sexta-feira, 19 de julho de 2013

A Mãe segundo a vontade de Deus - Do sustento

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.

A Mãe segundo a vontade de Deus ou Deveres da Mãe Cristã para com os seus filhos, 
do célebre Padre J. Berthier, M.S
Edição de 1927


III - Do sustento

Desde que a criança já não carece do leite materno, é preciso que o seu sustento seja quanto possível são e abundante, mas sem profusão e sem vã delicadeza, como diz o Snr. Bispo de Orleans. Privar a criança dos alimentos substanciais necessários ao seu desenvolvimento físico é condená-la a ficar sempre sem vigor. É fato que se devem abster de lhe dar de comer todas as vezes que o pedir, pois seria um abuso tão condenável, como deixá-la sofrer fome. «É preciso, pelo contrário, diz Fénelon, regular por forma tal as suas comidas, que coma muitas vezes, em proporção da necessidade; que não coma fora das suas refeições, porque é sobrecarregar o estômago, enquanto a digestão não está acabada; que não coma nada que a excite a comer além do necessário, e que a desgoste dos alimentos mais convenientes à saúde; e que enfim lhe não sirvam muitas coisas diferentes, porque a variedade das carnes que vêem uma atrás da outra, sustenta o apetite depois de satisfeita a necessidade de comer.

S. Jerônimo tinha escrito no mesmo sentido a uma senhora romana: «Que o alimento de sua filha seja simples; lhe dizia ele, dê-lhe costumes de temperança, e que se levante da mesa, antes de estar completamente saciada.»

A história de Santa Mônica diz-nos a que austero regime ela foi submetida, desde a infância. Nos primeiros anos, fora das horas em que se servia o seu modesto repasto à mesa de seus pais, ainda que estivesse devorada de sede, a sua governanta não lhe permitia nunca beber uma gota de água, a fim de habituá-la à sobriedade, à penitência, à força da alma, e ao espírito de Sacrifício.

Para evitar que seus filhos se entregassem à sensualidade, M.me Acarie fazia servir à mesa comidas comuns, e quase sempre um só prato. Exigia ainda que nunca dissessem o seu gosto, e que nunca se fizessem exigentes. Uma de suas filhas, de dez anos de idade, tendo dito um dia que não gostava de certa comida, a mãe lha fez dar a todas as refeições, durante quinze dias. A criança ficou tão castigada, que nunca mais se desgostou de nada que se servisse à mesa. A sua segunda filha gostava de fruta, mas a mãe, para lhe ensinar a temperar os desejos, tornava-lhe a pedir os frutos que lhe tinha dado; ou, se notava que os comia muito depressa, fazia-lhe imediatamente retirar tudo diante de si.

Tais exemplos condenam energicamente essas mulheres, que, nos nossos dias, fazem consistir toda a ternura para com os filhos, nas gulodices que lhes dão. Vivendo no hábito de tudo conciliarem entre si, fazem servir à mesa comidas de toda a qualidade. As crianças estão presentes; passeiam uma vista ávida sobre todas essas superfluidades, e quando têm o estômago saciado, ainda não saciaram o desejo de gozar. A mãe de família nas aldeias vê-se obrigada a banir da sua mesa frugal essa variedade supérflua, mas permite que seus filhos comam a toda a hora, e com uma avidez muitas vezes inconveniente. É pois útil dizê-lo aqui, indo buscar as palavras ao Espírito Santo: Quem ama os festins, ficará na indigência... A intemperança levou ao túmulo grande número de pessoas; e quem se preservar das suas investidas terá uma longa vida. Uma dor que expulsa o sono atormenta quem comeu demasiadamente, enquanto que um sono benfazejo faz descansar quem sabe moderar-se no uso da sua comida. Funesta à saúde, a intemperança faz também adormentar o espírito; abate a alma e tira-lhe toda a atividade. O estudo e o trabalho tornam-se, para a criança desregrada nas comidas um fardo, que é incapaz de sustentar. Desenvolvem-se nela as paixões com uma facilidade espantosa, e não encontram resistência viva que as reprima. A castidade, companheira e irmã da temperança, poderia estabelecer o seu império na alma da criança, cuja mãe, muito fraca, lhe lisonjeia a gulodice?

Ajuntemos ainda com o Espírito Santo, que a moderação no beber faz a saúde da alma e do corpo. Também S. Jerônimo na sua carta a Laeta, nobre viúva romana, lhe recomendava que acostumasse sua filha a privar-se de beber vinho.

Este conselho seria certamente pouco estimado pelos pais que vêem com uma louca e grosseira alegria os seus filhinhos despejar um copo de vinho puro, ou de licor, sem preverem as conseqüências que podem ter tais hábitos contraídos desde a infância[1] .

Terminando este capítulo, inútil será exortar uma mulher cristã a repetir muitas vezes a seus filhos estas palavras dos nossos santos livros: Quando tiverdes comido e estiverdes satisfeitos, não vos esqueçais do Senhor vosso Deus. O cão tem uma carícia, para quem lhe atira um pouco de pão; e, coisa triste é dizê-lo, há famílias, onde se come o alimento que Deus dá, sem que ofereçam da sua parte a este bom Senhor um ato de reconhecimento. E estas famílias dizem-se cristãs!...

Nota:

[1] «A água fortifica o estômago e o corpo da criança, enquanto que o vinho debilita um e outro.» Hufeland, citado pelo abade Collomb.
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