segunda-feira, 10 de junho de 2013

O Dilema Lar ou Carreira para a Mãe

Nota do blogue: Maria Rosa Mulher

Por Marian T. Horvat, Ph.D.
Traduzido por Andrea Patrícia

 
Uma mãe trabalhando com seus filhos em casa
Uma leitora, a quem vou chamar de Sra. T., recentemente teve acesso ao artigo no nosso website intitulado Mães ou Pré-escolas? sobre a necessidade da presença da mãe nos primeiros anos da vida das crianças. Ela confessou que isso a fez sentir-se “pouco à vontade” com seu plano atual. Ela está considerando estudar medicina e trabalhar ao mesmo tempo em que cria a sua família, e confessou que ela “não está completamente à vontade com esse plano” embora ela tenha grandes desejos de estudar e praticar medicina.

Sua carta continua:

“Eu acho que você está dizendo no artigo que apenas a mãe católica pode prover uma atmosfera serena e amável para o devido desenvolvimento da criança, e que sua presença é essencial para instilar um senso de segurança e confiança que permite a criança crescer e tornar-se um individuo equilibrado e saudável. Eu não estou totalmente convencida de que o que você está dizendo é verdade entretanto…

“Mulheres como Santa Margarida da Escócia ou Santa Clotilde estiveram presentes para todas as coisas para seus filhos ou é possível que nós demos uma sólida educação e os guiemos para a santidade sem de fato estarmos com eles o tempo todo? O que significa ser uma mãe católica? É simplesmente a presente corrupção da nossa cultura que fez com que precisássemos ficar em casa? Ou isso é essencial para ser uma mãe católica somente enquanto somos capazes de sê-lo? Até que idade nós devemos estar presentes? Não poderia ser o caso de haver boas pré-escolas que poderiam permitir o devido desenvolvimento de uma criança?

“Eu estou incomodada porque eu não quero apenas criar meus filhos e cuidar de assuntos domésticos. O mais importante, entretanto, é que eu não quero arriscar a salvação dessas pequenas almas que foram confiadas aos meus cuidados.

“Eu gostaria que você fizesse um comentário sobre isso e me desses quaisquer recursos que você conheça que ajudem com essas questões”.

Eu gostei da carta da Sra. T. e da consideração que ela mostra pela minha opinião. Eu também respeito sua preocupação em criar bem seus filhos. Sua carta demonstra o desejo louvável de colocar as preocupações das crianças e da família antes de seus próprios interesses.
Para essas questões o melhor que posso fazer é oferecer a ela a doutrina católica que ela solicita. Sabendo disso, ela pode resolver seu próprio caso e outros casos concretos muito mais facilmente. Se eu oferecesse um conselho baseado apenas em minha própria autoridade: “isso é certo e isso é errado”, ela poderia compreensivelmente responder: “Prove”. Então aqui está o que a Igreja Católica ensina.
O Ensino da Igreja Católica
O tradicional Catecismo Católico que eu conheço, ensinando sobre o Quarto Mandamento, sustenta que a vocação da esposa e mãe é melhor realizada no lar. Deixe-me fazer um breve resumo da doutrina que você pode encontrar lá.
Quando um homem torna-se pai ele adquire deveres paternais que incluem sustentar e proteger a família. Por outro lado, quando a mulher torna-se mãe, uma série de deveres maternais vem para ela: compartilhar a autoridade com seu marido e exercer sua própria influência no lar, prover a formação das crianças, e manter os bons costumes na família.

Desde que sua preocupação principal deve ser a de uma companheira para seu marido e a mãe dos filhos dele, seu lugar normal de trabalho é em casa. É como Deus a fez, o que melhor combina com ela e o melhor meio de alcançar o seu fim: sua própria santificação.

Essa doutrina comum foi reforçada pelos Papas quando movimentos como “emancipação feminina” apareceram no século XX.

A chama no coração do lar

Já em 1917, o Papa Bento XV avisou que a revolução estava fazendo um esforço particular para “arrebatar mulheres” do lar para o mercado de trabalho:

“Como o declínio na religião, mulheres cultas perderam seu senso de pudor junto com sua piedade. Muitas, para tomar ocupações mal-condizentes com seu sexo, passaram a imitar os homens. Outras abandonaram seus deveres de donas de casa, para os quais elas foram criadas, para se lançarem de forma imprudente na corrente da vida.” (1)

 
 Uma tendência geral de imitar o homem...

O Papa Pio XI se referiu ao movimento de liberação da mulher do lar doméstico e da criação dos filhos:

“É o rebaixamento do caráter feminino e da dignidade da maternidade, e de fato da família inteira, resultando que o marido sofre a perda de sua esposa, os filhos de sua mãe, e a casa e toda a família de uma guardiã sempre atenta. Mais do que isso, essa falsa liberdade e igualdade natural com o marido acontece em detrimento da própria mulher, pois se a mulher desce do seu trono verdadeiramente real para o qual ela foi elevada dentro das paredes da casa por meio do Evangelho, ela logo será reduzida ao estado antigo da escravidão (se não na aparência, certamente, na realidade) e tornar-se-á como entre os pagãos um mero instrumento do homem”. (2).

