sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Catecismo do Padre Spirago - Parte 23

Nota do blogue: Acompanhe essa transcrição AQUI.

O Redentor (2)
A vida de Jesus

Que período distinguimos na vida de Jesus?

Distinguimos na vida de Jesus os seguintes períodos: 1) infância, 2) vida pública, 3) paixão e 4) a glorificação.

O que narra a S. Escritura sobre a infância de Jesus?

A S. Escritura narra o seguinte sobre a infância de Jesus:

1) O arcanjo S. Gabriel anunciou em Nazaré à Santíssima Virgem o nascimento de Jesus.

Eis a origem da festa da Anunciação (25 de março) e das Ave-Marias rezadas ao nascer do Sol, ao meio dia e à tarde.

2) Jesus cristo veio ao mundo num estábulo de Belém.

É este o fato que se comemora na festa do Natal. Do nascimento de Jesus em diante começa a contagem da era cristã. A vigília de Natal é dia de abstinência de carne. As quatro semanas que precedem o Natal se chamam Advento, e representam os 40 anos antes de Cristo.

O Menino Jesus foi adorado primeiro pelos pastores, depois pelos três Reis Magos.

A Festa dos Santos Reis é no dia 6 de janeiro. Chama-se também “Festa da Epifania”, palavra grega que significa aparição.

3) Quando o Menino Jesus completou 8 dias, deram-lhe, na circuncisão, o nome de Jesus.

É este o mistério que se comemora na festa da circuncisão, a 1º de janeiro, inicio do ano civil, chamado também Ano Bom. A lembrança deste mistério da infância de Jesus nos adverte que no novo só seremos felizes se subjugarmos nossas más paixões e iniciarmos tudo em nome de Jesus.

4) Aos 40 dias o Menino Jesus foi apresentado no templo de Jerusalém.

Comemora-se este fato na festa da Purificação de Nossa Senhora, a 2 de fevereiro. Em memória das palavras de Simeão, benzem-se velas antes da Missa solene e se faz procissão de velas acesas. Por isto chama-se também a festa de Nossa Senhora das Candeias ou da Candelária.

5) Os primeiros anos de sua infância passou-os Jesus no Egito, e os restantes, até os trinta, em Nazaré.

Advertida pelo anjo, a S. Família dirigiu-se ao Egito para fugir do cruel Herodes que perseguia o menino Jesus. Após a morte de Herodes, novamente avisada, voltou a S. Família para sua terra. Em Nazaré, Jesus exerceu com S. José, seu pai adotivo, o ofício de carpinteiro. Por isto perguntava o povo, vendo-o pregar na sinagoga de sua cidade natal: “Não é este o (tal) carpinteiro?”

Aos 12 anos, Jesus fez viagem ao templo de Jerusalém. Quando Cristo estava na idade de mais ou menos 28 anos, João Batista anunciou no deserto a próxima vida pública de Jesus.

O que a S. Escritura narra sobre a vida pública de Jesus?

A S. Escritura narra o seguinte sobre a vida pública de Jesus:

1) Antes de iniciar sua vida pública, Jesus fez-se batizar por S. João Batista e, em seguida, fez um jejum de 40 dias no deserto.

Em memória do jejum de Cristo a Igreja celebra entre jejuns os 40 dias da Quaresma, que vão desde a Quarta-feira de Cinzas até a Páscoa. Durante este período, os de maioridade podem comer com fartura uma vez no dia útil que for de Jejum (4º mandamento da Igreja), devem evitar os divertimentos ruidosos, como as festas, para a preparação à santa comunhão pascal (3º mandamento da Igreja).

2) Aos 30 anos Jesus deu inicio à sua vida pública.

3) Ensinou cerca de 3 anos na Judéia;

4) No decorrer de sua vida pública, Jesus reuniu 72 discípulos e 12 apóstolos.

Com o milagre operado nas bodas de Caná, Jesus iniciou seu magistério. As doutrinas de Jesus são chamadas de Evangelho, isto é, Boa Nova, porque, nela está a promessa da bem-aventurança eterna. Cristo falava de modo a todos o compreenderem facilmente; entendia-se com o povo em termos singelos e ilustrava os seus discursos com gestos, parábolas e demonstrações da vida da natureza. A idéia básica da pregação de Jesus era a seguinte: Procurai o Reino de Deus!

5) Jesus Cristo credenciou sua missão por milagres, por sua onisciência e pela santidade de sua vida.

6) Os fariseus e peritos na legislação judaica odiavam a Jesus e perseguiam-no, porque ele repreendia seus erros publicamente e porque sua doutrina não correspondia ao que eles aspiravam. Depois da ressurreição de Lázaro deliberaram matá-lo.

O que a S. Escritura narra sobre a paixão de Cristo?

A S. Escritura narra o seguinte sobre a paixão de Cristo:

1) No domingo, antes da festa da Páscoa, Jesus fez uma entrada triunfal em Jerusalém.

Daí o domingo com a benção e procissão dos ramos. A semana depois de Ramos chama-se Semana Santa, ou Semana Maior.

2) Quinta-feira Santa, à noite, Jesus comeu com os discípulos o cordeiro pascal, lavou os pés dos discípulos, instituiu o santíssimo Sacramento do Altar e foi para o Horto das Oliveiras, onde sofreu a agonia.

