quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Estigmas das mãos de Nosso Senhor

PS: Esta postagem é de caráter informativo .Visa fornecer dados sobre estudos feitos por dois grandes estudiosos do Santo Sudário. Dr Pierre Barbet em sua obra: A Paixão segundo o cirurgião e Dr. Frederick T. Zugibe em seu volumoso estudo sobre o assunto: A crucificação de Jesus.
Não temos o intuito de afirmar o local exato da perfuração dos pregos nas Santas mãos de Nosso Senhor, afirmação essa que exige autoridade e conhecimento elevado, ambas qualidades que nos faltam.


(Figura ilustrativa, não confere com a citada no livro, apenas para dar uma noção da localização dos pregos)

Até o começo da década de 1930, cristãos devotos acreditavam que os pregos tinham atravessado a palma das mãos de acordo com os textos das Escrituras (Zacarias 13:6; Salmos 21:16, 17; Lucas 24:39; João 20:20-27). Crucifixos mais antigos como o de marfim, datado de 420 d.C., que se encontra no Museu Britânico, e o que está no portão de madeira de Santa Sabina, em Roma, datado da primeira metade do século V, mostram os pregos no centro das palmas. Estudiosos da crucificação, como Hengel, escreveram que, nos tempos romanos, era regra pregar o crucarius nas duas mãos e nos pés.

Porém, em 1932, na exposição do Sudário de Turim, o Dr. Pierre Barbet, um conhecido cirurgião de Paris, proclamou que o prego penetrou no pulso e não na palma da mão, já que ela não poderia suportar o peso do corpo. Ele turvou as àguas mais ainda ao afirmar que o prego penetrou uma área específica do pulso chamada espaço de Destot, onde, segundo ele, o objeto atingiu o nervo mediano, fazendo que o polegar se retraísse para a palma.

Essa novidade se espalhou como fogo pelo mundo todo até os tempos atuais, com uma infinidade de artigos na imprensa, documentários na TV, revistas, livros, capítulos em livros, etc., muito embora as suposições de Barbet fossem baseadas em mera especulação. Ele chegou a essa conclusão depois de notar que o Sudário de Turim parecia mostrar os ferimentos perto do pulso, na costas da mão; conduzindo uma única e indefensável experiência utilizando um braço amputado; e levando em consideração a revelação da Virgem para Santa Brigite, que dizia: "as mãos do meu Filho foram penetradas no ponto onde o osso é mais sólido." mais tarde, ele desenvolveu outra suposição, a de que somente um prego penetrou ambos os pés, ignorando totalmente a revelação de Santa Brigite, conforme a qual cada pé teria sido percurado separadamente. (A crucificação de Jesus escrito pelo dr. Frederick T.Zugibe)
                                                                       ***
Segue algumas comparações feitas entre as opiniões de Dr.Pierre Barbet e Dr. Frederick T.Zugibe sobre o estigma de Nosso Senhor.


* Local do cravo segundo Dr.Pierre Barbet (Espaço de Destot - figura ao lado)

1) O Homem do Sudário foi pregado na área do pulso chamada espaço de Destot ?

Dr. Barbet

- "É portanto coisa certa: os cravos não puderam ter sido fincados nas palmas das mãos sem que as dilacerassem rapidamente; logo, é necessário procurarmos outro local." (Barbet - A Doctor at Calvary pág 118)

- "O cravo entrou no espaço de Destot; afastou, sem quebrar um só, os quatro ossos que o limitam." (´pág. 124)

- "Existe no meio dos ossos do carpo, um espaço livre, limitado pelo grande osso, o semilunar, o piramidal e o uniforme. Conhecemos tão bem este espaço que está de acordo com o espaço de Destot" ( Barbet - A Doctor at Calvary - pág 125)

Dr. Frederick

"Infelizmente, isso não pode ser verdade porque esses quatro ossos localizam-se na região do pulso pertencente ao dedo mínimo (ulnar) e não na região do polegar (radial), como é mostrado no Sudário! Olhe para a imagem do ferimento na mão para confirmar isso. Note que a imagem do ferimento na mão no Sudário é, sem dúvida, na região radial (polegar) do pulso.
Em primeiro lugar, o prego não poderia ter entrado no espaço de Destot, porque está no lado errado do pulso. Segundo, não poderia ter entrado no centro da palma, porque ele não teria saído no local do ferimento que a imagem do Sudário de Turim aponta. Em terceiro lugar, não poderia ter entrado no espaço entre o rádio e a ulna, porque não teria saído onde é mostrado no Sudário.


O prego poderia ter entrado na parte superior da palma da mão - não no centro da palma. Essa área é também tão robusta quanto o espaço de Destot ou a área radial. Um prego entrando nesta região poderia emergir no local detalhado no Sudário."

2) O polegar que falta no Sudário deve-se a um ferimento no nervo mediano por causa da passagem do prego?

Dr. Barbet

"Operava eu, e nisto insisto, sobre mãos vivas ainda, logo após a amputação de braço. Ora, verifiquei desde a primeira vez e, regularmente nas seguintes, que no momento em que o cravo atravessava as partes moles anteriores, estando a palma para cima, o polegar se dobrava bruscamente e, sobretudo, se opunha na palma, pela contração dos músculos tenarianos, ao mesmo tempo que os quatro dedos se dobravam muito ligeiramente...Ora, as dissecações me revelaram que o tronco do nervo mediano estava sempre gravemente ferido pelo cravo, seccionado, triturado na altura do terço, metade ou dois terços, de acordo com os casos...a contração destes músculos tenarianos, ainda vivos como seu nervo motor, se explicava facilmente pela excitação mecânica do nervo mediano" ( Barbet - A Doctor at Calvary ,pág. 126)

Dr.Frederick

"Isso é indefensável por duas razões: Primeira: Anatomicamente isso é impossível, porque o nervo mediano não passa pelo espaço de Destot, mas corre na área do pulso referente ao polegar e ao longo do sulco tenar até a palma da mão.Um jeito fácil de localizar o nervo mediano do seu pulso é dobrá-lo para a frente.Você vai notar uma estrutura firme, como se fosse uma corda, projetando-se externamente. Esse é tendão palmar longo. O nervo mediano corre ao longo desse tendão do lado do polegar, não do dedo mínimo. Obviamente, Barbet estava danificando o nervo ulnar, que corre na área do espaço de Destot.
Segundo: Mesmo que passasse e fosse ferido, não haveria flexão do polegar. O dr. Ernest Lampe um dos principais cirurgiões do mundo relata que, na ruptura do nervo mediano, dá-se a inabilidade para flexionar o polegar, o indicador e o dedo médio"

3) As palmas das mãos não vão agüentar o peso do corpo.

Dr.Pierre

"Fiz a seguinte experiência: acabando de amputar um braço no terço superior, de um homem vigoroso, enterrei meu cravo de 8mm de lado a lado (igual ao cravo da Paixão) em plena palma no 3º espaço. Suspendi devagarinho ao cotovelo 40 quilos(isto é, metade do peso de um homem que tivesse cerca de 1,80 m). Depois de 10 minutos, a chaga se havia estigado, e o cravo estava na altura das cabeças metacarpianas. Dei então uma sacudidela muito moderada no conjunto e vi o cravo franquear bruscamente o ponto do espaço retraído pelas duas cabeças matacarpianas e dilacerar bastante a pele até a comissura. Uma segunda sacudidela fê-lo arrancar o que restava da pele." ( Barbet - A Doctor at Calvary, pág. 116)

Dr.Frederick

"Ele descobriu que o prego rasgou a mão depois de cerca de dez minutos, com agitação. Acrescentou cálculos matemáticos derivados da fórmula de tensão pra um homem suspenso em um ângulo de 65 graus, que ele indicou resultar em, um impacto de aproximadamente 94 quilos. Sua conclusão é incorreta. O problema com essa e outras hipóteses de Barbet é que elas nunca foram sujeitas aos princípios do método científico, o que é indispensável para validar ou modificar uma hipótese...

Sempre tive muitas reservas quanto ao experimento de Barbet com o braço amputado, já que ele só o fez uma vez e, ainda assim, usando apenas um braço. Amputações de braço são muito raras na medicina e, acontecem principalmente quando existe gangrena por causa da obstrução do fornecimento vascular causado por doenças ou grave circustâncias traumáticas. Em casos como esses, os tecidos isquêmicos ofereceriam menos resistência que os tecidos normais, e os pregos, assim, dilacerariam as mãos com mais facilidade... As experiências de Barbet com o braço amputado não são aplicáveis à suspensão na cruz quando os pés estão presos à estaca. A fórmula de tensão é aplicável somente se a vítima está totalmente suspensa pelas mãos, com as pernas pendendo livres. A tração nas mãos e braços durante a suspensão é notadamente diminuída quando os pés estão presos à estaca, porque as pernas absorvem grande parte da tensão."



