quarta-feira, 21 de agosto de 2013

TRATADO DO DESÂNIMO - Parte VII

Nota do blogue: Acompanhar esse especial AQUI.

TRATADO DO DESÂNIMO NAS VIAS DA PIEDADE
Obra póstuma do Padre J. Michel - 1952


DEUS NUNCA ESTA MAIS PERTO DE NÓS, PARA NOS SUSTENTAR NO COMBATE, DO QUE QUANDO O ACREDITA­MOS MAIS DISTANTE. ELE SÓ PARECE OCULTAR-SE PARA QUE O PROCURE­MOS E INVOQUEMOS.

Às vezes Jesus Cristo não se faz esperar muito tempo: experimentamos sensivel­mente o seu socorro mal O invocamos. Apenas Pedro Lhe diz: “Senhor, vou pere­cer, salvai-me”, Jesus Cristo estende-lhe a mão e o salva. Às vezes esse divino Sal­vador age de maneira mais oculta. Tes­temunha dos combates de uma alma cris­tã sem se deixar perceber, Ele nunca está mais perto dela, mais disposto a socor­rê-la, quando ela O invoca, do que quan­do o perigo é maior e mais premente. Pelo fato de não experimentar uma força sensível, essa alma desanimada julga o seu Salvador bem distante; e Ele está no coração dela para sustentá-la. Ela acredi­ta-o como que adormecido sobre as suas necessidades; e é Ele quem vela pela con­servação dela, moderando as ondas das paixões que a põem em perigo: diz-lhes:


 “Ireis até aqui, e não passareis destes li­mites” (Job, 38, 11).

Jesus Cristo, que nos instruiu por Suas ações tanto como pelas Suas lições, dá-nos sobre este assunto uma instrução tão sen­sível quanto consoladora. Ele está na bar­ca de Pedro, batida por uma furiosa tem­pestade que a ameaça de pronto naufrá­gio. Parece adormecido e não tomar parte alguma na triste situação dessa barca; mas nem por isso dirige menos a mano­bra dos discípulos para os impedir de se perderem. O perigo e o trabalho duraram enquanto eles não pensaram em recorrer ao seu divino Mestre com essa confiança que alcança milagres. Mal o despertam pelos seus rogos, Jesus se levanta (Mt 8, 25), manda aos ventos e às ondas; e a tranquilidade é imediatamente restabelecida.

O que se passou então, quantas vezes a alma fiel não o experimenta? Em certos tempos, a braços com mil tentações, que Deus permite para a manterem na humil­dade e na vigilância, ela se vê incessante­mente à beira de um precipício que lhe faz horror. Parece-lhe estar sem força e a pique de sucumbir. Porém, mau grado os esforços do inimigo, ela conserva a sua boa vontade, embora a todo instante re­ceie perdê-la: resiste; continua a cum­prir os seus deveres.

Nessa situação tão penosa, que força a sustenta? Ela não terá a presunção de pen­sar que resistiu por suas próprias forças, pelas suas resoluções, que eram tão vaci­lantes. Deve compreender que só uma for­ça divina terá podido impedi-la de nau­fragar. Jesus Cristo agia secretamente no coração dela: esse socorro não lhe era sen­sível, a ela, mas nem por isto era menos real: o braço que a amparava não se dei­xava perceber; mas nem por isto era me­nos forte. Sem saber como, ela resistiu, saiu vitoriosa do combate pela graça de Jesus Cristo, que nunca a abandonou, e que finalmente restabeleceu nela a paz perturbada pela tentação. É nessas oca­siões que uma alma deve esperar com toda esperança (Rom 4, 18); e será sem­pre sustentada.
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