quinta-feira, 30 de junho de 2011

Imagens da Via-Sacra

Nota do blogue: Um generoso leitor enviou-me imagens bem nítidas das estações da Via-Sacra, segue abaixo caso alguém queira imprimi-las e fazer quadrinhos. Essa prática além de piedosa e bem didática, pois entretém as crianças.

Saudações,

A grande guerra

Imagens da Via-Sacra
(clique nas imagens para ampliá-las)















Belíssima Via-Sacra

Nota do blogue: Segue uma belíssima Via-Sacra, uma das mais piedosas que já vi. Que sua prática piedosamente feita, seja um ato de desagravo ao Santíssimo Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria e nos aproxime do Céu.

VIA-SACRA


Oração preparatória

Meu Senhor Jesus Cristo, que seguistes, com amor infinito, o caminho doloroso de Calvário, e aí morrestes num patíbulo da infâmia, dai-me a graça de Vos acompanhar, e de unir as minhas lágrimas ao Vosso Sangue precioso. Tenho ardente desejo de consolar o Vosso Coração tão bom e tão amargurado pelos nossos pecados e de me associar à Vossa dolorosa paixão e morte... Quem me dera sofrer e morrer por Vós, que sofrestes e morrestes por mim! ... Jesus eu Vos amo de todo o meu coração; arrependo-me sinceramente de Vos ter ofendido e prometo, com a Vossa graça, nunca mais Vos tornar a ofender. Dignai-Vos, meu querido Senhor, conceder-me as indulgências com que Vossos Vigários enriqueceram este santo exercício, e recebei-as em satisfação dos meus pecados, e em sufrágio das almas do Purgatório. 

Maria, Rainha dos Mártires, dai-me o amor e a dor, com que acompanhastes ao Calvário, o Vosso inocentíssimo Jesus. Amém.

I. ESTAÇÃO 
Jesus condenado à morte

Nós vos adoramos Senhor e Vos bendizemos.
Porque pela Vossa santa Cruz remiste o mundo.

Jesus está diante de Pilatos... A que estado O reduziram! A cabeça coroada de espinhos... as faces banhadas em sangue...; todo o corpo lacerado...; os ombros cobertos com um pedaço de púrpura...; as mãos atadas... Inspira compaixão o amabilíssimo Jesus: todavia Pilatos, para agradar aos ingratos judeus, condena à morte o inocente Filho de Deus... Jesus ouve com serenidade a sentença e aceita resignada à morte para salvação dos pecadores... Jesus, eu merecia a morte eterna do inferno; e Vós, o Deus da vida, quisestes morrer para me salvar!... Seja bendita a Vossa bondade infinita!... Dai-me a graça de viver e morrer no Vosso santo amor...

Ó Jesus, eu Vos amo de todo o meu coração... ; arrependo-me sinceramente de Vos ter ofendido e prometo, com a Vossa graça, nunca mais Vos tornar a ofender.

Padre Nosso e Ave Maria.

Senhor, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

II. ESTAÇÃO
Jesus levando a Cruz

Nós vos adoramos Senhor e Vos bendizemos.
Porque pela Vossa santa Cruz remiste o mundo.

Jesus é despido do manto de púrpura e coberto dos Seus vestidos, para que todos O reconheçam e insultem... Apresentam-Lhe a Cruz... O Salvador estende os braços, e, num transporte de ternura, aperta-a ao Coração... e banha-a de lágrimas ... E, pondo-a aos ombros chagados, encaminha-Se para o Calvário... "Aonde ides, meu bom Jesus" - "Vou morrer por ti; depois da Minha morte lembra-te de Mim, e ama-Me!" Jesus, essa Cruz era-me devida a mim, que sou pecador e não a Vós, que sois inocente... Mas o inocente quis pagar pelo pecador. “Sede sempre bendito, ó Senhor”. Abraço, por Vosso amor, todos os desprezos e contrariedades da vida.

Ó Jesus, eu Vos amo de todo o meu coração; arrependo-me sinceramente de Vos ter ofendido e prometo, com a Vossa graça, nunca mais Vos tornar a ofender.

Padre Nosso e Ave Maria.

Senhor, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

III. ESTAÇÃO
Jesus cai pela primeira vez

Nós vos adoramos Senhor e Vos bendizemos.
Porque pela Vossa santa Cruz remiste o mundo.

O Filho de Deus sai do Pretório, oprimido pelo peso da Cruz... Está cheio de amor, mas exausto de forças! ... Tem derramado tanto sangue!... Depois de alguns passos os olhos se Lhe obscurecem, verga sob a Cruz, e cai por terra, penetrando mais e mais os espinhos na delicada cabeça!... Avalia o Seu martírio!... Os algozes enfurecem-se, e, com blasfêmias e golpes, ultrajam e ferem o Cordeiro-divino... Jesus, Vós caístes sob o peso da Cruz, porque eu me precipitei num abismo de iniqüidade... Estendei-me a Vossa mão, para que me levante, e, auxiliado pela Vossa graça, percorra confiadamente o caminho da virtude e da santidade...

Ó Jesus, eu Vos amo de todo o meu coração; arrependo-me sinceramente de Vos ter ofendido e prometo, com a Vossa graça, nunca mais Vos tornar a ofender.

Padre Nosso e Ave Maria.
Senhor, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

IV. ESTAÇÃO
Jesus encontra Sua Santíssima Mãe

Nós vos adoramos Senhor e Vos bendizemos.
Porque pela Vossa santa Cruz remiste o mundo.

Que encontro doloroso! Que olhares de desolação! Maria vê Seu Filho desfalecido e desfigurado, e não Lhe pode valer... Jesus vê sua santa Mãe aflita e desolada e não a pode consolar. . Não falam os lábios, falam os Corações. "Minha Mãe, Minha pobre Mãe!" "Meu Filho, Meu querido Jesus!". E estas palavras traduzem um oceano de afetos e de dores... Duas vítimas inocentes unidas pelo mesmo sacrifício... Jesus, ó Maria! . . com meus pecados fui à causa dos Vossos tormentos... E Vós amastes tanto a minha pobre alma! . . .

Ó Maria, consagro-Vos a minha alma e o meu corpo. Amparai-me, defendei-me sempre, mas, sobretudo, na hora da minha morte.

Ó Jesus, eu Vos amo de todo o meu coração; arrependo-me sinceramente de Vos ter ofendido e prometo, com a Vossa graça, nunca mais Vos tornar a ofender.

Padre Nosso e Ave Maria.

Senhor, tende piedade de nós. 
Senhor, tende piedade de nós.

V. ESTAÇÃO
Jesus ajudado pelo Cirineu

Nós vos adoramos Senhor e Vos bendizemos.
Porque pela Vossa santa Cruz remiste o mundo.

Jesus está fraco e tão abatido, que, a todo o momento, parece morrer!... E é o Senhor do Paraíso, que rege e governa todas as criaturas! ... Os judeus, temendo que a vítima lhes faleça no caminho, e não possa chegar ao lugar da infâmia, obrigam Simão Cirineu a levar a Cruz junto com o Redentor... Ó Jesús, Vós sustentais, com um ato da Vossa onipotência, o céu e a terra, e precisais de amparo?! ... meu bom Deus, a que estado Vos reduziu o Vosso amor pela minha alma. Nunca esquecerei tamanha misericórdia... Pelos merecimentos desta Vossa fraqueza, ajudai-me a levar a cruz que mereço e desejo na qualidade de cristão e de pecador.

