sexta-feira, 7 de junho de 2013

Fonte: Capela Nossa Senhora das Alegrias

Apologética Católica com o Padre Júlio Maria de Lombaerde, + 1944
(Retirado do Livro "Luz nas Trevas - Respostas irrefutáveis as objeções protestantes".)


CAPÍTULO V
A CONTRADIÇÃO DOS PROTESTANTES PROTESTANDO

Como provei nos capítulos precedentes, um protestante é um homem que protesta. Ora, pelo próprio princípio de sua crença, este homem não tem o direito de protestar; pelo seu protesto ele condena a si próprio. Parece um paradoxo, uma contradição nos termos e no fato. Assim é a realidade; porém o protestante, sendo sempre um ignorante em matéria religiosa, não nota a contradição flagrante entre os princípios básicos de sua crença e os protestos com que destrói estes princípios.

Escutem bem isso, caros protestantes. Em que consiste o princípio fundamental do vosso protestantismo? Talvez nunca pensaram nisso seriamente. Pois bem, ei-lo: O protestantismo consiste em admitir só as verdades contidas na bíblia.

I. Só a bíblia

A bíblia, só a bíblia... é o grito dos filhos de Lutero.

Onde encontraram eles na bíblia, esta passagem: “só a bíblia”? até hoje eu não a encontrei, nem a encontrarei jamais, porque lá não figura.

É já uma contradição! A bíblia diz claramente que Jesus Cristo fundou sua Igreja sobre Pedro (Mt. 16,18), diz que estaria com ele até ao fim do mundo (Mt. 28,13-20), que lhe dava as chaves do reino do céu (Mt. 16,19) que esta Igreja seria coluna e fundamento da verdade (1 Tm. 3,15), que é preciso escutar esta Igreja sob pena de ser tratado como um pagão (Mt. 18,17). Diz ainda: Cristo mandou os apóstolos pregarem o evangelho, e nem fala da bíblia, nem de espalhar bíblias (Mc. 16,20).

Eis o que encontro na bíblia, mas em parte nenhuma se me depara esta regra de Fé: “só a bíblia”.

Encontro sim, esta passagem: Examinai as escrituras (Jo. 5,39), a qual Cristo cita contra seus adversários para provar a divindade de sua missão, - porém isso nem é um conselho, mas sim uma prova de ser ele o Messias predito e anunciado.

Jesus Cristo anunciou de viva voz, não escreveu uma só linha.

A Igreja, depois de fundada, propagou-se em toda parte, e não havia ainda um único livro do novo testamento...

Só a bíblia, dizem os protestantes, tudo deve apoiar-se sobre a bíblia!

Mas por que então Cristo não deu esta bíblia? Por que ele não disse aos apóstolos: Sentai-vos e escrevei, ou viajai e distribuí bíblias; em vez de: Ide e pregai - quem vos ouve, ouve a mim (Lc. 10,16).

E os apóstolos foram fiéis à sua missão; poucos escreveram, e escreveram pouco; mas todos pregaram, e muito.

Eis como cai no chão o primeiro princípio protestante, só a bíblia. Isso é invenção de Lutero; e não figura na Bíblia.

II. O livre exame

O segundo princípio fundamental do protestantismo é o livre exame. Isto quer dizer que cada um tendo uma bíblia, não precisa de explicação de ninguém, ele mesmo pode e deve interpretar a bíblia à sua vontade, e tirar dela os artigos de fé, que bem lhe apareça.

Aqui a contradição é fenomenal... e chega às raias do absurdo.

Escutem. Cada um deve interpretar a bíblia... isso é essencial, porque cada um é inspirado pelo Divino. Mas se basta a bíblia que cada um deve compreender – abaixo oradores, pastores, predicantes, cuja função é explicar a bíblia.

Se, para chegar ao céu, basta a bíblia, por que tais pastores vão meter o bedelho nas frases que cada um deve decifrar? Por que as casas de culto... desde que há uma bíblia em casa?

