terça-feira, 13 de agosto de 2013

APOSTOLICIDADE DA IGREJA (a)

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.

A Igreja e seus mandamentos
por
Monsenhor Henrique Magalhães
Editora Vozes, 1946


APOSTOLICIDADE DA IGREJA (a)
1.° de Outubro de 1945

Concluindo nosso estudo sobre as notas da Igreja, veremos hoje: a apostolicidade.

Apostólica. Esta nota significa que a Igreja tira a sua origem dos apóstolos.

Há três espécies de apostolicidade: de doutri­na — é apostólica a Igreja que ensina a mesma doutrina dos apóstolos. Apostolicidade de missão ou de autoridade — quer dizer que os que têm na Igreja alguma missão ou exercem alguma au­toridade, receberam-nas dos apóstolos, por uma série legítima e não interrompida de pastores. É apostólica quanto à sociedade — a Igreja que hoje apresenta as mesmas características essenciais da sociedade fundada pelo Cristo sobre os apóstolos.

É evidente que haverá apostolicidade de so­ciedade se ficar provada a apostolicidade da mis­são e da doutrina. Assim também é forçoso aceitar a apostolicidade da doutrina, se ficar provada a Missão apostólica. Porquanto só os enviados de Jesus Cristo, os que receberam a missão de ensi­nar, podem transmitir a verdadeira doutrina, como caudais que derivam da mesma fonte de água cristalina e pura.

Posso ilustrar esta demonstração com as pa­lavras de Santo Irineu, que é dos primeiros sé­culos do Cristianismo, “Contra os hereges”, livro 4.º, cap. 26: “Os que pertencem à Igreja devem atender aos presbíteros que se vêm sucedendo desde os apóstolos, como já demonstramos, e que, com a sucessão do episcopado, receberam o caris­ma certo da verdade, por vontade do Pai. Os que, todavia, se desligam desta sucessão, venham donde vierem, devem ser considerados como suspeitos”.

Vejamos, pois, a apostolicidade da missão. Afirma-se: Na verdadeira Igreja de Jesus Cristo deve encontrar-se a apostolicidade da missão, isto é, devem encontrar-se pastores dotados do poder de ensinar e de reger, derivado dos apóstolos. — Prova-se: 1.° pelas palavras de Jesus Cristo: “As­sim como o Pai me enviou, eu vos envio” (Jo 20, 21). “Ide, portanto, e ensinai a todos os povos...” (Mt 28, 19-20), “e eis que eu estarei convosco, todos os dias, até à consumação dos séculos”. E São Paulo, no capítulo 10.° de sua epístola aos romanos, diz textualmente: “Como invocarão aquele em quem não crêem? como crerão naquele de quem não ouvirem? como ouvirão sem haver quem pre­gue? e como pregarão se não forem mandados?” (Rom 10, 14-15). Logo, ninguém pode pregar o evangelho sem ter recebido esse poder dos após­tolos, direta ou indiretamente, sendo que esses mesmos apóstolos foram, por sua vez, mandados pelo Cristo. 2.° prova-se pela praxe constante se­guida pelos apóstolos que, quando fundavam um núcleo de cristãos deixavam ali Bispos e Presbí­teros aos quais conferiam o poder de ensinar e governar, poder que era transmitido aos outros que devessem auxiliá-los ou sucedê-los.

Aqui tendes mais um precioso documento em o número 32 das Prescrições de Tertuliano, refe­rindo-se aos hereges: “Publiquem as origens de suas igrejas, enumerem a ordem dos Bispos de modo que se veja a sua sucessão ininterrupta e o seu primeiro Bispo tenha sido sucessor de algum apóstolo, ou varão apostólico que tenha perseve­rado em união com os apóstolos”.

Continuaremos amanhã.
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