terça-feira, 20 de agosto de 2013

Catecismo do Padre Spirago - Parte 31

Nota do blogue: Acompanhe essa transcrição AQUI.

A Igreja (6)
O que quer dizer: Fora da Igreja Católica não há salvação”?

“Fora da Igreja Católica não há salvação” quer dizer: só ela possui os meios que conduzem à salvação.

Só a Igreja Católica possui a verdadeira doutrina de Cristo, só ela possui os sacramentos instituídos por Cristo, só ela possui o governo eclesiástico autorizado por Cristo. Portanto, só a Igreja Católica possui o legítima pão das almas; as demais igrejas possuem-no falsificado.

Os heterodoxos podem salvar-se?

Também os heterodoxos podem salvar-se, se inculpadamente estão fora da Igreja e vivem em temor de Deus.

O fato de os justos do Antigo Testamento terem conseguido a salvação é prova de que os heterodoxos também podem salvar-se. Aqueles salvaram-se não pela razão de pertencerem a outra igreja, mas sim porque, graças à sua santa vida, eram por sua vontade membros (invisíveis) da verdadeira igreja. Isto diz S. Pedro: “De qualquer nação que seja, se alguém é temente a Deus e pratica a sua justiça, é agradável a Deus”. O heterodoxo que vive em temor de Deus possui o amor de Deus. Este amo, para ele, é um batismo de desejo e coloca-o dentro da verdadeira Igreja.

Quais heterodoxos não alcançam a salvação?

Os heterodoxos que não alcançam a salvação são os que por sua culpa se encontram fora da Igreja Católica.

Isto vale tanto dos católicos que levianamente abandonam a sua igreja, quanto os heterodoxos que, depois de convicção formada, não passam para ela por covardia. Quem, por sua culpa, se encontra fora da Igreja, tão pouco se salva como os que ficaram fora da arca de Noé no dilúvio. Diz. S. Cipriano: “Um homem honesto não muda de religião”. Tão pouco como um filho pode ficar com a fortuna injustamente adquirida pelo pai, simplesmente pela razão de a ter herdado, também ninguém pode pertencer numa religião falta pela razão de ter sido criado nela. Muitos homens e mulheres nobres passaram-se para a Igreja Católica apesar disso lhe acarretar sérios e grandes prejuízos.

Por que é falso o princípio: “Todas as religiões são boas”?

O princípio “todas as religiões são boas” é falso porque só uma fé é a verdadeira.

Dizem alguns: Nós cremos todos no mesmo Deus; por isso é indiferente qual das religiões se pertença. Ora, isto é falso. Por que então teria Jesus Cristo descido do Céu e ensinado os homens, com tantas fadigas, se não importasse a Deus o que o homem crê? Por que então teria ele enviado os apóstolos mundo afora a ensinar? É até ridículo pensar que a Deus tanto se importe alguém ter Cristo por seu Filho, ou como o faziam os judeus, tê-lo por um blasfemo. É sandice pensar que Deus não se incomoda se, como os gentios, adoramos pedras ou o verdadeiro Deus. Quem afirma que todas as religiões são boas, fala tão insensatamente como outro que é de opinião que moeda falsa tem o mesmo valor que a legítima.

Acham alguns que os membros de seitas cristãs como a protestante são cristãos também, e que só erram em coisas secundárias; quem assim pensa deve achar também que não se deve roubar muito, mas que, sendo pouco, se possa roubar.

A Igreja Católica é indestrutível

O que significa: “A Igreja é indestrutível”?

“A Igreja Católica é indestrutível” significa: a Igreja Católica, com suas instituições, durará até o fim do mundo.

Portanto, até o fim do mundo haverá Papa, bispo, sacerdotes, fiéis católicos e culto católico. Quem opera isto é o Espírito Santo. Porque, assim como a alma está no corpo e o conserva em vida, do mesmo modo o Espírito Santo está na Igreja e a preserva da morte. A Igreja é semelhante à arca de Noé, que as águas não puderam prejudicar. Ela é como a barquinha dos apóstolos no lago de Genesaré, a qual o Salvador, com uma palavra de sua onipotência resguardou do naufrágio durante a tempestade.

Com quais palavras Jesus Cristo prometeu indestrutibilidade à Igreja?

Cristo prometeu à Igreja a indestrutibilidade com as palavras: “As portas do inferno não prevalecerão contra ela”.

Não se podem destruir as obras de Deus. Com razão dizia Gamaliel no Sinédrio: “Se isto for obra dos homens, há de perecer; se, porém, for obra de Deus, não podereis destruir”. Demonstra a História Eclesiástica que a Igreja é indestrutível. Na vida de Cristo, como na História da Igreja, à Sexta-Feira Santa sucede a manhã da Ressurreição. Ela sai vitoriosa de todas as perseguições.

A Igreja Católica é infalível em seu magistério.

O que significa: “A Igreja Católica é infalível em seu magistério”?

“A Igreja Católica é infalível em seu magistério” significa: O Espírito Santo assiste a Igreja Católica, para que ela conserve e anuncie inalterada a doutrina de Cristo.

Assim como a razão nos proíbe de estabelecer afirmações contrárias a certos princípios, o Espírito Santo impede, pela sua influência, que os dirigentes da Igreja decidam qualquer coisa contra as verdades comunicadas por Jesus Cristo.

Jesus prometeu aos Apóstolos a infalibilidade do magistério com as seguintes palavras: “Rogarei ao Pai e ele vos enviará outro Consolador, que fique eternamente convosco, o Espírito da Verdade”. E mais: “Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos”. Os apóstolos estavam, pois, convictos da assistência do Divino Espírito Santo. No primeiro Concílio dos Apóstolos, no ano 51, declararam eles: “Aprouve ao Espírito Santo e a nós...”

Por intermédio de quem é que a Igreja dá suas decisões infalíveis?

A Igreja dá suas decisões infalíveis por intermédio da totalidade dos bispos ou pelo Papa.

Em toda nação há um Supremo Tribunal para decidir em última instância casos dúbios. Assim também a Igreja. Nela é geralmente um Concílio plenário, a saber, os bispos do mundo inteiro reunidos sobre a presidência do Papa, que dá a sentença. Ouve até hoje 20 Concílios. Os mais recentes são o de Trento, convocado em 1550 a propósito dos protestantes, e o do Vaticano (1857) em que se declarou a infalibilidade do Papa como dogma de fé.

Quando é que há uma decisão infalível do Papa?

Há uma decisão infalível do Papa quando o Papa, na qualidade de chefe e doutor supremo da Igreja, promulga para a Igreja universal uma determinada decisão sobre matéria de fé ou de costumes.

1) Houve tal decisão em 1845, quando o Papa definiu como dogma de fé a doutrina da Imaculada Conceição de Maria Santíssima. 2) Compreende-se que o Papa, nas suas solenes decisões “ex cathedra”, deve ter a suprema assistência do Espírito Santo, pelo cargo que tem de “Vigário de Cristo” e pelo fato de Cristo chamá-lo de rochedo sobre o qual a Igreja está edificada. Sobre as decisões solenes do Papa, vale a palavra de Santo Agostinho: “Roma falou, está terminada a questão”. 3) Não se pense, todavia, que o papa, como homem, não seja falível. Ao ler, escrever, contar, etc., ele pode errar tão bem como nós; pode, da mesma forma, pecar. As decisões “ex cathedra” não se referem a coisas que estão fora de toda relação com a religião, e. ex. questões astronômicas. Do mesmo modo não são decisões infalíveis as ordens e os editos do Papa que não são endereçados à Igreja universal.
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