Ó Jesus, eu Vos amo de todo o meu coração; arrependo-me sinceramente de Vos ter ofendido e prometo, com a Vossa graça, nunca mais Vos tornar a ofender.

Padre Nosso e Ave Maria.

Senhor, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

VI. ESTAÇÃO 
Jesus no ato em que a Verônica Lhe enxuga o rosto.

Nós vos adoramos Senhor e Vos bendizemos.
Porque pela Vossa santa Cruz remiste o mundo.

Jesus perdeu toda a Sua beleza – Jesus, o mais belo entre todos os filhos dos homens... Já se não conhece... A Sua face está toda ferida e banhada em lágrimas e sangue!... Uma piedosa mulher, vencendo os respeitos humanos, aproxima-se de Jesus, e limpa-Lhe com um véu, a face adorável!... O Salvador, sempre bom e grato deixa impressa naquele véu a Sua imagem. Jesus! Quão feliz foi a Verônica, que Vos limpou a Face desfigurada!... Também eu posso receber esse prêmio... Hoje que os ímpios e os ingratos Vos insultam e blasfemam, dai-me a graça de reparar esses ultrajes...; e, depois, gravai na minha alma a Vossa Face divina...


Ó Jesus, eu Vos amo de todo o meu coração; arrependo-me sinceramente de Vos ter ofendido e prometo, com a Vossa graça, nunca mais Vos tornar a ofender.

Padre Nosso e Ave Maria.

Senhor, tende piedade de nós. 
Senhor, tende piedade de nós.

VII. ESTAÇÃO
Jesus cai pela segunda vez

Nós vos adoramos Senhor e Vos bendizemos.
Porque pela Vossa santa Cruz remiste o mundo.

O Coração de Jesus está pronto a sofrer e a morrer; mas a Sua SS. Humanidade desfalece... Caminha com passo trêmulo, incerto, vacilante... O sangue, que Lhe desfigura a face, turva-Lhe o olhar... e afinal o divino Mestre cai por terra... pela segunda vez!... A violência da queda reabre todas as feridas do Seu Corpo... ; os espinhos rasgam ainda mais aquela delicada cabeça... Os algozes levantam o manso Cordeiro, arrastando-O e ferindo-O! ... Ó Jesus! As minhas repetidas culpas causaram a Vossa nova queda... Se eu não tivesse cometido tantos e tão graves pecados, seria menos intenso o Vosso sofrimento... Perdoai-me tamanha ingratidão, pela Vossa infinita misericórdia.

Ó Jesus, eu Vos amo de todo o meu coração; arrependo-me sinceramente de Vos ter ofendido e prometo, com a Vossa graça, nunca mais Vos tornar a ofender.

Padre Nosso e Ave Maria.

Senhor, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

VIII. ESTAÇÃO 
Jesus consola as filhas de Jerusalém

Nós vos adoramos Senhor e Vos bendizemos.
Porque pela Vossa santa Cruz remiste o mundo.

Umas piedosas mulheres, vendo-O ensangüentado e vacilante sub o peso da Cruz, choram e se compadecem d'Ele! ... Jesus, esquecido dos Seus sofrimentos, as consola e instrui, dizendo-lhes que chorem, sobretudo os próprios pecados e os pecados dos homens, que são a causa dos martírios de um Deus e da perdição de tantas almas... Ó Jesus, dai-me lágrimas, lágrimas de amor e de arrependimento, para que chore sempre os meus pecados e os Vossos martírios e assim desagrave o Vosso Coração aflitíssimo! . . E depois, quando eu agonizar no leito da morte, ah! vinde consolar e receber a minha pobre alma...

Ó Jesus, eu Vos amo de todo o meu coração; arrependo-me sinceramente de Vos ter ofendido e prometo, com a Vossa graça, nunca mais Vos tornar a ofender.

Padre Nosso e Ave Maria.

Senhor, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

IX. ESTAÇÃO 
Jesus cai pela terceira vez

Nós vos adoramos Senhor e Vos bendizemos.
Porque pela Vossa santa Cruz remiste o mundo.

Jesus, desfalecido e exausto, cai de novo por terra e novamente fere nas pedras a fronte coroada de espinhos... Um Deus por terra! ... Mas, à vista do Calvário, reanima-Se e levanta-se... O amor dá-Lhe novas forças! . .  tão ardente o Seu desejo de morrer pelos homens ainda que pecadores e ingratos!... Oh! só um Deus pode amar assim! Ó Jesus! São tantos e tão graves os meus pecados que, para expiá-los, dir-se-ia que não basta uma só queda de um Deus... É necessário que muitas vezes humilheis à terra a Vossa divina face...
Oh! dai-me a Vossa graça, para que deteste os meus pecados e Vos siga no caminho das humilhações e dos sofrimentos...

Ó Jesus, eu Vos amo de todo o meu coração; arrependo-me sinceramente de Vos ter ofendido e prometo, com a Vossa graça, nunca mais Vos tornar a ofender.

Padre Nosso e Ave Maria.

Senhor, tende piedade de nós. 
Senhor, tende piedade de nós.

X. ESTAÇÃO 
Jesus despido e amargurado com fel.

Nós vos adoramos Senhor e Vos bendizemos.
Porque pela Vossa santa Cruz remiste o mundo.

Eis o Calvário!... Os algozes arrancaram a Jesus a túnica presa ao Seu Corpo lacerado... Abrem-se de novo as feridas... Rebenta mais sangue... Não satisfeito, amarguram com fel a boca do dulcíssimo Redentor... Jesus tudo sofre com paciência e amor, e oferece todos os Seus tormentos ao divino Pai, para a salvação dos pobres pecadores... Jesus, eu me compadeço dos tormentos que sofreis por mim!  Como hei de agradecer-Vos tamanha bondade? Completai, Senhor, a Vossa misericórdia. Despi-me dos meus vícios e paixões...; vesti-me de humildade, de pureza e de caridade...; tornai-me amargos os prazeres da vida e doces as mortificações e os sofrimentos.

Ó Jesus, eu Vos amo de todo o meu coração; arrependo-me sinceramente de Vos ter ofendido e prometo, com a Vossa graça, nunca mais Vos tornar a ofender.

Padre Nosso e Ave Maria

Senhor, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

XI. ESTAÇÃO 
Jesus Cristo pregado na Cruz

Nós vos adoramos Senhor e Vos bendizemos.
Porque pela Vossa santa Cruz remiste o mundo.

A uma ordem dos algozes, o Salvador estende sobre a Cruz, o Seu Corpo lacerado, e, levantando os olhos ao Céu apresenta as mãos e os pés para serem trespassados pelos cravos... Aos golpes repetidos do martelo, rasga-se a pele, dilacera-se a carne, rompem-se as veias... O doce Jesus sofre um martírio imenso...; mas não se queixa..., pede, adora e ama Ó Jesus, dissestes um dia que, pregado no madeiro, teríeis atraído a Vós todos os corações... Atraí o meu coração com a força suave e irresistível do Vosso amor; pregai-o na Vossa Cruz bendita, para que nunca mais se afaste de Vós... Está-se tão bem aos Vossos pés! ...