4) Os estigmatizados

Dr.Pierre

"Acrescentemos que a localização exata dos estigmas não tem sido sempre a mesma, mas vai variando por toda a extensão da zona metacarpiana e até perto do carpo. É necessário, portanto, concluir que os estigmas não poderão dar informação alguma sobre a localização nem sobre a forma das chagas da crucifixão... Aliás, é este o sentimento dos próprios estigmatizados, suas chagas não têm para eles senão valor místico. Apenas citarei uma: Teresa Neumann, embora suas manifestações sobrenaturais não tenham ainda sido homologadas pela autoridade legítima. Teresa disse a um dos seus amigos: 'Não creio que Nosso Senhor tenha sido pregado nas palmas das mãos, no local em que tenho os estigmas. Estes sinais não tem senão uma significação mística. Jesus deveria estar fixado sobre a cruz mais solidamente' .

Concluamos, então. Sem querer, pois quase que não o podemos, discutir o mecanismo somático do milagre (porque continuo a admitir que estes estigmas têm uma causa sobrenatural) , é permitido pensar que a impressão deles geralmente se faz no local em que o estigmatizado crê que estavam as chagas do Senhor."

Dr.Frederick

"É interessante que não se sabe de nenhum estigmático que tenha ferimentos no pulso antes da hipótese de Barbet. Além disso, a legitimidade dos estigmáticos pós-Barbet que tiveram ferimentos nos pulsos, como o padre italiano Gino Buresi e o padre americano Brussis, foi recentemente contestada. Alega-se que, aparentemente, Brussis procura refletores e supostamente está registrado no Guinness, o livro dos recordes, como a pessoa que permaneceu em uma roda-gigante por mais tempo do que qualquer coisa."

Tu me moves!


Ato de amor perfeito e contrição perfeita,
atribuído a São Francisco Xavier

Não me move meu Deus, para querer-Te,
O Céu que me tens prometido,
Nem me move o inferno, tão temido,
Para deixar por isso de ofender-Te.

Tu me moves, Deus meu, move-me o ver-Te
Cravado em uma cruz, escarnecido;
Move-me o ver teu Corpo tão ferido,
Movem-me tuas afrontas e tua morte;

Move-me, enfim, teu amor e de tal maneira
Que, ainda que não houvesse Céu, te amaria,
E, ainda que não houvesse inferno, te temeria.

Nada tens que dar-me porque Te quero;
Porque, se não esperasse o que espero,
Te queria o mesmo que te quero.

(Retirado do livro: A contrição perfeita uma chave de ouro do Céu -  Pe. J. de Driesch - pág. 32)

Aos devotos de São Miguel Arcanjo (Um pouco atrasado)


No ano de 590 Roma foi assolada por uma série de calamidades, entre as quais a invasão dos lombardos, a inundação do Tigre, e uma peste que ceifou a vida do próprio Papa Pelágio II. Seu sucessor, São Gregório Magno, conclamou todos os fiéis para uma procissão rogatória, a fim de implorar a misericórdia do Céu. O Pontífice compareceu descalço, com uma imagem de Nossa Senhora.

A procissão atravessou toda a cidade para chegar à Basílica de São Pedro. Quando o cortejo estava cerca da ponte do cais de Adriano, ouviram-se coros angélicos que cantavam:
"Rainha dos Céus, alegrai-vos, aleluia, porque Aquele que merecestes trazer em vosso seio, aleluia, Ressucitou como disse, aleluia".

São Gregório, ajoelhando-se na rua, terminou o cântico dos Anjos:
 "Rogai por nós a Deus, Aleluia".

Nesse momento São Miguel, protetor da Igreja, apareceu sobre o Mausoléu de Adriano, tendo uma espada nua na mão, que ele recolocava na bainha. A partir desse momento cessaram todas as calamidades.
Como lembrança desse acontecimento, colocou-se sobre o Mausoléu, tornado uma espécie de cidadela do Papado, uma imagem de mármore branco representando o Arcanjo como fora visto. Bento XIV a substituiu pela de bronze que ainda hoje está sobre o que passou a ser chamado de "castelo Santo Anjo", às margens do Tigre, na cidade Eterna. (ver imagem acima)
(O Livro dos Três Arcanjos - Ed. Artpress)

Oração a São Miguel pedindo assistência na hora da morte

"Glorioso Arcanjo São Miguel, pela vossa proteção fazei que, no dia da minha morte, a minha alma seja revestida da graça de Deus, e digna se ser apresentada pelas vossas mãos a Jesus Cristo, meu soberano Juiz.Ah! santo Arcanjo, o inferno tem muitas armas com que pode investir contra mim nessa hora: estas armas são os meus pecados, cuja enormidade ele me há de representar então, para me precipitar no desespero; são todas as horríveis tentações com que há de me assaltar para me reduzir a cair no pecado. Ó vós, que vencestes e expulsastes do céu este terrível adversário, vinde vencê-lo de novo e expulsá-lo para longe de mim no momento da minha morte; isto vos suplico pelo grande amor que Deus vos tem, e vós a Ele. Ó Maria, Rainha do Céu, ordenai a São Miguel que assista à hora de minha morte. Amém".
(As mais belas orações de Santo Afonso de Maria Ligório, Ed.Vozes, 1961)


Coroa Angélica de São Miguel Arcanjo

Esta devoção foi ensinada e pedida pelo próprio Arcanjo à serva Antónia d'Astonoac, em Portugal. A devoção passou para outros países, foi aprovada por muitos bispos e até pelo Papa Pio IX, que a enriqueceu de indulgências, em 08 de Agosto de 1851.

São Miguel prometeu, em retribuição, que aquele que lhe rendesse este culto, teria na ocasião em que se aproximasse da santa Eucaristia, um cortejo de nove Anjos, escolhidos dentre os noves coros. Além disso, para a recitação quotidiana destas nove saudações, prometeu a sua assistência e a dos santos Anjos durante todo o decurso da vida, e depois da morte a libertação do Purgatório para si e seus parentes.
(Estatutos e Devocionários da Associação de São Miguel, p.13)

Método para rezar:

Sobre a Medalha, diz-se:

Vinde, ó Deus, em meu auxílo!
Socorrei-me sem demora!
Glória ao Pai...

Depois, deixando para o final as quatro contas que se sequem, toma-se a primeira conta grande da coroínha e reza-se a primeira saudação:

Primeira Saudação
Pela intercessão de SÃO MIGUEL e do coro celeste dos SERAFINS, para que o Senhor nos torne dignos de sermos abrasados de uma perfeita caridade.Amém.

Um Pai Nosso ... Três Ave Marias ... Glória.

Segunda Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos QUERUBINS, para que o Senhor nos conceda a graça de fugirmos do pecado e procurarmos a perfeição cristã. Amém.

Um Pai Nosso ... Três Ave Marias ...Glória.

Terceira Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos TRONOS, para que Deus derrame em nossos corações o espírito de verdadeira e sincera humildade. Amém.

Um Pai Nosso ... Três Ave Marias ... Glória.

Quarta Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das DOMINAÇÕES, para que o Senhor nos conceda a graça de dominar nossos sentidos, e de nos corrigir das nossas más paixões. Amém.

Um Pai Nosso ... Três Ave Marias ... Glória.

Quinta Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das POTESTADES, para que o Senhor se digne proteger nossas almas contra as ciladas e as tentações do demônio. Amém.

Um Pai Nosso ... Três Ave Marias ... Glória.

Sexta Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das VIRTUDES,para que o Senhor não nos deixe cair em tentação, mas que nos livre de todo o mal. Amém.

Um Pai Nosso ... Três Ave Marias ... Glória.

Sétima Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos PRINCIPADOS, para que o Senhor encha nossas almas do espírito de uma verdadeira e sincera obediência.Amé m.

Um Pai Nosso ... Três Ave Marias ...Glória.

Oitava Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste de todos os ARCANJOS, para que o Senhor nos conceda o dom da perseverança na fé e nas boas obras, afim de que possamos chegar a possuir a glória do Paraíso.

Um Pai Nosso ... Três Ave Marias ... Glória.

Nona Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste de todos os ANJOS, para que o Senhor se digne conceder-nos que sejamos guardados por eles nesta vida mortal, para sermos conduzidos por eles à glória eterna do Céu.Amém.

Um Pai Nosso ... Três Ave Marias ... Glória.

No final reza-se nas quatro contas grandes:

Um Pai Nosso ... (em honra de São Miguel Arcanjo)
Um Pai Nosso ... (em honra de São Gabriel)
Um Pai Nosso ... (em honra de São Rafael)
Um Pai Nosso ... (em honra do nosso Anjo da Guarda)

Termina-se rezando:

Antífona: Glorioso São Miguel, chefe e príncipe dos exércitos celestes, fiel guardião das almas, vencedor dos espíritos rebeldes, amado da casa de Deus, nosso admirável guia depois de Cristo; vós cuja excelência e virtudes são eminentíssimas, dignai-vos livrar-nos de todos os males, nós todos que recorremos a vós com confiança, e fazei pela vossa incomparável proteção que adiantemos, cada dia mais, na fidelidade em servir a Deus.Amém.

