, e o primeiro dever do marido.
O objeto da sociedade conjugal é dar. E dar o que, meus senhores? - O que há nela de maior, de mais completo, de mais universal: - a pessoa humana, isto é, o corpo e a alma, a matéria e o espírito, a liberdade e a vontade, a inteligência, as crenças e idéias, as virtudes, as aflições e alegrias, as provações e esperanças, os bens e a vida, em uma palavra, tudo.
É o dom mais absoluto que se pode conceder. É o sentido profundo da palavra do Evangelho: erunt duo in carne uma fam non sunt duo.1 Serão dois na mesma carne... já não são dois, para serem um, e para sempre.
É a união indissolúvel de dois espíritos, de dois corações, de duas vontades, de dois caracteres, de dois corpos e de duas almas, uma fusão de duas existências numa só, sustentando-se e ajudando-se mutuamente, tanto nos deveres como nos prazeres, tanto nas alegrias como nas dores; sacrificando um ao outro a paciência, e dedicação de todos os dias, na liberdade santa de um amor puro, fiel, inviolável; achando ambos o sentimento da mesma natureza, e amando-se com toda a firmeza e com toda a força do seu ser e da sua vida: eis o matrimônio cristão de todo o coração, por impossível, a outro.
Vedes, digamo-lo de passagem, como é conveniente para esta unidade profunda, total, indissolúvel, que haja harmonia entre as naturezas, as inteligência, as idéias, os gostos, os caracteres, temperamentos, sentimentos religiosos; e o que acontecerá de tantos matrimônios, onde não se faz muito caso de tudo isto?
Nesta união tão perfeita, qual será a forma da dádiva que deve fazer o marido?
Qual será, para ele, o objeto do contrato? Qual o seu papel a desempenhar?
A Escritura Sagrada o diz em uma palavra: caput.2  É a cabeça, o chefe; é ele que tem a autoridade, o poder, a direção. Donde concluo: 1.º que o deve usar; 2.º que o deve usar na ordem e para os fins do matrimônio.
Primeiramente, deve usá-lo: é a condição para que a união persevere; e não é inútil lembrá-lo, porque há maridos que o não empregam; abdicam; é mais cômodo. Esquecem que o exercício da autoridade não é só um direito, mas um dever, de que lhes serão pedidas contas.
Alguns, é por fraqueza; é preciso muito trabalho, não têm coragem. - Outros, é por incapacidade; não sabem, e com receio de não acertarem, nada fazem.  - Outros, é por indiferentismo; que lhes importa? as coisas irão aonde têm de chegar.  - Outros, é por orgulho desdém; está abaixo do homem o ocupar-se com uma mulher, a não ser para gozá-la ou torná-la sua serventuária. Estes formam partido à parte. - Outros enfim, é por egoísmo: é bastante o pensarem em si, em seus negócios, prazeres, (quando não é, ah! em suas paixões) ia a dizer na continuação das afeições de sua mocidade, nas suas desordens de maridos libertinos, ou em seus vícios de velhos.
Os maridos que abdicam, e quebram a unidade da família e o objeto do contrato, arrebatando eles mesmos a sua coroa, cometem todos em sua multidão banal uma injustiça comum; fazem geralmente uma idéia muito clara dos deveres que o matrimônio impõe a sua mulher, e uma idéia muito vaga dos deveres que impõe a eles mesmos.  Acrescentar às delícias habituais de sua vida, um acessório agradável na pessoa de uma mulher honesta e graciosa, atenta em poupar-lhes os pequenos cuidados da vida material, tornando o seu lar sempre alegre e duradouro, fazendo dele um abrigo sempre pronto para as horas de fadiga ou aborrecimento, é todo o seu sonho. Que tenham a responsabilidade da alma, que uma grande parte da educação intelectual, moral e religiosa de sua mulher lhes incumbe, não parecem duvidar.
É, entretanto, o seu papel, o seu dever exercerem a autoridade e empregarem a sua influência na família para o primeiro e o maior de todos os bens, o de sua mulher.
A mulher tem essencialmente necessidade de ser dirigida; e quase sempre, sobretudo, a mulher francesa, o deseja e é própria para recebê-lo.
Deseja-o. Quantas vezes ouvimos as moças dizerem: «Quero um marido que me seja superior, e que me guie.» Uma superioridade que lhes inspire confiança e sobre a qual se apoiem, é o seu desejo mais sincero.
É também a sua necessidade. Uma moça pouco sabe. Por mais cuidados que tenham tido na sua educação e instrução, tanto uma como outra, ainda não estão completas. Além disso, viveu muito recatada; vai ser lançada de repente, noutra posição; é impossível que se torne assim uma mulher perfeita: tem necessidade de uma direção.
E é muito apta para recebê-la. A maioria das mulheres seriam o que seus maridos desejassem, se eles se dessem ao trabalho de prepará-las. Mesmo que até então tenha havido educação fútil, gosto de dissipação, vaidade, há raramente frivolidade incurável. Toda a mulher, ainda jovem, tem em si um grande fundo de abnegação e dedicação, que a doce autoridade do primeiro amor é onipotente para desenvolver. É o marido que deve modelar a sua vontade, formar segundo os seus desejos, elevar à dignidade dos seus sentimentos e pensamentos, esse jovem coração e esse jovem espírito que só deseja agradar-lhe. Ele deve acrescentar aos laços que unem o esposo à esposa, os que unem o discípulo ao seu mestre, ao seu guia, ao seu amigo. Há, aí, um papel muito digno de tentar os que desejam atingir, pela virtude, a felicidade verdadeira.
É o aperfeiçoamento da esposa, é a união cristã, a edificação dos filhos, é todo o bem da família.
O marido deve empregar a autoridade; é a sua função, é o seu papel.

Notas:

1- Gênesis II, 24.
2- Epístola aos Efésios, V, 23.