Ó Jesus, eu Vos amo de todo o meu coração; arrependo-me sinceramente de Vos ter ofendido e prometo, com a Vossa graça, nunca mais Vos tornar a ofender.

Padre Nosso e Ave Maria.

Senhor, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós


XII. ESTAÇÃO 
Jesus Cristo morre na Cruz

Nós vos adoramos Senhor e Vos bendizemos.
Porque pela Vossa santa Cruz remiste o mundo.

Pobre Jesus! Quanto sofre!... Está pendente de três cravos... Não encontra o menor alivio... Todos concorrem para atormentá-lO... E ele pensa em todos... Pensa nos algozes, e pede para eles perdão... Pensa no Bom Ladrão, e promete-lhe o Céu... Pensa na Sua Mãe, e dá-Lhe João por amparo... Pensa em nós e dá-nos Maria por Mãe... Como Jesus é bom!... Mas Ele morre... Inclina a cabeça... solta o último suspiro! ... Morreu... Um Deus morreu por mim!

Deixai-me, ó Jesus, abraçar-me aos Vossos pés ensangüentados; e deixai-me viver e morrer aqui! . ... Ah! é justo que a criatura viva e morra pelo seu bom Deus, que viveu e morreu pela Sua miserável criatura!

Ó Jesus, eu Vos amo de todo o meu coração; arrependo-me sinceramente de Vos ter ofendido e prometo, com a Vossa graça, nunca mais Vos tornar a ofender.

Padre Nosso e Ave Maria.

Senhor, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

XIII. ESTAÇÃO 
Jesus nos braços de Sua Mãe

Nós vos adoramos Senhor e Vos bendizemos.
Porque pela Vossa santa Cruz remiste o mundo.

Que desolação para Maria, receber em Seus braços a Jesus não belo e cândido como em Belém, mas todo ferido e desfigurado!... Inclina-Se sobre o Seu Filho morto e chora inconsolávelmente! ... Depois reanima-se e considera os estragos que fizeram naquele santíssimo Corpo os flagelos, os espinhos, os cravos, a lança!... Pobre Mãe! Ter um Filho, como Jesus, e perdê-lO... e de um modo tão cruel... que desolação! Maria, fui eu que, pelos meus pecados, dei a morte a Jesus e causei tão acerbas dores ao Vosso Coração... Senhora, não me desampareis. Não vedes que a minha alma está banhada no sangue de Jesus, que é também sangue de Vossas veias?  Perdoai-me as minhas ingratidões impetrai-me a graça de viver unicamente para Jesus... Amo-Vos, minha boa Mãe, e espero amar-Vos por toda a eternidade!

Ó Jesus, eu Vos amo de todo o meu coração; arrependo-me sinceramente de Vos ter ofendido e prometo, com a Vossa graça, nunca mais Vos tornar a ofender.

Padre Nosso e Ave Maria.

Senhor, tende piedade de nós. 
Senhor, tende piedade de nós.

XIV. ESTAÇÃO 
Jesus no santo sepulcro

Nós vos adoramos Senhor e Vos bendizemos.
Porque pela Vossa santa Cruz remiste o mundo.

Jesus está encerrado no sepulcro... A Sua aniquilação não podia ser mais completa... É o Deus da vida, mas aqui não vive... Contempla-O pela última vez! A Sua fronte está rasgada pelos espinhos; os olhos, fechados; os lábios, mudos; as mãos e os pés, traspassados; o Coração... oh! aquele Coração que tanto amou e sofreu, já não bate! Jesus, o bom Jesus, está morto e sepultado! Jesus, adoro-Vos no santo sepulcro! Eis o que ganhastes com o Vosso amor excessivo a mim, ingratíssimo pecador! ... Seja sempre bendita a Vossa Misericórdia!... Dai-me a graça de me esconder do mundo e de viver no Vosso Coração dulcíssimo... Ali, encontrarei a paz, a felicidade, o Paraíso.

Ó Jesus, eu Vos amo de todo o meu coração; arrependo-me sinceramente de Vos ter ofendido e prometo, com a Vossa graça, nunca mais Vos tornar a ofender.

Padre Nosso e Ave Maria.

Senhor, tende piedade de nós. 
Senhor, tende piedade de nós.

Oração final

Ó Jesus! Seja sempre bendito o Vosso Coração amabilíssimo! Meu Deus, quem teria sido capaz de dar uma só gota de sangue por mim! ... E Vós destes todo... até a última gota... para salvar a minha alma! ... Todavia, quantas vezes para agradar às criaturas, Vos tenho desprezado, meu sumo Bem! Oh! perdoai-me pelo Vosso sangue precioso! ... Quero para o futuro amar-Vos de todo o meu coração... e cumprir fielmente a Vossa santíssima vontade ... Amparai-me sempre com a Vossa graça... Concedei-me que o meu último alimento seja o Vosso Corpo adorável! que a minha última palavra seja o Vosso Nome Bendito, que o meu último suspiro seja um suspiro de amor e de arrependimento! Ó Jesus, pela desolação imensa que sofrestes no Calvário, especialmente quando a Vossa Alma se separou do Vosso Corpo divino, tende piedade da minha alma, quando sair do meu corpo miserável... Assim, depois de Vos ter seguido nas breves tribulações da vida, eu Vos seguirei na felicidade eterna do Paraíso... Amém

(Manual do Coração de Jesus, 26ª Edição Brasileira, 1951)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Meditação


Bela frase de Santo Afonso Maria de Ligório citado no livro O Padre Santificado.
"O que não medita as verdades eternas não pode sem milagre viver como cristão; porque sem a oração mental a gente está sem luz, marcha-se nas trevas. Não podendo as verdades da fé ser percebidas pelos olhos do corpo, mas somente pelos da alma, quando se medita, o que as não medita não as vê e por conseguinte marcha nas trevas, e neste caso é muito natural que se ligue aos objetos sensíveis e despreze os bens eternos".

terça-feira, 28 de junho de 2011

Devemos reconhecer como de Deus todo o amor que Lhe dedicamos

Devemos reconhecer como de Deus
todo o amor que Lhe dedicamos 


O amor dos homens para com Deus tira a sua origem, progresso e perfeição do amor eterno de Deus para com os homens. E' o sentimento universal da Igreja nossa mãe, a qual, com zelo ardente, quer que reconheçamos a nossa salvação, e os meios para a ela chegar, como oriundos só da misericórdia do Salvador, a fim de que na terra como no céu só a Ele seja dada honra e glória. 

Que tens tu que não hajas recebido? diz o divino Apóstolo falando dos dons de ciência, eloqüência e de outras que tais qualidades dos pastores eclesiásticos, e, se o recebeste, por que te glorificas disso como se o não houvesses recebido (I Cor 4, 7)? 

E' verdade, nós tudo havemos recebido de Deus; mas, acima de tudo, havemos recebido os bens sobrenaturais do santo amor. 

E, se os havemos recebido, por que havemos de conceber glória deles? 