- Rogai por nós, ó bem-aventurado São Miguel, príncipe da Igreja de Cristo.
- Para que sejamos dignos de suas promessas.

Oração: Deus, todo poderoso e eterno, que por um prodígio de bondade e misericórdia para a salvação dos homens, escolhesses para príncipe de vossa Igreja o gloriosíssimo arcanjo São Miguel, tornai-nos dignos, nós Vo-lo pedimos, de sermos preservados de todos os nossos inimigos, a fim de que na hora da nossa morte nenhum deles nos possa inquietar, mas que nos seja dado de sermos introduzidos por ele na presença da Vossa poderosa e Augusta Majestade, pelos merecimentos de Jesus Cristo, Nosso Senhor.

Amém.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A mulher forte - Na tempestade do mundo



Facta est quasi navis institoris,
de longe portans panem suum.
(Prov. XXXI, 14)

Ela converte-se n'um como navio d'um mercador,
que traz de longe as suas riquezas


Senhoras

A mulher deve vigiar o interior de sua casa; está nisto um dos princípios dos seus deveres. Não se humilha nunca descendo às minudencias do lar, porque é um modo de descer que em nada compromete a dignidade, a autoridade e o caráter. Nós vemos todos os dias a luz do sol, que, sem nada perder do seu brilho e da sua esplendida majestade, a toda parte chega, iluminando os planos mais inferiores. O trabalho manual, qualquer que seja a sua forma, quer se fie a lã ou o linho, quer se tome o fuso ou a agulha, quer se vigie a cozinha ou a preparação dos vestidos, o trabalho manual é um dos maiores e mais úteis recursos na vida das mulheres. Ora um dos cancros da nossa época é vê-lo abandonado, ou, pelo menos, raramente praticado.

Quer isto dizer que o trabalho intelectual deve ser abandonado e que o papel da mulher tem de limitar-se à vigilância da cozinha e ao fabrico de rendas?

Cremos ter estabelecido o contrário, indicando-vos a linha do centro entre todos os extremos. Sem querer fazer de vós mulheres sábias, o que seria um papel ridículo e comprometedor sob diversos pontos de vista; sem querer obrigar todas as mulheres a estudarem, o que, muitas vezes, seria impossível, pareceu-nos que para várias, que para algumas e em diferentes graus de iniciação, o estudo é uma coisa muito útil, e fácil nos foi confirmar estes princípios por autoridades consideráveis, e em particular, pelo exemplo da mãe de santo Agostinho. Continuemos a explicação do livro dos Provérbios, seguindo sempre a ordem dos versículos.
“Ela converte-se n’um como navio d’um mercador, que traz de longe as suas riquezas”.

Um navio a mulher!

Esta idéia da Escritura parece-me tão bela e tão fecunda em bosquejos cheios de graça e de verdade, que vos solicito permissão para nela me deter, e, até, para a ela consagrar inteiramente esta conferência. Devo dizer-vos que este entretenimento é absolutamente rochelez, porque o compus com as minhas recordações dos passeios à beira-mar.

Vede aquele navio habilmente construído; é gracioso e solido, e quando se lança sobre as vagas, munido de todas as velas, elegante e donairoso, é um dos ornamentos do oceano. De longe poderia ser tomado por uma ave gigantesca, que, com as asas abertas, adejasse sobre a superfície líquida.

- Construção do Navio
Não basta que o navio seja gracioso; é necessário que seja solidamente construído para que se não desconjunte na primeira agitação, nem sossobre com a primeira rajada de vento. Mas escolheu-se a madeira para o construir; trabalharam-se com minucioso cuidado os materiais que se juntaram com toda a arte. Algumas vezes, quando a embarcação é de grande lote e tem de afrontar o mar largo, forra-se de cobre, para que possa resistir a todos os choques, e para que o ferro, depois de ter sofrido uma preparação elétrica, se não oxide ao contato da água.

Maravilhosa imagem da mulher forte!

Ela é graciosa como um navio bem construído: a sua palavra, os gestos, os modos, tudo tem a beleza e a elegância da embarcação. Ela é o ornamento da família e da sociedade; nas reuniões de pessoas gradas apresenta-se como as yoles que se admiram no nosso porto, cuja história e origem se desejam conhecer. Ela é a aplicação viva da letra da Bíblia:

A mulher graciosa encontrará a glória: Mulier gratiosa inveniet gloriam (Prov. XI, 16)

Mas a graça seria inútil, tornar-se-ia, até, perigosa, se não fosse acompanhada; assim a mulher forte é sólida como navio, o seu temperamento cristão é vigoroso, e ela pode resistir aos grandes mares, afrontar as vagas não respeitosas e continuar a sua derrota pelo meio delas; é forrada e cavilhada de cobre, isto é, de virtudes sérias, à prova do choque das paixões. Gosta de permanecer na onda salgada entre os perigos as vida, porque se conserva intacta, fazendo respeitar o pavilhão de sua família.

- Velas do Navio
O navio tem numerosas velas, de todas as grandezas, de todas as formas e em todas as posições; tem-nas para qualquer direção do vento; desfranda-as com engenhosa arte e segundo as circunstâncias, e ora são todas soltas, perfeitamente pandas, apresentando um formoso quadro aos olhos do espectador, ora parecem reservar-se produzindo-se somente em uma ordem, e conforme uma escolha determinada. Quando os ventos são contrários, a embarcação, inteligente, aproveita-os ainda no seu fim, manobra habilmente, parece desviar-se da sua derrota e corre por diferentes abordagens, forçando o vento espantado a tornar-se-lhe favorável. Em tempo seco, quando a calmaria no mar apresenta a imagem da imobilidade, a embarcação utiliza-se de um recurso que a ciência lhe põe à disposição; ascende as caldeiras, e agita-se um movimento desconhecido, e o mar é obrigado, no meio da sua surpresa, a abrir-lhe uma larga e rápida esteira.

A mulher forte também tem velas no espírito e no coração; possui uma multidão de recursos, que combinados com toda a honra, retidão e probilidade, servem para a conduzir na direção sempre difícil dos negócios do mundo. Quando o vento é favorável navega com todas as velas, e deixa que o sopro da prosperidade a conduza ao porto suspirado, mas como sábio piloto põe os olhos no vento e não confia na fixidez das coisas deste mundo, como o marítimo na constância do oceano.


Tanto que ela percebe uma modificação nos homens ou nas coisas, varia as suas combinações com a retidão de uma alma prudente, dispõe os meios para as conseqüências e arria as velas que seriam inúteis a até perigosas. Se o vento se torna absolutamente contrário, a mulher forte muda logo de orientação, dá outra posição ao barco, põe inteira confiança na vigorosa construção dele, tem a certeza da contextura sólida das velas, e, todavia, não é tão temerária que lute, face a face, com a tempestade. Adota uma posição média, em que se tomam as abordagens, em que se força o vento a cair obliquamente sobre as velas com ímpetos moderados, com força demasiado fraca para poder virar o navio, mas bastante poderosa para lhe poder dar um impulso, e fazê-lo ir precisamente aonde o vento não quereria ... Depois, se o vento cessa rapidamente e a derrota da embarcação é ameaçada de outro contratempo – a calmaria – a mulher forte recorre ao vapor, a energia da sua alma, ao vigor de uma caráter rijamente temperado.

Quero dizer que a mulher com a finura do seu espírito, com a ductilidade do seu caráter, a flexibilidade da sua natureza, a perspicacidade da sua inteligência e a faculdade adivinhadora do seu coração, pode, quando põe todos os recursos á disposição da sabedoria e da virtude, livrar-se de todos os perigos, de todas as situações difíceis, e forçar, pouco e pouco, todos os elementos contrários a prestarem-lhe justiça e a auxiliá-la na sua viagem.

Mas para conseguimento disto, senhoras, é necessário que pertençais a classe das mulheres fortes, na calmaria, e possuir-vos do vigor moral; é preciso que haja alguma coisa de viril no vosso caráter. A mulher perde demasiadas vezes o equilíbrio no meio da tempestade, e cai desfalecida; ou agita-se ela própria, e altera-se algumas vezes, mais tempestuosamente ainda que o mar. Em tais violências ou prostrações o navio sofre sempre.

Não nos cansamos em contemplar a graciosa embarcação.

Tem ela uma qualidade muito preciosa e muito rara, qual é a de se bambolear sobre as vagas, a de ter uma força de elasticidade com a qual as segue: sobe com elas, com elas desce, e, todavia, prossegue na derrota. Ela gosta mais deste modo de avançar do que da luta, prefere a agilidade dos movimentos á violência que se precipitaria de contínuo, procurando cortar bruscamente as ondas.