Continuará...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

La vida interior

Robert de Langeac
La vida oculta en Dios


Nuestra Señora del Monte Carmelo es la Patrona de la vida interior, la Virgen que nos aparta de la muchedumbre y nos lleva dulcemente hacia esas cumbres donde el aire es más puro, el cielo más claro, Dios está más próximo... y en lãs que transcurre la vida de intimidad con Dios.
Según San Gregorio el Magno, la vida contemplativa y la vida eterna no son dos cosas diferentes, sino una sola realidad; una es la aurora, la otra el mediodía. La vida contemplativa es el principio de la dicha eterna, su saboreo anticipado. Que la Reina del cielo nos conceda, pues, la gracia de comprender el estrecho vínculo que une esas dos vidas para vivir aquí abajo como si estuviéramos ya en el cielo.
Un alma interior es un alma que ha encontrado a Dios en el fondo de su corazón y que vive siempre con Él.
Dios está en el fondo del alma, pero está allí escondido. La vida interior es como una eclosión de Dios en el alma.
Mantengámonos en el centro de nuestra alma, en ese punto preciso desde el que podemos vigilar todos sus movimientos, para detenerlos o dirigirlos, según lós casos.
Vivamos o de Dios o para Dios, pero repitámonos que no se obra del todo para Dios sino cuando ya no se hace absolutamente nada para uno mismo. Se obra entonces porque Dios lo quiere, cuando Él quiere y como Él quiere, por estar siempre unidos en el fondo con Aquel de quien uno no es más que um dichoso instrumento.
Dos cosas hacen falta para llegar a la perfección y a la íntima unión con Dios: tiempo y paz.
Lo que da valor a los actos reflexivos del hombre es la unión a Dios por La caridad. Cuanto más profunda es esa intimidad, más valor de eternidad tienen sus frutos.
Un alma cuya mirada interior, afectuosa y humilde, está siempre fija en Dios, obtiene de Él cuanto quiere.
Entre un alma recogida, desligada de todo, y Dios, no hay nada. La unión se realiza por sí misma. Es inmediata.
El tiempo pasa; siempre se ama a Dios demasiado poco y muy tarde.
¡Qué delicado eres en tus afectos, Dios mío! Tienes en cuenta lo que de legítimamente personal hay en nosotros, y tratas al alma que amas como si en El mundo no hubiera otra cosa que ella y Tú.
Creer es comulgar en la ciencia de Dios: Él ve; nosotros creemos en su palabra de testigo.
En la fe, Dios habla; por la esperanza, Dios ayuda; en la caridad, Dios se da, Dios colma.
Elevaos hacia Dios constantemente. Dejad en tierra a la tierra. Vivid poco con lós demás." menos todavía con vosotros mismos, pero lo más posible, si no en Dios, por lo menos cerca de Él.
Cuando en el fondo de vuestra alma oigáis, dos voces contradictorias, conviene que escuchéis generalmente a la que habla más bajo. En todo caso, ésa es la que pide más sacrificios. ¡Y tiene tanto valor el sufrimiento bien entendido! Desliga y aproxima a Dios.

Santa Rosa de Lima

Fonte: Escravas de Maria


30/08 Quinta-feira
Festa de Terceira Classe
Paramentos Brancos


Santa Rosa de Lima nasceu em Lima30 de abrilQuives, provínci capital do Peru, no ano de 1586, coincidentemente no mesmo ano da aparição da Virgem Santíssima na cidade de Chiquinquira. Isabel Flores y de Oliva é o seu nome de batismo, mas sua mãe, ao ver aquele rosto rosado e belo, começou a chamá-la de Rosa, nome com a qual ficou conhecida ao que ela acrescentou o de Maria. É primeira santa da América e padroeira do Peru e da América. Nascida em a de Lima no ano de 1586, era descendente de conquistadores espanhóis. Seu nome de batismo era Isabel Flores y Oliva, mas a extraordinária beleza da criança motivou a mudança do nome de Isabel para Rosa. Seus pais eram Gaspar de Flores, espanhol arcabuz do Vice-Rei e Maria Oliva, limenha. Era a terceira dos onze filhos do casal.

Seus pais antes ricos tornaram-se pobres devido ao insucesso numa empresa de mineração e ela cresceu na pobreza, trabalhando na terra e na costura até altas horas da noite para ajudar no sustento da família. Cultivava as rosas de seus próprio jardim e as vendia no mercado e por isso é tida como patrona das floristas. Diz-se que tangia graciosa a viola e a harpa e tinha voz doce e melodiosa. Além de muito bela, Rosa era tida como a moça mais virtuosa e prendada de Lima. Foi pretendida pelos jovens mais ricos e distintos de Lima e arredores, mas a todos rejeitou, por amar a Cristo como esposo. Em idade de casar, fez o voto de castidade e tomou o hábito da Ordem Terceira Dominicana, após lutar contra o desejo contrário dos pais. Construiu uma cela estreita e pobre no fundo do quintal da casa dos pais e começou a ter vida religiosa, penitenciando seu corpo com jejuns e cilícios dolorosos e conta-se que utilizava muitas vezes um aro de prata guarnecido com fincos, semelhante a uma coroa de espinhos. Foi extremamente bondosa e caridosa para com todos, especialmente para com os índios e negros, aos quais prestava os serviços mais humildes em caso de doença. Segundo os relatos de seus biógrafos e dos amigos que a acompanharam, dentre eles seu confessor Frei Juan de Lorenzana, por sua piedade e devoção Santa Rosa recebeu de Deus o dom dos milagres. Era constantemente visitada pela Virgem Maria e pelo Menino Jesus, que quis repousar certa vez entre seus braços e a corou com uma grinalda de rosas, que se tornou seus símbolo. Também é afirmado que tinha constantemente junto a si seu Anjo da Guarda, com quem conversava. Ainda em vida lhe foram atribuídos muitos favores; milagres de curas, conversões, propiciação das chuvas e até mesmo o impedimento da invasão de Lima pelos piratas holandeses em 1615.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

de Murcia - Baroque Guitar Music: Jacaras por la E, La Jota (1/9)


Una hermosa poesía

Fonte: En Gloria y Majestad

Nota del Blog: Aunque esta bella poesía es para las Pascuas, sin emabrgo, habiéndo dado con ella hace muy poco, no podemos esperar hasta el año que viene para publicarla.
   Esta pieza apareció en la Revista Bíblica de Straubinger, año 1950, pag. 17. La traducción es de Juan Ruta.