Pio XI também apontou oportunamente que o melhor meio de destruir a vida familiar católica “é tirar a mulher da família e do cuidado com os filhos” e “em vez disso colocá-la na vida pública e na produção coletiva sob as mesmas condições do homem.” (3) 
Para onde isso leva? À sociedade coletivista materialista e a degradação final da mulher.

O Papa Pio XII também discursou sobre o que ele chamou “as tentações dos nossos dias” que faz as mulheres serem seduzidas por uma falsa independência ”longe do coração da família e da “tarefa designada a ela pelo bem da sociedade, pela natureza e pelo casamento.”
  
Crianças brincando sob a serena supervisão e cuidado da mãe.

Ele insiste que tirar a mãe da família é colocar para fora a chama do coração do lar:

A atmosfera dos lares esfria, o círculo familiar praticamente cessa de existir... e o centro da vida diária será encontrado em outro lugar para seu marido, para a própria esposa e para as crianças”. (4)

Por essa razão o Papa compara a esposa ao “sol da família” que irradia luz e calor pelo seu “espírito de generosidade e sacrifício, por sua constante prontidão, vigilância, delicadeza e tato em tudo o que toca à felicidade do marido e das crianças”.
Ele estava bastante ciente de que algumas mulheres – então e agora – iriam protestar contra essa vida de sacrifício. Ele respondeu sabiamente: “Vocês realmente acreditam que há qualquer verdadeira felicidade concreta aqui em baixo que não passe por sacrifício e negação de si próprio?”. Para a esposa e mãe são esses sacrifícios diários pelo marido e pelos filhos – “numa tarefa dada pela sua natureza”- que irá garantir que a vida de todos se desenvolva e floresça, e que ela conquiste a sua santificação. (5)
Eu acho que esses trechos dão uma boa ideia da grande e gloriosa vocação que é ser uma mãe católica, e o quanto isso deve ser levado a sério.
Crianças precisam do cuidado da Mãe
Eu concordo com a observação da Sra. T. de que nossa corrupção e cultura de hoje aumenta a necessidade da mãe supervisionar a formação da criança com particular atenção. Mas a Igreja não define o papel da esposa e mãe em termos de épocas em particular: Ela entende que deve ser uma vocação atemporal, imutável.
Todo mundo sabe que em 1941 os costumes eram muito menos corruptos, especialmente nos países que ainda eram católicos. Todavia, Pio XII estava avisando as mulheres sobre seu papel crucial e insubstituível na formação de seus filhos, e enfatizando a grande obrigação da mãe de não negligenciar isso ou fazer isso com indiferença. Hoje esses princípios se aplicariam com muito mais razão.
In his allocution to mothers, Pope Pius XII emphasized the importance of the early formation, a three-fold training of mind, character and heart. (6) The mother’s vigilant eye over the physical and moral safety of her children would find poor replacement, in my view, by a busy paid employee at a daycare center.
Em sua alocução às mães, o Papa Pio XII enfatizou a importância da formação que começa cedo, um tríplice treinamento da mente, caráter e coração. (6) O olho vigilante da mãe sobre a segurança física e moral da criança encontraria um pobre substituto, a meu ver, em uma empregada paga e ocupada de uma creche.  
A orientação da mãe é mais crucial quando o filho entra na adolescência; acima, uma aula de costura
Mas essa necessidade por segurança realmente aumenta ao passo em que a criança cresce e entra na adolescência. O Pontífice afirma:
“Então a mãe católica precisa preparar seus filhos e filhas para que eles possam andar sem passos em falso, como quem anda entre serpentes, naquela fase de crise e mudanças físicas, e passar por isso sem perder nada da alegria da inocência, preservando intacto o instinto natural de modéstia com o qual a Providência os cingiu como um freio contra a Paixão rebelde” (7). Ele também especifica a particular importância da mãe na formação das filhas:
“Ela prepara suas filhas para saber e compreender a vocação de esposa e mãe. Ao lado de sua própria mãe ela aprendeu seu ofício, seus cuidados e deveres de casa, e partilhou o cuidado com as irmãs e os irmãos mais novos, desenvolvendo suas capacidades e dons, e treinando a si mesma na arte de governar o coração da família”. (8)
Essa formação preciosa – e rara hoje em dia – é feita pelo exemplo de uma mãe boa, virtuosa, no lar.
Aplicando os ensinamentos
Os textos citados acima sobre o papel da esposa no lar são tão claros que não precisam de explicação. Os Papas são muito rigorosos em dizer que a mãe deve permanecer em casa. Eles também consideraram que é má a tendência moderna de “emancipar a mãe”. Então, uma pessoa procurando orientação precisa apenas aplicar esses ensinamentos.
Nós estamos todos avisados sobre as aulas de educação sexual e pró-homossexualidade infligidas à juventude, mesmo em escolas primárias. São os pais – não as escolas, religiosas ou quaisquer outras – que tem a obrigação de proteger seus adolescentes tanto quanto possível, no período mais crucial de suas vidas, da vulgaridade e imoralidade do mundo moderno atual.
Em relação ao segundo texto lidando com a formação das crianças, eu acho que é mais justo dizer que os ensinamentos que eram oportunos em 1941 o são até hoje, uns 60 anos depois, quando o ataque contra a pureza e a inocência tem aumentado imensuravelmente. É raro hoje encontrar uma escola onde o catecismo seja ensinado em sua integridade e completude.

