domingo, 31 de julho de 2011

Santo Inácio de Loyola

Nota do blogue: Segue um texto retirado do blogue Escravas de Maria que trata sobre esse grande santo - Santo Inácio de Loyola - e aproveito para pedir a intercessão dele junto dos demais santos padroeiros do blogue por mais um ano de existência, hoje A grande guerra completa 2 anos. 

Que tudo seja para honra e glória de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Sua Santa Mãe Maria Santíssima.
Venha a nós o Vosso Reino!

Saudações,
A grande guerra
Santo Inácio de Loyola


Hoje, dia 31 de Julho, não poderíamos deixar de prestar nossa sincera homenagem a um grande e extraordinário santo da Igreja, Santo Inácio de Loyola. A este homem, agradecemos de todo o nosso coração, o sim, o sim decidido em fazer a vontade de Deus e de beneficiar com o seu trabalho uma quantidade imensa de almas. A Santo Inácio o nosso agradecimento e o nosso pedido, para que ele nos ensine a lutar por apenas um ideal, a Glória de Deus e de Sua Igreja, que assim como ele, seja qual for o nosso estado de vida, estejamos dispostos a abandonar tudo, se nos for pedido por Deus, e assim fazer a Sua vontade.

Rezemos com Santo Inácio

Tomai Senhor, e recebei
Toda minha liberdade,
A minha memória também.
O meu entendimento
E toda minha vontade.
Tudo que tenho e possuo,
Vós me destes com amor.
Todos os dons que me destes,
Com gratidão Vos devolvo:
Disponde deles, Senhor,
Segundo Vossa vontade.
Dai-me somente
O Vosso amor, Vossa graça.
Isto me basta,
Nada mais quero pedir.

(Santo Inácio de Loyola)

Breve história de Santo Inácio: 

Inácio nasceu no castelo de Loyola em 1491, sendo o último dos 13 filhos de D. Beltrán de Loyola e Da. Maria Sonnez. Aos 16 anos foi enviado como pajem ao palácio de Juan Velásquez de Cuellar, contador mayor dos Reis Católicos Fernando e Isabel, o que lhe permitiu estar em contato contínuo com a corte. Bem dotado física e intelectualmente, o jovem Inácio "deu-se muito a todos os exercícios das armas, procurando avantajar-se sobre todos seus iguais e alcançar renome de homem valoroso, honra e glória militar"(1). Ou, como ele mesmo diz com humildade, "até os vinte e seis anos foi um homem dado às vaidades do mundo, e principalmente se deleitava no exercício das armas e no vão desejo de ganhar honra".

A hora esperada pela Providência

Ouvindo falar dos grandes feitos dos seus irmãos em Nápoles, envergonhou-se de sua ociosidade e participou em algumas campanhas com seu tio, vice-rei da Navarra. Depois foi enviado em socorro de Pamplona, assediada pelos franceses. Era a hora da Providência. A desproporção das forças era esmagadora em favor dos franceses, mas Inácio não quis saber de capitulação e convenceu os seus a resistirem até o fim. "Confessou-se com um companheiro de armas. Depois de algum tempo de duração da batalha, a bala de uma bombarda atingiu-lhe a perna, quebrando-a toda. E como ela passou entre as duas pernas, a outra também foi duramente ferida"(3). Inácio caiu por terra. Seus companheiros se renderam.

Os franceses, admirados da coragem do espanhol, trataram-no muito bem, fazendo-o levar depois, em liteira, para o castelo de seus pais. Os ossos haviam começado a se soldar de maneira defeituosa, e foi preciso quebrar de novo a perna para ajustá-los. Isso tudo, é bem preciso dizer, sem anestesia. O que levou-o às portas da morte, de modo a receber os últimos sacramentos. Quando todos esperavam o desenlace, na véspera da festa de São Pedro o doente, que era muito devoto desse Apóstolo, começou a melhorar.

Conversão de um homem coerente

Seria longo narrar todas as torturas a que se submeteu esse soldado para não ficar aleijado; pois, como poderia aparecer assim na corte? Veio depois a longa convalescença, a leitura da vida de Cristo e dos santos, únicos livros que havia no castelo, e sua conversão se deu da maneira mais radical.

O primeiro pensamento do novo soldado de Cristo foi o de ir para a Terra Santa e viver em oração, penitência e contemplação nos lugares em que se operou nossa Redenção.

Em Montserrat, fez uma confissão geral de sua vida e depôs a espada no altar da Virgem. Viveu depois algum tempo em Manresa, onde recebeu grandes favores místicos e escreveu seus famosos "Exercícios Espirituais".

Não lhe permitiram ficar em Jerusalém, por causa da tensa situação então reinante. Inácio voltou a Barcelona para estudar, a fim de preparar-se para o sacerdócio. Foi depois para Alcalá e ainda Salamanca, onde, por causa de sua pregação e reunião de discípulos, sendo ainda leigo — o que era perigoso naquela época de novidades malsãs e heresias — foi denunciado à Inquisição e aprisionado até que sua inocência foi reconhecida.

"Companhia", como num exército

Resolveu por isso ir a Paris, estudar na famosa universidade local. Foi lá que a Providência o fez encontrar os seis primeiros discípulos, com os quais fundaria a Companhia de Jesus. Entre eles estava o grande Apóstolo da Índia e do Japão, São Francisco Xavier, e o Beato Pedro Fabro.

Após os votos feitos em Montmartre, o que marcou propriamente o início da Companhia, eles se encontraram em Veneza, com o plano de ir à Terra Santa. Enquanto isso, trabalhavam nos hospitais.

Como, depois de um ano, não conseguiram realizar seu intento, decidiram ir a Roma colocar-se à disposição do Sumo Pontífice. Nas proximidades da Cidade Eterna, Inácio teve uma visão na qual Nosso Senhor prometeu ser-lhe favorável em Roma.

"Inácio tinha sugerido para nome de sua irmandade `Companhia de Jesus'. Companhia era compreendido em seu sentido militar, e naqueles dias uma companhia era geralmente conhecida pelo nome de seu capitão. Na Bula latina de fundação, no entanto, eles foram chamados `Societas Jesu'".

Paladino da Contra-Reforma Católica

O papel dos jesuítas na Contra-Reforma católica foi essencial. Na época, pareciam perdidas para o protestantismo não só a Alemanha, mas a Escandinávia, e ameaçados os Países Baixos, a Boêmia, a Polônia e a Áustria, havendo infiltrações da seita não só na França, mas até na Itália.

Santo Inácio enviou seus discípulos a essas regiões infectadas, e estes foram reconduzindo para a Igreja ovelhas desgarradas até na própria Alemanha. Ali trabalharam Pedro Fabro, Cláudio Le Jay e Bobadilha. Mas o jesuíta que seria o grande apóstolo dos povos germânicos, obtendo inúmeras reconversões, foi São Pedro Canísio, hoje considerado, com razão, o segun do apóstolo da Alemanha, depois de São Bonifácio.

O papel dos jesuítas foi também primordial no Concílio de Trento — onde brilharam os padres Laynes e Salmeron — bem como nas universidades e nos colégios, imunizando assim a juventude européia contra o erro.