G. von Le Fort

PASCUA

Oí una voz en la noche;
voz grande como el aliento de la tierra,
la cual dijo:
“¿Quién quiere llevar la corona del Salvador?”
Y mi amor habló y dijo: “Señor, yo la llevaré”.
Y llevaba la corona en mis manos,
y mi sangre corrió sobre mis dedos heridos por negras espinas.

Volvió a hablar la voz y dijo:
“Debes llevar la corona sobre la cabeza”.
Mi amor contestó: “Sí, la llevaré”.
Entonces coloqué la corona sobre mi frente;
y cayó sobre ella un rayo de luz,
blanco como el agua de los montes.

La voz continuó hablando y dijo:
“Mira, las negras espinas han florecido”.
Entonces la luz fluyó de mis sienes,
Se hizo ancha como una corriente de agua,
y llegó a mis pies.
Estremecida de miedo, pregunté:
“Señor, ¿dónde quieres que lleve la corona?”.

Y la voz respondió: “Llévala a la vida eterna”.
Yo dije: “Señor, es una corona de sufrimientos;
déjame morir de ella”.
Pero la voz contestó: “-¿No sabes que el dolor es inmortal?
Yo he transfigurado lo que no muere”.
¡Cristo ha resucitado!


Gertrud von Le Fort

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Formação para os homens - parte 3


Padre Emmanuel de Gibergues

Até aí, não se conhecia a si mesmo.
Seus pais, os seus professores, haviam-no repreendido; os seus amigos haviam-lhe apontado os defeitos, e talvez tivessem zombado dele! Mas nada havia podido fazer cair o véu espesso que os melhores se obstinam em conservar, e que impede que se vejam.
O sentimento de sua responsabilidade começará a abrir-lhe os olhos. Se quiser ser sincero, há de sentir-se impotente para fazer a felicidade daquela que ele ama! ...
Em seguida, na intimidade da vida conjugal, no contato diário, nas decisões a tomar em comum na fusão das duas existências, o fundo da sua natureza depressa se revelará. Admirar-se-á de descobrir em si defeitos que não conhecia, porque lhes faltara ocasião de se produzirem.
Além disso, se não quiser entrincheirar-se em seu orgulho, não receará de aceitar os conselhos de sua mulher; não há de querer privar-se de luzes tão preciosas. Se a mulher tem menos conhecimento e talvez menos razão, tem mais coração e perspicácia. Um marido que rejeitasse os seus conselhos ou que a desanimasse de renová-los, pelo seu mau acolhimento, não sabe de que luzes e, quase, de que revelações o seu estúpido amor próprio o privaria para sempre. Quem poderá melhor do que a mulher conhecer o temperamento do marido notar-lhe e fazer-lhe compreender os seus defeitos? É ao marido que compete fazê-lo em primeiro lugar; mas os conselhos de sua afetuosa franqueza terão um acolhimento tanto maior, quanto mais pronto ele estiver para recebê-los com cordial gratidão e docilidade generosa.
Não se deve desacoroçoar do papel de monitor, porque, se é alívio o dizer uma verdade no arrebatamento da cólera, é uma aflição, e é preciso um esforço, na calma de uma afeição, que deseja o bem sem paixão nem rancor.
O matrimônio não ensina só a conhecer-se, ajuda a vencer-se, o que é bem preciso. Se não se quiser renunciar a felicidade, vê-la desfazer em fumaça, transformar num estado miserável de hostilidade surda e permanente, que torna a vida insuportável, é preciso renunciar a si mesmo.  A renúncia não é somente o fundamento da vida cristã, porém da felicidade conjugal; de sorte que, por um desígnio providencial, a mesma causa conduz-nos, ao mesmo tempo, à virtude e à felicidade.
Na vida conjugal, as ocasiões de renúncia são diárias, e, portanto, assim também as ocasiões de aumentar, de receber o aperfeiçoamento, que é o fim do matrimônio.
O egoísmo é o nosso inimigo mortal; vivermos em nós, de nós, para nós, é o nosso mal. A nossa educação moral consiste em sairmos de nós mesmos; e o matrimônio é a instituição divina, para obrigar dois seres humanos a saírem de si mesmos, para vencerem o seu egoísmo mutuo, e fazerem o aprendizado da virtude.
Nos primeiros dias nada custava; agora, tudo pesa, e vive-se como sob a pressão, de uma cadeia pesadíssima. Outrora era o sopro vernal de uma afeição, radiante; agora, é o vento da tempestade. O homem só via em sua mulher um ser atraente, encantador; agora começa a descobrir nela um ser, por vezes, terrível na sua doçura, horrível mesmo nos seus atrativos. É o momento da renúncia, de elevar-se ao desinteresse sublime: é a educação moral que se faz.
Que digo eu? É a educação divina, pois, não é só um ideal humano que deveis realizar no matrimônio, meus senhores, mas um ideal divino, a união de Cristo com a Sua Igreja.
Que fez Cristo por Sua Igreja? non sibi placuit 1 diz S. Paulo, não se orgulhou de Si mesmo. Humilhou-Se, renunciou-Se, despojou-Se, crucificou-Se. Sacrificou a glória de que gozava no seio de Seu Pai, e a glória humana, de que poderia ter-Se revestido. Sacrificou o Seu repouso, o Seu corpo, o Seu sangue, a Sua alma, a Sua vida. Não há um só sacrifício perante o qual haja recuado. Eis o modelo que São Paulo não receia propor-vos, maridos cristãos!
É que a moral cristã, na decadência humana, é a moral essencialmente do sacrifício e da renunciação. É, aí, que ela nos descobre o remédio para todos os nossos males e a fonte de todos os bens: tantum proficies quantum tibi ipsi vim intuleris, diz a Imitação, aproveitareis na proporção das contrariedades que vos impuserdes.
Nada é mais necessário na sociedade conjugal. Sem a abnegação, cedo ou tarde, virá a divisão, em seguida a incompatibilidade de humor, enfim a destruição do lar.
Se desejais a união, a fusão das vossas duas vidas em uma só, é à abnegação que deveis recorrer. Só com ela, o matrimônio atinge o seu fim: a educação do homem e do cristão.
Ora, a fonte inesgotável da abnegação acha-se no Evangelho, na força moral de que dispõe o cristianismo, nos sacramentos, e aqui, especialmente, no sacramento do matrimônio e em todas as graças de que é a fonte inexaurível.
Qual não é, pois, a infelicidade e a culpa daqueles, que, aproximando-se do sacramento do matrimônio sem preparação, se privam das graças mais preciosas? Mas a infelicidade maior, a culpa maior é dos que se aproximam dele sem confissão séria, em estado de pecado mortal, dos que profanam este grande sacramento, e constituem a família, - causa horror só em pensá-lo - por um sacrilégio!
Que vossos filhos e vossas filhas, meus senhores, se preparem seriamente para o matrimônio; que o não realizem senão em estado de graça e com disposições sérias e cristãs!
Só assim se encontrará o remédio para os sofrimentos da vida conjugal, e, com a virtude, a verdadeira felicidade.
Procurá-lo em outra parte; queixar-se das leis do Evangelho, que parecem esmagadoras, é um engano. Não são as leis que se devem modificar, são os costumes. E em vez de dizer como os decadentes: «Alargai a moral, não posso», é preciso dizer como os fortes, como os enérgicos, como os cristãos: Restaurai a moral, e com ela a felicidade: «Com Deus, que me fortifica, tudo posso»2

