quinta-feira, 25 de julho de 2013

A Mãe segundo a vontade de Deus - O estado

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.

A Mãe segundo a vontade de Deus ou Deveres da Mãe Cristã para com os seus filhos, 
do célebre Padre J. Berthier, M.S
Edição de 1927


IV- Do estado

A criança cresceu, sob a doce influência dos cuidados maternos. Tornada forte e vigorosa, será daqui em diante capaz de se prover do necessário; é então um dever para os pais procurar criar-lhe uma posição, ou mandar-lhe ensinar um ofício que lhe forneça meios de se alimentar, e de viver duma forma que seja apropriada à sua condição e ao seu nascimento. Não ensina a ave os seus filhinhos a quebrar o invólucro do grão, de que eles se alimentam? 

A águia não convida os seus filhos a voar com as suas próprias asas? Seria cruel abandonar pobres crianças sem lhe fornecer um meio de existência, sem pôr nas suas mãos a ferramenta, de que terão necessidade para ganhar o pão. Como se hão de desculpar os que, vivendo numa honesta mediania, mandam seus filhos para a casa dum mestre, onde vão encontrar uma sujeição que não convém à sua condição, trabalhos acima das suas forças, e os maiores perigos para a sua inocência? São menos culpados os pais, que, recusando largar a mais pequena porção dos seus bens, dilatam indefinidamente o casamento dos filhos? Não preveem a desordem em que podem precipitar-se os filhos, a que, fazem sofrer tão cruel recusa. Seria imprudente sem dúvida, que uma mãe abandonasse todos os seus bens. Nunca cedas a outrem o que possuis, diz o Espírito Santo, porque mais tarde vens a arrepender-te. Mais vale veres os filhos aos teus pés a pedirem-te o que precisam, do que esperares tu deles o necessário. Quantas mulheres, na velhice estão reduzidas à mais horrível miséria, por terem dado tudo a seus filhos! Mas para que não hão de ceder aos filhos, que estão em idade de se estabelecer, uma parte, do que a morte os constrangerá em breve a abandonar?

Seria indigno duma mãe cristã recusar o dote a um filho que Deus chama à vida religiosa...

Mas é preciso dizê-lo. Num século em que todos têm sede de comodidades, num século em que todos querem elevar os seus a uma posição elevada, devemos menos prevenir as mães contra a negligência de que acabamos de falar, do que contra uma posição mais elevada ou mais brilhante que a de seus pais. Há mãe que faz mil esforços para fazer a felicidade daqueles que ama, e faz a sua desgraça, atraindo o seu desprezo.
Um personagem dizia um dia ao porteiro: «Quando cá voltar esse sujeito que acaba de sair, dize-lhe que não estou em casa.» O Telho voltou uma, duas, três vezes, e a resposta era sempre a mesma. No fim o pobre homem desatou a chorar, e exclamou: E muito duro ser expulso de casa de sou próprio filho o porteiro consternado, pôs-se a chorar com ele; e este velho era efetivamente o pai do personagem em questão [1].

Ai dos pais, que, para procurarem a seus filhos uma posição vantajosa, recorrem à injustiça, ou a meios que a religião e os costumes reprovam, como se Deus pudesse abençoar uma fortuna formada sobre as ruínas da consciência!

[1] O Abade Mullois
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