terça-feira, 23 de julho de 2013

PEDRO

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.

A Igreja e seus mandamentos
por
Monsenhor Henrique Magalhães
Editora Vozes, 1946

PEDRO
4 de Setembro de 1945

Continuando o nosso estudo sobre a Igreja Católica, veremos hoje que o poder supremo de ensinar e de governar compete a Pedro e aos seus sucessores, os Pontífices Romanos.

É interessante conhecer o cânon do Concílio Vaticano a esse respeito: “Ensinamos, pois, e declaramos, conforme os testemunhos do Evangelho, que o Primado de jurisdição sobre toda a Igreja de Deus foi imediata e diretamente prometido e conferido por Nosso Senhor Jesus ao apóstolo São Pedro... Porém o que Jesus Cristo, príncipe dos pastores e Pastor Supremo, estabeleceu na pessoa de S. Pedro, para salvação perpétua e bem permanente da Igreja, deve subsistir, pela autoridade de Cristo, na Igreja que, fundada sobre pedra, permanecerá inabalável até à consumação dos séculos... Se, portanto, alguém disser que não e por instituição do mesmo Cristo ou por direito divino, que São Pedro tem sucessores perpétuos no primado sobre toda a Igreja — ou que o Pontífice Romano não é sucessor de São Pedro no mesmo principado — seja anatematizado”.

O Concílio menciona o Evangelho. Nesta preciosa fonte encontramos aquele célebre episódio das cercanias de Cesaréia de Filipe, quando Jesus pergunta aos discípulos que diziam os homens a Seu respeito e as opiniões se sucedem... O Mestre então de novo se dirige a eles: “e vós? que dizeis de mim? quem sou eu?” — Pedro toma a dianteira e responde: “Vós sois o Cristo, Filho de Deus vivo!”

E Jesus: “Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelaram o que acabas de dizer, mas sim meu Pai que está no céu. E eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus. Tudo o que ligares na terra, será ligado nos céus; e tudo o que desligares na terra, será também desligado nos céus” (Mt 16, 13-20).

Estas palavras são claras, incisivas. Quem crê nos Evangelhos, não pode, logicamente, negar o primado de Pedro. Jesus concede graças, favores, privilégios a todos os apóstolos. A Pedro, todavia, fala de modo diferente. Os apóstolos são colunas da Igreja. Pedro é o fundamento, é a rocha viva, inabalável, sobre a qual o fundador divino levanta o seu edifício que já venceu a duração de 20 séculos e vencerá os séculos futuros, até ao fim dos tempos — A êle só foram entregues as chaves do Reino dos Céus, símbolo do princípio e da fonte de todo poder, da suprema autoridade. Ninguém pode ligar ou desligar por conta própria; mas única e exclusivamente sob a dependência de Pe­dro, que foi quem recebeu as chaves do Reino.

Ainda sobre o primado de governo, temos aquela belíssima passagem em que São João des­creve a pesca miraculosa, depois da ressurreição de Jesus Cristo. — Quando os pescadores descem na praia do lago de Genesaré, o mestre já os espera. Já lhes preparou uma frugal refeição. Todos comem, encantados de tanta bondade. Em seguida Jesus pergunta três vezes a Pedro se O ama, e mais do que os outros. Depois das duas primeiras respostas afirmativas, o Mestre diz: “apascenta os meus cordeiros”. E da terceira vez: “apascenta as minhas ovelhas” (Jo 21, 1-17). Todavia esta ordem do supremo pastoreio foi dada a Pedro, individualmente. Jesus Cristo o constituiu pastor de cordeiros e de ovelhas, de todo o rebanho. Em uma palavra, Pedro é nomeado pelo divino Fundador da Igreja, pastor do rebanho e chefe de todos os Pastores. 
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