Eu recomendo-vos, senhoras, - esta ciência do equilíbrio sobre as vagas, porque é a melhor das táticas, em muitas circunstâncias. Sim, o melhor, o mais seguro, o mais perfeito, é, muitas vezes, deixar as ondas no seu vai e vem, deixá-las bater o navio em todos os sentidos, e exclamar tranquilamente como o Profeta:

“Meu Deus! É a vossa providência quem governa e abre a senda no meio dos mares, quem prepara uma via segura por sobre as ondas; mostrais assim que podeis salvar a gente de todos os perigos, ainda mesmo quando se embarca sem conhecimentos náuticos: Etiamsi sine arte aliquis adeat maré." (Sabedoria XIV, 3-4)

Depois desta oração do marítimo, o melhor, muitas vezes, é não fazer coisa alguma e esperar, seguir o movimento das vagas e não procurar mesmo contrariá-las. É preciso, sim, conservar com cuidado a destreza e imponderância que nos colocam sempre á superfície das vagas; é preciso nada perdermos dos nossos hábitos e das nossas convicções verdadeiras, e flutuarmos á mercê de Deus, esperando dias melhores. Nada aplaca tanto as ondas como este procedimento, pois elas acabam por compreender que nada ganham atacando certos navios, e resignando-se a sorte de não serem escusadas, acalmam-se muito mais facilmente.

Uma piedade séria e profunda, enraizada na alma poderá dar-vos a destreza e a energia que luta tanto mais, quanto mais parece ceder. O que sobre este assunto parece tão simples, tão natural, tão necessário, é extremamente difícil. Custa muito ao amor próprio chegar lá; são necessários sacrifícios a todos os instantes, sacrifícios de idéias e de afetos; são necessárias imolações constantes, pois a vaidade julga-se ferida, atacado o caráter, e todas as susceptibilidades despertam ao mesmo tempo.

Não, a natureza abandonada a si própria nunca produzirá tais efeitos, com quanto pareçam tão simples, tão fáceis, tão indispensáveis á felicidade; quando muito compreender-lhe-á beleza ideal; mas o amor próprio terá as suas revoltas e tornar-se-á mau conselheiro, não quererá ceder, gostará mais de resistir e sofrer as conseqüências deploráveis da sua pertinácia. A verdadeira piedade, destacando-nos do humano, levantando-nos da terra e elevando-nos o caráter, predispõe-nos naturalmente para o estado vigoroso e forte do equilíbrio, em que a prudência é o nosso lastro, e em que os movimentos impetuosos do nosso amor próprio são contidos por uma sabedoria superior.

- Ancoras do Navio
O navio tem ainda outro recurso: se o tempo está mau, lança ancora, que é um grosso instrumento de ferro, recurvo para dois lados, em uma extremidade, e que anda suspenso nos flancos da embarcação. Em mares alterosos e perigos na derrota, arria-se a ancora. Esta massa desce ao mar, e, pelo peso, fixa o navio, convertendo-se em uma espécie de fundamento sólido, no meio dos abismos.

A alma deve ter também uma ancora, ou várias ancoras suspensas nos seus lares, para que, quando a tempestade estale, as lance nas profundidades do Ser divino, permanecendo imóvel, esperando a bonança.
A ancoras da alma são de várias espécies, e sob este nome compreendo tudo quanto pode sustentar-nos e ficar-nos: - princípios sólidos e vigorosamente estabelecidos, uma grande firmeza de caráter, amizades sérias e cheias de confiança, e, sobretudo, uma crença inabalável em Deus, uma energia de fé capaz de transtornar as montanhas. Tais são as verdadeiras ancoras para a alma, e nunca a corrente que as suspende se quebra quando é fabricada no céu.

Eu suplico-vos, senhoras, para que, no meio das dificuldades da vida de família, no meio das alterosas vagas, que chegam subitamente e agitam o navio humano em todos os sentidos, peço-vos para que sigais o meu conselho: lançai ancora e permanecei assim!

E que fazer depois? – me perguntais vós. Nada mais que sustentá-la e orar. Não é isto o que faz o nauta em pleno mar?


- Bússola do Navio

Todo o navio tem uma bússola. Com este pequeno instrumento o marítimo sabe onde está e as regiões a que se dirige, e pela agulha magnetizada conhece a situação da derrota do baixel. Os astros podiam bastar-lhe em muitas circunstâncias, e a estrela polar é a melhor indicação para a direção ao norte, mas as nuvens cobrem muitas vezes o céu, e a cintilação das estrelas está oculta. Neste caso a bússola é indispensável, porque substitui a luz das alturas.

Pois na vida ainda é necessário ter uma bússola, um indicador celeste para se não andar caminho errado. A maior desgraça de muitas mulheres é não a terem tido em muitas circunstâncias da sua vida, e, sobretudo, na sua mocidade. Um dia estalou a tempestade e as trevas condensaram-se, e não sabendo aonde se dirigiam despedaçaram-se de encontro a uns escolhos.

A melhor bússola da mulher será uma piedade esclarecida, e tão doce como firme; a luz da fé deve sempre iluminar-lhe a derrota, e no interior da alma deve ter uma prudência cheia de sabedoria, um instinto celeste, uma consciência reta que sirva para a dirigir na marcha e para lhe indicar a verdadeira posição dos objetos. Com estas precauções, senhoras, não flutuareis á mercê de qualquer vento de doutrina, e sabereis que há derrotas que a mulher cristã não deve seguir, e que há certos escolhos que devem ser evitados se não quer naufragar.

A bússola pode ainda estender-se de outro modo: - há imaginações que a não têm, ou que as têm desorientada, e, neste caso, colocam o norte ao sul, o oriente ao ocidente, e não poucas vezes vêem os objetos invertidos. Perdem, de contínuo, o norte, para me servir de uma expressão marítima: nada tem de fixo, nada certo, ou antes, tem uma mobilidade perpétua, um reviramento de bordo, tão freqüente como inopinado, de modo que delas se pode dizer que só logram constância na inconstância.

Que conselho a dar-lhes, uma vez que a religião os deve ter para todas as situações da vida e para todas as formas de caráter? Ser-lhe-á especialmente útil a prática da humildade; e uma profunda desconfiança de si próprias e das suas apreciações, uma sábia lentidão nos seus movimentos e resoluções servirão para prevenir numerosos perigos e impedir passos em falso. Eu aconselho-as, além disto, a fazerem-se rebocar por outra embarcação, munida de bússola e governada por um hábil piloto, a deixarem-se dirigir e conduzir por pessoas sábias e dedicadas, e a não fazerem coisa alguma sem prévio conselho. Deste modo suprirão, quanto é possível, a impotência natural, e sem esta indispensável precaução, o número dos seus naufrágios será incalculável.

Continuemos, pois, na análise do nosso navio.

- Mastro do Navio
Como se chama as árvores limpas de córtex, despidas de ramos e de folhas que se elevam no meio dele? Três principais conto eu: servem de ponto de apoio ao cordame, ás vergas e a todo o aparelho da embarcação. Quando o barco tem os mastros partidos perde a força, luta mais dificilmente e está próximo da sua ruína.

Do mesmo modo é necessário que a alma tenha pensamentos fortes, princípios sólidos que sejam uma como armação da vida moral, e não aplico este conselho somente em matérias religiosas, mas ainda em tudo quando pode interessar a vida humana, nos negócios temporais, e nas regras de conduta nas relações com os homens e as coisas. Em tudo são necessários princípios, não princípios sistemáticos, porque o sistema é um perigo e uma causa de continuas imprudências, de faltas mais ou menos graves; são necessários princípios, que, sem saírem da linha da verdade, tenham bastante elasticidade para se prestarem a todas as exigências da sabedoria e da caridade.

Eles convertem-se em pontos de apoio da existência, e mastros do navio humano; em volta deles grupam-se e ligam-se as idéias da alma, o conjunto dos seus projetos e resoluções, e os cabos e cordas variadas que compõem a rede da vida.

Desditosa a alma que não tem mastreação!

Porque não terá resistência nem poderá lutar no meio das contradições e das correntes opostas, e porque terá um movimento irregular e desordenado como o de uma embarcação que navega á mercê de todos os ventos contrários.

- Leme do Navio
Não basta ainda a mastreação, é necessário também um leme, - pequena peça de madeira meio oculta na água. O piloto, sem que isto se perceba, comunica-lhe um movimento que varia constantemente nos lugares difíceis, e a mobilidade do leme é a verdadeira força que conduz o barco, que lhe dá um impulso que pode variar a cada instante, e que lhe inclina a marcha em sentidos postos. O navio dirigido, assim, por mão hábil e inteligente, transpõe todos os escolhos, vence todas as dificuldades. – A alma também deve ter o seu leme, isto é, um espírito de sabedoria, largo e esclarecido, que em um olhar abrace o horizonte, descubra as dificuldades da travessia e comunique á derrota a linha reta; que sem sair das vias da verdade e da justiça, possa desviar, segundo as circunstâncias, obliquar tanto para bombordo como para estibordo, e fazer da existência uma linha quebrada, composta de linhas retas.