Recebendo informações dos grandes triunfos de seus discípulos, exclamava Santo Inácio: "Demos graças a Deus por Sua inefável misericórdia e piedade, tão copiosamente derramada em nós por Seu glorioso nome. Porque muitas vezes me comovo quando ouço e em parte vejo o que me dizem de vós e de outros chamados à nossa Companhia em Cristo Jesus"

Obediência pronta, humildade exemplar

Santo Inácio de Loyola queria uma companhia de escol, para combater os erros da época, principalmente os de Lutero e Calvino, e por isso estipulou que, diferentemente das outras congregações ou ordens religiosas, o noviciado seria de mais de um ano. Dizia no fim da vida, quando sua Companhia estava já estendida por quase todos os continentes: "Se eu desejasse que a minha vida fosse prolongada, seria para redobrar de vigilância na escolha de nossos súditos"(6).

Quando um noviço se ajoelhava junto a ele para pedir perdão e penitência por alguma falta, depois de ter concedido uma e imposto a outra, Inácio dizia: "Levante-se". Se, por uma humildade mal compreendida o noviço não se levantasse imediatamente, ele o deixava ajoelhado e saía, dizendo: "A humildade não tem mérito quando é contrária à obediência".

Discernimento na seleção dos súditos

Um dia chamou um irmão coadjutor e o mandou sentar-se na presença de uma visita. O irmão não o fez, pensando faltar ao respeito ao Superior e à visita. Inácio ordenou-lhe então que pusesse o banco sobre a cabeça, e assim estivesse até a saída da visita.

Quando o noviço não servia, Inácio não tinha contemplação nem mesmo pela sua posição social. Expulsou da Companhia o filho do Duque de Bragança e sobrinho do grande benfeitor da Companhia, D. Manuel, rei de Portugal, e ainda um primo do Duque de Bivona, parente do vice-rei da Sicília, que era também seu amigo e benfeitor.

"A obstinação nas idéias era um dos principais motivos de exclusão ou de expulsão, para o santo fundador. Um espanhol de grande capacidade, duma ciência pouco comum e duma virtude reconhecida, entrou na Companhia e exercia o cargo de ministro na casa professa de Roma, com habilidade; mas quando se lhe metia uma idéia na cabeça, não lhe saía mais. Inácio tirou-lhe o cargo, julgando inapto para mandar aquele que não sabia obedecer. [...] Uma noite Inácio soube que ele acabava de dar uma nova prova da sua teimosia; no mesmo instante envia-lhe ordem de abandonar a casa sem esperar para o dia seguinte"

Venerado como santo ainda em vida

Essa severidade era entretanto balanceada com tanta doçura, que ele era uma verdadeira mãe para os noviços. Tal equilíbrio fazia com que fosse venerado como santo mesmo em vida.

Sua mais preciosa conquista, São Francisco Xavier, tinha-lhe tanta veneração, que muitas vezes lhe escrevia de joelhos. E nos perigos e tempestades invocava seu nome, trazendo ao pescoço, como proteção, junto a seus votos de profissão, a assinatura do Padre Inácio. Constantemente afirmava: "O Padre Inácio é um grande santo".

Laínez, outro dos primeiros discípulos de Inácio e seu sucessor no generalato da Companhia, também o venerava como santo, do mesmo modo que São Francisco de Borja, depois terceiro Superior Geral da Companhia (8).

Sua vida interior era profunda, e passava-se constantemente na presença de Deus. Conforme narra em sua autobiografia, toda vez que queria encontrar a Deus ele O encontrava, bastando um pouco de recolhimento. Tinha visões, repetidamente, sobretudo quando se tratava de acertar algum negócio importante da Companhia, ou quando redigia suas Constituições. Essas visões lhe eram constantes também quando celebrava a Missa (9).

"Sua roupa foi sempre pobre e sem enfeites, mas limpa e asseada, porque, se bem amasse a pobreza, nunca lhe agradou pouca limpeza" (10).

Santo Inácio faleceu em Roma, no dia 31 de julho de 1556.

Notas:
1.Pedro de Ribadeneira, Vida de San Ignácio de Loyola, Espasa-Calpe Argentina S.A., Buenos Aires, 1946.
2.Saint Ignace de Loyola, Autobiographie, Éditions du Seuil, 1962, p. 43. Esta autobiografia foi relatada ao Pe. Luís Gonçalves da Câmara pelo próprio Santo. Com uma memória prodigiosa, o jesuíta português, imediatamente depois de cada conversa, transcrevia-a para o papel. Santo Inácio ditou o texto na 3a. pessoa.
3.Id., ib.
4.Saint Ignatius of Loyola, J. H. Pollen, Transcribed by Marie Jutras, The Catholic Encyclopedia, Volume VII, 1910, Robert Appleton Company. Online Edition Copyright © 1999 by Kevin Knight.
5.R.Garcia-Villoslada, S.I., Ignácio de Loyola _ Um español al servicio del Pontificado, Hechos y Dichos, Saragoça, 1956, p. 221.
6.J.M.S. Daurignac, Santo Inácio de Loiola _ Fundador da Companhia de Jesus, Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 1958, 4a. edição, p. 255.
7.Id., p. 257 e ss.
8.Pedro de Ribadeneira, op. cit., p. 258.
9.Cfr. Autobiographie, p. 163.
10.Id., pp. 260-261.

sábado, 30 de julho de 2011

Salmo 31

Salmo 31


Em Vós me abrigo, Senhor;
jamais fique eu decepcionado;
por Vossa justiça põe-me a salvo.

Dá-me ouvidos, vem depressa libertar-me.
sê minha rocha de refúgio, minha fortaleza salvadora;
pois meu rochedo e fortaleza sois Vós:
por Vosso nome dirigi-me e guia-me;
tira-me da rede que me esconderam;
pois Vós sois o meu amparo.

Em Vossas mãos eu confiava minha vida:
e me livraste, Senhor, Deus fiel.
Odeias os que veneram ídolos vazios;
eu, porém, confio no Senhor.
Festejarei, celebrarei Vossa lealdade,
pois olhaste a minha aflição,
velando por minha vida em perigo.
Não me entregaste ao poder do inimigo,
colocaste meus pés em terreno espaçoso.

Piedade Senhor, pois estou em aperto:
consomem-se de sofrimentos meus olhos,
minha garganta e meu ventre;
minha vida se desgasta na aflição,
meus anos se vão entre gemidos,
por minha culpa decai meu vigor
e se consomem meus ossos.

Sou a caçoada de todos os meus rivais,
meus vizinhos me fazem gestos,
sou o espanto de meus conhecidos:
eles me vêem pela rua e fogem de mim.
Esqueceram-me como um morto,
tornei-me um caco inútil.
Ouço muitos caçoarem de mim:
"Ave de mau agouro",
enquanto conspiram contra mim
e tramam tirar-me a vida.

