sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Doutrina Cristã - Parte 8

Nota do blogue: Acompanhar esse Especial AQUI.

Monsenhor Francisco Pascucci, 1935, Doutrina Cristã
tradução por Padre Armando Guerrazzi, 2.ª Edição, biblioteca Anchieta.

45. - Jesus Cristo fundou uma só Igreja. A Pedro afirmou: "Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja", e falou também de um só redil com um só pastor. Há, porém, várias igrejas que se dizem cristãs, isto é, dizem seguir a Jesus Cristo e a Sua doutrina. Qual será a verdadeira?

Notas ou caracteres distintivos

46. - Como um soberano faz cunhar sua moeda e lhe estabelece as condições (dimensões, metal, forma, etc.), para que possa distinguir-se das falsas a moeda verdadeira, assim Jesus Cristo determinou as notas ou caracteres distintivos, por onde possamos reconhecer a verdadeira Igreja; e são a unidade, a santidade, a catolicidade, a apostolicidade.
Jesus Cristo quis na Sua Igreja unidade tão íntima e perfeita, a ponto de espelhar a que existe entre Ele e Seu Pai celeste: unidade de governo com um único fundamento, - Pedro; unidade de doutrina, porque todos devem crer e praticar tudo quanto Ele ensinara e prescrevera, unidade de meios de santificação, que Ele instituíra.
Quis, em segundo lugar, a santidade. Veio ao mundo para destruir o pecado e dar de novo ao homem a graça perdida: a Igreja deve continuar essa obra até a consumação dos séculos. Importa-lhe ensinar a doutrina que Ele ensinara e que leva à santidade; precisa fornecer os meios, que produzem a santidade e incumbe-lhe demonstrar, com o exemplo de seus filhos, como possa produzir a santidade.
A Igreja deve ser católica, isto é, universal, adaptada a todos os lugares e há todos os tempos. Jesus Cristo deu aos apóstolos a ordem de lhe prestarem testemunho até os extremos da terra; e prometeu estar com eles até a consumação dos séculos.
Por último, Jesus Cristo quis a Sua Igreja Apostólica, o que se demonstra de quanto já dissemos, pois ordenara aos Apóstolos lhe propagassem os ensinamentos pelo mundo inteiro. Por conseguinte, a doutrina ensinada hoje pela Igreja deve ser uniforme com a dos Apóstolos; e o governo dos Apóstolos se verificará na continuidade dos seus legítimos sucessores, e especialmente no sucessor de São Pedro, a quem disse: - "Apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas". (Jo., XXI).

As 4 notas não se encontram na igreja protestante nem na cismática

47. - Ora, três são as Igrejas que se dizem cristãs: - a Protestante, a Cismática, a Romana. Qual das três possui as notas exigidas por Jesus Cristo?
Por igreja protestante entendemos as seitas heréticas, nascidas no século XVI. Três as principais, que depois se subdividiram em muitas outras: - os luteranos, de Lutero, na Alemanha; os calvinistas, de Calvino, na Suíça: os anglicanos, de Henrique VIII, na Inglaterra.
Falta a essa igreja a unidade: a de doutrina, porque, pelo princípio de livre exame, cada qual dos fiéis pode interpretar a Bíblia a seu modo e deduzir os princípios que ele quiser; falta-lhe a de meios, pois, em virtude do mesmo princípio cada um admite o número de sacramentos que quiser e lhes dá a virtude que acreditar: falta-lhe a de governo, porque não tem um poder central jurídico religioso.
Falta-lhe a santidade de doutrina ou de meios, porque vários princípios do protestantismo são logicamente contrários à santidade: falta-lhe a santidade de pessoas, pois de fato não gerou falanges de santos de virtudes heróicas, seladas por milagres.
Falta-lhe a catolicidade, quer de direito, porque os seus fundadores não receberam missão alguma de Deus; quer de fato, porque as igrejas protestantes são geralmente nacionais e regionais.
Falta-lhe ainda a apostolicidade, quer de doutrina, porquanto os ensinamentos do protestantismo andam em contradição com a doutrina pregada pelos Apóstolos, confirmada pelos documentos e monumentos dos primeiros séculos; quer a de governo, porque não há nele uma autoridade suprema: cada qual é ali mestre, autoridade e sacerdote a um tempo.
Por igreja "cismática" entendemos a igreja oriental (Grega, Russa, Búlgara, etc.), separada da Igreja Romana por Fócio, patriarca de Constantinopla, século IX. E completa a separação, no século XI, por Miguel Cerulário. Não confundi-la com as igrejas católicas orientais (Grega, Armênia, Síria, Maronita, etc.), que professam a fé católica romana, obedecem ao Papa, mas têm próprios os ritos externos do Culto.
À igreja cismática falta-lhe a unidade de doutrina, porque não possui a autoridade de magistério, que possa pronunciar decisões infalíveis em matéria de fé; falta-lhe, também, a unidade de governo, por se tratar, antes, de igrejas nacionais com chefes diversos.
Falta à igreja cismática a santidade. Ela conservou, sem dúvida, os sacramentos, que são meios de santificação; mas longe está de produzir as virtudes heróicas, que podemos com tanta frequência admirar na Igreja católica.
Falta-lhe a catolicidade. A igreja cismática parece não cuidar muito das palavras de Jesus Cristo: "Ide e ensinai a todos os povos", porque permanece confinada num ângulo da Europa, onde sua sorte parece ligada à dos reinantes.
Apostolicidade de origem, a igreja cismática tem-na certamente: possui verdadeiros bispos e verdadeiros sacerdotes; mas é um ramo destacado da árvore, e nela está interrompida a transmissão da autoridade apostólica.
As notas, pois, da verdadeira Igreja não se encontram na Igreja protestante nem na igreja cismática, mas se encontram perfeitamente na Igreja Romana, que por isso é a verdadeira Igreja de Jesus Cristo.

