sexta-feira, 14 de junho de 2013

ATO DE DESAGRADO



Prostrado diante de Vós, divino Jesus, na presença de quanto há mais augusto no Céu e na terra, à vista dos anjos que Vos adoram, dos Santos que Vos louvam, bendizem e servem; abismado no meu nada perante a Vossa augusta Majestade, venho hoje desagravar-Vos, do modo que é possível, de todos os insultos, ultrajes e desacatos, que sofreis todos os dias no augustíssimo Sacramento do Vosso Corpo e Sangue, maiormente dos que ultimamente sofrestes (nomeie o lugar em que se cometeu desacato). Ferido de uma viva dor por tantas ofensas e injúrias que se cometem contra esse misericordioso mistério de amor, venho, Senhor, em meu nome e em nome de todos os culpados, com um coração contrito e profundamente humilhado, fazer confissão pública de tantos crimes e iniquidade, que a malícia e ingratidão dos homens contra Vós não cessa de cometer; proponho firmemente, Senhor, quanto em mim for, reparai todas as injúrias de que somos réus os desgraçados filhos de Adão.

Oh! quem me dera que a minha contrição e a dor que sinto fossem tão grandes como o mar! Oh! porque se não convertem em rios de lágrimas os meus olhos pecadores para chorarem noite e dia as ofensas e desamor dos Vossos filhos, e de mim em particular, talvez de todos o mais culpado! Ah! mesquinho de mim, que não tenho o zelo dos Apóstolos, o valor dos Mártires, a pureza das Virgens, e o inflamado amor dos Querubins, para reparar todos os desacatos que tendes recebido!

Oh! quem me dera poder regar com as minhas lágrimas, e lavar com o meu sangue todos os lugares santos em que o Vosso santíssimo Corpo foi desacatado!

Perdoai, amantíssimo Jesus, todas as impiedades, irreverências, sacrilégios, que contra Vós se têm cometido no adorável Sacramento dos nossos altares, desde que, pelo grandíssimo excesso do Vosso amor, Vos dignastes instituí-lo para memória da Vossa paixão e santificação das nossas almas.

Perdoai, Senhor, a nossa tibieza, a nossa insensibilidade e as nossas dissipações, na presença da Vossa augusta Majestade. Perdoai, amabilíssimo Jesus, o pouco respeito, e talvez a ostentação e hipocrisia com que venho ao Vosso divino banquete; a pouca disposição, a nenhuma preparação com que comi o pão dos anjos, o maná dos escolhidos, e o alimento dos fortes. A Sua força foi para mim fraqueza, e em vez de receber o penhor da vida eterna, comi a condenação e a morte!... Confundido no meu nada, horrorizado de meus tão feios crimes, quisera esconder-me de Vós, como o primeiro culpado; porém onde irei que me não vejais? Ouço, Senhor, a Vossa voz, que desse novo propiciatório me chama; voz mais suave que a que disse a Adão: «Onde estás?» voz de pai compassivo, que abre os braços ao filho ingrato que julgava perdido, e que me diz: «Filho, dá-me o teu coração.» Ah! Senhor e pai meu, aqui o tendes, manchado pela culpa, desfigurado pela ingratidão, mas contrito e humilhado; abrandai-o, Senhor, como a fresca cera, acendei-o no fogo da caridade, e fazei que sempre arda como o de Agostinho. Sois a fonte da graça e da misericórdia, dai-me o dom de penitência, a abundância das que destes a David, para que eu possa fazer-Vos uma reparação solene, sincera, cabal e digna da Vossa Majestade agravada. Tornai eficaz pela Vossa graça o desejo ardente que tenho, a firme resolução em que estou de Vos amar constantemente e de Vos adorar sem interrupção, nesse eucarístico sacramento do Vosso amor.

Protesto, Senhor, que não faltarei jamais ao respeito que por tantos motivos Vos é devido; prometo fazer todos os esforços para procurar a Vossa maior glória por todos os meios que estiverem ao meu alcance, e em todos os lugares em que isto me seja possível. Zelo ativo e incansável, conselhos saudáveis, exemplos persuasivos, tudo empregarei para fazer amar, acatar e adorar o Deus de bondade e de misericórdia, que repousa nos nossos altares.

Oh Deus, todo amor, todo caridade! derretei o gelo dos nossos corações, que se Vos amarem não serão capazes de Vos ofender; abrasai-os com o fogo sagrado do Vosso amor, fazei deles um holocausto digno de Vós. Sois pontífice da caridade, reinai em nós. Não se afastem nunca de Vós os nossos corações, sejam todas as nossas afeições reguladas pelas Vossas; sejam os nossos desejos, pensamento e ações, conformes aos Vossos.

Fazei, meu bom Jesus, que não vivamos, nem respiremos, nem morramos, senão em Vós e por Vós; sois nosso Deus, nosso pastor, pai nosso; sede nossa alegria, nossa recompensa e nossa bem-aventurança, no tempo e na eternidade. Amém.
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