Mas eu confio em Vós, Senhor;
eu digo: Vós sois o meu Deus.
Em Vossa mão estão minhas sortes:
livra-me dos inimigos que me perseguem.
Mostra a Vosso servo o Vosso rosto radiante,
salva-me por Vossa lealdade.
Senhor, que eu não fracasse por haver-Vos invocado;
fracassem os perversos
e desçam mudos ao Abismo;
fiquem mudos os lábios mentirosos
que proferem insolências contra o justo
com soberba e desprezo.

Que bondade imensa
reservas a Vossos fiéis,
e a concedes, à vista de todos,
aos que em Vós se abrigam.
No Vosso esconderijo pessoal os escondes
das conjuras humanas,
Vós em Vossa tenda os ocultas
de línguas briguentas.
Bendito seja o Senhor que fez por mim
prodígios de lealdade na praça-forte;
e eu que dizia levianamente:
"Vós me expulsaste de Vossa presença".
Mas, Vós escutaste minha súplica
quando Vos pedi auxílio.
Amai o Senhor, Seus fiéis,
pois o Senhor guarda os fiéis,
mas paga com juros
quem age com soberba.
Sede valentes e animados
vós que esperais no Senhor!

(Salmo 31)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

SANTA FILOMENA MILAGRES

Nota do blogue: Seguem alguns milagres realizados através da intercessão de Santa Filomena. Material extraído do livro Santa Filomena a Grande Milagrosa, por E.D.M, gráfica Bíblios LTDA, 1961, com imprimatur

SANTA FILOMENA 
MILAGRES 


Santa Filomena opera uma dupla cura 
material e espiritual em um ateu 

Na Igreja São Cristóvão, uma senhora me procurou após a missa das 8 horas que é a missa da Associação. Esta senhora não me conhecia. E perguntou-me se era eu que estava atendendo o povo, me foi chamar, e me apresentou como sendo a pessoa que ela procurava. Contou-me ela que um senhor grande comerciante de gêneros alimentícios, homem de vida irregular e ateu empedernido, estava no interior comprando artigos para os seus armazéns, quando se sentiu mal dos rins com dores horríveis, consultou um médico do lugar, e ele o aconselhou a procurar um especialista. A doença deste homem de acordo com os sintomas era realmente grave. Resolveu vir para São Paulo e se internou num hospital. Tirou varias radiografias e foi constatado que o mesmo tinha um tumor nos rins. Chamou a maior especialista operador nesta especialidade. Foi operado o qual foi feito a extração do rim afetado. Correu normal a sua operação, mas ainda o rim que ficou não funcionava direito. O doente ficou inconsciente. Esta senhora deve-lhe muitos favores e foi então que em sinal de gratidão se interessou no seu caso. Foi quando ela foi visitá-lo e nessa oportunidade levou consigo óleo da lâmpada de Santa Filomena e um cordão. Pediu à esposa do doente que passa-se o óleo no local que precisa-se passar e coloca-se o cordão de Santa Filomena. 

E ela foi para a capela do hospital e ficou por longo tempo em oração. E ao voltar para o quarto do doente recebeu a notícia de que o doente se encontrava bem melhor e o seu rim já começara a funcionar, e foi notado que tão logo foi colocado o cordãozinho. 

Eu fiz questão de visitar o doente para me certificar da verdade. Apresentei-me como sendo uma pessoa que tinha um doente no mesmo andar, e que lhe vinha trazer um livrinho com que ele passasse o tempo mais rapidamente. E ao ler o titulo SANTA FILOMENA A GRANDE MILAGROSA, começou dizendo, minha senhora não me venha com estas bobagens, eu não creio nisso. 

Mas, por educação, aceitou o livro emprestado. Falei a ele que o procuraria no dia seguinte. Devo salientar que no momento em que o visitei, ele se encontrava só, mais tarde quando sua esposa chegou, a mesma ficou surpreendida em encontrar sob a cama o livro, e perguntou-lhe como é que aquele livro tinha aparecido ali. Ele então contou que uma senhora desconhecida lhe tinha emprestado. Ela então resolveu contar que ele estava quase como morto, e que tinha sido salvo por Santa Filomena, por intermédio do óleo da lâmpada e do cordãozinho

Resolveu ler para ele algumas páginas do referido livro. E no dia seguinte eu pensava em contar com a mesma acolhida do que da primeira oportunidade, mas o homem estava realmente transformado, já não era mais aquela criatura agressiva e intransigente da véspera. 

Contou-me toda a sua vida as suas lutas para conseguir vencer, os seus sofrimentos na infância, motivo da sua descrença em Deus. 

Mas agora, confessa que só a alma importa, que tudo no mundo é passageiro, que Deus é uma realidade presente, que a matéria não vale nada, reconhecendo que só Deus é todo o poderoso. 

*** 

A cura de um sacerdote 

Tive a felicidade de presenciar, uma graça concedida por Santa Filomena a um sacerdote. Este padre, alma profundamente piedosa, de origem austríaca, vinha do Uruguai, a caminho da Europa, quando notou que lhe doíam os dentes. 

Procurou um dentista aqui em São Paulo, mas com o tratamento as dores aumentaram ainda mais, e não pode prosseguir viagem, pois as dores passaram também para as pernas e braços. 

Estas dores se tornaram intensas e ele foi internado na Santa Casa. A doença progredia sempre. Era artritismo deformatório. Ficou vários meses cada vez pior até quase em estado de coma. As irmãs enfermeiras tinham que lhe pôr na boca a comida, pois ele não podia mover nem um músculo. No meio de dores atrocíssimas ele passava os dias e as noites. De todo este tremendo martírio, o que ainda mais lhe custava era o abandono em que se encontrava, sem um amigo, um parente um ser humano que lhe minorasse a solidão de dias, meses seguidos. 

As enfermeiras se aproximavam dele apenas para os cuidados necessários, e o deixavam só, outra vez. 

Esta foi a parte mais dolorosa da sua doença. Um dia umas irmãs franciscanas, visitaram a Santa Casa, e visitaram também o padre Artur. Elas estavam distribuindo cordões aos doentes e novenas de Santa Filomena. Este foi o ponto de partida da sua recuperação. Passou a usar o cordãozinho e fez várias novenas.

Deram-lhe uma imagenzinha na frente da qual ele conservava, uma lâmpada acesa e com o óleo da mesma ele friccionava os membros doloridos. Logo começou a melhorar e a mover-se. Um dia veio à igreja de São Cristóvão, trazido em braços, era dia 10 (agosto), dia das festividades da Santinha naquela igreja. Senti uma grande piedade por aquele padre já velhinho, e sabendo da sua solidão, passei a visitá-lo, no hospital. Notei que isto era, para ele, um grande lenitivo, e verifiquei que as melhoras se estavam acentuando, e um dia encontrei-o sentado. Logo que lhe foi possível, passou a vir celebrar a missa às 10 horas na igreja nos dias 10. Hoje se encontra completamente bom. Não tem mais o mínimo vestígio de artritismo muito embora este fosse um caso considerado pelos médicos como incurável. 

Esta cura é notória, pois, todos os devotos que freqüentam a igreja estão ao par dos detalhes. 

*** 

Está é uma carta recebida por nós, 
de um senhor que estava sem possibilidades de cura, 
internado há vários meses num hospital da América do Norte 

Prezada Senhora Figueiredo. 

