quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Doutrina Cristã - Parte 17

Nota do blogue: Acompanhar esse Especial AQUI.

Monsenhor Francisco Pascucci, 1935, Doutrina Cristã
tradução por Padre Armando Guerrazzi, 2.ª Edição, biblioteca Anchieta.

            4.º MANDAMENTO

            Honrar pai e mãe

            O quarto mandamento nos ordena amar, respeitar e obedecer aos pais e a quem tenha autoridade sobre nós, isto é, aos nossos superiores.
            O quarto mandamento nos proíbe faltar honra aos pais, aos superiores, e desobedecer-lhes.

A Família- A Igreja. - O Estado

            27. - Os três primeiros mandamentos nos falam dos nossos deveres para com Deus; os outros sete se referem aos deveres para conosco e para com o próximo.
            O homem nasceu para viver em sociedade. A primeira sociedade que encontra é a doméstica, ou a família. Temos, após, a sociedade religiosa - a Igreja, e a sociedade civil - o Estado.
            Em toda sociedade bem organizada, há de haver quem mande e quem obedeça; daí, as relações de superioridade e sujeição determinadas pelo quarto mandamento.

Deveres dos filhos para com os pais

            28. - O quarto mandamento respeita em primeiro lugar aos pais, isto é, àqueles a quem, depois de Deus, devemos a vida e que com amor, penas e sacrifícios nos criaram e educaram.
            Nós lhes devemos respeito, amor, obediência e assistência.

            AMOR. - A própria natureza nos inclina a amar os pais, isto é, a querer-lhes bem, a desejar-lhes o bem e a nos compadecermos deles. O nosso amor deve ser de fato e não de palavras; deve ser sobrenatural, isto é, inspirado em motivos sobrenaturais, por amor de Deus, e devido sempre, ainda mesmo que, por graves causas, os pais se tornassem indignos.


            RESPEITO. - Os pais são os representantes de Deus. Por onde, a eles se lhes deve o máximo respeito, mostrado pelas obras, por palavras e em todas as ocasiões.
            Se houver nos progenitores defeitos naturais, convém suportá-los benevolamente; se houver defeitos morais, não aprová-los, mas com prudência e delicadeza procurar-lhes a emenda.

            OBEDIÊNCIA. - Pronta, alegre, confiante obediência devemo-la aos pais, lembrados de que eles representam a Deus. Jesus Cristo nos deu exemplo disso com a Sua obediência a José e Maria.
            E se os pais mandassem coisas pecaminosas? Importa ver se a coisa é má em si, como por exemplo, a blasfêmia, ou má porque proibida, como por exemplo, o comer carne as sextas-feiras, de preceito.
            No primeiro caso, os filhos, embora mostrando-se respeitosos, nunca devem obedecer; no segundo, podem às vezes obedecer, para evitar mal maior contanto que declarem não fazê-lo por desprezo à lei.

            ASSISTÊNCIA. - Devem os filhos ajudar os pais e assistir-lhes nas suas necessidades materiais e muito mais espirituais, rezando por eles em vida e depois da morte, e procurando-lhes, no perigo de morte, os socorros espirituais.

Deveres dos pais para com os filhos
           
            29. - O quarto mandamento contém ainda indiretamente os deveres dos pais para com os filhos. São: amor, exemplo, educação.

            AMOR. - A própria natureza o inspira. Deve ser, porém, amor cristão ou sobrenatural, que procura sobretudo o verdadeiro bem, isto é, o da alma; amor sem fraquezas, sem preferências, sem egoísmos; amor, que não impede aos filhos de seguirem a vocação divina e que sabe oferecer tal sacrifício se Deus os chamar a si.

            EXEMPLO. - São filhos de Deus e têm alma imortal, destinada a conseguir a salvação eterna Cumpre, conseguintemente, aos pais evitar tudo quanto possa trazer dano á alma dos filhos, e lhes darem o bom exemplo com palavras e obras.

            EDUCAÇAO. - Devem os pais: a) dar aos filhos a primeira instrução religiosa e procurar-lhes, a seguir, o modo de a completarem;
            b) procurar-lhes a instrução literária ou científica, segundo a idade e a condição; ou a aprendizagem de uma arte ou ofício, atendendo cuidadosamente a que, seja num, seja noutro caso, não sofram com isto a moralidade e a religião;
            c) vigiá-los, corrigi-los nas faltas, e, até, se preciso for, puni-los para o bem seu e deles e não por motivos de ira ou ódio.

Deveres dos inferiores para com os superiores e vice-versa

            30. - Além dos pais, o quarto mandamento nos ordena honrarmos os superiores em autoridade, isto é, a quem quer que tenha autoridade sobre nós.
            Os superiores podem ser eclesiásticos (Papa, bispos, sacerdotes), civis (autoridades do Estado) e domésticos (professores, patrões, tutores, etc.).
            A eles, como aos pais, lhes devemos amor, respeito e obediência, relembrando que "não há poder que não venha de Deus... Aquele, pois, que resiste ao poder, resiste à ordenação de Deus." (Rom., XIII, 1-2.)
            Aos deveres dos inferiores para com os superiores, correspondem os deveres dos superiores para com os inferiores.
            Estão baseados sempre no amor, enquanto o superior, reconhecendo que vem de Deus a sua autoridade, a emprega em procurar o bem ao súdito, o bem material e, sobretudo, o espiritual; e evita tudo o que possa impedir tal bem, assim como se esforça por fornecer ao súdito, na esfera da sua unção, tudo o que possa contribuir para a consecução da verdadeira felicidade. Assim o professor evita, no seu ensino, o que for contrário à vida cristã e aos ensinos da Igreja; o patrão dá ao operário a possibilidade de cumprir os deveres religiosos, etc.
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