Notas:

1-      Epístola aos Romanos, XV, 3.
2-      Epístola aos Filipenses.

Continuará...

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A perfeita casada (VII) - Frei Luís de León

A perfeita casada
Frei Luís de León



Madrugou e repartiu a seus ajudantes
os alimentos, e a tarefa a suas criadas.

É, como dissemos, esta mulher que surge aqui e põe como exemplo das boas casadas o Espírito Santo, mulher de lavrador. E a razão pela qual põe como modelo de virtudes uma mulher deste tipo, e não de outras, também está dito. Nessas casas as famílias devem estar habituadas às coisas do campo e é necessário que acorde muito cedo e como, não retorna até a noite, é importante que leve consigo a provisão de comida, e que reparta a cada um o alimento para seu sustento, assim como as tarefas para aquele dia; pois sendo assim, diz Salomão que a boa mulher casada não encomendou esta tarefa a uma de suas criadas e ficou se regalando com o sono da manhã descuidadamente em sua cama; mas foi a primeira a se levantar, e ganhou da estrela d' Alva, e amanheceu ela antes que o sol, e por si mesma, e não por mão alheia, forneceu à sua gente e família, tanto o que deviam fazer, como o que haveriam de comer.
Com o que ensina e manda às que são deste tipo, que assim o façam, e, para as que são diferentes, que utilizem a mesma determinação e diligência. Porque, mesmo que não tenham ajudantes nem operários para mandar ao campo, tem cada uma outras coisas como estas, referentes ao bom governo e provisão da casa e de cada dia, que as obriga a despertar e levantar, e colocar nisso seu cuidado e suas mãos. E assim, com estas palavras ditas e entendidas geralmente, avisa duas coisas o Espírito Santo e acrescenta duas novas cores de perfeição e virtude a esta mulher casada. Uma é que seja madrugadora; e a outra que, madrugando, forneça ela logo e por si mesma o que a ordem de sua casa pede: que ambas são coisas importantíssimas. E digamos do primeiro.
Muito se enganam as que pensam que enquanto elas, de quem é a casa, e a quem toca o bem e o mal, dormem e se descuidam, a criada se preocupará e cuidará, coisa que não lhe compete já que olha tudo como alheio. Porque, se o amo dorme, por que despertará o criado? E se a senhora, que é e há de ser o exemplo e a mestra de sua família, e de quem deve aprender cada uma de suas criadas o que convém, se esquece de tudo, pela mesma razão e com maior razão, os demais serão esquecidos e dados ao sono.
Bem disse Aristóteles a esse mesmo respeito, que quem não tem bom modelo, não pode ser bom imitador. Não poderá o servo cuidar da casa, se vê que o dono descuida dela. De modo que há de madrugar a mulher para que madrugue a família. Porque deve entender que sua casa é um corpo, e que ela é sua alma, e que, os membros não se movem se não forem movidos pela alma; assim suas criadas, se não indicar seus trabalhos, não saberão se mexer. E se as criadas madrugassem por si mesmas, dormindo sua senhora e não a tendo por testemunha e por guardiã, é pior que madruguem, porque então a casa, por aquele espaço de tempo, é como um povoado sem rei e sem lei, e como comunidade sem cabeça; e não se levantam para servir, e sim para roubar e destruir.

domingo, 26 de agosto de 2012

Senhor, deixa-me ver o meu pecado!

