domingo, 25 de agosto de 2013

A Mãe segundo a vontade de Deus - Cuidados espirituais (A grande obra da mãe)

 * Confesso que a realidade atual é bem mais complexa. Deixar os filhos em creches é complicadíssimo, sejam elas do governo ou particulares. A proposta pedagógica é completamente nociva aos pequenos, a educação mesclada (meninos e meninas) sem nenhum respaldo de moral é um talho na alma dos pequenos, sem reparo. Não sei qual seria a solução, sinceramente, não sei. Que os pais tivessem total liberdade para educarem seus filhos sem terem que prestar contas ao Estado, ou que tivessem que prestar conta apenas de matérias exatas sem terem que seguir nenhum cronograma de ensino desse Estado ateu... que surgissem mais escolas como a do Mosteiro, orientado por Irmãs tradicionais... ou mesmo creches que seguem a linha desse Mosteiro em casos de EXTREMA necessidade da mãe ter que trabalhar fora... tudo muito difícil! Que Nossa Senhora e São João Bosco nos guie e cuide de nossas crianças.

Indigna escrava do Crucificado e da SS. Virgem,
Letícia de Paula

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.

A Mãe segundo a vontade de Deus ou Deveres da Mãe Cristã para com os seus filhos, 
do célebre Padre J. Berthier, M.S
Edição de 1927


IV- A grande obra da mãe

Uma mulher da Ionia, mostrando um dia, com orgulho, os ricos tecidos que tinha bordado, viu que uma lacedemónia lhe mostrava seus quatro filhos todos bem educados, dizendo-lhe:— «Eis no que uma mulher sensata se ocupa; é aqui que ela põe toda a sua glória.» Haverá, por ventura, arte mais nobre que a da educação, diz S. Crisóstomo? Os pintores e os escultores apenas fazem estátuas inanimadas; mas o que educa bem uma criança, produz uma obra prima, que encantará os olhos de Deus e os dos homens.

A mulher, que assim o compreende, não consen­tirá em se desencarregar sobre outros, do cuidado de educar os seus filhos. A primeira educação deve ser efetivamente obra sua; ninguém pode substituir uma mãe, tratando-se de um filho de tenra idade. «Aos lábios duma mãe, que cobrem de carícias estas fontes tão puras, é que compete ensinar as primeiras lições de piedade, diz Mgr. Dupanloup; à mãe é que compete despertar no filho os primeiros clarões da inteligência, e o primeiro amor do bem, colocar nos seus lábios as primeiras palavras da fé e da virtude, e ensiná-los a olhar pela primeira vez para o Céu. É à mãe, numa palavra, que com­pete dotar o seu filho de uma alma cristã, como já o tinha dotado de um corpo humano».


*A própria mulher pobre, que é obrigada a deixar a família, para ir ganhar o pão cotidiano com um penoso trabalho, não se poderia desculpar, se dei­xasse de se ocupar dos seus filhinhos. Se habita nas cidades, conduza-os às creches, aos recolhimentos próprios, mas nunca os perca de vista! Quando os vir reunidos em volta do lar doméstico, trate de lhes incutir o amor e o respeito pelas coisas do Senhor, e reprima os seus defeitos nascentes. Se não houver meio de confiar a estabelecimentos caridosos o cui­dado de guardar seus filhos, por não os haver no local em que habita, mais adiante lhe diremos o que deva fazer; mas nada a pode dispensar de tomar cuidado na educação de seus filhos.

«Quanto aos ricos, que não têem outros deveres a cumprir, senão o que se chama deveres do mundo, a esses — escreve Mgr. Dupanloup — não hesito eu em dizer-lhes que devem primeiro que tudo consa­grar-se, sacrificar-se, se tanto for necessário, ao cumprimento desses imperiosos deveres da sua mis­são paterna e materna ... Este pai, esta mãe são talvez muito novos ainda; têem vinte ou vinte cinco anos: não importa; são ricos, brilhantes, procurados, o mundo requesta-os: não importa também. Já não são livres para responder à voz do mundo, ou pelo menos não podem dar-lhe o tempo e os cuidados que reclamam os seus filhos... Mas se o mundo e a dis­sipação os levam, se este pai e esta mãe abdicam a sua santa missão... que perturbação nessas pobres almas, e que vácuo nessa casa! O mundo e o tu­multo dos divertimentos e das festas ... a multidão que os atrai, a agitação dos bailes e dos teatros substituem mal, para um pai ou uma mãe, os seus filhos ausentes».