Com a graça de Deus, posso hoje, lhe escrever e agradecer as palavras de fé e encorajamento que me enviou, quando eu muito precisava delas. Desde o dia 19 de outubro, que sou outro homem. Fui operado neste dia, fiz uma delicadíssima operação no coração, tendo a operação sido resolvida no dia 17, isto é, dois dias antes. Encontro-me agora em plena fase de recuperação. 

Já em fins de dezembro devemos voltar ao Brasil, eu e minha senhora. No ano que vem iremos, assim que puder, a São Paulo para agradecer de viva voz a SANTA FILOMENA, à senhora e ao Monsenhor Bonomo, tudo o que por mim fizeram. Santa Filomena no céu e vocês na terra. Muito obrigado pelo santinho com relíquia que me enviou, sempre o trago comigo. Todas as noites eu e a minha senhora rezamos para Santa Filomena, e para onde eu for, vai comigo uma imagenzinha dela, que me foi oferecida por uma parenta que também obteve uma grande graça da Santinha e que é muito sua devota. 

O próprio Dr. Claud S. Burk, especialista em operações do coração e criador da mesma, ficou surpreso com o resultado maravilhoso da operação, pois ele não esperava que eu sobrevivesse. Da primeira vez que me viu nem sequer me deu esperança de, pelo menos, me operar, pediu-me que esperasse 2 meses, a ver se as minhas condições melhoravam. Passados os dois meses, ainda não quis operar, julgando arriscadíssimo. 

Eu não titubeei, quando os amigos me aconselharam a vir à América procurar este especialista. Vim para cá pela mão de Santa Filomena para encontrar a cura. Alguns dias após a operação, já me levantava, e 12 dias após, já tinha alta; no dia 13 já fui à missa agradecer a Deus, a graça recebida. Hoje já subo alguns degraus, e em janeiro, eu e minha senhora voltaremos ao Brasil, para reassumir as minhas ocupações. 

Eu que, praticamente, estava condenado, - disse na carta que enviei à igreja - que Santa Filomena deu-me coragem e força para agüentar a viagem, mas enganei-me. Ela deu-me força e coragem para esperar com fé, seis meses para que os médicos especialistas tomassem uma resolução. A viagem para cá, foi em maio e eu só fui operado em Outubro. A nossa querida Santinha, deu-me a coragem necessária para pedir aos médicos uma solução, pois, se eu tivesse que morrer, então preferia morrer na mesa de operações. 

Tudo na terra era contra, mas eu sabia que no Céu tudo era a meu favor; não pelo que já fiz ou porque merecesse, mas pelas orações fervorosas dos amigos e dos que me rodeiam. Muitos que no Rio me conheciam e que sabiam o estado do meu coração quando parti, a todos só darei uma resposta, uma resposta que não me passava pela cabeça na época em que tinha saúde, mas dá-la-ei agora, vale a pena ter Fé. Estou feliz, e poderei mostrar aos que não crêem, aos que não tem fé o quanto vale crer, o quando vale saber rezar, o quanto vale pedir a Santa Filomena. 

Agradeço muito a missa que mandou rezar por mim. A senhora mais uma vez o meu muito obrigado pelas suas palavras de conforto e fé. 

Quisera eu um dia também poder ajudar os que sofrem, oferecendo-lhes o apoio e o conforto de uma palavra de esperança. Pode fazer uso desta carta para o fim que achar mais útil. 

Os, meus mais profundos respeitos e agradecimentos. 
Ferdinando V. Miranda Filho. 

***

A cura de um tuberculoso 

Flores da Cunha, 11 de setembro de 1960. 
Reverendíssimo Monsenhor Guilherme Bonomo. 

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Esta carta tem a finalidade de lhe comunicar que tive a oportunidade de conhecer a devoção a SANTA FILOMENA, por meio de novenas que me deram. E eu por meio de ardentes preces e comunhões e o milagroso cordão dessa querida Santa, consegui a cura do meu marido, o qual estava tuberculoso em último grau, com hemoptises muito fortes e constantes, sendo que os médicos do Sanatório Belém de Porto Alegre, o tinham desenganado. Foi neste sanatório que eu conheci esta bela devoção. 

Fiz a promessa de entronizá-la a Santinha na minha humilde escolinha municipal em que trabalho, de espalhar esta devoção e de publicar a graça caso a alcança-se. E agora passados 17 meses de sua doença, sendo que há já 8 meses está de volta do Sanatório e com os últimos exames feitos a 2 meses, fiquei sabendo que de fato está curado, em condições de voltar ao trabalho. 

Peço-lhe o obséquio de publicar esta graça alcançada. Peço-lhe enviar-me cordões santinhos com relíquia livros da SANTA FILOMENA a grande Milagrosa, pois quero colocar nas mãos de outros que sofrem as torturas que o meu coração sofreu, para que sejam aliviados para que encontrem esperanças e a solução dos seus problemas. 

Quero trabalhar também para que se dilate a CONFRARIA DE SANTA FILOMENA que congrega na mesma prece todos os seus associados. Para tanto lhe envio já vários nomes para serem escritos, pois as melhoras do meu marido Ivo Carlos Cassini, se acentuaram logo que ele foi inscrito, e sarou ràpidamente. Pedi mais outras graças a Santa Filomena, e sempre fui atendida. 

Pretendo em breve doar uma imagem sua a uma igreja. 

Na certeza de ser atendida em todos os meus pedidos, agradeço-lhe muito esperando em Deus que está devoção se espalhe em toda a parte. 

O meu endereço é ESCOLA RURAL de Trav. Alfredo Chaves, município de Flores da Cunha Estado do Rio Grande do Sul.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Do escândalo ou sedução


Do escândalo ou sedução


A palavra escândalo, em sentido próprio, significa obstáculo. Em linguagem teológica significa a palavra, ação ou omissão, que é para o próximo ocasião de pecado. O escândalo diz-se direto, quando premeditada e deliberadamente se intenta o pecado do próximo; indireto, quando, embora não se intente o pecado do próximo, suficientemente se prevê que as nossas palavras, ações ou omissões o induzirão a pecar. 

Do escândalo direto 

Há escândalo direto quando se induz o próximo ao mal, aconselhando, ajudando, mandando, aprovando ou aplaudindo. Quem deliberadamente induz o próximo a pecado grave, peca gravemente contra a caridade e contra o preceito ou virtude a cuja violação o induz. Quem aconselhar outro a cometer um furto, deve na confissão declarar «induzi o meu próximo a furtar», e acrescentar logo a qualidade e quantidade do furto. 

O amo que sem justo motivo induz os criados ou operários a trabalhar ao domingo e dias de festa, peca, e deve dizer na confissão que obrigou seus súditos a trabalhar em dia de festa de preceito. 

É evidente que uma coisa é induzir o próximo a roubar e outra a jurar falso; uma coisa é levá-lo a trabalhar ao domingo; outra violar a castidade; e por isso na confissão se deve declarar qual a espécie de pecado que se induziu alguém. 