Se eu fosse protestante, não quereria casa de culto, nem suportaria pastores. Munido da minha cara bíblia, fechava-me no quarto, e pôr-me-ia a ler os passos que mais me agradassem. Isso, sim, seria seguir os conselhos do papai Lutero, que disse: “todo cristão é para si mesmo a Igreja nas coisas relativas a fé”.

Como é, meus caros pastores protestantes, que vós teimais em pregar, ensinar, catequizar, contra a vontade expressa do vosso fundador e pai? O que vos compete é distribuir bíblias... só bíblias.

E devem ser bíblias sem a mínima explicação, nem verbal, nem escrita, senão perturbais a inspiração pessoal divina.

De duas uma: ou a bíblia é suficiente ou não o é. Se o é: então abaixo os pastores, com seus comentários e explicações! Se não o é: - Então cai o grande princípio protestante da interpretação individual.

III. Vosso e nosso direito

Uma contradição mais flagrante ainda se apresenta: se cada qual é inspirado pelo Espírito Santo, como é que o protestantismo está dividido em centenas, até milhares de seitas, que professam doutrinas contrárias, e fazem-se guerra mutuamente?

O Espírito Santo está em contradição consigo mesmo? Ou o Espírito Santo é um ignorante... ou os pastores protestantes o são... ou Deus mente, ou os pastores mentem. Resolvam, caros protestantes.

Agora temos uma conclusão muito importante. Vós dizeis que cada um pode individualmente interpretar a bíblia; nós também temo-la, com a vantagem de que a nossa é completa e a vossa truncada, faltando-lhe livros inteiros.

Vós interpretais a vossa bíblia, dizendo que é o vosso direito. Nós interpretamos a nossa; é também nosso direito. Vós escutais os vossos pastores e as explicações verbais e escritas que eles dão da bíblia.

Nós escutamos os nossos sacerdotes, os nossos bispos, o papa de Roma, que explicam também a bíblia: creio ser o nosso direito.

Não podeis negar, pois os nossos padres, bispos, teólogos e papa, bem valem, pela virtude e pela ciência, pela experiência e pela sinceridade, os vossos pastores, que provam ser hipócritas, exploradores, tratantes; são pastores só para melhorar e cavar a vida e arrancar dinheiro das pobres vítimas que se deixam iludir por eles. Mas então dizei-me, por que o vosso fanatismo, a vossa propaganda, vossas calúnias contra a Igreja católica?... Por que, ó protestantes?...

Nós interpretamos a bíblia. É o nosso direito, nossa interpretação não concorda com a vossa, como a vossa não concorda com o protestante vizinho...

Que tendes vós com isso? Cada um interpreta como entender! É o livre exame. Vós seguis os vossos pastores boçais, interessados.

Nós seguimos a nossa Igreja católica, infalível, construída sobre o rochedo de São Pedro. Creio que temos este direito.

Então, por que protestais, ó protestantes? Por quê? Protestando contra a interpretação dos outros, fazeis ruir o fundamento do vosso protestantismo, que consiste na liberdade de interpretar a bíblia.

Tudo isso é contradição... sois divididos contra vós mesmos... A verdade é uma e indivisível. – Estais, pois, no erro, e o vosso protestantismo não passa de uma mania ignorante ou perversa.

A palavra do Mestre é clara: Todo reino dividido contra si mesmo será devastado; e toda cidade, ou casa, dividida contra si mesma não subsistirá (Mt. 12,25).

Pobres protestantes, deponde os preconceitos e refleti um instante. A verdade vos condena pelos vossos próprios lábios:Condemnabit te os tuum et non ego (Job 15,6).

Protestais, e não tendes o direito de protestar; soisprotestantes, e não o podeis ser; o vosso próprio protestantismo vos condena.

Como é isso, então? Só Satanás é capaz de ver bem claro num tal tinteiro! Contradição!! Só contradições!!
Ora, Deus não pode estar com a contradição, que é mentira. O que prova que Deus não está convosco, meus caros e infelizes protestantes.
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