sexta-feira, 26 de abril de 2013

O Juízo - Sacerdote (Continuação)

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.

(Jesus Cristo falando ao coração do Sacerdote, ou meditações eclesiásticas para todos os dias do mês, escritas em italiano pelo Missionário e doutor Bartholomeu do Monte traduzidas pelo Pe. Francisco José Duarte de Macedo, ano de 1910)


            I. — Infeliz de ti, filho, se não procuras viver como Sacerdote! O dia do Juízo será para ti dia de horror, dia de angústia e de trevas.
            Para tomar vingança de tens crimes armarei contra ti o Céu, a terra, os elementos, os Anjos, os demônios, todas as criaturas. Todos os Santos, que agora podiam ser teus protetores, empunharão comigo a espada vingadora. Minha Mãe, Maria Santíssima, agora Mãe de misericórdia, te aparecerá então terrivelmente irada.
            Ver-Me-ás, com todo o fulgor da Minha majestade onipotente, arrojar sobre ti a Minha ira, qual aguda lança, para te conculcar com todo o Meu furor. Com que ânimo comparecerás em Minha presença, sabendo que mereces toda a Minha indignação?

            II. — Tudo quanto procuraste ocultar ao Confessor, ao Superior, ao mundo, a ti mesmo, será então publicado.
            Que imensa perturbação sentirás, vendo-te acusado por tua própria consciência, confundido por tantos Sacerdotes, por tantos correligiosos, por teus mesmos fundadores, cujas virtudes não imitaste, por tantos leigos que no século se santificaram, pelos mesmos infiéis, menos culpados que tu?
            Surgirão contra ti os pobres que não socorreste, por saciar tuas paixões e sustentar animais de regalo; clamarão vingança os ignorantes que não instruíste, os pecadores que não converteste, os cúmplices pervertidos, todas as almas por tua culpa condenados:[1] as mesmas pedras do altar, a madeira dos púlpitos, as tábuas do confessionário bradarão contra tuas omissões e teus sacrilégios!
            Até agora tenho-Me calado; mas então levantarei a Minha voz! E que responderás, filho, às amargas repreensões por tantos crimes públicos, pelo abuso de tantas graças, pela omissão e traição de tantos deveres?

            III. — Agora tens mil modos de iludir a ação da justiça do mundo; mas naquele dia nem pretextos, nem subornos, nem protetores, nem teu mesmo caráter te poderão subtrair ao rigor da minha justiça.
            Ser-te-ão arrancadas dos ombros as vestes sacerdotais, e ver-te-ás ignominiosamente degradado à face de todo o mundo[2].
            Oh! Quão desesperada será a tua consternação ao ver-te fulminado, pela mais terrível sentença, a tormentos os mais cruciantes, irrevogáveis, eternos; sem piedade, sem apelação, sem escapatória! Com que raiva verás subirem ao Céu, entre os santos eleitos do Senhor, aqueles rústicos e plebeus, aquelas mulherzinhas devotas, por ti escarnecidas e desprezadas; até os mesmos publicanos e meretrizes convertidas e penitentes; e tu, porção escolhida, ires habitar com os hipócritas e infiéis![3]
            Quererás pois tu, Sacerdote, que Eu, morto por ti nesta cruz, seja a tua ruína e ruína tanto maior para ti, com relação aos leigos, quanto teus pecados foram mais graves que os deles? Quererás que o Meu mesmo corpo e o Meu sangue, que tantas vezes tens recebido, seja tua maior pena e a maior causa da tua condenação?
            Eia, filho, não sejas assim: não Me obrigues, com tua resistência, a condenar-te. Repara bem que hoje quero ser para ti atentíssimo Pai, e então hei de ser severíssimo Juiz.

            Fruto. — No dia do Juízo não te servirão de escusa a ignorância nem a fragilidade, nem o exemplo dos Sacerdotes relaxados.
            Acusa-te agora de todas as tuas faltas, especialmente das de omissão. Faze sincera penitência do passado; e para o futuro empenha-te em conformar todas as tuas ações com teu elevado ministério.
            Traze sempre na memória que és sacerdote: pensa a miúdo em tuas grandes obrigações, e no grave peso que sobre ti tomaste com o sacerdócio. Faze contigo mesmo, todos os dias, te diz S. Gregório, aquelas contas que, um dia, hás de fazer com o supremo Juiz.

Notas:


[1] Venient, venient clerici ante tribunal Christi: audietur populorum querela gravis, accusatio dura, quorum vixere stipendiis, nec diluere peccata; quibus facti sunt duces caeci, fraudulenti mediatores. (Bern., Declam. 7, 20.)

[2] Laicus in die Judicii stolam sacerdotalem accipiet, et a Deo chrismate ungetur in sacerdotium: sacerdos autem peccator spoliabitur sacerdotii dignitate, quam habuit, et erit inter infideles et hypocritas. (Chrysost., Op. Imp., H. 60.)

[3] Plerumque enim, si quos humiliter, si quos continenter vivere conspiciunt, irrident sacerdotes.(Greg., Hom. 17.) Videntes turbabuntur, timore horribili, et mirabuntur in subitatione insperatæ salutis, dicentes intra se, poenitentiam agentes, et præ angustia spiritus gementes: Hi sunt quos ha buimus aliquando in derisutn, et in similitudinem improperii. Nos insensati vitam illorum æstimabamus insaniam, et finem illorum sine honore : ecce quomodo computati sunt inter filios Dei, et inter sanctos sors illorum est. Ergo erravimus a via veritatis, et justitiæ lumen non illuxit nobis, et sol intelligentiæ non est ortus nobis... Talia dixerunt in inferno hi, qui peccaverunt... (Sapient., V, 2-14.)
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