Do escândalo indireto 

Há escândalo indireto, quando, não havendo intenção de induzir o próximo a pecar se faz ou omite, sem justo motivo e causa suficiente, qualquer coisa que se prevê irá servir de ocasião de pecado ao nosso semelhante. 

É escândalo indireto falar mal dos superiores eclesiásticos e civis; porque de tais palavras se segue nos que as ouvem, o desprezo da autoridade, e com o desprezo vem a perda de influência da mesma autoridade e o desprestígio da Religião. 

Dá ocasião ao pecado, e por isso escandaliza, quem distribui livros maus, imagens indecentes. Este escândalo será direto ou indireto, segundo houve ou não intenção de induzir os outros a pecar ou apostatar da fé.

Se houve tal intenção, além do pecado de escândalo, também se pecou contra a caridade num caso, e no outro contra a fé. 

O escândalo indireto também pode nascer do mau exemplo. De fato, não poucas vezes o nosso mau exemplo arrasta os outros ao mal e enfraquece, se não é que de todo apaga nas almas débeis e frouxas, todo o temor do pecado. 

Essas almas facilmente raciocinam dessa forma: «Se os outros não fazem caso desse ou daquele pecado, para que hei-de eu ser escrupuloso onde os outros não vêem motivo de reparo? Não serei eu o primeiro nem o último a fazer isto». É, pois, inegável a sedução e perniciosa influência do mau exemplo. Essas almas tenras e débeis nunca cometeriam tais pecados, se não fossem os maus exemplos que lhes deram. 

Trabalhar nos dias de festa sem necessidade e em lugar onde todos podem ver, transgredir publicamente o preceito da abstinência, é dar ocasião de que outros cometam as mesmas faltas e por isso é escândalo. É também escândalo pronunciar más palavras, rogar pragas diante de crianças, porque tomam daí ocasião de as aprender e de contrair o mau costume de as repetir. 

Outra coisa será transgredir os citados preceitos ou pronunciar essas más palavras diante de cristãos fervorosos, que com certeza se não deixarão arrastar do mau exemplo; ou de maus cristãos, que, sem o mau exemplo, já transgridem esses preceitos e já têm o mau costume de profanar os nomes santos. Nestes casos o mau exemplo não seria ocasião de pecado, e por isso não se juntaria o pecado de escândalo aos pecados que foram cometidos. 

Malicia do escândalo indireto 

A vida da alma é muito mais nobre e preciosa do que a do corpo. Se temos obrigação de não danificar a esta, muito mais a temos de não prejudicar aquela. 

Portanto falta se ao amor do próximo, se, sem motivo, se lhe dá ocasião de pecar. 

Dar ocasião a faltas leves dos outros, é pecado venial. Se não se advertiu na malicia de ato gravemente escandaloso, o pecado será ainda leve. E quem não conhece nem sabe que dá escândalo, não comete pecado algum.

E necessário evitar o escândalo a todo o custo, e não dar ao próximo ocasião de pecado nem mesmo venial. Se, para tanto, fosse preciso omitir uma ação de si indiferente, ou mesmo boa, ou até às vezes prescrita pela Igreja, teríamos obrigação de omiti-la para evitar o escândalo. 

Vejamos alguns exemplos: Uma pessoa sabe por experiência que sua presença num passeio público em determinadas circunstâncias é ocasião de pecado grave para outra. A caridade cristã exige-lhe que durante algum tempo não apareça em tal passeio, se o puder fazer sem grave incômodo. 

Disse «por algum tempo», e «sem grave incômodo», porque ninguém está obrigado a privar-se dum passeio honesto por muito tempo, o que de per si seria incômodo grave e um sacrifício extraordinário que Deus não exige de nós para evitarmos os pecados dos outros. 

Animado de sincero e ardente desejo de perfeição, desejarias receber freqüentemente os Sacramentos, mas prevês que teu procedimento dará aso a escárnios contra a religião e a calúnias contra ti ou outras pessoas. Que fazer? 

Procura, se podes, com prudentes e ajuizadas observações prevenir o escândalo. Se nada conseguires podes deixar os Sacramentos, se prevês, que será este o meio eficaz de evitar o escândalo. Mas isto uma ou duas vezes, e não por muito tempo, porque a caridade bem ordenada começa por nós; e seria loucura, a pretexto de não prejudicar a alma do próximo, causar grave dano espiritual a ti mesmo. Do mesmo modo, para evitar o escândalo e a ocasião certa de alguém cometer pecado grave, por exemplo, contra a castidade, poderás uma vez por outra deixar de assistir à missa de obrigação. E se para evitar o escândalo se vai até omitir obrigações, com maior razão se deverá ir até omitir certas ações de si indiferentes ou mesmo boas. 

No caso de haver motivos justos e particulares para fazer qualquer coisa de que o próximo se vai escandalizar, devemos explicar o motivo do nosso procedimento, ou, se for possível, esperar melhor ocasião para fazermos o que desejávamos. 

É dia de abstinência e vais comer carne publicamente porque estás dispensado do preceito: Tens de explicar aos que estão presentes, os motivos do teu proceder. 

Impossível seria, mesmo com a melhor boa vontade, evitar ao próximo toda a ocasião de pecado. Nunca faltarão olhos perversos que vejam ou finjam ver ocasião de pecado nas mais santas das nossas ações.  

O Divino Salvador foi acusado de escandaloso pelos judeus; e os fariseus até dos seus milagres a favor dos que sofriam, tomavam motivo de escândalo. Para evitar escândalos assim, seria preciso, como disse S. Paulo aos Coríntios, andar fora deste mundo. De nenhum modo, por exemplo, estarás obrigado a sujeitar-te às exorbitantes exigências dum artista ou operário, embora prevejas que vai romper em pragas e imprecações.

Ao prejuízo que sofrias, acrescia ainda dares-lhes ansas para na vez seguinte mais exorbitar. Os pais podem e devem corrigir seus filhos, mesmo quando prevêem que se vão zangar ou amuar. 

Antes esses seus arrebatamentos ou amuos, do que ficarem com o caminho aberto para faltas mais graves. 

E para terminar, advertimos que nem sempre o autor do escândalo indireto está obrigado na confissão a declarar expressamente que escandalizou. 

Acusa-se alguém, por exemplo, de ter dito palavras obscenas diante de crianças. Não precisa de dizer mais nada; já assim vai tudo confessado, pois sempre as crianças se escandalizam quando ouvem conversas desonestas.

Também pela mesma razão não é obrigado a declarar o pecado de escândalo quem se acusa de ter trabalhado publicamente no domingo. 

«O que escandalizar a um destes pequeninos que crêem em Mim, melhor lhe fora que se lhe dependurasse ao pescoço uma mó de atafona e o lançassem no fundo do mar. Ai! do mundo por causa dos escândalos! Ai daquele homem por quem vem o escândalo!» (Mat. 18,6-7) Duras e terríveis, estas palavras do Salvador, sempre todo mansidão e doçura! Pensa, porém, no que é o escândalo e nas suas terríveis conseqüências, e compreenderás a dureza do Seu falar. 