Abel Correia Pinto (Franciscano)
Bem-aventurados os pobres


Senhor, deixa-me ver o meu pecado! Fita-me com os mesmos olhos com que me viste na noite da Agonia e da Flagelação e do Alto da Cruz, ao expirar. Alumia-me por dentro! Morra embora de paixão, consente-me a descoberta do que fui e daquele que devia ter sido. Peço-Vos! Pelas sete espadas de Maria! Pelas dores de Paulo e de Francisco de Assis!
... Que é o meu pecado?
Na tarde do primeiro crime, andava a Mãe Eva à busca de Abel. O coração pressagiava-lhe qualquer coisa de inaudito, de insólito, de horrendo.
- Onde estará o meu filho? Onde?!
Ao passar entre duas fragas, oculto em ramagens, que vê? Abel dorme ... Dormia? ... E aquele sangue? e aquela rigidez? e aquele frio?
- Meu Deus que quer isto dizer? que vejo eu?
- A Morte! responde-lhe na alma voz bem conhecida.
- E que é a Morte?
- O teu pecado! ...
O pecado é morte.
A breve expressão encerra um mundo: mundo que Deus não criou, mundo misterioso como o universo ao revés, universo de sombra, de ilogismo, de mentira; invenção do homem revoltado contra o seu Deus; caos semeado na Ordem; firmamento negro de constelações satânicas; caverna funda onde redemoinham serpentes; jardim da soberba, da avareza, da luxúria, da inveja, da intemperança, que, ao abrir, floresce no ódio, na guerra, na enfermidade, na morte!
Há momentos propícios na aprendizagem do mistério; quando percorremos de avião a amplidão dos continentes, atravessamos de barco a imensidade dos mares, voamos de estrela a estrela nas asas da imaginação, ou assistimos duma colina à vida rumorejante dos seres circunvizinhos, se, abismando-nos em nós próprios e olhando a multiplicidade das coisas, dizemos refletidamente: só o homem é capaz de pecar!...
Os elementos não pecam. As árvores não pecam. Os irracionais não pecam.
Sem dúvida, consoante diz S. Paulo, toda a natureza geme no pecado; mas porque o homem, rei da criação, a constrange, a violenta, desvirtuando-lhe os fins. A projeção cósmica da culpa é obra do homem, pois só o homem é pecador.
O pecado implica necessariamente a pessoa. É a afirmação dum ser livre, autônomo, consciente do próprio destino, cuja sorte lhe incumbe.
O puro reflexo orgânico ou passional, enquanto a pessoa o não aceita, não é pecado. Com mais razão, a doença ou desgraça mental. Só pode pecar o homem como tal, apto a assumir responsabilidades, centro de imputabilidade, o homem no pleno exercício das suas funções sacerdotais.
«Mas os filhos de Heli eram uns filhos de Belial que não conheciam o Senhor nem as obrigações de sacerdotes», porque roubavam das vítimas oferecidas pelo povo o melhor bocado para si. E o Senhor os desprezou e ambos morreram no mesmo dia...
Corpo e alma, consciência e liberdade, o homem é, por definição, um sacerdote; o traço de união entre o Céu e a terra.
Tudo lhe foi dado: Omnia vestra sunt; porém ele não se pertence: autem Christi. Eco no tempo do Verbo-louvor, do Pai eterno, do Filho Unigênito.
Para este fim, o Criador o constituiu pessoa.
Pecado é toda a ação, pensamento ou desejo, pelos quais o homem desvia deliberadamente para si o que, de verdade, é propriedade de Deus.
E, por isso, o pecado é morte. Ao preferir um prazer que vai esterilizar a minha vida mais pessoal, ao desviar o poder de me determinar ao Sumo Bem, atinjo-me, firo-me no mais íntimo de mim mesmo. A minha atividade e a minha vida deixam de ser atraídas pelo que era a minha razão de ser. 

sábado, 25 de agosto de 2012

Formação para os homens - parte 2

Nota do blogue: Ver a primeira parte AQUI.