Será isto bastante para a condução do navio?

- Conhecimento dos mares
Não, senhoras; a embarcação mais sólida, melhor equipada, mais provida de velas, com excelente mastreação e leme habilmente manobrado, poderia sossobrar depois de algumas horas ou de alguns dias de viagem. É necessário que o piloto conheça perfeitamente o estado dos mares e das costas, a profundidade da água, a posição dos escolhos, dos bancos de areia, o sopro dos ventos e da direção das correntes; é necessário que tenha, mas bem a fundo, o conjunto de conhecimentos que constituem a ciência náutica. Além disto uma carta minuciosa aonde tudo se ache consignado, para que saiba que em tal lugar encontrará uma costa perigosa, um cabo aonde o mar é furioso, um recife aonde facilmente iria abalroar, um baixio que lhe faria encalhar a embarcação e uma corrente que a sepultaria.

Vós deveis ter também, senhoras, uma carta do mar, mais que todos, difícil e tempestuoso, o mar da vida. Eu me explico: conheceis, tanto quanto possível, o forte e o fraco do que vos cerca; não vos apoieis em certas praias, porque ireis de encontro a grandes rochedos, e desconfiai do desfiladeiro de homem ou das coisas, onde sois obrigadas a passar. Em tal lugar há correntes pérfidas, e, tanto mais, quanto menos se anunciam á superfície. Mais longe está um banco de areia. – O que é um banco de areia? – perguntais vós. É o homem, é a mulher, é o caráter com o qual contáveis, talvez. Não vos apoieis nele, peço-vos; é um banco de areia sem solidez, o vosso baixel encalharia nele, e, uma vez encalhado, seria, talvez, difícil retirá-lo.

Há naturezas de que não se desfaz a gente como se pretende, quando se está preso na areia sem fim; parecem-se muito com o estreito de Maumusson, onde os navios, tendo tocado o fundo, descem gradualmente e com uma força, cuja potência a lentidão não modifica.

Vós contais tal praia, freqüentais tal companhia e pretendeis que o vento vos é ali favorável. Engano, talvez:

O vento sopra, é verdade, do vosso lado quando estais presentes; mas voltai as costas e pedi notícias a algum marítimo dedicado que permaneceu na praia, e ele vos dirá que as vossas palavras, os atos, a vossa própria recordação, tudo foi despedaçado por uma brisa fria e violenta.
Que mais direi ainda? No mar há peixes guarnecidos de dentes que rasgam as carnes dos nadadores, surpreendendo-os no momento em que menos o pensam, porque estes seres malvados navegam sempre entre duas águas. Do mesmo modo há também caracteres que caminham sempre debaixo da água, para me servir de uma expressão de São Gregório de Nazianzo: - “Os armênios – dizia ele – não são nem simples nem francos, são absolutamente dissimulados e semelhantes aos rochedos que se escondem sob as águas do mar.” (Oraç. XLIII, nº 17)

Vós não pensáveis talvez na existência destes peixes humanos, e só começais a suspeitá-la quando vos ferem com os seus dentes cruéis e tanto mais perigosos, quanto mais ocultos. Escondem-se no oceano, ou sob veludo, quando habitam a terra, porque estes seres são anfíbios.

Volto, porém, ao nosso navio.

- Interior do Navio
Quereis comigo descer ao interior? Como tudo está admiravelmente disposto! Que sábia distribuição! Que limpeza! Que bom arranjo na sala de jantar, na câmara e nos beliches! O capitão vigia tudo e tudo se faz em perfeita ordem. Nenhum embaraço da carga, nem a mínima alteração entre os passageiros; a equipagem é numerosa, mas obedece como se fora um só homem.

 – Do mesmo modo a alma da mulher forte: visitai comigo os seus numerosos compartimentos; a sabedoria é o comandante do navio; tudo está em ordem, os pensamentos, os desejos, os projetos, as resoluções. O maquinismo interior funciona todo com maravilhosa simplicidade, o vapor da imaginação é perfeitamente regulado, cada coisa está no seu lugar, e pode em verdade dizer-se que a principal beleza da alma consiste no seu interior: Omnibus gloria ejus ab intus.

Que diferença quando a comparais com outras almas!

Se fosse possível percorrer-lhes o interior com um archote na mão! Que câmara escura! Que desordem! Os objetos mais disparatados postos em monte, uns sobre os outros; os mais estranhos pensamentos a abalroarem-se, os desejos mais bizarros procurando aproximar-se; em uma palavra, a imagem da mais formosa desordem, da mais completa ausência de regularidade, podendo dizer-se que estão sempre ocupadas nos eu desarranjo.

Não terminei ainda a explicação do texto:
“A mulher forte converte-se n'um navio d'um mercador, que traz de longe as suas riquezas”.

-Riquezas trazidas pelo Navio
Não basta que a embarcação seja graciosa e solidamente equipada, que tenha velas, mastros, vapor e um hábil piloto a bordo, conhecendo perfeitamente a derrota e o estado dos mares: é também necessário que se enriqueça. Bem vedes, o navio parte, vai á Índia, na América, e volta carregado de mercadorias.
Assim a mulher forte deve também enriquecer a família pelos seus cuidados, atenção, economia e contínua vigilância: é isto o seu negócio, o seu comércio, as suas viagens. Tem-se visto muitos mercadores fazerem consideráveis fortunas com pequenos lucros; mas os grãos de areia amontoaram-se pouco e pouco, cada vaga foi trazendo alguns, e, a final a praia cobriu-se; a água da cisterna tornou-se considerável, e no entretanto caiu gota a gota. A mulher pode também pelos cuidados, pela vigilância e pela severa economia chegar a admiráveis resultados; no fim de cada mês, ou mesmo de cada semana, pode entrar no porto da família com um carregamento inesperado.

Mas, senhoras, na vida outra coisa há além do dinheiro. Quantas riquezas morais e intelectuais não pode recolher a mulher forte, em cada dia, nas suas relações com as almas, e, sobretudo, com as almas sérias e cristãs! Pode tirar a nata ás conversações, ás leituras, aos discursos e fazer uma rica pirataria nos mares intelectuais; é nobre o ofício e perfeitamente honroso.

E quando entrar na família, dar-lhe-á parte das suas riquezas, abrir-lhe-á o porão do navio, e todos os filhos correrão pra quinhoarem da carga, como a família dos mercadores que esperam uma valiosa carregação expedida da América, ou melhor ainda, como os pequenos peixes que se vêem a espreitar os navios que chegam, e lançar-se sobre eles, como sobre uma pressa a que têm algum direito. Assim, sobre todos os pontos de vista da riqueza material ou espiritual, a mulher forte é verdadeiramente como o navio de um mercador que traz de longe os seus tesouros.


Um dos mais graciosos espetáculos que eu gozei na Rochelle, senhoras, foi o de ver, algumas vezes, nos meus passeios matinais, uma multidão de barquinhas saindo do porto e cobrindo o mar. Dir-se-ia que se enfileiravam em ordem de batalha contra o inimigo desconhecido que vinha desafiá-las, mas felizmente a flotinha só era dirigida contra peixes. Tinham um aspecto deslumbrante; os galhardetes, as cores variadas, as velas soltas, os movimentos e os pequenos balanços das embarcaçõezinhas, tudo contribuía para atrair a vista. Estas flotinhas partem vazias, mas regressam com seus carregamentos de riquezas.

Que elas sejam a vossa imagem, senhoras!

(Quarta conferência - Monsenhor Landriot - Livro: A mulher forte)

PS: grifos meus

Santos Anjos


Há na criação, uma série de seres, que vai desde os minerais até os puramente espirituais. A existência destes últimos não poderíamos conhecer por nossa razão apenas, mas a conhecemos pela Revelação. São os anjos.

- Existência dos anjos
A Bíblia está cheia da existência dos Anjos, os quais aparecem desde o princípio (Gên.3). No Antigo Testamento eles aparecem impedindo que Abraão sacrifique Isaac, consolando Agar no deserto (ver cap. 16 e 22 do Gênesis), alimentando Elias (I Rg 19). E em muitas outras passagens. Nos Evangelhos e nos Atos dos Apóstolos há numerosas aparições de anjos, cumprindo ordens de Deus. Apesar disto, o espiritismo, desprezando totalmente a Bíblia, nega a existência dos Anjos.