O escandaloso é verdadeiro assassino, no diz de Santo Agostinho: «quem dá escândalo, é um assassino», porque mata a vida da alma. Por isso a Escritura chama ao demônio «homicida desde princípio». O demônio foi o primeiro sedutor e o pai de todos os sedutores e escandalosos, seus instrumentos e auxiliares e em tudo seus semelhantes, quando procuram arrastar à perdição as almas puras e inocentes.            

Mas o crime do escandaloso vai mais longe. 

Um só pecado de escândalo pode ser causa da ruína espiritual de centenares de pessoas. Escandalizaste a uma pessoa, esta a outra, e assim por ai fora; e foi o teu pecado a causa remota de todos estes pecados. Sucederá até, que, morto o escandaloso, sepultado de há muito, esquecido pelos homens o seu nome, continue ainda a ser causa da ruína de muitas almas. A semente por ele lançada à terra germinou, cresceu e produziu frutos de morte eterna, entre os homens! 

Não te iludas, parecendo-te que o escândalo e coisa de pouca monta; nem o consideres ao de leve. Examina com cuidado se tens dado escândalo, onde e de que modo. Suposto mesmo que não tenhas sido absolutamente responsável diante de Deus porque não advertiste no pecado ou nas suas conseqüências, procura reparar do melhor modo possível, e evitar completamente para o futuro, todo o escândalo. "Não percas aquele por quem Cristo morreu». (Rom. 14,15) 

Se conheceres que alguém arma ciladas à tua virtude, ou que sua amizade é perigosa para a tua alma, foge com o maior cuidado, porque também Jesus Cristo morreu por ti sobre a Cruz... 

Como se há-de reparar o escândalo

Aquele que, sem justo motivo, deu ao próximo ocasião de pecar, está obrigado a reparar, quanto puder, o dano espiritual que lhe causou. Se, por tua culpa, alguém se apartou do caminho do bem, cuida por todas as maneiras de o trazer de novo à virtude, exortando-o, instruindo-o, orando por ele e dando-lhe bom exemplo. Que ele veja nas tuas palavras e obras, que repudias todo o mal que fizeste e dele estás arrependido de todo o teu coração.

O melhor meio de reparar o mal, será converteres-te de pedra de escândalo que eras pelo teu mau exemplo, em pregador mudo, mas eloqüente da virtude pela tua vida exemplar e verdadeiramente cristã.

Nas dúvidas que te ocorrerem sobre qualquer ponto particular, aconselha-te com o teu confessor.

(O Cristão no tribunal da Penitência pelo P. Frutuoso Hockenmaier, O.F.M, 1949.)

Família cristã

Família cristã 


Trecho da Carta Encíclica
DIVINI ILLIUS MAGISTRI
de sua Santidade Papa Pio XI
acerca da educação cristã da juventude.

O primeiro ambiente natural e necessário da educação é a família, precisamente a isto destinada pelo Criador. De modo que, em geral, a educação mais eficaz e duradoura é aquela que se recebe numa família cristã bem ordenada e disciplinada, tanto mais eficaz quanto mais clara e constantemente aí brilhar, sobretudo o bom exemplo dos pais e dos outros domésticos

Não é nossa intenção querer tratar aqui propositadamente da educação doméstica, nem sequer referindo só os seus pontos principais, tão vasta é a matéria, sobre a qual, de resto, não faltam especiais tratados antigos e modernos, de autores de sã doutrina católica, entre os quais avulta, digno de especial menção, o já citado e áureo tratado de Antoniano: Della educazione cristiana dei figliuoli, que S. Carlos Borromeu mandava ler publicamente aos pais reunidos nas igrejas. Queremos, porém chamar dum modo especial a vossa atenção, Veneráveis Irmãos, e amada Filhos, sobre a lastimável decadência hodierna da educação familiar. Para os ofícios e profissões da vida temporal e terrena, com certeza de menor importância, fazem-se longos estudos e uma cuidadosa preparação, quando, para o ofício e dever fundamental da educação dos filhos, estão hoje pouco ou nada preparados, muitos pais demasiadamente absorvidos pelos cuidados temporais

Para enervar a influência do ambiente familiar, acresce hoje o fato de que, quase por toda a parte, se tende a afastar cada vez mais da família a juventude, desde os mais tenros anos, sob vários pretextos, quer econômicos, industriais ou comerciais, quer mesmo políticos; e há regiões onde se arrancam as crianças do seio da família para as formar ou com mais verdade para as deformar e depravar em associações e escolas sem Deus, na irreligiosidade, no ódio, segundo as avançadas teorias socialistas, repetindo-se um novo e mais horroroso massacre dos inocentes. 

Portando, rogamos instantemente, pelas entranhas de Jesus Cristo, aos Pastores de almas, que nas instruções e catequese, pela palavra e por escritos largamente divulgados, empreguem todos os meios para recordar aos pais cristãos as suas gravíssimas obrigações não só teórica ou genericamente, mas também praticamente e em particular cada uma das suas obrigações relativas à educação religiosa moral e civil dos filhos e os métodos mais apropriados para atuá-la eficazmente, além do exemplo da sua vida. A tais instruções práticas não desdenhou descer o Apóstolo das gentes nas suas epístolas, particularmente naquela aos Efésios onde, entre outras coisas, adverte: «Ó pais, não provoqueis à ira os vossos filhos» (45), o que efeito não tanto de excessiva severidade quanto principalmente da impaciência, da ignorância dos modos mais adequados à frutuosa correção e ainda do já demasiado e comum relaxamento da disciplina familiar, onde crescem indômitas as paixões dos adolescentes. Cuidem por isso os pais e com eles todos os educadores de usar retamente da autoridade a eles dada por Deus, de quem são verdadeiramente vigários, não para vantagem própria, mas para a reta educação dos filhos no santo e filial «temor de Deus, princípio da sabedoria» sobre o qual se funda exclusiva e solidamente o respeito à autoridade, sem o qual não podem subsistir nem ordem, nem tranqüilidade, nem bem-estar algum na família e na sociedade.

(45) Efésios, VI, 4.

PS: Grifos meus.

terça-feira, 26 de julho de 2011

O Cristão e a vida de oração

O Cristão e a vida de oração


"Retiras o peixe da água e dali a pouco está morto. Retira-te ou afasta-te da oração, e a tua alma vai morrer para Deus e para a graça. Para que o peixe viva, precisa de estar na água; para que a tua alma viva em graça, precisa de andar em oração. Se o peixe tivesse Fé e razão, havia de compreender que tinha o dever rigoroso de não sair da água para não perder a vida; o cristão tem o dever rigoroso de não deixar a oração para não perder a vida da eterna bem-aventurança." (São João Crisóstomo citado no livro o Cristão no Tribunal da Penitência pelo Padre Fr. Frutuoso Hockenmaier, O.F.M, página 132)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A ira legítima usada com sabedoria

Nota do blogue: Segue alguns trechos que tratam sobre a ira legítima e conselhos de como bem utilizá-la.

A ira legítima usada com sabedoria

(Sedes Sapientiae ora pro nobis)

“Vossas palavras e respostas, hão-de ir sempre cheias
 do sal da graça e da suavidade,
que isto me agrada e contenta muito.”