Padre Emmanuel de Gibergues



O fim do matrimônio é receber. Mas quê? Vantagens puramente humanas, terrestres, frívolas, passageiras? Ah! não, meus senhores. Há, entretanto, muitos homens que pensam assim.
Há os que não veem o matrimônio senão à sombra florida de não sei que Éden imaginário. Sonham com uma primavera eterna, sob o céu azul da Itália, uma adoração perpétua num ideal de amor, aonde a alegria dessa reciprocidade de afeto na doce intimidade do lar, não deixaria lugar nem aos cuidados, nem as tristezas, nem as provações da vida.
- São os simples! O matrimônio não é somente poesia, ou romance.
Há outros que não procuram no matrimônio senão uma formalidade de convenção e conveniência, necessária para que a sociedade lhes conceda certos benefícios, para que os receba, nos seus salões e os dignifique aos olhos do mundo; mas sem lhes restringir, todavia, a liberdade e os prazeres. São os grosseiros, os homens sem lealdade, sem verdadeira honra! O matrimônio não é um simples costume, um pavilhão respeitável, uma etiqueta honesta, para encobrir o vício e a devassidão; nem tão pouco um fim, para os celibatários fartos de divertimentos.
Há outros que só veem nele a aliança de duas raças, de dois nomes, de duas situações. São os espíritos levianos, superficiais! O matrimônio não é somente uma simples conveniência de famílias.
Outros só lhe pedem uma elevação de dignidade, de posição, de consideração humana, de classe social. São os ambiciosos! O matrimônio não é um estribo, uma escada, um elevador para subir na sociedade.
Outros não veem senão o dinheiro, dote e esperanças. - Compreendo, quando se tem uma dignidade a sustentar, um nome a honrar, uma influência a manter, que se procure fortuna, - em si, isso não é repreensível, mas não será por isso, nem sobre isso que se concluirá o matrimônio: será uma simples condição, não um fim, nem objeto. O matrimônio não é um meio com modo para se enriquecer, um ajuste, uma especulação.
Enfim, para terminar esta triste enumeração, há outros que não procuram no matrimônio senão uma satisfação aos instintos menos nobres do ser humano.
O físico, os sentidos, a matéria, é tudo para eles. - São os tacanhos, os aviltados, quando não são os libertinos e os devassos, atraídos pela emoção de uma sorte de voluptuosidade que a sua vida passada, por mais rica que haja sido em sensações desse gênero, não lhes pôde fazer conhecer, e pela miragem de uma fonte pura, aonde os seus sentidos estragados se vão fortalecer e remoçar como num orvalho fresco.
Deixar-se levar somente pelas suas paixões, em decisão tão grave, é, primeiramente, expor-se a decepções cruéis... há aparências tão enganadoras! ... é, em seguida, degradar-se. Só pensar em satisfazer os seus sentidos, não é o nobre matrimonio do homem, é o instinto do animal.
Que se deve então receber e, por conseguinte, procurar no matrimônio? Qual é o seu verdadeiro fim, o seu fim essencial e supremo?
É o próprio fim do homem. O matrimônio não foi instituído por Deus senão para auxiliar o homem a atingir o seu fim, o seu duplo fim: aperfeiçoar-se e multiplicar-se. Deixemos de parte o desenvolvimento da raça (de que falaremos), para não tratarmos senão do aperfeiçoamento do individuo. Em que consiste este aperfeiçoamento? Em concluir nele a semelhança divina, em aproximar-se do ideal divino, em desenvolver a sua inteligência, a sua vontade, o seu coração, no sentido de Deus, em tornar-se melhor e mais virtuoso, em glorificar a Deus, e salvar a alma, alcançando o céu. Tal é o fim essencial da sociedade conjugal
Para este progresso, para esta continua ascensão para Deus, o homem necessitava da mulher. Segundo a palavra criadora, não era bom que ficasse só; precisava de uma companheira, uma associada, sociam, um auxiliar semelhante a si mesmo, adjutorium simile sibi.1
É porque o homem era incompleto. Tinha a majestade, a força, a energia; faltava-lhe alguma coisa da graça, da delicadeza, da sensibilidade, da doçura que Deus lhe queria dar. Faltava-lhe um ser semelhante a quem confiasse os seus sentimentos, com quem trocasse os seus pensamentos, fortalecesse e elevasse o seu coração expandindo: - a mulher.
Mas, meus senhores, como é que a mulher vai ajudar o homem a atingir seu fim, completá-lo e aperfeiçoá-lo?
Será tornando-lhe tudo fácil, tirando-lhe os espinhos e todas as pedras do caminho? É a ilusão de muitos maridos. Sustentados pela força inicial de sua primeira paixão, e no encanto de seu primeiro amor, nada lhes custa, e imaginam que a vida vai ser, para eles, um jardim de flores. A sua companheira parece-lhes ideal e encantadora, capaz de todos os sacrifícios, pronta a sofrer tudo por eles. A felicidade sorri-lhes com todo o esplendor num céu sem nuvens.
A ilusão vai muitas vezes até ao egoísmo. O homem pensa, com prazer, que a mulher foi criada para servi-lo; que tem direito a tudo, e dela exigir tudo; que a mulher foi feita para sofrer, e ele... para ser sofrido!
As dificuldades, porém, não tardam a aparecer. A mulher, por mais cheia de virtudes que seja (e que será se não possuir nenhuma?) conserva sempre alguns defeitos, alguns caprichos, os conformes à sua natureza, e ao seu caráter.
A oposição de idéias, os conflitos de opiniões, as discussões não tardam a surgir: são pequenas discórdias, ligeiras irritações, palavras um tanto exasperadas; alguns arrebatamentos e tudo isso que, não se tomando cuidado, se multiplica e desenvolve com uma rapidez prodigiosa.
Que resultará de tudo isto? O marido iludido ou egoísta porá a culpa em sua mulher; far-lhe-á censuras amargas, attribuir-lhe-á todos os males. Se for indulgente será justo? - Parecer-lhe-á que acorda de um sonho, e que decididamente não há felicidade durável no matrimônio, que é preciso conformar-se com a sua sorte. Será isto verdade? Não. Nem é justo nem verdadeiro.
Há uma felicidade cristã muito sólida e muito durável no matrimônio, e nem sempre é culpa das mulheres, se a não encontram; às vezes é culpa dos maridos, quase sempre de ambos. Não se compreende o fim do matrimônio. Esperando encontrar só alegrias, ficam espantados de que se lhes deparem provações.
Estas provações são providenciais, e é por meio delas, sobretudo, que o matrimônio atingirá o seu fim, e que, cada um dos esposos, receberá o seu aperfeiçoamento, se compreender o seu papel.
O marido cristão queixar-se-á primeiro de si mesmo. Sem renunciar absolutamente a felicidade, mas, pelo contrário, para conservá-la com mais segurança em seu lar, dir-se-á que a felicidade está no dever, e que é ao dever que ele tem de apegar-se com toda a energia de sua fé, e todas as forças de seu coração. O seu dever, é subir, aperfeiçoar-se, tornar-se melhor. Mas, para isso, duas coisas lhe parecem de necessidade evidente: conhecer-se e dominar-se a si próprio. Eis aí toda a moral! e esta ciência, esta vitória, é o matrimonio que lh'as dá.

Nota:
1- Genesis III, 12.

Continuará...

São Luís, Rei e Confessor

Fonte: Escravas de Maria

25/08 Sábado
Festa de Terceira Classe
Paramentos Brancos


São Luís nasceu no castelo de Poissy, a 30 quilómetros de Paris, a 25 de Abril de 1214 ou 1215, dia de procissões solenes do dia de São Marcos. A sua infância terá sido influenciada pela figura do seu pai que, unindo o zelo pela religião à bravura marcial que lhe valeu o cognome de o Leão, subjugou os cátaros do sul da França. 

Particularmente zelosos da sua educação, os pais de Luís IX deram-lhe bons preceptores: Mateus II de Montmorency, Guilherme des Barres, conde de Rochefort, e Clemente de Metz, marechal da França, inspiraram-lhe os sentimentos de um rei cristianíssimo e filho da Igreja. Com a morte do seu pai em 8 de Novembro de 1226, Luís IX subiu ao trono aos 12 anos de idade. Foi sagrado na catedral de Reims por Jacques de Bazoches, bispo de Soissons, em 30 de Novembro do mesmo ano. No dia 27 de maio de 1235, pouco depois de completar 20 anos, casou-se com Margarida, filha mais velha de Raimundo Béranger, Conde de Provence e de Forcalquier, e de Beatriz de Sabóia.

A educação dos filhos, ou os deixam, sem maior preocupação, aos cuidados de governantes, São Luís chamava pessoalmente a si o cuidado de instruí-los, imprimindo-lhes na alma o desprezo pelos prazeres e vaidades do mundo e o amor pelo soberano Criador. Ele os exercitava normalmente à noite, após as horas Completas, quando os fazia vir a seu quarto a fim de ouvir as suas piedosas exortações. Ensinava-lhes, além disso, a rezar diariamente o Pequeno Ofício de Nossa Senhora, obrigava-os a assistir às Missas de preceito, e  incutia-lhes a necessidade da mortificação e da penitência. Às sextas-feiras, por exemplo, não permitia que portassem qualquer ornamento na cabeça, porque foi o dia da coroação de espinhos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ainda hoje existem os manuscritos das instruções por ele deixadas à sua filha Isabel, Rainha da Navarra: são tão santas e cheias do espírito de Nosso Senhor, que nenhum diretor espiritual, por mais esclarecido que seja, seria capaz de apresentar outras mais excelentes.