Decorridos os primeiros anos, já no coração da criança, como numa terra virgem, têem sido lançadas as primeiras sementes da virtude pela mão de sua mãe. Importa então não a privar muito cedo da salutar influência da família. O filho do povo, que não passa na escola senão apenas al­gumas horas por dia, pode ir cedo freqüentá-las, porque sua mãe terá sempre muito tempo para se ocupar dele; mas a criança que seus pais man­dam para um colégio, para aí passar dez meses do ano, não deve ser roubado muito cedo aos carinhos de sua mãe.— «Eu sou partidário da instru­ção pública — diz Mgr. Dupanloup —, mas creio que há muito cedo perigos a evitar, e nunca apro­varei que se mandem cedo crianças para o colégio, sobretudo para o internato, privando-as da solicitude paterna e materna.» Fala aqui, sem dúvida este ilustre prelado nas crianças que podem apren­der educação sob o teto paterno; porque se aí esti­vesse exposto a ouvir zombarias contra a religião, ou contra os bons costumes, que sua mãe não pu­desse impedir, nesse caso seria necessário subtraí-lo cedo a essa contagiosa influência.

Mais tarde, quando o temperamente moral da criança estiver fortificado pela ação beneficente da familia, deverá muitas vezes deixar a pessoa a quem tudo a torna tão querida; mas por mais seguras que sejam as mãos a quem ela confiar a direção do seu filho ou da sua filha, a mãe não cessará de se ocupar deles ativamente. A melhor educação, diz Mgr. Dupanloup, será sempre pro­fundamente defeituosa, se for feita sem a legítima e necessária influência dos pais ou parentes... É preciso que os pais vejam frequentemente não só os filhos, como também os professores; é pre­ciso que dêem a estes todas as informações possí­veis, sobre o caráter, inteligência, inclinações, defeitos, enfim sobre todas as qualidades das crianças; é preciso que se informem constantemente do seu comportamento de seu bom ou mau espírito, dos seus esforços, dos seus bons ou maus sucessos, das suas faltas. É preciso que tomem, com o supe­rior duma casa, medidas eficazes para animar o bem e corrigir o mal, apoiando esta ação com toda a sua autoridade. 

É necessário saber se as crianças rezam, se são piedosas, se têem temor de Deus, se cumprem os seus deveres religiosos com unção e fervor. É necessário ir em alguns dias de festa rezar e comungar com eles. É preciso que o pai e a mãe escrevam frequentemente a seus filhos, pelo menos uma vez cada semana, para os exortar ao trabalho, à piedade e à observação das regras. Numa palavra, é preciso que as crianças sintam que os pais pensam nelas, e não são estranhos a nenhum dos grandes exercícios da sua vida religiosa e literária... Certamente que tudo isto está bem longe das vistas de duma multidão de pais, que não metem os filhos no colégio, para se não separarem deles. Pois bem: que me permitam declarar-lho aqui: a educação pública é, na minha opinião, só própria para uma certa idade; mas todo o colégio, onde se coloca um filho para os pais se verem livres dele, não pode dar obra que se veja. Toda a criança cujos pais, para se verem livre dela a colocam num colé­gio, não tardará a libertar-se ela própria dos seus pais» [1].

Quando o pai de São Francisco de Sales o mandou para o colégio, não esquecendo, diz M. Hamon, o que a religião lhe prescrevia em relação à alma de seu filho, propôs para guarda da sua inocência um preceptor virtuoso e instruido, que tinha por missão vigiar todos os seus atos, e cultivar este rico fundo do natureza e de graça. Além disso, como ele sabia que coisa alguma no mundo podia substituir os cuidados e a vigilância do pai, ele próprio ia todas as semanas à Rocha; e então examinava detalhada­mente o comportamento do filho, verificava os seus progressos e bons sentimentos, é dava-lhe salutares conselhos. Algumas vezes levava-o dias inteiros para o castelo de Sales, afim do recompensar os seus progressos no estudo, e de poder aumentar o seu ardor pela virtude, ao lado das exortações mater­nas [2].

[1] Mgr. Dupanloup.

[2] Vida de S. Francisco de Sales.
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