De certo, se alguém se quisesse enaltecer por haver feito algum progresso no amor de Deus, ai! mesquinho homem, dir-lhe-íamos, estavas inerte na tua iniqüidade, sem que te houvesse ficado nem vida nem força para te levantares (como sucedeu à princesa da nossa parábola, livro III, cap. 3), e Deus, pela Sua infinita bondade, acudiu em teu auxílio, e, bradando em altas vozes: Abre a boca da tua atenção, e enchê-le-ei (Sl 80, 2), Ele próprio pôs Seus dedos entre teus lábios e descerrou teus dentes, lançando dentro do teu coração a Sua santa inspiração, e recebeste-a; depois, tornando tu aos teus sentidos, por diversos movimentos e diferentes meios Ele continuou a revigorar-te o espírito, até infundir nele a Sua caridade, como a tua vital e perfeita saúde.

Ora, dize-me, pois agora, mísero, em tudo isso que fizeste, de que é que te podes gabar? Consentiste, bem o sei: o movimento da tua vontade seguiu livremente o movimento da graça celeste; mas tudo isso que outra coisa é senão receber a operação divina e lhe não resistir? e que há nisso que não hajas recebido? Sim, pobre homem que és, recebeste até mesmo a recepção de que te glorificas, e o consentimento de que te gabas; porquanto, dize-me, rogo-te, não me hás de confessar que, se Deus te não houvesse prevenido, nunca terias sentido a Sua bondade, nem, por conseguinte consentido no Seu amor? Não, nem sequer terias tido um só bom pensamento para Ele. O Seu movimento deu o ser e a vida ao teu, e, se a Sua liberalidade não houvesse animado, excitado e provocado a tua liberdade pelos poderosos atrativos da Sua suavidade, a tua liberdade teria permanecido sempre inútil para a tua salvação. 

Confesso que cooperaste na inspiração consentindo; mas, se não o sabes, eu te faço saber que a tua cooperação nasceu da operação da graça e da tua livre vontade conjuntamente, mas de tal sorte, todavia que, se a graça não houvesse prevenido e enchido teu coração com a sua operação, jamais teria ele tido nem o poder nem o querer de fazer qualquer operação. 

Mas, dize-me de novo, rogo-te, homem vil e abjeto, não és ridículo quando pensas ter parte na glória da tua conversão porque não repeliste a inspiração? Não é fantasia dos ladrões e dos tiranos o pensarem dar a vida àqueles a quem não a tiram? e não é uma louca impiedade pensares que tenhas dado a santa, eficaz e viva atividade à inspiração divina porque não lha tiraste por tua resistência. Não podemos impedir os efeitos da inspiração, mas não lhos podemos dar: ela tira sua força e virtude da bondade divina, que é o lugar da sua origem, e não da vontade humana, que é o lugar do seu acesso. 

Acaso não nos indignaríamos com a princesa da nossa parábola se ela se gabasse de ter dado a virtude e propriedade às águas cordiais e outros medicamentos, ou de se haver curado por si mesma? porque, se ela não houvesse recebido os remédios que o rei lhe deu e lhe derramou na boca, quando semimorta quase não tinha mais sentimento, eles não teriam tido operação.

Dir-lhe-íamos: Sim, ingrata que sois, bem vos podíeis obstinar em não receber os remédios, e mesmo, havendo-os recebido em vossa boca, podíeis vomitá-los: mas não é verdade, entretanto, que lhes tenhais dado o vigor ou virtude, pois eles o tinham por sua propriedade natural. Apenas consentistes em recebê-los e em que eles fizessem a sua ação, e, ainda assim, nunca teríeis consentido se o rei não vos houvesse primeiramente revigorado e depois solicitado a tomá-los: nunca os teríeis recebido se ele vos não houvesse ajudado a recebê-los, abrindo-vos a boca com seus dedos, e derramando a poção dentro dela. Não sois, pois, um monstro de ingratidão em vos quererdes atribuir um bem que de tantos modos deveis ao vosso caro esposo?

O admirável peixinho a que chamam equinóide, rêmora ou pára-nau (1), tem realmente o poder de parar ou não parar o navio que singra o alto mar a plenas velas; mas não tem o poder de fazê-lo nem vogar, nem singrar ou abicar; pode impedir o movimento, mas não o pode dar. O nosso livre arbítrio pode deter e impedir o curso da inspiração, e, quando o vento favorável da graça celeste enfuna as velas do nosso espírito, em nossa liberdade está recusar o nosso consentimento, e impedir por esse meio o efeito do favor do vento; mas, quando o nosso espírito singra e faz felizmente a sua navegação, não somos nós que fazemos vir o vento da inspiração, nem que enchemos dele as nossas velas, nem que damos o movimento à nau do nosso coração: mas apenas recebemos o vento que vem do céu, consentimos no seu movimento, e deixamos ir à nau sob o vento sem a impedir pela rêmora da nossa resistência. 

E', pois, a inspiração que imprime no nosso livre arbítrio a feliz e suave influência pela qual não somente lhe faz ver a beleza do bem, mas o aquece, o ajuda, o reforça e o move tão docemente, que por esse meio ele se compraz e se coloca livremente no partido do bem. 

O céu prepara as gotas do fresco orvalho na primavera, e verte-as em chuva sobre a face do mar, e as madrepérolas que abrem suas conchas recebem essas gotas, que se convertem em pérolas; mas, ao contrário, as madrepérolas que têm suas conchas fechadas não impedem que as gotas caiam sobre elas; impedem, todavia que caiam dentro delas. Ora, o céu enviou seu orvalho e sua influência sobre uma outra madrepérola? E por que foi então que uma por efeito produziu sua pérola, e a outra não? O céu tinha sido liberal para a que ficou estéril tanto quanto era requerido para torná-la fértil, porém ela impediu o efeito do seu benefício mantendo-se fechada e coberta. E, quanto à que concebeu a pérola, esta nada tem nisso que não haja recebido do céu, nem sequer a sua abertura pela qual recebeu o orvalho; porquanto sem o sentimento dos raios da aurora que docemente a excitaram, ela não teria vindo à superfície do mar, nem teria aberto a sua concha. 

Teótimo, se nós temos algum amor a Deus, caiba a honra e a glória disso a Ele que tudo fez em nós, e sem quem nada foi feito; a nós caiba a utilidade e a gratidão.

Pois é a partilha da Sua divina bondade conosco, o deixar-nos Ele o fruto dos Seus benefícios e reservar-Se a honra e o louvor deles; e certamente, já que todos nós nada somos senão por Sua graça, nada devemos ser senão para Sua glória. 

1) Equinóide ou rêmora, peixinho de mar, ao qual os antigos atribuíam o poder de parar os navios. 

(Tratado do amor de Deus - São Francisco de Sales, livro quarto, capítulo VI)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O padre e o bom exemplo

Nota do blogue: Segue um capítulo do livro: O Padre Santificado pelo Pe. A.A. Moraes Junior, do Instituto de direito social de S.Paulo e Pároco de Guaratinguetá, edição de 1943, editora Vozes.

Ótimo e raro livro que mostra a dignidade e aponta as responsabilidades dos padres.
Será o próximo que digitalizarei!

Rezemos pelo santificação do clero.

Saudações,
A grande guerra

Bom exemplo - Modéstia - Amor do retiro, da regra e do estudo. 
Vida Santa - Excelentes efeitos do bom exemplo.
Ruína das almas por causa do escândalo dos padres. 