Se for notório seu zelo em extirpar a libertinagem no reino de França, o que dizer de seu empenho em relação ao extermínio da heresia e ao estabelecimento da Fé e da disciplina cristã? Para isso tomou-se de grande afeição pelos religiosos de São Domingos e de São Francisco, a quem ele via como instrumentos sagrados dos quais a Providência queria se servir para a salvação de uma infinidade de almas resgatadas pelo precioso Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele os convidava com certa freqüência para jantar, sobretudo São Tomás de Aquino e São Boaventura, dois luzeiros a iluminar o firmamento da Santa Igreja a partir da Idade Média.



Participou da Sétima Cruzada e da Oitava Cruzada, tendo morrido no decurso desta última, o que influenciou em grande medida a sua posterior canonização no reinado do seu neto Filipe o Belo. Poitiers e a sua esposa Joana de Toulouse morreriam no intervalo de três dias, na Itália. 

O corpo do rei foi levado para França pelo seu filho e sucessor Filipe, com excepção das entranhas: algumas destas foram enterradas na atual Tunísia, onde ainda é possível hoje em dia visitar um túmulo de São Luís; outras foram destinadas à abadia de Monreale, na Sicília, a pedido do seu irmão Carlos I da Sicília.
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Epistola
Sabedoria 10,10-14      
                                                                                                                 
 10.foi ela que guiou por caminhos retos o justo que fugia à ira de seu irmão; mostrou-lhe o reino de Deus, e deu-lhe o conhecimento das coisas santas; ajudou-o nos seus trabalhos, e fez frutificar seus esforços;11.cuidou dele contra ávidos opressores e o fez conquistar riquezas;12.ela o protegeu contra seus inimigos e o defendeu dos que lhe armavam ciladas; e no duro combate, deu-lhe vitória, a fim de que ele soubesse quanto a piedade é mais forte que tudo.13.Ela não abandonou o justo vendido, mas preservou-o do pecado.14.Desceu com ele à prisão, e não o abandonou nas suas cadeias, até que lhe trouxe o cetro do reino e o poder sobre os que o tinham oprimido; revelou-lhe a mentira de seus acusadores, e conferiu-lhe uma glória eterna.

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Evangelho
São Lucas 19,12-26 

12.Um homem ilustre foi para um país distante, a fim de ser investido da realeza e depois regressar.13.Chamou dez dos seus servos e deu-lhes dez minas, dizendo-lhes: Negociai até eu voltar.14.Mas os homens daquela região odiavam-no e enviaram atrás dele embaixadores, para protestarem: Não queremos que ele reine sobre nós.15.Quando, investido da dignidade real, voltou, mandou chamar os servos a quem confiara o dinheiro, a fim de saber quanto cada um tinha lucrado.16.Veio o primeiro: Senhor, a tua mina rendeu dez outras minas.17.Ele lhe disse: Muito bem, servo bom; porque foste fiel nas coisas pequenas, receberás o governo de dez cidades.18.Veio o segundo: Senhor, a tua mina rendeu cinco outras minas.19.Disse a este: Sê também tu governador de cinco cidades.20.Veio também o outro: Senhor, aqui tens a tua mina, que guardei embrulhada num lenço;21.pois tive medo de ti, por seres homem rigoroso, que tiras o que não puseste e ceifas o que não semeaste.22.Replicou-lhe ele: Servo mau, pelas tuas palavras te julgo. Sabias que sou rigoroso, que tiro o que não depositei e ceifo o que não semeei...23.Por que, pois, não puseste o meu dinheiro num banco? Na minha volta, eu o teria retirado com juros.24.E disse aos que estavam presentes: Tirai-lhe a mina, e dai-a ao que tem dez minas.25.Replicaram-lhe: Senhor, este já tem dez minas!...26.Eu vos declaro: a todo aquele que tiver, dar-se-lhe-á; mas, ao que não tiver, ser-lhe-á tirado até o que tem.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

União Divina

Por um cartuxo anônimo
Intimidade com Deus



            É ao próprio Deus que o homem se deve unir para realizar o seu destino. Se pudermos atingir o ponto mais alto do ser e a sua causa primeira, vamos porventura perder tempo com desejos mesquinhos? Para atingirmos a nossa pátria é necessário perdermo-nos no bem supremo: dirijamos desde já para Ele todas as nossas ações, e que a nossa alma respire finalmente o seu elemento natural. À medida que reconhecemos a vontade de Deus em todas as coisas, e que acostumamos a nossa vontade a consentir nela, vemos diminuir em nós a necessidade das coisas criadas, até que delas nos libertamos definitivamente. Uma alegria essencial, que reside no fundo da alma, tira todo o atrativo aos bens acidentais.
Porque a verdade, a luz divina, dá a cada objeto o seu verdadeiro valor. Uma vez encontrado o seu centro divino, a alma deixa de oscilar entre o desejo e o temor: ela conhece agora o puro equilíbrio do amor. Sabe que a união com Deus é inseparável da calma e dum profundo silêncio da vontade própria; por isso tem o cuidado de evitar tanto a solicitude como a negligência.
Non in commotione Dominus (III Reis, XIX, 11).
            A verdade, aceita primeiro com humildade e simplicidade pela fé, e vivida na paciência quotidiana, torna-se agora evidente: a alma pode saboreá-la sem intermediários, na experiência do amor. Gustate et videte quoniam suavis est Dominus. - «Provai e vede como o Senhor é doce!» (Salmo XXXIII, 9).
            A submissão ao que Deus nos ordena eleva-nos continuamente para Ele: a humildade exalta-nos e permite-nos olhar livremente, do alto das perspectivas da graça, o pequeno mundo dos interesses humanos. Aqui o coração abre-se ao amor de todos os homens e gostaria de derramar sobre eles rios de água viva de que está inundado: católico no sentido pleno da palavra, não tem desprezo por nenhuma alma nem põe de lado nenhuma miséria. A preocupação de agradar sempre ao Pai celeste dá um caráter sobrenatural a tudo o que o homem faz neste estado de união, até mesmo nos mínimos pormenores do seu comportamento. E Deus sente-se mais glorificado, e compraz-Se e reconhece-Se nele muito mais do que em toda a Sua criação, cujas maravilhas proclamam, contudo, a Sua sabedoria e o Seu poder. Uma confiança ilimitada, absoluta, assegura à alma interior a sua união com o Pai: ela sabe que nenhuma potência do mundo ou do inferno tem o poder de a abalar. Nada do que foi criado tem poder sobre uma vontade sinceramente abandonada, pois o amor apodera-se dela para estabelecê-la para sempre em Deus.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Festa do Imaculado Coração de Maria (atrasado)