Encontram-se na Igreja Romana

48. - A Igreja Romana é una em doutrina, porque todos os seus membros tiveram, têm e terão sempre uma única fé; é una em meios, porque todos admitem os mesmos sacramentos e praticam 'O mesmo culto; é una em governo, porque todos reconhecem o mesmo cabeça, o Papa.
A Igreja Romana é santa na doutrina, pois é a própria doutrina de Jesus Cristo: ensina toda virtude, condena todo vício e conduz à santidade; é santa nos meios, isto é, nos sacramentos, que efetivamente santificam as almas, e santa no culto, pelo qual condena toda prática supersticiosa; é santa na vida, isto é, em todos os tempos, lugares e condições sociais produziu exemplares de santidade. Nem obsta a isso que na Igreja possa haver indivíduos não santos porque todos são chamados à santidade e a todos a Igreja oferece os meios de santificação. A culpa é dos indivíduos que se desviam dos meios apresentados pela Igreja, e não da instituição que tais meios santificadores oferece e realmente possuem eficácia incontestável.
A Igreja Romana é católica, isto é, universal, de direito, enquanto conserva como dirigidas a si, e as aplica, as palavras de Jesus Cristo: "Ide e ensinai a todos os povos"; - católica de fato, porque, não obstante as perseguições e contradições, pode-se hoje dizer esparsa pelo mundo inteiro.
A Igreja Romana é apostólica de origem, porque remonta aos Apóstolos; de doutrina, porque ensina até hoje o mesmo Credo ou Símbolo Apostólico; de governo, porque o que ora governa a Igreja são os legítimos sucessores dos Apóstolos.

Igreja docente e discente

49. - A Igreja é uma sociedade desigual ou hierárquica, onde há quem governa e quem deva obedecer.
Temos, assim, a igreja docente e a igreja discente.
A Igreja docente (que ensina) é constituída do Papa e dos Bispos, unidos a ele, isto é, em comunhão com ele, e não separados. O Papa é o sucessor de São Pedro e, portanto, o chefe de toda a Igreja; os Bispos, postos pelo Espírito Santo a regerem uma diocese, isto é, uma porção do rebanho de Jesus Cristo, são os sucessores dos Apóstolos. Ao Papa e aos Bispos compete o poder de ensinar, dado por Jesus Cristo a São Pedro e aos Apóstolos.
A Igreja discente é constituída dos outros fiéis e dos sacerdotes, que ensinam a mandado dos Bispos.

