domingo, 14 de abril de 2013

A EUCARISTIA NA DOUTRINA DE SÃO PAULO E NA TRADIÇÃO

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.


A Igreja e seus mandamentos
por
Monsenhor Henrique Magalhães
Editora Vozes, 1946


A EUCARISTIA NA DOUTRINA DE SÃO PAULO E NA TRADIÇÃO 
19 de Junho de 1940 


         Continuo a tratar da Eucaristia. O assunto de hoje é a doutrina do apóstolo São Paulo e a tradição. 
         No Capítulo 11.°, versículo 23 e seguintes, da primeira epístola aos Coríntios, lemos: “Eu recebi do Senhor o que vos ensinei, isto é: que o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão, e tendo dado graças, partiu-o e disse: “Tomai e comei, isto é o meu Corpo, que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim”. Da mesma sorte, depois da Ceia, tomou o Cálice, dizendo: Este Cálice é o Novo Testamento em meu sangue; fazei isto em memória de mim, todas as vezes que o beberdes. Porque todas as vezes que comerdes este Pão e beberdes o Cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que ele venha”. 
         Vê-se qual é o pensamento de São Paulo, sobre a Eucaristia: um memorial da morte do Senhor, um rito pelo qual é selada, com o sangue de Jesus Cristo, a nova aliança da humanidade com Deus. 
         A seguir, porém, vemos mais alguma coisa: “Todo aquele que comer este pão ou beber o cálice do Senhor indignamente, será réu do Corpo e do Sangue do Senhor”. Esta expressão réu do Corpo — é característica. Se as palavras de Jesus relativamente ao pão e ao Cálice, na última Ceia, devessem tomar-se em sentido metafórico, e se apenas o Pão e o Vinho fossem figura do Mestre, apenas uma representação, um símbolo, quem co­messe o pão e bebesse o vinho indignamente, seria réu da pessoa do Cristo. Entretanto São Paulo diz textualmente — réu do Corpo e do Sangue. Logo o Pão e o Vinho, depois de consagrados, são o corpo, sangue, alma e divindade de Jesus, isto é, o próprio Cristo realmente presente. 
         Na mesma epístola primeira ao Coríntios, no capítulo anterior, São Paulo pergunta: “O cálice da bênção não é porventura a comunicação do sangue de Cristo? — E o pão que partimos não é a participação do Corpo do Senhor?”

         Como pode haver participação do corpo e do sangue, se na hóstia e no Cálice não estiverem realmente o Corpo e o Sangue? 
Para deixar de crer na presença real, o homem precisa fazer uma ginástica dificílima; e, no fim, torcendo a lógica, ferindo o bom senso, rasgando a Escritura Sagrada — o ímpio dá uma triste prova do seu orgulho, da sua revolta contra uma verdade cristalina e eminentemente consoladora. 
         No primeiro século da Igreja, Santo Inácio, discípulo de São João, condena alguns hereges que se abstinham da Eucaristia, para não confessarem que ela é a Carne do Salvador Jesus Cristo (Epístola aos de Esmirna, n.°7). São Justino, no século 2.°, em sua Apologia l.a ao imperador Antonino, ensina (n.°66): “A Eucaristia não é pão comum; é Carne e Sangue do Verbo Encarnado”. 
         Orígenes, em sua homília 7.a sobre o “Nú­meros”, refere-se ao maná que, no deserto, alimen­tando o povo de Deus, figurava a Eucaristia; agora, temos a realidade, diz ele; cumpre-se a promessa d’Aquele que disse: “Minha carne é verdadeira­mente alimento, meu sangue é verdadeiramente bebida.” 
         São Cirilo de Jerusalém ensina aos catecúmenos (catequese 4.a) que, realizada a consagração, o pão e o vinho já são o corpo e o sangue de Cristo. 
São João Crisóstomo, comentando aquela já citada passagem de São Paulo aos Coríntios, diz que o Sangue que está no cálice é o mesmo que saiu do lado de Jesus... 
         E inúmeros outros, santos e sábios dos tempos primitivos, de todas as idades, rememorados por Santo Tomás de Aquino, imitados por todos os grandes crentes intelectuais, até aos nossos dias! 
         Confessemos, pois, de nossa parte, a presen­ça de Jesus Cristo na Hóstia Consagrada.

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