- Como são os anjos

Os Anjos são as criaturas mais perfeitas, porque são as mais semelhantes a Deus, por serem puramente espirituais. São superiores aos homens pela inteligência, pela vontade, pelo poder. Fatos da Bíblia o mostram. Um anjo matou de uma vez 185 mil soldados dos assírios (Is 37,36); outro arrebatou Habacuc pelos cabelos e o levou para Babilônia (Dan 14,35).

- Que fazem os anjos?

a) Adoram e louvam a Deus sem cessar, felizes por contemplá-Lo no céu.
O profeta Isaías os viu cantando sem cessar os louvores da SS.Trindade: Santo, santo, santo é o Senhor Deus dos exércitos (Is. 6,3)

b) Cumprem as ordens de Deus
Guardam a porta do paraíso (Gên. 3,24); comunicam o nascimento de Cristo (Lc 2,13) e sua Ressurreição (Lc. 24,4), etc.

c) Protegem-nos contra os males da alma e do corpo, pois, no seu amor aos homens, Deus deu a cada um de nós um anjo da guarda.
Os seus anjos, no céu, contemplam sempre a face do meu Pai (MT. 18,10), disse Jesus (ver a libertação de São Pedro; At. 12,1-11)


- Culto aos anjos

1 – Além das festas dos arcanjos São Gabriel (24 de março), São Miguel (29 de setembro) e São Rafael (24 de outubro), a Igreja celebra a dos Anjos da guarda (2 de outubro).
2 – Assim nos ensina a honrar o nosso anjo da guarda, invocá-lo nos perigos e tentações, confiar nele, ouvir as suas sugestões.
Oração para rezarmos diariamente ao anjo da guarda:

Santo anjo do Senhor,
 meu zeloso guardador,
 já que a ti me confiou,
 a piedade divina.
 Sempre me rege e guarda,
 governa e ilumina. Amém.”

- Os demônios

Antes de confirmar os anjos na graça, Deus os submeteu a uma prova. Alguns caíram e foram imediatamente precipitados no inferno. São os anjos maus ou demônios. Porque odeiam a Deus, os demônios nos odeiam também e procuram fazer tudo para perder-nos:

- Fizeram a desgraça dos homens, levando Adão ao pecado;
- Vivem em torno de nós, como um leão que ruge, procurando a quem devorar (I Pdr. 5,8),
- Expulsos no Batismo, voltam com seus ataques (Lc. 11,24)

Felizmente podem provocar-nos ao pecado; mas não podem fazer-nos pecar, só pecamos se quisermos.
Usam de mil astúcias para seduzir-nos, dando aspectos agradáveis ao mal, deturpando as grandes invenções, corrompendo os costumes, etc. Temos o dever de vencer a ação do demônio em nós, e trabalhar para destruí-la nos outros e na sociedade.

(A doutrina Viva – Mons. Álvaro Negromonte)

domingo, 27 de setembro de 2009

Um velho feminismo apresenta-se como novo nos tempos atuais (feminismo = arma do demônio)


Apresentação feita em sua biografia

Betty Naomi Goldstein, mais conhecida como Betty Friedan, (Peoria, 4 de fevereiro de 1921 — Washington, DC, 4 de fevereiro de 2006) foi uma importante ativista feminista estado-unidense do século XX. Participou também de movimentos marxistas e judaicos. Em 1963, publicou o livro "The Feminine Mystique" ("A Mística Feminina"), um best-seller que fomentou a segunda onda do feminismo, abordando o papel da mulher na indústria e na função de dona-de-casa e suas implicações tanto para a sobrevivência do capitalismo quanto para a situação de desespero e depressão que grande parte das mulheres submetidas a esse regime sofriam.

Auxiliou também na criação do NARAL, organização de fomento aos direitos reprodutivos, inclusive o do aborto. Em 1971, com Gloria Steinem e Bella Abzug, fundou a Organização Política de Mulheres. Por esse tempo, Mística feminina era usado como verdadeira bíblia pelo movimento de mulheres americanas. É considerada uma das feministas mais influentes do século XX.

Alguns trechos do livro citado

- "Seria inteiramente errado de minha parte oferecer soluções fáceis do problema para todas. Não há respostas fáceis nos Estados Unidos, hoje em dia; é difícil, penoso, e talvez leve muito tempo para que cada qual descubra a sua solução. Primeiro é preciso dizer «não» à imagem da dona de casa. Isto não significa, naturalmente, divorciar- se do marido, abandonar os filhos, renunciar ao lar. Não é preciso escolher entre casamento e profissão — esta foi a opção errada da mística feminina.
Na verdade, não é tão difícil como se sugere conciliar casamento e maternidade com o objetivo pessoal que antigamente recebia o nome de «carreira». E' necessário apenas fazer um novo plano de vida, em termos da existência inteira.

O primeiro passo é considerar o trabalho doméstico tal qual ele é na realidade — não uma profissão, mas algo que deve ser feito com o máximo de rapidez e eficiência. Uma vez que a mulher deixe de considerar as tarefas de cozinhar, arrumar, lavar e passar como «algo mais» poderá dizer: «Não, não quero um fogão de cantos arredondados, não quero quatro tipos diferentes de sabão». E será capaz de dizer não a esses devaneios em massa apresentados pelas revistas femininas e a televisão, não aos pesquisadores e aos psicólogos comerciais que querem dominar sua vida. Depois usará o aspirador, a lavadora de pratos e todos os eletrodomésticos e até o amassador de batatas, dando-lhes o valor que realmente têm: economizar tempo para tarefas mais criativas." (pág. 292)

- "Quando mães realizadas as conduzirem (filhas) à segurança de sua condição de mulher não será necessário forçar-se por ser feminina. Poderão evoluir à vontade, até que por seus próprios esforços encontrem sua personalidade. Não precisarão da atenção de um rapaz ou de um homem para se sentirem vivas. E quando não mais precisarem viver através do marido e dos filhos, os homens não temerão o amor e a força da mulher, nem precisarão das suas fraquezas para provar a própria masculinidade. E finalmente homem e mulher verão um ao outro como de fato são, o que talvez venha a ser um passo adiante na evolução humana." (pág 322)

- "Mas a nova imagem de que essa mística reveste a mulher é também uma velha imagem: «ocupação — dona de casa». Transforma a espôsa-mãe, que jamais teve oportunidade de ser outra coisa, em modelo para todas as mulheres; pressupõe que a história tenha atingido um final glorioso neste capítulo. Sob roupagens sofisticadas faz de certos aspectos concretos finitos, domésticos, da vida feminina, conforme era vivida pelas mulheres limitadas que estavam por necessidade a cozinhar, lavar, procriar, dentro de uma religião, dum padrão pelo qual deviam todas pautar-se, sob perigo de perder a feminilidade." (págs. 40 e 41)

(Mística feminina - Betty Friedan)

Cumprimento do dever

O cumprimento do dever é a maior carência de nossos tempos. Desprezados os valores espirituais, impregnados os homens do utilitário, descaiu-se para o egoísmo e o conforto, para o interesse e o dinheiro fácil. Chegou a virtude a desprestígio tal que, se poucos lhe deitam ainda um olhar de admiração, desprezam-na muitos como inútil ou prejudical na vida prática. A fidelidade ao dever, que dava a medida dos homens, não serve mais de padrão. Na confusão dos novos tempos chegou-se a deplorável inversão de valores. A dissolução das inteligências alcançou as vontades. Das mentes sem princípios chegou-se às vontades sem firmeza.

... Já se pune quem o cumpre (o dever), quando contraria aos poderosos do dia. E se galardoam os que transigem, os que se acomodam, os que fecham os olhos, os que "são um jeito", os que traem a consciência, os que desrespeitam a lei, os que se acovardam, os que se vendem, os que rastejam.

Mas a educação há de preparar o homem do dever... É essencial.

Formar homens que ponham o dever acima das comodidades; que o cumpram sem temor nem acepção das pessoas, sem medo às conseqüências, sem fraquezas nem desfalecimentos, sem constrangimentos nem hesitações, mas com o desembaraço e a naturalidade de quem respira e anda. Homens que consultem a consciência e lhe ouçam a voz, seguros e tranqüilos; e que em face do dever, não vejam outra convêniencia senão cumpri-lo.

Forjar homens assim é renovar a face da terra. É o que falta: que cada um cumpra o seu dever. Alegra-se-nos o coração só de pensar como seria o mundo se cada um cumprisse o seu dever.
Mas a beleza da tarefa não logra esconder-lhe as dificuldades crescentes.

