terça-feira, 2 de julho de 2013

PENITÊNCIA

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.

A Igreja e seus mandamentos
por
Monsenhor Henrique Magalhães
Editora Vozes, 1946
PENITÊNCIA
8 de Julho de 1940

Três foram os Sacramentos que já tivemos oportunidade de estudar — o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia. Hoje e toda esta semana, veremos o quarto Sacramento — Penitência ou Confissão. Trata-se de uma das coisas mais preciosas e eficazes do Catolicismo e, ao mesmo tempo — da mais combatida e atacada! Quantos aceitam e mesmo louvam toda a estrutura da nossa veneranda Igreja, as suas práticas, os incontáveis benefícios de ordem física, moral e material! Quando, porém, se fala em Confissão, já se revoltam, chegando a ponto de mudar os louvores em recriminações e impropérios!

Para um espírito refletido, esse destino militante da Confissão, é por si mesmo uma eloquente prova em seu favor. Que significam essas revoltas que, há 19 séculos, zumbem em torno do Tribunal da Penitência? — Significam que este Tribunal tem uma vitalidade superior a todas as tempestades que contra ele se desencadeiam.

A imortalidade entre entusiasmos interesseiros e paixões satisfeitas — é a das coisas da terra. Quando essa imortalidade se verifica no meio das zombarias, das censuras, dos ataques e dos ódios é a imortalidade das coisas de Deus!

A revolta contra a Confissão prova que ela é incômoda a muita gente, ou impraticável porque exige o combate às más inclinações, impõe o rompimento de certas relações, prescreve o cumprimento do dever, colocando-o acima dos interesses subalternos, do amor próprio, do egoísmo.

A Confissão é combatida porque é o maior e mais poderoso freio contra toda sorte de paixões.

A boa lógica costuma tirar sua defesa dos próprios argumentos dos adversários: é o nosso caso. Os golpes de lança contra a Confissão curam as feridas que produzem.

Santo Agostinho, fotografando sua alma, ou seguindo o progresso da época, filmando sua vida nas célebres “Confissões”, oferece ao mundo, a todas as gerações, um empolgante testemunho do valor da absolvição sacramental, para a regeneração do pecador. São do grande Bispo de Hipona estas ardentes palavras: “Fazer um justo do que era um ímpio, é obra maior do que criar o céu e a terra!”[1]

Jesus Cristo, como havemos de examinar cuidadosamente no momento oportuno, deu a determinados homens o poder de perdoar pecados. É assim que se faz de um pecador, um justo. Esse processo nada tem de humano. É divino. E é diariamente aplicado hoje, como o foi ontem e como será amanhã e sempre, até à consumação dos séculos.

Submetem-se a esse estranho processo os pobres, os pequenos, os humildes; como os nobres, os ricos e os grandes, reis, chefes de Estados, Ministros, funcionários de todas as categorias; Sacerdotes, párocos de aldeia, como de grandes cidades, os mais graduados, os Bispos, os Cardeais, o Papa! Não há muito, numa dessas descrições da vida íntima do Chefe da Igreja Universal, vinha esta nota: e aos sábados Pio XII, o Sumo Pontífice, de joelhos aos pés de um sacerdote, faz sua confissão semanal.

Eis o prólogo do estudo sobre o 4.° Sacramento.

[1] Apud Caussette, “Ananie ou Guide de l’Homme” — La Confession, pág. 159: “Majus opus est ex impio justum facere, quam creare caelum et terram”.
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