O padre santo edifica a todo o mundo pelo bom exemplo que dá, porque todas as virtudes se encontram nele. Pelo contrário, o mau padre, e até o tíbio e relaxado, tem falta de algumas virtudes essenciais, ou pratica muito imperfeitamente as fracas virtudes que possui; do mesmo modo sua vida ou é escandalosa ou muito pouco edificante 
"O exemplo, diz Massillon, é o primeiro dever de nosso estado; sem ele, ou todas as nossas funções se tornam inúteis, ou são uma ocasião de queda e de escândalo para os povos que o Senhor nos confiou em Sua bondade".
Devemos edificar os povos por uma vida verdadeiramente santa, porque nosso divino Salvador nos dá por missão guiar os povos e ser Sua luz. Devemos edificar os fiéis, assim no-la recomenda o grande Apóstolo: "in omnibus teipsum praebe exemplum bonorum operum, in doctrina, in integritate, etc. Exemplum esto fidelium in verbo, in conversatione, in charitate, etc."  
"Todo pastor que escandaliza, diz Santo Agostinho, causa a morte às ovelhas, que deve apascentar."  
Devemos edificar, porque nossa missão essencial é salvar as almas, e salvá-las-emos muito mais pelo exemplo de uma vida santa, do que por nossos talentos e por nossas pregações. Devemos edificar, porque, para um padre, não edificar é escandalizar, e escandalizar é arruinar, é aniquilar o sacerdócio; é fazer-se auxiliar do demônio e destruir o edifício da salvação dos povos, que Jesus Cristo erigiu por Seu Evangelho, por Seus trabalhos, por Suas fadigas, por Seus suores e por Seu sangue. 

O padre santo pode estigmatizar todos os vícios, porque sabe-se que não é escravo de nenhum; pode pregar as virtudes, sem exceção de uma só, porque sabe-se que as pratica todas. 
            
O padre deve ser na Igreja um tipo vivo e manifesto de todas as virtudes. Eis o que no padre deve edificar o próximo: sua pessoa exterior - suas palavras e suas obras. A modéstia é a compostura digna, amável e bem regulada de todo o exterior. Ela não é somente um poderoso meio de edificação para o próximo, é também um principio eficaz de santificação pessoal para o que a observa. Devemos ser tão edificantes e reservados nas palavras, que todos possam dizer de nós o que se dizia de nosso divino Salvador ouvindo-O falar: "omnes mirabantur in verbis gratiae quae procedebant de ore ejus."

Sejamos circunspectos antes de falar, e não profiramos uma só palavra sem primeiro a ter pesado, conforme este belo dito de Santo Agostinho: "omnia verba prius veniant ad limam quam ad linguam;" o que não acontece com os que, falando sempre precipitadamente, começam de atirar suas ascumas, em vez de chorar o mal irreparável que elas causam.

É a necessidade que sente o padre santo, em si mesmo, de dar bom exemplo a todo o mundo por suas conversas, que o leva a regular de tal modo sua língua, que não deixa nunca escapar voluntariamente um só palavra que ofenda o decoro ou uma qualquer virtude, impondo-se pelo cortejo de virtudes, que o acompanha sempre por toda a parte, onde se encontra! Admira-se sua amável doçura, sua fervorosa piedade, sua graciosa modéstia, sua edificante caridade, sua natural candura, seu zelo de apostolo, sua afabilidade de pastor e essa inocente alegria sempre retida pelo justo grau de reserva que lhe impõe o caráter sacerdotal. Todos se julgam felizes quando ele aparece, todos ficam com pesar quando se ausenta; e depois de ter embalsamado a casa, que deixa, com o perfume de sua virtude e com o suave odor de Jesus Cristo, não se cansam de repetir: "Eis o homem de Deus! Eis o bom pastor! Eis o padre santo!

Que imensa diferença haveria, entre este padre santo, cujo exemplo edifica e arrasta muitas almas para Deus, e aquele que nada fizesse pela glória de seu divino Senhor e pelo bem das almas! 

Se, por exemplo, não dá quase nenhuma prova de sua piedade; se deixa ver que o santo tribunal o enfastia, que não vai a ele senão contra a vontade; se se sabe, com certeza, que vive sem regra e em uma contínua desordem, que a ociosidade tem para ele tanto mais de encanto quanto o estudo tem de menos, que a vida do retiro lhe é insuportável; se com muita razão passa por ser aferrado aos bens terrenos, se até é conhecido pelo título odioso de avarento; se dá o exemplo da impureza, ou pelo menos, sem ostentar publicamente suas desordens, passa geralmente por ter costumes suspeitosos e mais que suspeitosos; quem o proclamará um padre santo? Quem não dirá pelo contrário: "que padre!

Salvemos, salvemos os povos pelo exemplo e não os conduzamos ao inferno por nossos escandalosos. 

Caridade

Caridade 

"Amemos, amenos a Deus de todo o nosso coração; não somos cristãos se ao menos não nos esforçamos por amá-lO, ao menos não desejamos este amor. Se o não pedimos ardentemente a esse divino Espírito que nos vivifica. Não quero dizer que, sob pena de condenação eterna, sejamos obrigados a ter a perfeição da caridade. Não, fiéis, somos pobres pecadores: o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo desculpará perante Deus nossas faltas, contanto que delas façamos penitência. Eu não vos digo, pois, que sejamos obrigados a ter a perfeição da caridade, mas digo-vos e asseguro-vos que somos indispensavelmente obrigados a procurá-la, segundo a medida que nos é dada, sem o que não somos cristãos. Coragem, trabalhemos para a caridade. Ela é todo o cristianismo. Quando apurais vossa caridade, preparais um ornamento para o céu: a fé perde-se na visão intuitiva; a esperança desaparece pela posse efetiva; só a caridade é que nunca pode acabar". (Bossuet)

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Espírito da vida interior

Espírito da vida interior


Espírito de adoração eucarística expresso
pelos quatro fins do Sacrifício do Altar
(Adoração, Ação de graças, propiciação e Impetração)
por 
São Pedro Julião Eymard

Mas qual o espírito que deve inspirar e dominar a vida interior dum Agregado do Santíssimo Sacramento?

É o próprio espírito da adoração eucarística, expresso pelos quatro fins do Sacrifício do Altar. A vida da alma interior é um prolongamento de sua oração: é justo, pois, que uma mesma seiva e um mesmo espírito animem a ambas.

Toda a vida, todos os pensamentos, todas as obras do Agregado deverão, pois, levá-lo a adorar, agradecer, reparar e orar, pela maior glória do Deus da Eucaristia. Devendo, por conseguinte, entranhar-se na natureza de cada uma dessas homenagens, dos atos e dos sentimentos que lhes são próprios, a fim de produzi-los com freqüência e de lhes adquirir a facilidade e o hábito. 

I - Adoração 

1.° - Adorar a Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento é reconhecê-lO, real, verdadeira e substancialmente presente, pelo humilde sentimento duma Fé viva e espontânea, que submete a fraqueza da razão humana à Divindade de tão sublime Mistério. Não devemos querer, como o Apóstolo incrédulo, ver ou tocar para convencer-nos da verdade de Jesus-Hóstia, mas esperar apenas, para podermos prostrar-nos aos Seus pés e ouvir esta palavra infalível e suave da santa Igreja, repetindo-nos, com São João Batista: "Eis o Cordeiro de Deus, eis aquele que apaga os pecados do mundo". 