(O que fazer de seu filho - Pe. Álvaro Negromonte)
Ver também:

Ditos de luz e amor - São João da Cruz


Deus prefere de ti o menor grau de pureza de consciência do que todas as obras que possas fazer.
Deus estima mais em ti que te inclines à aridez e ao sofrimento por seu amor do que todas as consolações e visões espirituais que possas ter.
Agrada mais a Deus a alma que na abstinência e na tribulação se sujeita à razão do que aquela que faltando nisso, faz tudo com consolação.
A mosca que pousa no mel impede seu próprio vôo; a alma que se apega ao sabor do espírito impede a sua liberdade e a sua contemplação.
Não tenhas as criaturas presentes em ti, se quiseres guardar clara e simples na tua alma a imagem de Deus; mas esvazia teu espírito e libera-o delas o mais que puderes, e andarás na luz divina, pois Deus não lhes é semelhante.
A alma enamorada é suave, mansa, humilde e paciente.
A alma insensível no seu amor-próprio endurece.
Um só pensamento do homem vale mais que o mundo inteiro; portanto, só Deus é digno dele.
Meu espírito secou, pois esqueceu de se alimentar de Ti.
Senhor meu Deus, não és estranho para aquele que não se afasta de ti; como se diz que és Tu que te ausentas?
Na tribulação, recorre logo a Deus com total confiança, e serás onfortado, esclarecido e instruído.
Entrega-te ao repouso afastando de ti todo cuidado, sem te preocupares em nada com tudo o que acontece; assim, servirás a Deus como Ele gosta e Nele gozarás.
Lembra-te de que Deus só reina na alma pacífica e desinteressada.

(Ditos de luz e amor - São João da Cruz)

sábado, 26 de setembro de 2009

O que pode uma mãe!


O filho que teve a graça de possuir uma santa mãe, é a mais feliz das criaturas. A mãe é o anjo de nossa vida. Ela tem um poder imenso sobre o destino dos filhos. "O homem moral, dizia José De Maistre, está formado aos 11 anos e, se não o foi dos joelhos de uma mãe, será uma desgraça para toda a vida."

Realmente, a influência materna é decisiva e poderosa na formação do caráter e da alma dos filhos. O mundo de hoje tem necessidade de mães santas ... O que aprendemos nos joelhos de nossa mãe, nos acompanha em toda a vida. O homem pode se desviar, pode ter a desgraça de haver desprezado aos conselhos e as lágrimas de uma santa mãe. Porém, mais cedo ou mais tarde, a influência materna o leva ao bom caminho, Temos visto tantos exemplos e provas disto!

Tornou-se conhecido em todo o mundo o célebre caudilho Rafael del Riego, autor da revolta militar espanhola de Cabejas de San Juan, no ano de 1820. Preso e condenado este homem ao ver desvanecidas suas ilusões, sentiu o arrependimento de seus pecados, tocado pela graça divina. Quis se reconciliar com Deus e mostrou o desejo de se confessar a um padre dominicano do colégio de Santo Tomaz, de Madri. Fôra chamado o sacerdote sem demora. Riego prostrado em terra e entre lágrimas fez a sua confissão com tal dor de haver ofendido a Deus e tais sinais de um arrependimento muito sincero, que o sacerdote não pode conter as lágrimas.

O homem terrível, o caudilho perigoso e temido ali estava manso e humilde aos pés do ministro de Deus. Não temia a morte a que fôra condenado e a esperava sem susto. Doía-lhe a alma haver ofendido tanto a Deus em sua vida que fôra um tecido de crimes hediondos. Perguntou-lhe o Padre:

- Diga-me, meu filho, que fez para merecer esta graça tão extraordinária do céu, esta contrição tão perfeita?
- Meu Padre, respondeu Riego ainda a soluçar, toda a minha vida é um tecido de iniquidades, não me recordo de coisa alguma que me possa ter merecido esta graça da misericórdia divina. Todavia se alguma coisa posso atribuir a minha conversão é ao Rosário de Nossa Senhora.
- Como assim?
- Sim, padre, quando menino, minha santa mãe levava-me à igreja de São Domingos em Oviedo e ali de joelhos rezávamos o rosário de Nossa Senhora. Morreu minha mãe e antes da agonia ela me recomendou que não deixasse o rosário. E apesar de minha vida de pecados nunca deixei de rezar o meu terço cada dia.
- Basta, meu filho, basta, exclama o padre e abre os braços e aperta Riego contra o peito, comovido - Basta, meu filho, compreendo tudo. Maria Santíssima o salvou pelo Rosário. Dá graças a Deus por Ela e não tenhas mais tristeza por deixar este mundo enganador...


No dia seguinte, Riego, subiu ao patíbulo, sereno, resignado e, depois de haver beijado o crucifixo fôra execultado.
Nossa Senhora, Refúgio dos pecadores, salvara aquela pobre alma pelo seu rosário bendito.
E quanto pode o exemplo e a influência de uma boa Mãe!
Ó se as mães soubessem ...

(Um mês com Nossa Senhora - Mons. Ascânio Brandão)

PS: grifos meus

Correção: um bem necessário


Uma boa educação não pode transcurar a correção bem feita. O cão que não ladrar não é bom guardião das ovelhas. "Os pais que poupam a vêrga, isto é, a correção e o castigo, são inimigos dos seus filhos". É o Espírito Santo que assim fala. Infelizes os filhos que têm tais pais!
A correção deve ser em tempo oportuno e nos devidos modos.

Em tempo oportuno, quero dizer: "a seu tempo", depois de dissipados aqueles primeiros movimentos de cólera que ofuscam facilmente as idéias do pai e da mãe; sob ímpetos de cólera sempre há algum exagero.

Nos devidos modos, quer dizer que a correção deve ser proporcionada à falta. É a falta leve, cometida por inconsideração, num ímpeto repentino de temperamento? A correção também deve ser mais suave e leve o castigo. É a falta grave, cometida com deliberação, com malícia? A correção deve ser mais severa e grave o castigo. Todavia deve ser feita com bondade e doçura, fazendo compreender que o ato de castigar é desagradável também para quem castiga, e só se castiga por dever, para o bem de quem faltou e em benefício da família toda e da sociedade. A bondade, pois, deve sempre acompanhar uma justa e sã firmeza.
Os gritos, os berros, a raiva e a fúria não fazem bem, pelo contrário são sempre prejudiciais.

(Casai-vos bem - Pe. Luís Chiavarino)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Feminismo - Arma do demônio contra as famílias católicas


Descrição de Kate Chopin feita pela revista: Estudos feministas

Kate Chopin (1850-1904) era uma mulher à frente de seu tempo. De escrita elaborada na forma e ousada no conteúdo, Chopin surpreende pela habilidade narrativa e pela coragem em lidar com temas polêmicos. Já no final do século XIX, impõe corajosamente em sua literatura uma percepção apurada e crítica da sociedade.

Tendo como exemplo a audácia de sua avó, que, em pleno século XIX, foi a primeira mulher a se separar legalmente em Saint Louis (Missouri) e, já em idade avançada, tornou-se empresária, Chopin se tornou uma mulher destemida. Viúva aos 32 anos, teve de se sustentar sozinha, vindo a descobrir sua verdadeira vocação quando passou a escrever regularmente, por indicação do seu terapeuta, tornando-se, assim, uma excelente romancista e conquistando sua independência como escritora.

Culpados, mesmo sendo o primeiro romance escrito por Chopin, já apresenta uma maturidade narrativa inegável ... Chopin encontrou inúmeras barreiras para publicar suas obras, visto que tocava em temas tabus como divórcio, alcoolismo, tensões raciais, preconceitos morais e religiosos, a frivolidade burguesa, etc. Sua escrita era uma afronta à moral estabelecida, na medida em que construía personagens femininas fortes, que representavam o desejo feminino de independência e colocavam em xeque preceitos morais e o comportamento padrão que a sociedade impunha à mulher, comportamento esse objeto incansável da ironia de Chopin.

A protagonista de Culpados, Thérèse Lafirme, viúva aos 30 anos, passa a administrar com desenvoltura a plantação de algodão deixada pelo marido. David Hosmer, um empresário divorciado, aparece para propor a Thérèse uma boa oferta em troca do direito de cortar madeira de suas terras por alguns anos. Os dois rapidamente se apaixonam, mas Chopin nos mostra então as limitações de Thérèse, que, ao descobrir que Hosmer era divorciado (de Fanny Larimore, uma jovem alcoólatra e dada a rodadas de diversão com amigos), mostra-se ainda refém de uma moral elevada demais para se dar ao luxo de ser feliz com ele:

– Não pensei que a senhora fosse católica. – Disse, finalmente virando-se para ela com braços cruzados.
Porque o senhor nunca viu nenhum sinal externo. Mas não posso deixá-lo com a impressão errada: a religião não influencia minha opinião neste assunto.
– A senhora acredita, então, que um homem que teve tamanho infortúnio deveria ser privado da felicidade trazida por um segundo casamento?
– Não, nem uma mulher, se estiver de acordo com seu princípio moral, o que eu acredito ser algo peculiarmente pessoal.
– Isto me parece ser um preconceito. Preconceitos podem ser deixados de lado por um esforço da vontade. Respondeu, segurando-se a um fio de esperança.
Existem alguns preconceitos que uma mulher não pode se dar ao luxo de abandonar, senhor Hosmer, mesmo pelo preço da felicidade. Por favor, não diga mais nada sobre isso, não pense mais no assunto. – Ela disse com um pouco de arrogância (p. 55-56).

