sábado, 6 de julho de 2013

FORMA/UTILIDADE DO SACRAMENTO DA PENITÊNCIA/ NOTAS SOBRE AS INDULGÊNCIAS

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.

A Igreja e seus mandamentos
por
Monsenhor Henrique Magalhães
Editora Vozes, 1946

FORMA DO SACRAMENTO DA PENITÊNCIA
17 de Julho de 1940

A forma do Sacramento da Penitência são as palavras que o Sacerdote pronuncia, ministrando a absolvição dos pecados acusados pelo penitente, culminado nestas expressões: “Eu te absolvo dos teus pecados, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Fala o sacerdote, mas não em seu próprio nome. Ele evoca a Trindade Santa. “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança ...” — é a portentosa frase da criação do rei da natureza! — “Eu te absolvo”... — é a renovação da imagem da Trindade, que o pecado do homem afeou e fez obscurecer sua alma, entenebrecida pelo mal!


Prossigamos em nosso estudo. E não é sem razão que eu estou desenvolvendo, na medida do possível, estes pontos da doutrina, tão esquecidos de uns e inteiramente ignorados de outros. — A confissão praticada conscienciosamente é uma autentica obra prima, como terei ocasião de vos mostrar.

A graça comunicada por este sacramento é chamada — graça de ressurreição — pois faz revi­ver a alma morta pela falta grave; é graça que cura as chagas do mal; é graça de reconciliação integrando-nos na amizade de Deus, que é realmente o nosso melhor amigo!

Se o penitente apresenta apenas faltas veniais, o quarto sacramento aumenta as forças vitais da alma, descontando mesmo, ao menos em parte, as penas devidas pelo pecado.

As obras praticadas em estado de graça chamam-se obras vivas. — Mortas, as praticadas em estado de pecado mortal; não são meritórias para a vida eterna.

Um cristão realiza, com sua alma unida a Deus, uma série de atos bons. São atos praticados na Caridade, isto é, no amor, que os satura e ilu­mina. Mais tarde esse mesmo cristão comete uma falta grave. Sua alma está morta. Apagou-se a luz da caridade. As obras feitas nesse deplorável es­tado são mortas; e tudo quanto ele fez em caridade perdeu seu brilho, ficou amortecido. — Movido pela graça paternal de Deus, que não quer a morte do pecador, mas sim que ele se converta e viva, esse cristão confessa os seus pecados, recebe a absolvição sacramental, sua alma ressuscita e todas as boas obras praticadas em estado de graça, antes do pecado grave, revivem maravilhosamente, constituindo de novo um penhor de vida eterna. Pois Deus é justo e não se esquece das ações meritórias, praticadas sob o influxo do seu amor santíssimo!

UTILIDADE DA PENITÊNCIA
18 de Julho de 1940

Concluindo o nosso rápido estudo sobre o Sacramento da Penitência, veremos hoje — “A natureza e a graça — o grande Tribunal”.

A razão humana, não perturbada de preconceitos ou de vícios, proclama a utilidade da confissão — da parte de Deus, a parte do homem, da parte     da sociedade.

Temos o homem prevaricando por efeito da sua natureza decaída, desde a culpa original. É um revoltado contra a lei de Deus, que ele calcou aos pés, deixando-se dominar pelas paixões. Tocado da graça, reconhece o seu erro. Confessa lealmente os seus pecados. — Que bela satisfação ele dá ao mesmo Senhor ofendido, magoado, desprezado!

A Confissão glorifica a Deus do modo que lhe é mais agradável — pela humildade. Isto foi o que ensinou explicitamente Jesus Cristo. Demais se o homem pecou por orgulho — cabeça e origem de todos os demais pecados, pagar seu crime por um ato de humildade — é coisa inteiramente de acordo com a sã razão.

Da parte do homem, a Confissão é útil. Pri­meiro dá-lhe a paz de espírito — bem de valor inestimável. Inúmeros são os que depois de receberem o augusto Sacramento da reconciliação, sentem-se aliviados, como se lhes tivessem tirado do coração um grande peso insuportável. Se um simples desabafo a um amigo que nos compreende é tão confortador, que diremos de um desabafo a quem recebeu ordem expressa de Jesus, para perdoar pecados, purificando a alma de todas as manchas que causam sua perturbação?

Em segundo lugar, lembremos que a Penitência é um estímulo para a virtude, um dique contra o mal, um freio às paixões, ainda as mais violentas e sedutoras. — A graça transforma o homem, ajudando-o a vencer a natureza corrompida.

Da parte da sociedade, a confissão é meio eficaz de saneamento moral. Integrando o homem no caminho do bem, este sacramento lhe propor­ciona os meios necessários para se tornar útil aos seus semelhantes. Um coração onde Deus habita, pela graça, está sempre disposto a amar o próximo e a lhe fazer todo bem possível.

Avivando na alma do penitente os seus de­veres para com a autoridade civil, a confissão aper­feiçoa o cidadão, tornando-o mais útil à sua pátria, pelo seu espírito de sacrifício e disciplina.

Quantos inimigos se têm reconciliado pelos conselhos que recebem nesse admirável tribunal? E as restituições? — não têm conta. Eu mesmo já fui portador de duas quantias vultosas a seus legítimos donos, fruto de confissões leais, sinceras. Espontaneamente esses homens me entregaram as importâncias subtraídas, indicando-me os que haviam sido lesados. Como é de praxe, cumpri minha missão, com grande espanto dos senhores que receberam o dinheiro e passaram o recibo respectivo, sem ao menos suspeitarem da procedência de tais quantias...

Eis a utilidade da Confissão — esse tribunal divino, onde o réu comparece espontaneamente, acusa-se de faltas que, muitas vezes, só ele e Deus conhecem — acusa-se sem se defender — e, se ele se arrepende, a sentença é sempre a absolvição!

NOTA SOBRE AS INDULGÊNCIAS

Indulgência é a remissão da pena temporal devida a Deus pelos pecados já perdoados quanto à culpa. Esta remissão é outorgada fora do Sacramento da Penitência, pela aplicação do tesouro da Igreja; pelos vivos, por modo de absolvição, e pelos mortos, por modo de sufrágio. O Concílio de Trento ensina que a Igreja tem o poder de conceder indulgências que são de grande vantagem para os fiéis.[1]

Por indulgência de 100, 200 dias, 7 anos, 7 quarentenas, entende-se a remissão da pena que se perdoava antigamente pela penitência canônica por tempo correspondente. Assim por indulgência de 7 anos se remite a pena que se remitia pela penitência de 7 anos. Quarentena quer dizer qua­renta dias.

É preciso notar que ninguém pode saber o valor que, diante de Deus, tinham as penitências canônicas. Também não sabemos a proporção entre as penas que nos estão reservadas e o valor das nossas satisfações.[2]

Conclui-se daí que devemos procurar lucrar o maior número de indulgências que nos for possí­vel, por nós e pelas almas do Purgatório.

Notas:
___________

[1] Sessão XXV, De Indulgentiis. 
[2] Pastoral Coletiva, 473 e seguintes.
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