2.º - Adorar a Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento é oferecer-Lhe a homenagem soberana de todo o nosso ser: do corpo, pelo mais profundo respeito; do espírito, pela fé; do coração, pelo amor; da vontade, pela obediência; de todos os sentidos por um absoluto acatamento; em união com o louvor de todos os verdadeiros adoradores de Jesus Cristo, em união com as adorações da santa Igreja, da Santíssima Virgem, quando ainda na terra, e de toda a Corte Celeste. Prostrada ao pé do Trono do Cordeiro, essa Corte oferece-Lhe a homenagem de suas coroas, dizendo:
"É digno o Cordeiro que foi imolado e que nos remiu para Deus, com o Seu Sangue, fazendo de nós um reino para Deus Pai, é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a fortaleza, a honra, a glória e a bênção!" (Ap. 5,9- 10. l2 - Vulg.). 
3.° - Adorar a Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento é adorar a grandeza, a ternura de Seu Amor pelos homens, que O levou a instituir e a perpetuar a divina Eucaristia, para ser sempre a Vítima de salvação, o Pão celeste e a consolação do homem peregrino na terra.

4.° - Adorar, finalmente, a Jesus Cristo sacramentado é fazer da divina Eucaristia o fim de nossa vida, o objeto final de nossa piedade, o alvo de amor de nossas virtudes e de nossos sacrifícios. Tudo pela maior glória de Jesus no Santíssimo Sacramento, tal deve ser a senha de toda a vida do adorador. 

II- Ação de graças 

Todo benefício requer ação de graças, e quanto maior for o benefício, maior também será a gratidão. 

Ora, a Santíssima Eucaristia é o benefício dos benefícios do Salvador. Seu Amor encontrou o segredo de reunir todos os Seus bens, todas as Suas graças, todas as Suas virtudes, todos os Seus amores no dom régio da Eucaristia. É a quintessência de todas as Suas maravilhas, a glorificação sacramental de todos os Mistérios de sua Vida. É a Vida temporal e a Vida celeste do Salvador reunidas em seu Sacramento, a fim de ser, para o homem, fonte inexorável de Graça e de Glória, de santidade e de amor: a fim de que o amor do homem peregrino seja tão rico quanto o amor do habitante dos Céus.

Perante tal Bondade por parte de Jesus Cristo, qual será o reconhecimento do coração do homem, considerando-se a si mesmo como o fim da Eucaristia, da Encarnação, do Calvário! Como louvar dignamente tamanha Bondade? Que ação de graças jamais corresponderá a semelhante Dom? Que amor pagará tal soma de Amor? Faltam palavras adequadas ao pobre, sob a impressão dum dom régio, duma visita real, que o liberte da miséria e o coroe de honra e de glória; só dispõe de lágrimas de surpresa e de júbilo: a felicidade oprime-o, fá-lo desfalecer. 

Tal seria também a nossa ação de graças pela divina Eucaristia, se nos fosse dado compreender melhor o seu imenso beneficio; se pudéssemos conhecer melhor, dum lado a Jesus Cristo, e do outro a nossa profunda miséria. O homem, a quem a bondade torna feliz, é levado pelo amor a dedicar-se ao seu benfeitor. Presta-lhe a homenagem de tudo quanto tem, qual Zaqueu; segue-O, como os Apóstolos; acompanha-o até o Calvário, como João e Madalena. 
           
Mas isso ainda não lhe basta ao coração: a Santíssima Eucaristia será sua própria ação graças. Oferece-a ao Pai celeste em reconhecimento de lha ter dado.

Oferece a Jesus Cristo o próprio Dom de seu Amor, dizendo-Lhe com o profeta: "Que darei ao Senhor por todos os bens com que me sacia? Tomarei o cálice de salvação, e invocarei o Nome do Senhor" (Sl. 115,12- 13). Repete, com Maria, Sua divina Mãe, o cântico de êxtase de sua gratidão, e com o velho Simeão, o Nunc dimittis. Porquanto, depois da Eucaristia, só resta o Céu - e não é ela um Céu antecipado? 


 III- Propiciação 

A propiciação é, em primeiro lugar, a reparação de honra, feita a Jesus Cristo pela ingratidão e pelos ultrajes de que é objeto em Seu Sacramento de Amor; é também a satisfação de misericórdia, implorando perdão e graça para os culpados. 

1.º- Reparação de honra. Nosso Senhor Jesus Cristo é mais ofendido em Seu estado sacramental do que nos dias de Sua Paixão. Então foi humilhado, insultado, renegado e crucificado, mas por um povo que não O conhecia, por uns carrascos mercenários.

Aqui, Jesus é renegado pelos Seus que já O adoraram, que comungaram, que O reconheceram como o seu Deus. Jesus é humilhado por Seus filhos, a quem o respeito humano, a vergonha, o orgulho tornam apóstatas.

Jesus é insultado por servos a quem prodigalizou honras e bens, servos mercenários, a quem o hábito das coisas sagradas torna pouco respeitosos, profanadores, sacrílegos até, como outrora os mercadores do templo, expulsos por Jesus. Jesus é vendido por Seus amigos - e quantos Judas há no mundo! E vendemos Jesus a um ídolo, a uma paixão, ao próprio demônio. Jesus é crucificado por aqueles a quem tanto amou, e que se utilizam de Seus dons para insultá-lO, de Seu Amor para desprezá-lO, de Seu silêncio e de Seu véu sacramentais para encobrir o sacrilégio eucarístico: crime abominável! Jesus Cristo é então crucificado no comungante e entregue ao demônio que nele reina! 

E esses horrendos sacrilégios se renovaram e se renovam ainda diariamente em todo o universo. Só Deus lhes conhece o número e a malícia. E ele, o Deus de Amor, será tratado assim até o fim do mundo! 

Ora, ante tamanho Amor dum lado e tamanha ingratidão do outro, o coração do reparador se deveria fender, como o monte Calvário; seus olhos se deveriam tomar em duas fontes inesgotáveis de lágrimas e obscurecer-se como o sol à vista do deicídio; seus membros deveriam tremer de pavor e de horror, como tremeu a terra por ocasião da morte do Salvador. 

Mas a esse sentimento de dor e de medo deve suceder outro, de expiação ao Amor de Deus, tão desconhecido e ultrajado. A alma deve fazer um ato de reparação e de amor à Vítima divina, como o fizeram o centurião, os carrascos e o povo contrito, como o faz a santa Igreja pelo seu Sacerdócio nos dias de luto e de crime. Como Maria, ao pé da Cruz, é preciso sofrer com Jesus, amá-lO por aqueles que não O amam, adorá-lO por aqueles que O ultrajam, mormente se entre esses ingratos e sacrílegos houver parentes ou amigos nossos. Mas a reparação se imporia com maior força ainda se, desgraçadamente, fôssemos nós mesmos culpados para com o Deus da Eucaristia, ou se fôssemos, pelo escândalo, causa de pecado por parte do próximo. 