Fonte: Escravas de Maria

São Timóteo, Hipólito e Sinforiano, Mártires

22/08 Quarta-feira 
Festa do Imaculado Coração de Maria de Segunda Classe
Paramentos Brancos
Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Coração Imaculado. A quem a abraçar, prometo a salvação; e estas almas serão amadas com predileção por Deus, como flores colocadas por mim para adornar Seu trono” 
(Nossa Senhora em Fátima)

A festa do Imaculado Coração de Maria foi introduzida em 1944 pelo Papa Pio XII na oitava da assunção. No novo calendário passou a ser determinado com a categoria de “Memória”, no sábado depois da solenidade do Coração de Jesus. Sábado após a festa da Santíssima Trindade. O Imaculado Coração de Maria ganhou grande força com as aparições de Fátima. Consiste na veneração do coração de Maria, mãe de Jesus. Os pastorzinhos de Fátima, foi Nossa Senhora quem, depois de mostrar a visão do Inferno a Lúcia, Jacinta e Francisco, lhes revelou o “Segredo”. Contava a Irmã Lúcia que: “…para salvar as almas, Deus quer estabelecer no mundo a Devoção ao Meu Imaculado Coração” (in Memórias da Irmã Lúcia). O objetivo único desta devoção ao Imaculado Coração de Maria, é a salvação das almas e a conquista da paz. “Se fizerem o que eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão a paz. A guerra vai acabar” (in Memórias da Irmã Lúcia). Com estas palavras, Nossa Senhora foi bastante clara no seu pedido, é em vista das almas que toda a sua mensagem destina-se. Também, esta é a missão da Santa Igreja, “Dai-me almas, e ficai com o resto” já dizia Dom Bosco. A salvação das almas e de toda a humanidade é o fim último no que diz respeito a missão da Igreja nesta terra. ”Deus quer que; todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”. (I Tim 2, 3-4)                                                                           
A salvação de toda humanidade só é possível, porque Maria disse seu sim a Deus. Uma vez que Deus decidiu que o Salvador viesse por meio de Maria, também por meio dela, devemos nós sermos salvos. Salvos por intermédio de Maria Santíssima é, a corredentora com seu Filho Jesus. Ela colabora com Ele no plano de salvação. “Deus quer estabelecer no mundo a Devoção ao Meu Imaculado Coração”. (in Memórias da Irmã Lúcia).  

É admissível que uma esposa e mãe católica tenha um emprego fora de casa?

Fonte: Maria Rosa

Por Pe. Peter Scott
Traduzido por : Andrea Patricia



Não pode ser aceito como algo normal e aprovado pela Igreja que um esposa e mãe seja livre para ter um emprego fora de casa, enquanto seus filhos ainda são dependentes de seus cuidados.
O trabalho das mães fora de casa por um salário é chamado pelo Papa Pio XI “emancipação econômica” em sua encíclica sobre 1930 o matrimônio cristão, Casti Connubii:
“Essa, no entanto, não é a verdadeira emancipação das mulheres, nem a liberdade racional e exaltada, que pertence a nobre tarefa de uma mulher e esposa Cristã; pelo contrário, é o rebaixamento do caráter feminino e da dignidade da maternidade, e de fato da família inteira, resultando que o marido sofre a perda de sua esposa, os filhos de sua mãe, e a casa e toda a família de uma guardiã sempre atenta. Mais do que isso, essa falsa liberdade e igualdade natural com o marido acontece em detrimento da própria mulher, pois se a mulher desce do seu trono verdadeiramente real para o qual ela foi elevada dentro das paredes da casa por meio do Evangelho, ela logo será reduzida ao estado antigo da escravidão (se não na aparência, certamente, na realidade) e tornar-se-á como entre os pagãos um mero instrumento do homem”. (§ 75)
O final da mesma encíclica do Papa é ainda mais explícito. Ele fala sobre os males e as injustiças que desencorajam os casais, e compara o mal de mães que tenham de trabalhar com o de não ser capaz de encontrar um lar adequado.
“Se as famílias, particularmente aquelas em que há muitas crianças, não têm habitações adequadas, se o marido não consegue encontrar emprego e meios de subsistência, se as necessidades da vida não podem ser adquiridas exceto por preços exorbitantes, se até mesmo a mãe da família para o grande mal da casa, é obrigada a sair e ganhar dinheiro por seu próprio trabalho… é patente a todos que as pessoas casadas podem perder o ânimo”. (§ 120)
Claramente, não podemos julgar a situação particular das mães que experimentam a necessidade de trabalhar fora de casa. Pode haver muitas razões que poderiam fazer disso um mal necessário, tais como a doença e o desemprego do marido, ou um marido que não recebem um salário justo, suficiente para sustentar a família. Também pode haver razões psicológicas e profissionais pelas quais uma esposa e mãe possa ser obrigada a permanecer na força de trabalho fora de casa. No entanto, a Igreja ensina claramente que este é um mal. Não podemos fingir que é uma coisa boa, ou que é indiferente, ou que não vai fazer nenhum mal aos seus filhos e familiares. Além disso, nenhuma mulher pode ser liberada de casa dessa forma, sem alterar sua própria consciência do que é ser uma esposa e mãe católica.
Por conseguinte, isso só pode ser tolerado como um mal inevitável e necessário, e desde que seja apenas considerado um arranjo temporário, de curto prazo, e onde um esforço máximo é feita pela mãe e pelo marido para minimizar os efeitos negativos. No entanto, seria muito errado afirmar que isso é uma coisa boa, ou aprovada e autorizada pela Igreja. É na melhor das hipóteses um mal inevitável e necessário, pelo qual se deveria se desculpar, e nunca se gabar.

Original :

Padre Peter Scott é da FSSPX.
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