Aqui também, para o bem de seus filhos, fique em casa, ao menos até que eles estejam formados, isto é, durante sua adolescência.
E as Rainhas?
A Sra. T. também pergunta se as rainhas santas Clotilde e Margarete devotaram todo o tempo que tinham ao cuidado de seus filhos.  
Santa Margarida da Escócia: Rainha de uma nação
  
As vocações excepcionais dessas mulheres que se tornaram rainhas não nega o papel que elas tiveram em suas famílias. O que aconteceu é que a Providência Divina pediu a cada uma delas que fosse não somente mãe de seus filhos, mas também mãe de uma nação inteira. Por essa razão, como a mãe de muitos filhos tem que dividir o seu tempo entre suas crianças, então também as Rainhas dividiram sua atenção com suas nações e famílias. Seus casos não erradicam a regra acima mencionada, mas sim representam o ápice da regra. Tais Rainhas não estavam exercendo diferentes profissões em outro lugar, elas estavam sendo mães em toda parte.

Mesmo em face de tantas solicitações e responsabilidades elas nunca negaram ou negligenciaram seus deveres como esposas e mães. Uma leitura sobre suas vidas mostra que elas fizeram uma cuidadosa supervisão sobre a educação católica e a formação de seus filhos, que elas consideravam como sendo o dever principal da vida.

A carreira médica consumidora de tempo

Finalmente, uma palavra deve ser dita sobre as considerações práticas de ser esposa e mãe, e ao mesmo tempo seguir a programação fatigante e o estudo requerido pela faculdade de Medicina. Este estudo seria um grande esforço: um trabalho desgastante, mais do que qualquer trabalho em tempo integral.

Uma ex-aluna minha que se casou com um homem que estudava para ser médico me contou o quanto era difícil para o seu marido, que estava fazendo a residência médica, encontrar tempo para ficar com seus dois filhos. Ela poderia estar buscando uma carreira similar ao mesmo tempo, e ainda fazer jus ao seu papel de esposa e mãe? O “não” dela foi categórico.

Eu acho que há alguma confusão hoje em dia sobre o que é uma mulher “forte”. Talvez a Sra. T. esteja confundindo a verdadeira mulher forte das Escrituras com o tipo de “super-mulher” que muitas mulheres modernas de hoje aspiram a ser.

Se esse é o caso, é bom refletir na imagem que a Sagrada Escritura pinta da mulher forte (Prov. 31,10-12). Ela não é a mulher de carreira. Não, ela é o mais precioso dos tesouros de sua casa; ela é a vida e a luz, derramando raios brilhantes em torno dela, multiplicada por incontáveis reflexões. Ela é a alma do lar, permeando tudo e deixando em toda parte traços de sua bondade e influência. Ela é a ajudante e seu esposo, deixando-o bem todos os dias de sua vida. O preço dela está muito além do valor das pérolas.

As palavras das Escrituras são atemporais e de valor inestimável, assim como a verdadeira mulher forte.

Notas:

1. Carta Natalis trecentesimi de 27 de dezembro de 1917 ao Superior Geral da União Romana das Ursulinas, em The Woman in the Modern World, ed. pelos Monges de Solesmes, Daughters of St. Paul, 1959, p. 27
2. 
Enciclica Casti Connubii de 31 de dezembro de 1930
3. 
Enciclica Divini Redemptoris de 19 de março de 1937
4. 
Alocução aos recém-casados de 25 defevereiro de 1943, em The Woman in the Modern World, p. 79-81.
5. Alocução aos recém-casados de 11 de março de 1942, in ibid., p. 83-86
6. Alocução as mães de 26 de outubro de 1943, in ibid., p. 79-83.
7. Ibid.
8. 
Alocução as garotas da Ação Católica de 24 de abril de 1943, in ibid., p. 106-110.

Original aqui.
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