Sermo vester sempre in gratia sale sit conditus,
ut sciatis quomodo oporteat
vos unicuique respondere.
(Coloss. IV, 6)


ü      A vida Espiritual explicada e comentada por Adolph Tanquerey, sacerdote sulpiciano, professor de Teologia Dogmática e de Direito Canônico. Segue trecho que aborda o tema da ira legítima e logo abaixo coloco fotos da parte do livro para aqueles que quiserem ler o capítulo inteiro.

854. 2.º A ira, considerada como sentimento, é um desejo ardente de repelir e castigar um agressor.

A) Há uma ira legítima, uma santa indignação, que não é senão o desejo ardente, mas radical, de infligir aos criminosos o justo castigo. Foi assim que Cristo Senhor Nosso entrou em justa cólera contra os vendilhões que com o seu tráfico contaminavam a casa de Seu Pai (Jo 2,13-17); o sumo sacerdote Heli, pelo contrário, foi severamente censurado por não ter reprimido o mau procedimento de seus filhos.

Para ser legítima, a cólera tem que ser:

a)      justa no seu objeto, não tendo em vista senão castigar a quem o merece e na medida em que o merece.
b)      Moderada no seu exercício, não indo mais longe do que reclama a ofensa cometida seguindo a ordem que demanda a justiça;
c)      Caritativa na sua intenção, não se deixando arrastar a sentimentos de ódio, não procurando senão a restauração da ordem e a emenda do culpado. Qualquer destas condições que falte, haverá excesso repreensível. – É sobretudo nos superiores e pais que a cólera é legítima, mas os simples cidadãos têm por vezes direito e dever de se deixarem inflamar de cólera santa, para defenderem os interesses da cidade e impedirem o triunfo dos maus; é que, efetivamente, há homens que a doçura deixa insensíveis, e nada temem senão o castigo.

855. B) Mas a cólera, que é vício capital, é um desejo violento e imoderado de castigar o próximo, sem atender às três condições indicadas. Muitas vezes é a cólera acompanhada de ódio, que procura não somente repelir a agressão, mas ainda tirar dela vingança; é um sentimento mais refletido, mais duradouro, e que por isso mesmo tem mais graves conseqüências. Grifos meus.

Fotos
(clique nelas para ampliá-las)




ü      Catecismo Romano, III parte: Dos mandamentos, páginas 438 e 439. Segue trecho que aborda o tema proposto:

É proibido irar-se: Pois a ninguém é lícito nem sequer irar-se contra o próximo, como ensina o Evangelho, porquanto Nosso Senhor declarou: “Eu, porém, vos digo: Todo aquele que se enraivecer contra seu irmão, será réu perante o juízo. Quem chamar seu irmão de “raça”, será réu diante do conselho. Quem chamar seu irmão de “louco”, será réu do fogo do inferno” (Mt. 5,22).

a) sem razão... [12] Dessas palavras se deduz, com evidência, que não está livre de pecado quem se zanga com seu irmão, ainda que reprima a cólera dentro de si mesmo. Todavia, muito mais grave é a falta de quem não receia tratar duramente seu irmão e dirigir-lhe palavras injuriosas. (Thom. II-II q. 158 art. 3.)

Este pecado, porém, só se verifica, quanto não há o que possa justificar nossa indignação. Perante Deus e Suas Leis (Sl. 4,5; Ef. 4,26), temos razão de alternar-nos, todas as vezes que corrigirmos nossos subordinados, por causa de suas faltas.

b) por motivos carnais. A cólera do cristão não deve proceder dos sentidos carnais, mas da ação do Espírito Santo, já que nos compete a dignidade de “templos do Espírito Santo” (I Cor. 6,19), nos quais habita Jesus Cristo. ( Ef. 3,17). Grifos meus.

ü      O Cristão no tribunal da Penitência – Padre. Fr. Frutuoso Hockenmaier, O.F.M

Indignar-se quando há razão para isso, não ultrapassando as regras da moderação, não é ira pecaminosa. Assim , não cometem pecado de ira os pais e superiores que se mostram zangados com as faltas dos filhos e súditos, nem os mestres quando verberam a preguiça dos alunos e até com prudência os castigam. Em casos como este a ira é justa e um movimento razoável e natural.

Pode, pois, dizer-se que não é pecaminosa a ira quando:

a)      é fundada e procedente de motivo justo e razoável,
b)      e se contém dentro dos limites da moderação e prudência.

O mesmo se diga do que chamamos “indisposições contra o próximo”. Não é pecado mostrar descontentamento quando para isso há motivo razoável, e não se ultrapassam os justos limites. A ira desde que não haja conseqüências, de ordinário é pecado leve. Mas cuidado com ela, pois facilmente arrasta a pecado grave. Se com a ira andam desejos de vingança, então o pecado será tanto maior quanto mais grave for a falta contra a caridade.

Em outro trecho diz o padre:

Toma a resolução de não falar enquanto estás irado. A princípio custar-te-á; mas o que não te será fácil da primeira vez, consegui-lo-ás de outra vez se teimares no bom propósito... São Francisco de Sales era de temperamento fogoso. Soube, porém, combater sua paixão de tal modo que veio a ser exemplo luminoso de mansidão e doçura. Perguntando certa vez como podia conservar-se manso falando com pessoas irritadas, respondeu:
“Fiz pacto com a minha língua de não pronunciar palavra enquanto o coração não estiver calmo”.

Imita o exemplo deste santo, e evitarás grandes inquietações, desarmonias, mágoas e dissabores. Grifos meus.

ü      Filotéia de São Francisco de Sales. Seguem alguns trechos onde o santo aborda o tema: A mansidão no trato com o próximo e os remédios contra a cólera. (páginas 211 a 217).

“A humildade aperfeiçoa o homem em seus deveres para com Deus; e a mansidão, em seus deveres para com a sociedade humana.”

Deve-se resistir ao mal e corrigir aos maus costumes dos seus subalternos com santo ânimo e muita firmeza, mas sempre com uma inalterável mansidão e tranqüilidade; nada pode aplacar tão facilmente um elefante irritado com a vista dum cordeirinho, e o que mais diminui o ímpeto duma bala de canhão é a lã. A correção feita só com a razão recebe-se sempre melhor do que aquela que encerra também a paixão, porque o homem se deixa levar com facilidade pela razão, a que naturalmente é sujeito, ao passo que não pode suportar que o dominem pela paixão. Por isso, quando a razão quer fortificar-se pela paixão, faz-se ociosa e perde ou ao menos atenua a sua autoridade, por chamar em seu apoio a tirania e a paixão... se a razão procura com mansidão seus direitos os de autoridade por meio de algumas correções e castigos, todos aprovarão e a estimarão, ainda que seja com exatidão e rigor: mas, se a razão mostra indignação, despeito e cólera, que Santo Agostinho chama os seus soldados, ela mais faz-se temer que amar e perturba e oprime a si mesma. É melhor, diz Santo Agostinho, escrevendo a Profuturo, fechar inteiramente a entrada do coração à cólera, por mais justa que seja, porque ela lança raízes tão profundas que é muito difícil arrancá-las; assemelha-se a uma plantazinha que se transforma em uma árvore enorme. Não é sem razão que o apóstolo proíbe que deixemos pôr-se o sol sobre a nossa cólera, porque durante a noite ela se converterá em ódio, torna-se quase implacável e nutre-se, no coração, de mil arrazoamentos, falsos; pois ninguém teve jamais a sua cólera por injusta.”