2.1) O cordeiro pascal fazia lembrar a libertação do cativeiro do Egito e era uma tipologia do Salvador. 2.2) A fim de imitar a humanidade de Cristo, o Papa lava na Quinta-feira Santa os pés de 12 e, desde S. Gregório Magno, a 13 padres. Bispos e muitos soberanos imitam este exemplo lavando os pés de 12 anciãos. 2.3) Na missa solene há comunhão solene por causa da instituição do Santíssimo Sacramento. 2.4) Nas catedrais consagram-se os santos óleos.

No horto das Oliveiras Jesus foi preso e injustamente condenado a morde, primeiro pelo Sinédrio e, depois, sexta-feira pela manhã, por Pilatos.

Perante o Sinédrio, Jesus professou sua divindade e por isso foi condenado. Pilatos reconheceu a inocência de Cristo e tentou soltá-lo; para tanto, apresentou ao povo dizendo: “Ecce-Homo”, confrontou-o com Barrabás. Intimidou-se, porém, ante a ameaça dos judeus de o acusarem ao Imperador.

3) Na Sexta-feira Santa, ao meio dia, Jesus foi crucificado no Gólgota, e morreu às três horas da tarde.

A subida ao Calvário acha-se representada nas 14 estações da Via-sacra. Um grande luto paira sobre a Igreja na Sexta-feira Santa; não há missa, não se toca nenhum sino, não arde a lamparina do sacrário, os altares ficam desnudos, os sacerdotes trajam paramentos pretos, prostram-se estendidos ao pé do altar e beijam descalços a santa cruz. Nas igrejas fica à veneração dos fiéis o santo sepulcro. A Sexta-feira Santa é dia de jejum com abstinência. Em muitas igrejas há o costume de se dobrarem os sinos cada sexta-feira às 3 horas da tarde, assinalando a hora em que Jesus expirou.

Deram-se, na morte de Jesus Cristo, os seguintes milagres: o Sol eclipsou-se, as rochas cindiram-se, rasgou-se o véu do templo, os mortos levantaram e apareceram.

O eclipse solar foi milagre, por ter ocorrido em época de lua cheia.

Na cruz, Cristo disse as 7 últimas palavras: 1) “Pai, perdoai-lhes!”, 2) “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”, 3) “Eis aí tua mãe!” 4) Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”, 5) “Tenho sede”6) “Está consumado!”, 7) “Pai, em vossas mãos entrego meu espírito”.

4) No Sábado de Aleluia, Jesus repousava no sepulcro.

No Sábado de Aleluia há benção da água batismal, porque antigamente batizavam-se os pagãos na Páscoa. O batismo era para eles uma ressurreição espiritual. A benção do círio pascal, com seus 5 cravos, recorda o Salvador que é a Luz do mundo.

O que a S. Escritura narra sobre a glorificação de Jesus?

A S. Escritura narra o seguinte sobre a glorificação de Jesus:

1) Logo depois da morte de Jesus, a sua alma desceu triunfante aos infernos, a fim de libertar de lá as almas dos justos.

“Infernos” não significa o inferno, mas o limbo. Lá se achavam todos os justos do Antigo Testamento. Estes suspiraram pela redenção. Cristo procedeu como o general que toma de assalto a fortaleza que sua gente jaz preza.

2) No domingo da Páscoa, de madrugada, Jesus saiu glorioso do sepulcro.

Com a sua ressurreição Cristo provou que é Deus e que também nós, um dia, ressurgiremos. Em memória da ressurreição celebramos a festa da Páscoa no primeiro domingo depois da lua cheia que segue o equinócio do outono (entre 22 de março e 25 de abril). Pelo mesmo motivo celebramos o domingo em vez do sábado. Os judeus celebram a Páscoa por causa de sua libertação do jugo egípcio. Na Páscoa devemos ressurgir espiritualmente pela confissão pascal (3º mandamento da Igreja).

Jesus Cristo ressurgido permaneceu, ainda, 40 dias sobre a Terra e apareceu muitas vezes aos apóstolos durante este tempo.

As aparições mais importantes são as duas do cenáculo (“Recebei o Espírito Santo...”), a do lago de Genesaré (“Apascenta as minhas ovelhas...”) e a de antes da Ascensão (“Ide pelo mundo inteiro...”).

3) No 40º dia depois de sua ressurreição, Jesus subiu do Horto das Oliveiras ao Céu.

Daí a festa da Ascensão, no 40º depois da Páscoa, precedida dos três dias das Rogações com as procissões.

4) No 10º dia depois de sua Ascensão, Jesus enviou o Espírito Santo sobre os Apóstolos.

Por isso festejamos o Pentecostes no 50º dia depois da Páscoa. No Pentecostes, os judeus comemoravam a legislação do Sinai. O primeiro Pentecostes do cristianismo foi um dia de batismo; assim continuou sendo. Eis porque há, até hoje, a benção da água batismal na véspera, Sábado, que também é dia de abstinência. No domingo subseqüente há a festa da Santíssima Trindade, e na quinta-feira seguinte a de Corpo de Deus. Esta última festa ilustra as palavras de Cristo: “Eis que estou convosco, todos os dias, até a consumação dos séculos”.

O que as palavras “Cristo está assentado à direita de Deus” significam?

As palavras “Cristo está assentado à direita de Deus” significam: no Céu Jesus Cristo tem, também na sua qualidade de homem, o supremo grau, a suprema glória e o supremo poder.

À direita é o lguar da honra. “Estar sentado” significa o poder régio e judicial. Aliás, o próprio Cristo dissera antes da Ascensão que possuía o poder supremo: “Todo poder me foi dado no Céu e na Terra”.
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