O Papa. O Primado. O Bispo de Roma

50. - O Papa é o sucessor de São Pedro na sede de Roma e no primado, a saber, no apostolado e episcopado universal; portanto, o cabeça visível, o vigário de Jesus Cristo, - cabeça invisível de toda a Igreja, que por isso se diz Católica-Romana. Intitula-se o sucessor de São Pedro, porque este, como devia morrer, deixou em quem lhe seguiu a sua autoridade; proclama-se Vigário e não sucessor de Jesus Cristo, porque Jesus Cristo vive e é até hoje cabeça da Igreja, representado pelo Papa.
Jesus Cristo prometeu a São Pedro a autoridade de chefe da Igreja, quando em Cesaréa de Filipe, depois de Pedro haver confessado a divindade de Jesus, lhe disse: - "Bem aventurado és, Simão, filho de João, porque não foi a carne e o sangue que te revelou, e sim meu Pai, que esta nos céus. Também eu te digo que és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus. E tudo o que ligares sobre a terra será ligado também nos céus; e tudo o que desatares sobre a terra será também desatado nos céus.” (Mat., XVI, 17-19.)
Essa promessa foi mantida por Jesus após a Sua ressurreição, quando na praia do lago de Tiberíades, perguntando três vezes a São Pedro se O amava, à afirmativa lhe respondeu: - "Apascenta os meus cordeiros - apascenta os meus cordeiros - apascenta as minhas ovelhas." (Jo., XXI, 17-19.)
Nessas palavras, a Igreja viu sempre indicado o primado ou a autoridade suprema dada por Jesus a São Pedro sobre os cordeiros, que são os fiéis, e sobre as ovelhas, que são os pastores. Primado não de simples honra, senão de jurisdição verdadeira e própria, exercida por São Pedro e reconhecida pelos outros, como se deduz dos Atos dos Apóstolos.
Esse primado consiste na autoridade doutrinal e de governo, e, por isso, em ensinar e definir tudo quanto Jesus Cristo ensinou, em condenar os erros contrários ao ensino de Jesus Cristo, em governar a Igreja, fazendo leis para o bem dos fiéis, curando da observância e punindo os transgressores.
Esse primado devia perpetuar-se, porque a Igreja, de que Pedro é cabeça, deve durar até à consumação dos séculos. Em quem se perpetua? Naquele que suceder a São Pedro. Ora, São Pedro, como no-lo confirmam a tradição e os monumentos dos primeiros séculos, veio a Roma, foi Bispo de Roma e morreu em Roma; portanto, quem suceder a São Pedro, como Bispo de Roma, lhe sucede também no primado e episcopado universal, como cabeça de toda a Igreja. O Primado do Bispo de Roma, como nos atesta a História, foi reconhecido desde o princípio pela Igreja toda: assim, estando vivo ainda o Apostolo São João, como nascera uma questão na Igreja de Coríntios, recorreram ao Papa São Clemente e não a São João Apóstolo.
O Bispo de Roma chama-se papa (do Grego), isto é, Pai; Sumo Pontífice, para indicar a altura da dignidade; Santidade ou Santo Padre, a título de reverência, como Vigário de Jesus Cristo.

Infalibilidade da Igreja

51. - Uma das propriedades da Igreja é a Infabilidade ou imunidade do erro, necessária porque os fiéis devem estar seguros do que se deve crer e praticar para conseguirem o fim necessário da vida eterna. A existência dessa propriedade na Igreja colige-se claramente das palavras de Jesus Cristo. "Eu estou convoco todos os dias até à consumação dos séculos". (Mat., XXVIII, 20). - "Mandará o Pai, em meu nome, ao Espírito consolador, que vos ensinará toda verdade". - "As portas do inferno não prevalecerão".
A imunidade do erro reside em primeiro lugar em toda a Igreja, isto é, em todos aqueles que livremente aderem à doutrina revelada pelo modo estabelecido por Jesus Cristo, porquanto não pode acontecer que a Igreja toda professe uma doutrina errada.
Se, depois, considerarmos a Igreja como depositária da doutrina revelada, a infabilidade deve residir naqueles que têm o poder de ensinar, isto é, na Igreja docente. O modo, solene e augusto para a manifestação externa dessa infalibilidade é o Concílio Geral: quando se reúnem todos os Bispos do mundo, por convocação e sob a presidência do Sumo Pontífice. Porque o Concílio, quer o ecumênico ou geral, é necessário que seja convocado pelo Papa, que o presida por si ou por meio dos seus delegados e que os atos sejam aprovados e ratificados pelo Papa, a quem, somente, foi dito: - "Apascenta os meus cordeiros". Um exemplo de Concílio, temo-lo desde os tempos apostólicos, quando os Apóstolos, sob a presidência de São Pedro, se reuniram em Jerusalém para dirimir algumas controvérsias, e comunicaram, depois, a sua decisão aos fiéis com estas palavras: - "Visum est Spiritui Sancto et nobis". - "Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós". (Atos XV, 28.)
Os Concílios ecumênicos foram 19, desde o primeiro de Nicéia, em 325, ao do Vaticano, suspenso em 1870.
Outro modo de manifestação externa da infalibilidade da Igreja docente é o acordo de todos os Bispos, espalhados pelo mundo e unidos ao Papa, em um determinado ponto de doutrina.