A ciência de viver sem cólera é muito melhor do que a de servir-se dela com sabedoria e moderação; e, se, por qualquer imperfeição ou fraqueza, esta paixão surpreender o nosso coração, é melhor reprimi-la imediatamente que procurar regrá-la, torna-se senhora da graça e faz como a serpente que, por qualquer buraco por onde mete a cabeça, passa facilmente com todo o corpo.”

“Demais, quando estás com o ânimo calmo e sem motivo algum de irritar-se, faze um grande movimento de brandura e benignidade, acostumando-te a falar e a agir sempre com este espírito, tanto em coisas grandes como pequenas; lembra-te que a Esposa dos cantares não só tem o mel nos lábios e na língua, mas o tem também debaixo da língua, isto é, no peito, onde com o mel possui também o leite. Isto nos mostra que a brandura com o próximo deve residir no coração e não só nos lábios, e que não é bastante ter a doçura do mel, que exala um cheiro agradável, isto é, a suavidade duma conversa honesta com pessoas estranhas, mas devemos ter também a doçura do leite no lar doméstico, para com os parentes e vizinhos. É o que falta a muitas pessoas, que fora de casa parecem anjos e em casa vivem como verdadeiros demônios.” Grifos meus.

ü      Exercício de perfeição e virtudes cristãs pelo V.P. Afonso Rodrigues da Companhia de Jesus, versão do castelhano por Fr. Pedro de Santa Clara, podemos ler:

“Em primeiro lugar havemos de acautelar-nos muito de dizer palavras picantes. Há algumas palavrinhas que costumam picar e ferir a quem se dizem, porque dissimuladamente lhe põem nota na condição ou no entendimento ou no engenho, não tão agudo, ou em alguma outra falta natural ou moral. Estas palavras são muito prejudiciais e muito contrárias à caridade; e algumas vezes se costumam dizer em tom de graça ou por galantaria, e então são piores e mais prejudiciais, e tanto mais quanto com mais graça se dizem, porque ficam mais impressas nos ouvintes e se lembram mais delas. E o pior é que algumas vezes sucede ficar muito contente quem as diz, parecendo-lhe ter dito alguma agudeza e mostrado bom entendimento, mas engana-se muito: pois nesse seu falar só mostra ter mau entendimento e pior vontade, empregando o entendimento que Deus lhe deu para O servir, em dizer ditos agudos que ofendem e escandalizam a seus irmãos e perturbam a paz e a caridade…” (página 305)

De S. Tomás de Aquino se diz que nas disputas escolásticas não contradizia nunca a ninguém porfiadamente, senão que manifestava o que sentia com incrível mansidão e temperança de palavras, sem desprezar a ninguém, antes com estima de todos, porque não pretendia sair da disputa vitorioso, mas só que a verdade fosse conhecida…”(página 310)

“Conta Cassiano que altercando uma vez o abade Moisés com o abade Macário, lhe chegou a dizer uma palavra mortificativa e algum tanto descomposta, e logo no mesmo ponto o castigou Deus, permitindo que entrasse nele um demônio tão feio e sujo, que lhe fazia meter na boca imundícies, até que, fazendo oração o abade Macário, foi livre dele (Cassian. Collat. 7. c. 27). Veja-se quanto aborrece Deus esta falta, pois assim a castiga com um tão grande servo Seu e de tão aprovada santidade, qual sabemos que foi o abade Moisés.

À imitação deste castigo, lemos nas Crônicas da Ordem de São Francisco, que um frade velho diante de um homem nobre de Assis disse a outro frade umas palavras ásperas e desabridas com alguma cólera, porém em as dizendo caiu logo em si, e vendo a seu irmão perturbado por aquelas palavras e aquele secular mal edificado, ardendo em vingança contra si mesmo, tomou um pouco de logo, meteu-o na boca, e mastigando-o dizia: Mastigue terra e lodo a língua que contra seu irmão lançou veneno de raiva. E ali se diz que fora aquele homem nobre muito edificado e como fora de si, vendo o zelo e fervor com que aquele satisfez a sua culpa, e ficou com maior devoção aos frades, oferecendo-se a si e a todas as suas coisas para servir a Ordem.” (Hist. Minor., P., 1. 2, C. 25.) [ página 313 e 314]

Diz S.Boaventura que nos havemos de envergonhar de dizer palavra áspera e desabrida que possa ofender ou desgostar ao nosso irmão, ainda que seja repentinamente e por primeiro movimento e ainda que a palavra seja muito leve. E se alguma vez suceder que nesta matéria nos descuidemos, logo havemos de procurar confundir-nos, humilhar-nos e satisfazer a nosso irmão, pedindo-lhe perdão.” (Páginas 315 e 316).

“Quando uma coisa dura se encontra com outra também rija e dura, soa e faz estrondo; porém se o duro dá em brando, nem se ouve nem se sente. Uma bala de uma peça colubrina vemos que desfaz uma torre de muito boa cantaria, e faz grande estrondo; e dando em umas sacas de lã, se amortece com aquela brandura e perde a sua força. Assim cá, diz Salomão, a resposta branda e suave quebra e atalha a ira; e pelo contrário a resposta áspera e desabrida a desperta e acende maisresponsio mollis frangit iram, srmo durus suscitat furorem. Prov. XV, 1. -, porque é lançar lenha no fogo, contra o que diz o Sábio: Não lances lenha no fogo do homem desbocadoNon struas in ignem illius ligna. Eccl. VIII, 4. -. Não haveis de avivar ou aumentar o fogo com vossas respostas, mas antes há-de haver brandura e virtude em vós, que ainda que alguma vez vos digam alguma palavra dura e áspera, não faça estrondo nem se sinta, nem se chegue a conhecer, mas aí mesmo se esconde e se apague.” (página 319). Grifos meus.

ü      Nova Floresta, volume V do Padre Manuel Bernardes, seguem trechos:

XLVII
Do santo abade Isaac

Perguntando este santo por que razão os demônios o temiam tanto, respondeu: “Porque, depois que entrei a ser monge, procurei que nunca a ira me saísse da boca.”

Sentenças

Santo Ambrósio: Si irascimur, quia affectus naturae est, non potestatis, malum sermonem non proseramus ne in culpam ruamus: Se nos iramos, porque a paixão da natureza rompe os freios da razão, ao menos não profiramos palavras de enojo ou injúria, para que nos não precipitamos no pecado. (Lib. I “Ofic.”, c. 3) São João Clímaco: Mansuetudo est invitatio Christi, Angelorum proprietas, daemonum nexus: A mansidão convida, a Cristo, assemelha-se aos Anjos, aprisiona aos demônios. (Gradu 24, in principio.) Grifos meus.
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