Ah! então a justiça pede uma reparação igual à ofensa. Será que nós, também, havemos de merecer a doce repreensão do Salvador? 
"Vós, a quem amei com tanto Amor, a quem prodigalizei favores insignes, vós Me abandonais, Me desprezais, Me crucificais! Fácil seria compreender o esquecimento dos homens terrestres, a indiferença dos escravos do mundo, o desprezo mesmo daqueles que não têm fé, que nunca gozam das delícias de Meu Sacramento; mas vós, Meu amigo, Meu comensal, vós, esposa de Meu Coração!" 
Tais sejam talvez as justas censuras do Coração de Jesus. A nós cabe abaixar a cabeça de vergonha e partir a alma de dor. Jesus, numa revelação a santa Margarida Maria, mostrou-lhe o Seu Coração ferido, coroado de espinhos, encimado por uma cruz, e dirigiu-lhe estas palavras:
"Tenho uma sede ardente de ser amado pelos homens no Santíssimo Sacramento, e não encontro quase ninguém que se esforce, segundo o Meu desejo, para Me desalterar, usando para comigo de alguma paga!"
2.° - Propiciação de misericórdia. A propiciação seria incompleta em se limitando à reparação. Embora satisfizesse a Justiça Divina, não satisfaria o Amor de Jesus. Que quer este Amor? Quer a salvação dos homens e o perdão dos maiores pecadores. Queria perdoar a Judas; pedia perdão para os seus carrascos, enquanto estes O insultavam. E, no Altar, não é sempre a Vítima de propiciação pelos pecadores? Sua Paciência em suportá-los, Sua Misericórdia em perdoar-lhes, Sua Bondade em recebê-los no regaço paterno, eis a vingança do Amor, eis Seu triunfo! 

Nessa obra divina de perdão, Jesus carece, por assim dizer, dum associado, dum cooperador, que repita com Ele ao Pai a oração da Cruz: "Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem" (Lc 23,43). Carece duma vítima que acabe em si mesma o que falta a Seu estado de imolação sacramental: o sofrimento, o sacrifício efetivos. As almas só se redimem a tal preço - preço outrora pago no monte Calvário. Mas também quão sólidas, generosas, perfeitas, serão as conversões que, merecidas em comum por Jesus e pela alma reparadora, partirão do Tabernáculo divino! Ah! é principalmente aí que devemos procurar a redenção das almas, a conversão dos grandes pecadores, a salvação do mundo.  

IV- Impetração 

A impetração é o aposto lado eucarístico da oração, é o fruto natural da adoração, da ação de graças e da propiciação. 

Este apostolado de oração honra a Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento como a Fonte divina de todo Dom e de toda Graça. Com efeito, a Santíssima Eucaristia é-lhe um tesouro inesgotável, um reservatório mais largo e mais profundo que o oceano. Jesus aí depositou as Suas virtudes, todos os Seus méritos, o preço infinito de Sua Redenção, colocando tudo isso à disposição do homem, mediante uma só condição: ele irá procurá-las, solicitá-las de Sua Bondade sempre pronta a prodigalizar-lhes os Seus bens. 

Do fundo do Tabernáculo, Jesus clama a todos aqueles que sofrem, que estão necessitados, desgraçados: 

"Vinde a Mim e Eu vos aliviarei". É sempre o bom Samaritano, o Médico divino de nossas almas, que há de curá-las de todas as chagas do pecado e que há de purificar (I) e santificar nossos corpos pelo Seu Corpo sagrado. É sempre o bom Pastor a amar Suas ovelhas, a nutri-las com Sua Carne e com Seu Sangue.

Mas está triste, pois há muitas ovelhas desgarradas, que o lobo raptador Lhe arrebatou. Chora-lhes a perda, chama-as, solicita-as. Não pode, porém, ir em sua busca. Então, para consolar o nosso bom Pastor, iremos nós procurá-las, conduzi-las a Seus pés pela força de nossas orações. E que alegria será para Jesus, que felicidade para nós! 

Jesus, no Santíssimo Sacramento, é sempre o Bom Mestre que, unicamente, aponta o caminho do Céu, ensina a Verdade de Deus, comunica a Vida de Amor.

Mas no mundo Jesus não é mais conhecido. Os homens ignoram o Salvador que está no meio deles. É preciso dar a conhecer a Deus, mostrá-lO, como João Batista, trazer-Lhe os amigos, os irmãos, como André. O maior beneficio que se possa fazer a alguém é revelar-lhe o seu Mestre e seu Deus. É, sobretudo mostrando o Amor e a imensa Bondade de Jesus que o devemos tornar conhecido, pois é o meio mais eficaz de Lhe atrair os corações. 

Jesus, no Santíssimo Sacramento, é sempre o Salvador em estado de imolação, oferendo-Se sem cessar ao Pai, como o fez na Cruz, pela salvação dos homens; apontando-Lhe Suas Chagas profundas e Seu Coração aberto, para obter o perdão do gênero humano. 

É aos pés dessa Vítima adorável que o adorador deve orar, chorar, implorar ao Amor Crucificado que sensibilize o coração dos pecadores empedernidos, que quebre as cadeias tão duras e vergonhosas do vício, a pesar sobre tantos escravos do mundo; que rompa o véu que retém o judeu - povo que mereceu as primícias de Sua ternura - na cegueira e na infidelidade; que humilhe o orgulho do herege, a fim de que veja a Verdade e se submeta ao Seu império; que toque o coração do cismático, para que reconheça a sua mãe, a santa Igreja, e se venha lançar nos seus braços! 

E esta Igreja, Esposa de Cristo, será sempre objeto das orações do adorador, em si, em suas instituições, em suas obras, em seu sacerdócio, em seu povo, em cada um de seus filhos; em tudo o que interessa à sua prosperidade, à sua perfeição e ao cumprimento de sua missão no mundo. E, reconhecendo humildemente sua própria insuficiência e a dependência absoluta em que se encontra para com Deus, o adorador reza por si mesmo. Conserva constantemente sua alma em um estado de oração, pela contemplação de sua indigência e da grandeza das bondades divinas. E assim manterá a alma sempre aberta, pronta a receber a efusão da Graça. 

Tais as quatro grandes homenagens que encerra a adoração eucarística, e que devem animar e vivificar com seu espírito toda a vida do Agregado do Santíssimo Sacramento. Praticá-las fielmente, será praticar a vida interior em alto grau e estabelecer perfeitamente o Reinado de Jesus na alma. 

(I) O Santo, em seu manuscrito, emprega aqui a palavra chastifiera, que é muito expressiva e traduz bem o seu pensamento.

(A Divina Eucaristia, escritos e Sermões de São Pedro Julião Eymard, volume 5, Loyola)

PS: Grifos meus.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sacrifício

Sacrifício 


Amadíssimas filhas, esta palavra assusta - sacrifício -; porém esta é a lei do verdadeiro amor, e o verdadeiro amor, que obriga a abraçar esta lei, contrária a vontade do homem, pois o amor só é saciado nesta lei do sacrifício. 

Ouço muitas vezes dizerem-Me: Senhor, como gostar do amargo? O que dizer a estas almas? Para estas almas é necessário que o amargor das penas seja envolto com o Meu exemplo. 

O que se passou na Minha vida de Redentor, desde o seio de Maria até os últimos momentos, foi uma vida de sacrifícios, porque sofri no seio de Maria, tendo que conter os ímpetos do Meu coração ardente, que desejavam, irradiar-se, mostrando aos homens Minha missão salvadora! Portanto, Minha vida foi ininterrupta de sofrimentos! 