Infalibilidade do Papa

52. - O Papa, por si só, é infalível. Isto resulta:

a) da Sagrada Escritura: Jesus Cristo disse a São Pedro: "Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela". Pedro, pois, fundamento da Igreja, não pode ruir, isto é, não pode errar, senão toda a Igreja também cairia em erro e prevaleceriam contra ela as portas do inferno. Jesus ainda intimou a Pedro: "Apascenta os meus cordeiros; apascenta as minhas ovelhas"; mas, se Pedro pudesse errar, devendo nós obedecer-lhe, poderíamos abraçar o erro, - o que repugna à sabedoria de Cristo. Finalmente, Jesus Cristo disse a Pedro: "Roguei por ti, para que a tua fé não faleça; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos". (Luc., XXII, 32); ora, como poderia São Pedro confirmar os irmãos, se pudesse errar e tivesse também ele necessidade de ser confirmado na fé?
b) da Tradição: Em todos os tempos, a palavra do Papa foi tida por decisiva. Santo Ambrósio exclamara: "Onde Pedro está, aí está a Igreja", e Santo Agostinho: "Roma falou, acabou-se a causa".
A infalibilidade do Papa é verdade de fé, definida no Concílio vaticano, em 1870.
Objeto da infalibilidade são: 1.º - as verdades de fé, isto é, o deposito da fé, contido na Sagrada Escritura e na Tradição; 2.º - as verdades que, sem serem de fé, são, porém, indispensáveis à conservação integral do depósito da fé, como por exemplo a canonização dos santos; 3.º - os costumes, isto é, a moral cristã.
O Papa é infalível, quando fala ex-catedra, a saber, quando como pastor e mestre de toda a Igreja define, isto é, decide de modo definitivo, de modo que se não possa mais duvidar a respeito de uma questão de fé ou de costume, entendendo ele obrigar a Igreja inteira e declarando anátema, ou separando dela a quem quer que se recuse admitir-lhe a definição proclamada.
Fundamento da infalibilidade é a assistência do Espírito Santo, assistência que não é inspiração ou revelação, e, por isso, não dispensa o estudo nem o emprego de meios humanos para conhecer-se a verdade.
Infalibilidade não é impecabilidade, pois, na qualidade de mestre universal, o Papa não pode cair em erro, mas, como homem, pode cair em pecado.

Corpo e alma da Igreja

53. - A Igreja é o corpo místico de Jesus Cristo, porém um corpo vivo. Cumpre distinguir na Igreja dois elementos - o corpo e a alma.
Corpo da Igreja é a organização social, visível, de que o Papa é o cabeça ostensivo, organização a que pertencem, como membros, todos os batizados que não estejam voluntariamente separados da Igreja nem incursos em excomunhão.
Almas da Igreja é aquilo que a vivifica e lhe faz produzir obras sobrenaturais, dignas da vida eterna, como a graça santificante e os dons do Espírito Santo.
Ora: a) pertencem ao corpo e à alma da Igreja os batizados que professam a fé do Cristo sob a obediência e o magistério dos legítimos Pastores e se encontram em estado de graça; b) pertencem somente ao corpo da Igreja os batizados que embora professem a fé do Cristo sob a obediência e o magistério dos legítimos Pastores, estão em pecado mortal, sem a graça santificante; c) não pertencem a alma nem ao corpo da Igreja os que voluntária e culpavelmente estão fora da Igreja, como os excomungados apóstatas; d) podem pertencer só à alma da Igreja os que, estando inculpavelmente e de boa fé fora da Igreja, se encontram em estado de graça.

