domingo, 30 de junho de 2013

CONFIRMAÇÃO

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.

A Igreja e seus mandamentos
por
Monsenhor Henrique Magalhães
Editora Vozes, 1946

CONFIRMAÇÃO
10 de Junho de 1940

O nosso estudo de hoje versa sobre o Sacramento da Confirmação, ou Crisma — é a introdução. Teremos mais duas palestras sobre o assunto. Antes, porém, façamos uma breve recordação da matéria, num punhado de palavras. Na Confirmação observa-se o seguinte: — O Bispo estende as mãos sobre os confirmandos e invoca sobre eles o Espírito Santo; em seguida, unge-lhes a fronte com o óleo do crisma, orando ao mesmo tempo e impondo-lhes as mãos; deste modo recebe o cristão os dons do Espírito Santo e, em particular, a firmeza na fé.

O dia da confirmação é para nós o que foi para os apóstolos o dia do Pentecostes.

A Confirmação é complemento do Batismo. O batizado tornou-se filho de Deus; o confirmado torna-se soldado de Cristo.

O óleo do crisma é uma mistura de azeite de oliveira e bálsamo e simboliza o efeito da graça. Durante a unção o Bispo diz a forma: “Eu te assinalo com o sinal da cruz e te confirmo com o crisma da salvação. Em nome do Padre e do Filho e do Espírito Santo. Amém.” — E dizendo: a paz seja contigo — bate de leve no rosto do crismado, para lembrar as perseguições que lhe podem advir por motivo da sua fé.

O crisma, como disse, é uma mistura de óleo de oliveira e bálsamo. — O óleo ilumina. O Espírito Santo clareia a inteligência, facilitando-lhe o conhecimento da sabedoria, cuja base principal é o temor de Deus. Os lutadores antigos untavam o corpo com óleo e assim não eram subjugados pelo adversário. — Ungidos com o crisma, nossa alma com mais presteza se libertará dos seus inimigos, que obedecem ao poder das trevas. — O bálsamo, pelo seu perfume, simboliza o odor das virtudes e o remédio contra a corrupção que vem pelo pecado.

Passemos agora a estudar a instituição do Sacramento da Crisma. Jesus Cristo prometeu o Espírito Santo aos Seus apóstolos e cumpriu Sua promessa no dia de Pentecostes, quando, reunidos no Cenáculo, em companhia de Maria Santíssima, eles tiveram a comunicação do Espírito celeste da Caridade, sob a cabeça de cada um dos circunstantes. — O Espírito Santo comunicou aos primeiros missionários do Evangelho coragem até o heroísmo; ciência e eloquência de arrebatar, dominar e converter; zelo ardente, num amor que nada faria arrefecer. Era conveniente, porém, que o Espírito Santo fosse comunicado a todos os fiéis, com um rito visível e perpétuo. Assim fizeram os apóstolos, como consta dos Atos, em vários lugares, especialmente no capítulo 8.º — “Muitos samaritanos, homens e mulheres, foram convertidos por Filipe. E os apóstolos Pedro e João vieram de Jerusalém e impuseram as mãos sobre eles, comunicando-lhes o Espírito Santo” (At 8, 4-17, narrativa resumida).

Paulo, encontrando alguns discípulos de João Batista em Éfeso, batizou-os e, impondo as mãos sobre eles, veio-lhes o Espírito Santo (At 19, 6).

É fora de dúvida que os apóstolos, ordinariamente, depois de batizarem os convertidos, impunham sobre eles as mãos, invocando a descida do Espírito Santo (At 19; Ef 1, 13; Heb 6, 2; 2 Cor 1, 21 22).

Veremos amanhã o uso da Igreja, nos seus primeiros séculos de existência.
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