Agora vos pergunto, almas que Me desejais seguir: Podeis Me seguir por outra via a não ser a do sacrifício? Mas, que fazer para gostar desta lei tão penosa? Lembrar-se do Paraíso, que vos deve dar a força para trilhar este caminho tão semeado de espinhos! 

Dizem muitas almas que se deve abraçar o sacrifício, sem interesse de recompensa. Eu não vos falo assim, porque o céu sou Eu mesmo, e como não Me desejar se Eu sou o bem infinito!

Amadas filhas, porque há tão poucas almas, que amam o sacrifício? Porque poucas são as que olham para o céu e o que nele as espera, donde nasce a pusilanimidade de tantas almas, que desfalecem no caminho da perfeição.

Lembrai-vos de que a lei do sacrifício sendo a lei do amor, dá à alma merecimentos. Podia Eu abrir-vos as portas da Jerusalém Celeste com um ato de Minha vontade, mas assim não quis, porque o sacrifício é o melhor ato de reparação que se pode dar à pessoa ofendida. Refleti um pouco qual seria a melhor reparação se uma de vós ofendesse a um amigo, e, para reparar essa ofensa, lhe enviásseis uma soma importante em vez de irdes pessoalmente e prostrardes ante quem ofendestes a lhe pedir perdão e uma penitência? Seria certamente a de irdes pessoalmente, fazendo um sacrifício e um ato de humildade diante da pessoa ofendida. 

Vede amadas filhas, como o sacrifício é meritório, por isso o homem dele tem necessidade. Vede na antiga lei, Abraão - ofertando-Me seu único filho em holocausto, além de outros tantos que vós sabeis. O amor pede sacrifício, pois onde não há sacrifício não há amor. Mas, porque o sacrifício é necessário? Porque humilha e lembra ao homem, que, acima de si, estou Eu, ao qual deve obedecer com amor. E para obedecer é necessário sacrifício; é este o primeiro dos mandamentos, amar-Me e servir-Me neste mundo, para depois eternamente gozar. Mas para Me amar neste mundo, é necessário o desprezo de si, porque não se pode amar ao mundo e a Mim; pois quem se ama a si, ama o mundo, suas paixões e suas inclinações.

Tenho tão poucos amantes, porque poucos são os que se desprezam, pois, desprezar-se é a suma da sabedoria e quem se despreza por Meu amor, verdadeiramente se ama. 

De pouco importa a um homem amar-se, se um dia for por Mim desprezado, porque quem se ama na carne, não pode amar sua alma, visto como a alma, que de Mim saiu, suspira por Mim, enquanto que a carne deseja comprazer-se no mal, porque ela é filha do mal. Por isso todo o homem que desejar seguir-Me tem de se desprezar, mas para se desprezar, é necessário abraçar a lei do sacrifício, submetendo-se amorosamente ás cinzeladas do Meu amor, o qual torna a alma refletor de Minhas qualidades. 

Amadas filhas, onde foi que Meu amor mais brilhou? O Meu amor e Minhas qualidades brilharam como o sol na Minha Sagrada. Paixão. Oh! vede Minha humildade no Getsêmani, tomando sobre Mim um fardo pesado de crimes nojentos, e apresentando-Me ao Pai como um criminoso. A humildade, vós bem sabeis, é uma qualidade de Meu coração, e no Getsêmani ela brilhou, porque Me apresentei ao Pai como pecador, e o Pai como pecado Me tratou! 

Pergunto-vos, amadas filhas, este ato de humildade não Me custou sacrifício? Sim, e tremendo sacrifício, que Me fez suar sangue! E agora, sereis capazes de tomar sobre vós os opróbrios de um condenado e, em seu lugar, sofrer tantas humilhações? Que Me respondeis a isso, almas que Me amais? ... Poucas serão as que Me possam dizer: Senhor eu sofreria tudo isto por este pobre infeliz. Assim vos falo porque vejo que nem as penas insignificantes, nem humilhações de pouco valor não sois capazes de recebê-las como filhos submissos!

Vede como as Minhas qualidades brilharam e como os que são pusilânimes se mostram no sacrifício! 

Amadas filhas, onde brilhou Minha mansidão? Não foi no Tabor, mas no sacrifício, quando, coroado de espinhos, refulgiu como o sol! Na Flagelação a Minha mansidão iluminou o céu e a terra, oh! Sim... até aos céus chegaram os clarões desta luz vivíssima, que pela terra se espargiu, ficando como luz de tantos corações, que um dia iam compreender esta doutrina de amor, porém, rodeada de pungentes espinhos!

Oh! como brilhou a Minha mansidão, quando os algozes Me arrastaram pelas ruas, e quando os pobres soldados, na prisão, fizeram de Mim o que suas paixões lhe inspiraram! ... 

Vede como é no sacrifício que se mostra o valor, que se mostra a virtude! 

E como Me provareis, vós, que sois mansas, se não for na hora em que esta virtude vos custe sacrifício? E' só na hora do sacrifício que posso dizer que sois mansas. 

Em ser manso sem sacrifício não há merecimento, porque este nasce no sacrifício e por Meu amor... 

Vede como deveis amar o sacrifício, como garantia de vossa entrada na Jerusalém Celeste, porque foi com a sua chave que se abriu essa porta para vos dizer que é por ele e com ele que vos mostrei as qualidades do Meu Coração... 

Vede-Me no alto da Cruz em hora tão angustiosa, dando-vos Maria por Mãe. Esperei esta hora para vos entregar tão rico tesouro, porque desejava que hoje compreendêsseis o valor do sacrifício, sem o qual o amor perderia seus encantos!

O amor sem sacrifício torna-se diante de Mim de pouco valor, porque o que lhe dá valor é o sacrifício.

Uma árvore que não produz para que serve? Para ser lançada ao fogo. O mesmo é o amor sem sacrifício, não tem valor, porque não dá frutos, por isso será lançado ao fogo, pois o sacrifício são os frutos do verdadeiro amor. 

Amadas filhas, porque o sacrifício é tão desprezado? E' porque poucos são os que meditam na Minha Sagrada Paixão! 

Vede os meus Santos tão sedentos de sacrifício, porque foram amantes de Minhas penas e dores, e nelas souberam sugar força e luz para poderem Me imitar. 

Oh! não vos iludais, sem sacrifício não há santidade nem amor por Mim, porque, como já vos disse, o amor verdadeiro produz frutos e estes frutos são os desejos de se sacrificar pela Minha glória.

Mas, reconhecendo vossa fraqueza e vendo como esta lei do sacrifício custa para ser abraçada, convido-vos a meditar no que vos está preparado para depois deste curto exílio! Está preparado o que vossos olhos não podem ver hoje, o que vossos ouvidos não podem escutar, e o que vosso coração não pode experimentar. E porque todas estas coisas hoje não podeis ver nem escutar, nem sentir? Porque se isto sentísseis e escutásseis, este exílio não seria o lugar de merecerdes, portanto, almas minhas, abraçai o sacrifício e sereis sábias, porque sábio é o que despreza o efêmero e abraça o eterno.

Abraçai esta lei de amor e sereis saciadas do Meu ardente amor.

Vosso Jesus Cristo, o qual viveu e morreu no sacrifício.

Pelas mãos de Maria, do Reino do Amor.

13-12-1931.

(O bom combate na alma generosa, autora anônima, Instituto das Missionárias de Jesus Crucificado, 1936.)

PS: Grifos meus.
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