terça-feira, 13 de agosto de 2013

APOSTOLICIDADE DA IGREJA (b)

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.

A Igreja e seus mandamentos
por
Monsenhor Henrique Magalhães
Editora Vozes, 1946


APOSTOLICIDADE DA IGREJA (b) 
2 de Outubro de 1945

Continuando a estudar a nota “apostólica”, po­demos formular a seguinte tese: “A Igreja Romana, e só ela, é apostólica pela apostolicidade da sua missão.”

Mais uma vez lembro que esta expressão Igre­ja Romana designa a Igreja Católica, a nossa Igreja.

A Igreja Romana é apostólica. Prova-se: Ela foi fundada por Jesus Cristo sobre a pedra angu­lar, Céfas, Simão Pedro, o pescador do lago de Genesaré, transformado pelo Mestre em “pescador de homens”. Simão foi feito chefe da fundação e do colégio apostólico, constituído de onze mem­bros. Foram, pois, doze colunas do templo vivo do Senhor. Em torno desses apóstolos girou todo o movimento da igreja nascente e sob sua direção se desenvolveram as primitivas cristandades. A seiva que alimentou essa divina planta foi o san­gue do Redentor. Secundaram-no os fiéis discí­pulos, acrescentando ao sangue do Mestre o pró­prio sangue!

Nos primeiros albores do Cristianismo, dá-se a conversão daquele célebre fariseu perseguidor da Igreja — Saulo. No caminho de Damasco, Jesus toca e transforma o coração do inimigo que, dócil, já se submete aos imperativos da graça e, anos mais tarde, é Paulo, o apóstolo e evange­lizador dos gentios (At 9, 1 e segs). Roma guarda, com o mais ardente zelo, os corpos de São Pedro e São Paulo — os dois baluartes da obra do Cristo Salvador.

Ao primeiro Chefe da Igreja e aos primeiros Bispos, sucederam ininterruptamente os Papas e os Bispos que têm governado a Igreja espalhada por todas as regiões da terra. Esta afirmação se baseia em documentos históricos irrefutáveis. Já vos apresentei provas interessantes deste fato quando estudamos o Primado do Romano Pontífice[1].

Vejamos mais alguma coisa, para consolidar a vossa fé. — Tertuliano, em o número 36 das “Prescrições”, diz: “Se estás vizinho da Itália, ali está Roma, onde temos sempre à mão uma auto­ridade. Ditosa Igreja, na qual os apóstolos, com o seu sangue, derramaram e difundiram a ver­dadeira doutrina”.

Em o número 32, trata do mesmo assunto, afir­mando que a sucessão dos Papas não foi jamais interrompida, desde São Pedro até aos dias em que ele falava aos seus ouvintes.

Santo Agostinho, escrevendo contra os maniqueus, capítulo 4.°, número 5, diz: “Mantém-se na Igreja, até ao presente, a sucessão do Episcopado e do Sacerdócio, ligada à cátedra de Pedro, a quem o Senhor recomendou o pastoreio de suas ovelhas”.

Nós temos no Liber Pontificalis, um cuida­doso catálogo em que estão enumerados os no­mes de todos os Papas que tem ocupado a Sede Apostólica, desde Pedro até Pio XII, com o tempo do reinado de cada um, sem solução de conti­nuidade.

Houve algumas vezes cismáticos que preten­deram usurpar a cadeira de Pedro, como Novaciano, no século 3.°. Mas foram sempre energicamente repelidos. Do mesmo modo, por ocasião do cisma ocidental, houve dúvida sobre qual dos dois Papas seria o legítimo sucessor de Pedro. O Con­cílio de Constança restabeleceu a verdade, sem que se interrompesse a cadeia dos venerandos timo­neiros da barca da Igreja. Demais, se um dos dois era o verdadeiro Papa, não houve solução de con­tinuidade, como é evidente.

Só a Igreja Romana é apostólica pela apostoli­cidade da missão. Prova-se: A instituição do Cristo é um corpo, que consta de cabeça e membros or­ganizados. Pedro é a cabeça. Os apóstolos e os discípulos, os membros. Os Papas sucedem a Pedro; os Bispos e os Sacerdotes continuam através dos séculos a missão da Igreja primitiva. Ora, não há no mundo, em época nenhuma da história, insti­tuição semelhante à nossa Igreja. Logo, só e exclu­sivamente à Igreja Romana compete esta nota: apostólica.

Nota:
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[1] Ver “O Decálogo” já citado.
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