quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Doutrina Cristã - Parte 9

Nota do blogue: Acompanhar esse Especial AQUI.

Monsenhor Francisco Pascucci, 1935, Doutrina Cristã
tradução por Padre Armando Guerrazzi, 2.ª Edição, biblioteca Anchieta.


Art. X. - A Remissão dos pecados.

Poder de remitir os pecados

55. - Creio que há na Igreja o poder de remitir qualquer pecado, porque Jesus, no dia da Sua ressurreição, deu este poder aos Apóstolos e aos sucessores destes com as seguintes palavras: "Recebei o Espírito Santo; os pecados serão perdoados àqueles a quem os perdoardes". (Jo. XX, 22,23). Portanto, os ministros de Deus podem perdoar qualquer pecado, mesmo enorme, e tantas vezes quantas o pecador arrependido se lhes apresentar.
O pecado original cancela-se por meio do Batismo; os pecados mortais cometidos depois do Batismo ficam perdoados mediante a confissão; os pecados veniais, além de o serem pela confissão, podem ser remetidos pelos outros sacramentos ou pelos sacramentais.

O pecado: definição e divisões

56. - O pecado é uma ofensa feita a Deus, por se Lhe desobedecer à lei.
De duas espécies é o pecado: - original e atual.
É pecado original o que a humanidade cometeu em Adão, seu cabeça, e que todo homem contrai de Adão por via da descendência natural.
Pecado atual é o que voluntariamente comete quem goza do uso da razão.
O pecado atual pode ser cometido, ou por se praticar o que se não deve fazer por pensamento, palavras e obras, ou não fazendo, por omissões, o que se devera fazer; por ex.: quem come carne em sexta-feira da Quaresma peca por obras; quem não ouve a santa missa em dia de festa de guarda, peca por omissão.
O pecado atual é de duas espécies: mortal e venial.

Pecado mortal

57. - O pecado mortal é uma desobediência à lei de Deus em matéria grave, feita com plena advertência e deliberado consentimento. Para haver um pecado mortal, requer-se: 1) matéria grave, ou em si, como nas blasfêmias; ou pelas circunstâncias de pessoa, de lugar, etc., como roubar em coisa leve a um pobre; 2) plena advertência, isto é, conhecer ao menos confusamente que a ação cometida é gravemente contrária à lei de Deus; 3) deliberado consentimento, isto é, vontade de pecar, em sabendo-se que é pecado grave.
Efeitos do pecado mortal: 1) dar a morte à alma, privando-a da graça de Deus; 2) tirar os méritos precedentemente adquiridos; 3) fazer-nos incapazes de adquirir novos méritos; todavia, não é inútil que o pecador faça boas obras, para se não tornar a alma digna da pena eterna, porque o pecado, por ser ofensa infinita a Deus, merece pena infinita, não em intensidade, pois o homem finito não poderia suportá-la, mas em duração; 4) atrair os castigos divinos, mesmo nesta vida.
Com a confissão, ou com a dor perfeita unida ao propósito de confessar-se, readquire-se a graça de Deus, e, até, pela misericórdia do Senhor, se reconquistam os méritos perdidos.

Pecado venial

58. - O pecado venial (de venta - perdão) é uma ofensa à lei de Deus em matéria leve. Pode ser venial também em matéria grave, quando não houver plena advertência ou pleno consentimento deliberado.
Efeitos do pecado venial: - 1) esfriar a alma no amor de Deus, isto é, diminuir o fervor da caridade; 2) dispôr ao pecado mortal, porque inspira menos horror ao pecado e torna mais fraco o homem contra as paixões; 3) fazer-nos merecedores da pena temporal nesta vida e na outra.

PECADOS MAIS GRAVES E FUNESTOS

59. - Todos os pecados mortais irrogam ofensa infinita a Deus, mas alguns se apresentam mais graves e mais funestos à alma: são precisamente os que se dizem pecados contra o Espírito Santo e pecados que clamam vingança diante de Deus.
Pecados contra o Espírito Santo chamam-se aqueles com os quais o homem se opõe diretamente à obra de santificação, que o Espírito Santo quer nele realizar pela graça, e por isso tornam mais difícil a conversão. São seis:
Desespero da salvação, isto é, crer que Deus não nos perdoará e deva o homem necessariamente perder-se. - Presunção de salvar-se sem mérito, ou querer salvar-se sem fazer as obras necessárias. Impugnar a verdade conhecida, isto é, combater as verdades da fé, depois de havê-las conhecido. Inveja da graça alheia, ou procurar, por maldade de espírito, fazer que outros percam a graça. - Obstinação nos pecados, não obstante os avisos internos e externos de Deus. - Impenitência final, ou querer morrer no pecado.
Clamam vingança diante de Deus os pecados contrários ao bem da humanidade; pelo que provocam, mais que os demais, os castigos divinos. São quatro: - Homicídio voluntário. Pecado impuro contra a natureza. - Opressão dos pobres. – Defraudar o estipêndio aos operários.

Os Novíssimos

Para ficarmos longe do pecado, muito nos ajuda o pensamento da presença de Deus, a cuja vista não escapa o segredo dos corações; auxilia-nos também como nos ensina a Escritura, a consideração dos Novíssimos ou últimas coisas, isto é, daquilo que nos espera no fim desta vida e no fim do mundo. Quatro são os Novíssimos: Morte, Juízo, Inferno, Paraíso.
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