Fora da Igreja não há salvação

Como, pois, entender-se o axioma tantas vezes repetido: "Fora da Igreja não há salvação"?
Deve-se entender no sentido de que não há salvação para os que andam no erro voluntário e culpável; para os que, sabendo que a Igreja católica é a verdadeira, se recusam a entrar para ela, aceitar-lhe os dogmas e praticar-lhe as leis. Aqueles, ao revez, que estão no erro invencível, mas observam a sua religião de boa fé e se esforçam por agradar a Deus, segundo os lumes da própria consciência, podem pertencer à alma da Igreja e salvar-se, ou porque são efetivamente batizados ou porque têm implícito o desejo do batismo no ato de caridade que os torna dispostos a fazer o que quer que Deus reclamar deles.
Na prática, é muito difícil dizer quem, não pertencendo ao corpo, pertença destarte à alma da Igreja. Só o Senhor sabe e conhece os que se salvam.
O que podemos concluir é: a) que ninguém vai para o Inferno sem culpa própria; b) que Deus quer a todos salvos e a todos liberaliza a graça suficiente; c) que Deus será muito mais indulgente com quem recebeu menores meios de salvação; d) que o que pertence à Igreja católica deve mostrar ao Senhor peculiar gratidão por esta graça e cumprir os deveres de bom filho para com a Igreja mãe e para com o Papa, pai de sua alma. Esses deveres compendiam-se em três palavras: - amor, respeito, obediência.

A comunhão dos Santos

54. - A Comunhão dos Santos é a participação dos Santos, a saber - dos fiéis na graça de Deus, ao bem que há e que se faz na Igreja.
A Igreja, que pudera quase dizer-se uma sociedade de mútuo socorro espiritual, possui um tesouro, constituído pelos méritos infinitos de Jesus Cristo e pelos superabundantes méritos de Maria Santíssima e dos Santos. Desse tesouro ela dispõe em favor dos fiéis por meio dos Sacramentos, do Sacrifício, das indulgências, etc. A este bem que há permanente na Igreja, acrescenta-se o bem que se faz, isto é, as boas obras, as orações, as penitências etc., praticadas pelos fiéis. De todo esse bem que há e que se faz participam os Santos, quer dizer os fiéis que estão na graça de Deus.
O vínculo da caridade une todos os fiéis na graça de Deus - os que estão no céu (Igreja triunfante, no purgatório (Igreja padecente) e na terra (Igreja militante). Os fiéis da Igreja militante: a) invocam os Santos do céu, como a intercessores junto a Deus, para deles obter os auxílios de que necessitam; b) consideram como um dever de caridade recordar-se dos fiéis da Igreja padecente e mitigar-lhes as penas com sufrágios, isto é, com boas obras, esmolas, indulgências e especialmente com o Santo Sacrifício da Missa; c) estão unidos entre si pelo espírito de caridade e podem ajudar-se mutuamente com as orações, méritos e boas obras.
Os pecadores, que se não acham em estado de graça, não levam contribuição alguma ao tesouro da Igreja, porque as suas obras são sem mérito. Não são, porém, totalmente privadas das vantagens da comunhão dos santos, porque, pelas orações e pelas boas obras dos outros, podem obter a conversão.
Estão fora da comunhão dos Santos: 1) os condenados, ou melhor, os que estão no inferno; 2) os infiéis, isto é, os não batizados, que de modo nenhum crêem no Salvador prometido, como os idólatras e os maometanos; 3) os hebreus, que professam a Lei de Moisés e esperam até hoje pela vinda do Messias; 4) os hereges, a saber - os batizados que se obstinam a não crer uma ou outra verdade revelada por Deus e ensinada pela Igreja, como os protestantes; 5) os cismáticos, isto é, os batizados, que recusam obstinadamente submeter-se aos legítimos pastores, embora não neguem verdade alguma de fé; 6) os apóstatas, batizados que renegam com ato externo a fé católica já professada; 7) os excomungados, isto é, com a pena que aos batizados exclui da comunhão da Igreja por culpas gravíssimas, para que não pervertam os demais fiéis e sejam punidos e corrigidos com esse remédio extremo.
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