quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Doutrina Cristã - Parte 18

Nota do blogue: Acompanhar esse Especial AQUI.

Monsenhor Francisco Pascucci, 1935, Doutrina Cristã
tradução por Padre Armando Guerrazzi, 2.ª Edição, biblioteca Anchieta.

5.º MANDAMENTO

Não matar

            O quinto mandamento nos proíbe causar dano à vida, quer natural, quer espiritual do próximo e à nossa; pelo que proíbe o homicídio, o suicídio, o duelo, os ferimentos, as pancadas, as injúrias, as imprecações e o escândalo.
            O quinto mandamento nos ordena querermos bem a todos, até aos inimigos, e reparar o mal corporal e espiritual feito ao próximo.

Os direitos de Deus

            31. - Deus é o dono absoluto da vida: Ele no-la deu para um fim determinado, isto é, para conhecê-lO, amá-lO, servi-lO na terra e gozá-lO, por fim, no Céu.
            Só Ele no-la pode tirar quando e como o julgar e quiser. Todo atentado, quer espiritual, quer material, contra a nossa vida e a do próximo, é uma ofensa a Deus.

Escândalo

            32. - Danifica-se a vida espiritual do próximo, quando se induz alguém a cometer um pecado mortal, com que se perde a graça de Deus, que é vida da alma. Isso acontece com o escândalo, que é dar ao próximo, com algum ato mau, a ocasião de cometer pecado.
            O escândalo é ativo, se se considera por parte de quem faz a ação, que pode induzir ao pecado; passivo, se por parte de quem o recebe, em seguida ao ato mau.
            O escândalo ativo; quando for dado com o escopo direto de se fazer o próximo cometer o pecado, chama-se diabólico.
            O escândalo passivo, às vezes, depende da ignorância ou fraqueza de quem é escandalizado, e intitula-se escândalo dos pequeninos; outras vezes, depende da malícia e maldade de quem escandaliza, e diz-se farisaico, ou dos Fariseus, que se escandalizavam até das boas obras de Nosso Senhor.
            O escândalo é pecado gravíssimo, porque tende a destruir, com a perda das almas, a maior obra de Deus, que é a redenção: tira ao próximo a vida da graça, mais preciosa que a vida do corpo, e é causa de multidão de pecados.
            Deus ameaçou de severos castigos a quem der escândalo: "Ai daquele homem por quem o escândalo vem!" (Mat., XVIII, 7.) Quem deu escândalo deve reparar o mal feito, com sábios conselhos e bons exemplos.

Homicídio

            33. - O homicídio é pecado, porque o assassino, em primeiro lugar, usurpa o direito de Deus, que é o único dono da vida humana; priva o próximo do máximo dos bens terrenos, que é a vida, e, não raro, até do bem eterno, não dando à alma tempo e modo para se reconciliar com Deus; ofende a família do assassinado, lançando-a em luto e, muitas vezes, na miséria; destrói a segurança do consórcio humano e priva a sociedade de um de seus membros.
            Há casos, porém, em que é licito matar o próximo, a saber:

            a) quando se trata de necessária e legítima defesa da vida, da honra e de outros bens de primária importância contra um injusto agressor, contanto que se não exceda na defesa e haja a devida medida, não fazendo mais mal do que a defesa exige;
              b) quando se combate numa guerra justa.
            A responsabilidade acerca da justiça, ou não, da guerra cabe a quem a promoveu; o soldado não deve julgá-la por si, mas cumprir simplesmente o seu dever.
            c) quando por ordem da autoridade suprema se executar a condenação - à morte, como pena de qualquer delito. Tal direito pertence à sociedade, seja como punição de graves delitos e defesa da segurança e tranquilidade pública, seja como preservativo para evitar que se cometam delitos graves.
            Quem matou a outrem é obrigado a reparar os danos derivados do seu ato, como por exemplo, prover à família do assassinado, quando se achar em necessidade, etc.
            O que se disse do homicídio vale proporcionalmente também para os ferimentos e pancadas.

O suicídio

            34. - O suicídio é gravíssimo pecado, porque com ele o suicida viola o direito de Deus, dono único de nossa vida, e, por outro lado, expõe a própria alma à condenação eterna, se Deus lhe não conceder a graça de converter-se no supremo instante. É, conjuntamente, um ato de fraqueza moral, porque o suicida mostra não ser capaz de afrontar a dor e as contrariedades da vida.
            A Igreja pune os suicidas, responsáveis pelo ato perpetrado, com a privação da sepultura eclesiástica, isto é, não lhes defere honras públicas, nem celebra sobre o seu cadáver exéquias solenes nem lhes benze a sepultura.
            Tal pena se dirige especialmente como ensino e utilidade aos sobreviventes.

Duelo

            35. - O duelo é um combate entre poucas pessoas, geralmente entre duas, que, mediante prévio acordo, fixam o tempo, o lugar e as armas, aptas para ferir e matar.
            Difere da rixa, que nasce de um momento para outro, sem prévio acordo.
            O duelo é público, se imposto pela autoridade pública e por utilidade também pública, à maneira do que sucedeu a David contra Golias, aos Horários contra os Coriáceos;
            privado, quando travado por vontade privada. Aquele é licito; este, nunca. O duelo é pecado grave:
            1.º- porque é um atentado de homicídio e suicídio, expondo-se cada um dos duelistas ao perigo de matar e ser morto, embora declarem bater-se até ao primeiro sangue;
            2.°- porque é desprezo da lei e da justiça pública, por meio da qual se deseja que, para, as razões e as ofensas, se recorra à autoridade e se não faça justiça ou vingança pessoal;
           3.°- porque é coisa bárbara ou irracional, pois estultamente se entrega a decisão do direito ou errado à força, à destreza e ao acaso.
            A Igreja pune com a excomunhão os que se batem em duelo, ou simplesmente desafiam ou aceitam o desafio: todos os seus cúmplices, todos os que ajudam ou favorecem os duelistas, todos os que assistem voluntariamente ao duelo, os que o permitem e não o impedem, quanto esteja em seu poder, qualquer que seja a sua dignidade, até a real ou imperial. Além disso, nega a sepultura eclesiásticas aos duelistas mortos em duelo ou em consequência dos sinais de sincera contrição.

Injuria. – Imprecação

            36. - O quinto mandamento proíbe também ofender-se ao próximo com palavras injuriosas e querer-lhe mal. A injúria é sempre o primeiro passo para os ferimentos, e, não raro, para o homicídio.
            Imprecação. - É toda palavra de ódio ou ira com que se augura mal a alguém.
            Há imprecação: a) contra Deus; b) contra si mesmo. Terrível a imprecação dos Hebreus diante de Pilatos: "o sangue dele caia sobre nós e sobre os nossos filhos"; c) contra o próximo; d) contra as criaturas irracionais (animais, instrumentos do trabalho, etc.).
            A imprecação contra Deus se relaciona com a blasfêmia e é pecado por sua natureza gravíssimo. Imprecar contra si mesmo ou contra o próximo, de si é pecado grave: poderá ser venial por falta de advertência, de consentimento, etc. Augurar mal às criaturas irracionais ou ao demônio, de si, excluindo o escândalo, é pecado venial.

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