terça-feira, 13 de agosto de 2013

CATOLICIDADE DA IGREJA (a)

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.

A Igreja e seus mandamentos
por
Monsenhor Henrique Magalhães
Editora Vozes, 1946

CATOLICIDADE DA IGREJA (a) 
26 de Setembro de 1915

Jesus Cristo deu à Sua Igreja uma missão de­terminada, da qual se originam as notas essen­ciais que estamos focalizando, duas das quais aca­bamos de estudar: unidade e santidade. E porque estas notas só se encontram na Igreja Romana, concluímos que só ela é a verdadeira Igreja.

Passemos à terceira nota: a catolicidade — que significa universalidade. Esta palavra não se encontra nas Escrituras, pelo menos com referên­cia à Igreja. Mas aparece-nos escritos dos mais anti­gos Santos Padres, cujo testemunho foi sempre reputado de altíssimo valor.

Na epístola aos fiéis de Esmima, Santa Inácio Mártir tem esta expressão: “Ubi fuerit Christus Jesus, ibi catkolica est Ecclesia” (n.° 8). Onde esti­ver Jesus Cristo aí está a Igreja Católica. A pala­vra católica, todavia, é aplicada com sentidos mais amplos em alguns antigos escritores, conservando, porém, o elemento primordial que a consagra como nota da Igreja.

Igreja Católica — porque é manifestada a todos os gentios, diferindo do judaísmo, que era priva­tivo de um povo. São Justino serve-se dessa expres­são, em sua epístola a Trifônio, para afirmar que a Igreja encerra toda a doutrina de Cristo.[1]

Epifâneo, “Aos hereges” c. I, n.° 5, emprega-a para frisar que a Igreja se patenteia a todos os homens. Eusébio — nos capítulos 1.° e 3.° de suas “Demonstrações evangélicas” diz que a Igreja é católica porque desde sua primeira pregação se achou universalmente difundida.
Há duas espécies de catolicidade: de direito — isto é a aptidão de se difundir universalmente, em toda parte; de fato — a difusão total realizada.

E vamos à tese: “A Igreja de Jesus Cristo deve ser católica, isto é, universal”. Prova-se: No Antigo Testamento já se promete a Abraão e a outros pa­triarcas a universalidade do Reino Messiânico. Le­mos no capítulo 12 do Gênesis: “Em tua descen­dência serão abençoadas todas as gerações” (Gên 12, 18; 25, 4; 28, 14).

Há uma belíssima página bíblica que nos mos­tra a Igreja de Cristo crescendo e enchendo a terra. — Nabucodonosor teve um sonho. Numa planície imensa, a perder de vista, erguia-se colossal estátua de estrutura singular. A cabeça de ouro, o peito de prata, o ventre de bronze, as pernas de ferro e os pés de ferro e barro. De uma montanha longínqua desprende-se uma pedra que rola vertigi­nosamente pela encosta e continua a correr pela planície, e vem chocar-se com os pés da estátua, que se esfacelam, caindo todo o colosso com es­trondo horrível, reduzindo-se a um montão de es­combros. A pedra, porém, foi crescendo, dilatou-se, encheu totalmente a planície imensa. — Chamado para interpretar esse mistério que encerrava gran­diosa profecia, Daniel, bem moço ainda, inspirado por Deus, descreve a magnificência dos impérios que se iriam suceder, e a sua decadência. Descreve a luta que teriam de sustentar os escravos, os operários, os pobres para manter a própria vida, e finalmente desvenda o enigma principal: um Reino que se dilataria por toda parte, enchendo a terra. Devia fundá-lo um Rei, vindo das alturas do céu. E sobre as ruínas do velho paganismo cresceria o Reino, dilatando-se universalmente (Dan 2, 27 segs).

Em o Novo Testamento fala Jesus da semente da mostarda, grão minúsculo que, caindo em terra, germina e se faz arbusto vigoroso que deita ramos capazes de abrigar as aves do céu que neles ve­nham pousar.

E, segundo lemos nos Atos dos Apóstolos, disse o Mestre aos Seus discípulos, antes da Ascensão: “Dareis testemunho de mim até aos confins do mundo” (At 1, 8). E a célebre palavra de ordem: “Ide por todo o universo, pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).

Os apóstolos cumpriram sua missão e, selados seus lábios pela morte, continuaram os sucesso­res — o Papa, os Bispos, os Sacerdotes, os missio­nários — firmando-se mais e mais a convicção de que, realmente, a Igreja fundada pelo Cristo é católica, isto é, universal.

Nota:
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[1] Apud Tanquered, "De Catholicitate Eccl." - nº 133 - Quarta edição.
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