Ainda, a partir desse diálogo podemos refletir sobre a própria questão do divórcio. Chopin, aqui, também subverte o que normalmente se veria à época, que é a mulher divorciada sofrendo o preconceito da sociedade, sofrendo impedimentos morais para poder se casar de novo. Aqui é o homem que aparece como vítima desse preconceito; é o homem que aparece em condição de humilhação.

PS: grifos meus

Ver também:

Chagas de Cristo


Por que se chamam as Chagas de Cristo selo?

Porque o selo serve de firmar a escritura para lhe darmos crédito. Lêdes uma Provisão real ou um Breve Pontífico: chegais a ver os selos e então lhe dais inteiro crédito. Pois assim também, tudo o que o Rei da Glória e Sumo Pontífice Cristo Jesus nos afirma e promete, tudo o que a fé nos ensina, que é senão uma escritura?

E os selos desta escritura são suas Chagas; e assim como os selos se estampam  na cera branca ou vermelha, assim as Chagas de Cristo se estampam na cera cândida e rubicunda de sua carne santíssima. Pois para que creias, alma, diz o Senhor, que tudo o que te digo é verdade, olha para os selos da escritura: Pane me ut fignaculum: para que renoves a fé de que eu sou quem o afirma, olha as minhas Chagas: Videte manus meas et pedes meos: Ego sum.

(Prática da Segunda oitava da Páscoa - Pe. Manuel Bernardes - I - 211/212)

PS: grifos meus

Cera - Símbolo da virgindade


A cera é símbolo da virgindade; que tem uma coisa com a outra? Eu direi.

Que foi a cera em seus princípios, senão flor conservada com os influxos da graça? Mais: a cera é inimiga da corrupção, por isso os persas envolviam os cadáveres em cera, como outros o fazem em bálsamo, para se conservarem incorruptos. Não há medicina que mais preserve o corpo da corrupção dos vícios, e ainda dos humores, como a castidade.

Mais: a abelha, mãe da cera, é virgem; não tem coito; Maria, puríssima Mãe da castidade, não conheceu obra de varão. E esta é a razão por que naquele círio que arde nos quarenta dias que vão da Páscoa da Ressurreição de Cristo até a Ascensão, diz Durando, que se representa Cristo, porque, assim como a cera foi feita pela abelha, a qual não tem coito, assim o corpo de Cristo foi gerado de Maria sem obra de varão.

A abelha das flores fez a cera para iluminar a Igreja; Maria Santíssima das flores de seu sangue fez o corpo de Cristo para iluminar o mundo. Não cuidem que naquele trono arde só um gênero de cera e um gênero de luz; duas são as ceras e duas as luzes, ainda que vai tanto de uma a outra. A cera que lavrou a abelha dá luz aos olhos do corpo; a cera que lavrou Maria Santíssima está dando luz ao olhos da alma.

(Sermões e práticas - Pe. Manuel Bernardes - I - 13/14)

PS: grifos meus

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O raquitismo da alma


Se tivéssemos uma lâmpada com que pudéssemos ver uma alma humana, gritaríamos a cada passo:
 "Pobres almas raquíticas, aleijadas!"

Que vem a ser essas almas raquíticas? São almas que milhares de comodidades da vida civilizada e a preguiça enraizada em nossa natureza tornam moles e covardes; almas que estremecem logo que ouvem falar em trabalho, dever, domínio de si mesmo, mortificação. Tais almas podem desenvolver-se, sua inteligência pode cultivar-se, mas a vontade delas, que lhes será constantemente necessária durante a vida, permanece definhada, adoentada, anêmica, inútil.

... Começa desde hoje a educação da tua vontade. Quanto mais cedo começares, tanto melhor para ti. Quando fordes maior, tua vontade será indócil e dura qual uma velha árvore. Dificilmente se encontra um adolescente que no pecado queira cair. No entanto, muitos há que nele caem contra a sua vontade. Por quê? Porque a vontade deles é fraca. Por conseqüência, é de extrema importância o meu conselho de que fortifiques a vontade com exercícios repetidos.


... Habitua teu corpo a pequenas mortificações. Experimenta uma vez ou outra renunciar alguma coisa que agrade aos seus sentidos e te não seja proibida. Por exemplo: quando encontrares ao almoço o teu bolo predileto, deixa um bom pedaço, não o comas todo, e se um prato está acaso queimado, come dele sem uma palavra de comentário. E se chegardes tarde do colégio, com fome, não atormentes com queixas os ouvidos de tua mãe, a pretexto de que vais morrer de fome, se o almoço não for imediatamente servido. Se se rompem os cordões do teu sapato, quando te estás vestindo com pressa, não atires longe o calçado, mas assobia alegremente, consertando os cordões.

Se as coisas não te correm como queres, és capaz de não te enervar?
Se zombarem de ti, de não responder às zombarias?
Se a porta se abre, de não olhar imediatamente?
E, quando recebes uma carta, és capaz de não a abrir?
Se alguém te ofende, és capaz de conter a cólera, que te queima?
E, se alguma novidade te faz cócegas, és capaz de a guardar em segredo durante um dia?
És capaz, quando te pões a estudar depois do almoço, de deixar em cima da mesa dois ou três confeitos de chocolate, e de os abandonar assim diante de ti, sem que neles toques até à noite, não obstante os sobressaltos da gula?

E quando leres alguma coisa interessantíssima, és capaz de fechar o livro na passagem mais interessante e não continuar a leitura senão no dia seguinte?
Á mesa, durante o almoço, ou em aula, no teu banco, poderás ficar sentado tranquilamente, sem te mexerdes? e conservar-te sempre em boa disposição, ainda que te sintas fatigado? E assim por diante....

Vais dizer-me: São minúcias. É verdade. Mas não sabes que as grandes coisas são feitas de minúncias? que os arranha-céus de Nova York de cinqüenta andares, foram construídos com pequenos tijolos? São essas minúsculas vitórias cotidianas que farão aumentar a confiança em ti mesmo, e então não recuarás tão facilmente diante das dificuldades que encontrares pela existência afora.

(O brilho da mocidade -Dom Tihamer Toth)

PS: grifos meus

Filho não é doença


Por ventura é doença para a árvore o fruto sorrindo entre as folhas?
Para apresentar "os frutos da natividade", fez o Criador a mulher, uniu-a ao homem no casamento e presta seu concurso para dar uma alma ao corpo que ambos formaram. Por isso também, em geral, encontra a mulher sua saúde nas funções da maternidade.

"Objeção contra o argumento a favor dos filhos é a fadiga, as doenças que os filhos trazem às mães. Mas isso é uma idéia absolutamente falsa. O prazer é quase sempre um empréstimo com juros elevados. Ao lado da maternidade colocou a natureza, porém, ótimas vantagens para a saúde e longevidade. A fecundidade e a gravidez fortificam, ao passo que a esterilidade mirra o organismo. Parece moça a mãe de vários filhos ao lado da esposa cautelosa que sacrificou alguns anos somente ao prazer das relações." (Dr.Bergeret)

O afamado Dr. Pinard afirma que somente com o terceiro filho encontra a mulher a plenitude de sua saúde. Três verdades ficam estabelecidas por célebre ginecologista (Dr.Desplat):

1ª - Os melhores clientes para os especialistas em doenças nervosas saem do meio de senhoras que não querem mais do que dois ou três filhos;
2ª - Que um sem-número de senhoras nevropatas viram-se, de repente, livres de seus sofrimentos e idéias sob a influência de uma gravidez;
3ª - Que certas moléstias só conhecem um remédio infalível: a gravidez.

A maternidade é para a mulher sadia uma garantia de saúde prolongada e, muitas vezes, um remédio de eficácia sem par para a mulher doente. Vale a lei para as mães em todas as classes sociais. Pois não há diferença orgânica entre a mulher do povo e a dama da alta sociedade.
Não há dúvida, leitora, exageram-se hoje os perigos da maternidade. Isso acontece ou por ignorância ou por malícia. E por que não pintam os grandes males que a esterilidade voluntária traz para as casadas? Desordens físcias, pertubações nervosas, transtorno morais costumam acompanhar, como sanções, os manejos contra os filhos.

Os escrúpulos e remorsos, inevitáveis com o tempo e com os cuidados, contribuem para essas desordens. Mesmo senhoras que não são religiosas, angustiam-se ao notarem que frustram o fim natural do casamento. Fica alterado o equilíbrio interno e daí nascem misérias sem número e sem nome ...

(As três chamas do lar - Pe. Geraldo Pires de Souza)

PS: grifos meus
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...