quinta-feira, 16 de maio de 2013

Amor da família - Parte II

Nota do blogue: Acompanhar esse Especial AQUI.
Cônego Júlio Antônio dos Santos
O Crucifixo, meu livro de estudos - 1950

II— Amor filial

            1— Amor ao pai
            O pai dá, mantém, assegura a vida ao filho, à custa de muitos sacrifícios. A cada um destes sacrifícios corresponde um dever do filho.
            1.º Um pai honesto, virtuoso e sobretudo cristão dá a vida aos filhos. Ora, toda a geração, como ensina a Teologia, faz-se à imagem e semelhança do ser gerador. Portanto a primeira obrigação é imitar o autor de seus dias. «Tal pai tal filho».
            2.º O pai conserva a vida aos filhos, trabalhando para eles. Os filhos devem empregar o seu espírito, as suas forças, o seu tempo, no estudo, no trabalho, portanto devem ser aplicados, estudiosos, sérios.

            3.º O pai assegura o futuro aos filhos, deixando-lhes a herança. Por isso, na velhice devem socorrê-lo nas suas necessidades temporais e espirituais, assegurar-lhe a salvação eterna pela recepção dos sacramentos e sufrágios pela sua alma.

            2 — Amor é mãe
            São Bernardo aponta-nos três deveres principais para com o nosso anjo da guarda:
            1.º O dever de respeito, para corresponder à honra da sua contínua presença junto de nós:
            — Reverentiam pro praesentia. — O dever de confiança em virtude da sua solicitude para conosco: — Fiduciam pro custodia. — Enfim o dever de dedicação pela sua benevolência para conosco: Devotionem pro benevolentia.
            Os mesmos deveres devem ter os filhos para com suas mães que são anjos do lar.
            Um filho deve depositar toda a confiança em sua mãe: expor-lhe todas as suas necessidades, seus desejos, suas tentações e até as suas quedas. Assim, um jovem evita o mal e pratica o bem, se tomar por confidentes sua mãe em casa e o sacerdote na igreja.
Por mais dedicados que sejamos aos pais, nunca podemos ser devidamente agradecidos aos seus benefícios.

III— Amor fraterno

            A quem devem amar os irmãos se não se amam uns aos outros? É quase amarem-se a si mesmo se acreditarmos na etimologia da palavra frater composta destas duas palavras: fere alter, quer dizer, quase outro eu.
            1.º A lei natural exige o amor fraterno.
Um irmão, diz o provérbio, é um amigo que nos foi dado por natureza. Os antigos tinham comparado as relações que existem entre os irmãos às que existem entre as duas mãos, os dois pés e os dois olhos de um homem. Estes órgãos são duplos, e, todavia, na sua natureza e na sua ação constituem uma certa unidade. Os irmãos e irmãs têm o mesmo pai e a mesma mãe, têm o mesmo nome, crescem na mesma casa, partilham a mesma mesa e os mesmos jogos; recebem a mesma educação; têm igualmente, mais ou menos, as mesmas idéias, os mesmos gostos e sensivelmente as mesmas inclinações; numa palavra, são dois frutos do mesmo ramo na árvore da vida que o Senhor plantou e que vive da mesma seiva. Constituem, pois, uma espécie de unidade, que, como um todo orgânico, não deve dividir-se e destruir-se, mas  é mantida pelo instinto natural do sangue e do coração.
            Precisamente porque o amor fraterno é alguma coisa de natural, é que o ódio entre irmãos tem sido considerado sempre como uma monstruosidade e uma coisa horrenda, como o faz notar a sagrada Escritura. Os dois primeiros irmãos deste mundo, o mais velho matou o mais novo; Aquimeleque banhou-se no sangue de seus irmãos; Isaú odiou a seu irmão Jacó; e José foi vendido pelos seus irmãos.
            2.º A vida social exige o amor fraterno.
            O que se desenvolve e triunfa na sociedade tem origem na família. Aquele que conserva e pratica o amor fraterno, toma o caminho mais fácil e mais curto para chegar à grande virtude do amor do próximo que exige atenções, generosidade e serviços, numa palavra, «verdadeiro amor fraterno que é amizade viril pura e duradoira».

            1 — Condição necessária do amor fraterno
            A condição necessária do amor fraterno é o respeito. 1.° O respeito proíbe toda a palavra e toda a ação que, de perto ou de longe, pode atingir a honra e a reputação. 2.º O respeito proíbe, em nome da justiça, tudo o que pode violar os direitos de uns ou doutros; cada um deve contentar-se com a sua parte nos bens da família e nenhum deve usar de fraude ou de adulação para se apoderar daquilo que lhe não pertence. 3.° O respeito acautela contra a inveja. A fraternidade, diz Baunard, é um vaso no qual a natureza derramou para vós a doçura do mel; vós, por vosso lado, verteis nele o fel e o vinagre da inveja e envenenais assim toda a vossa existência.

            2— Frutos do amor fraterno
            Os frutos deste amor são:

            1.º Edificação. — Os irmãos devem edificar-se mutuamente. A edificação dá-se pelo bom exemplo. Os mais velhos podem tornar-se no seio da família os mestres e os preceptores dos seus irmãos mais novos. A sua missão torna-se mais importante e necessária, se o pai ou a mãe faltarem. Os irmãos ou irmãs mais velhas assumem então a responsabilidade de chefes de família.
            2.º Assistência. — Devem ajudar-se com os seus bens quando for necessário e sempre com as suas orações. «Se o teu irmão tem fome dá-lhe de comer, se tem sede dá-lhe de beber, se está em necessidade socorre-o».
            Eu tenho sempre na lembrança as súplicas de Marta e Maria a Jesus pelo seu irmão Lázaro: «Senhor, aquele que amais está enfermo!» Pode-se estar doente de muitas maneiras. Há misérias no corpo e na alma: consciência deformada, coração corrompido, honra atacada e ferida. Devem orar por estas necessidades.
            Um dia vem em que se separam uns dos outros; todavia, um laço invisível deve subsistir sempre — o da oração.
            Um irmão que é ajudado pelo seu irmão, diz o Espírito Santo, é como uma cidade fortificada.
            3.º Alegria. — Aqueles que estão unidos pelo lugar, mas separados pelo coração é um tormento; aqueles que estão separados pelo lugar e unidos pelo coração é uma virtude; aqueles que estão unidos pelo lugar e pelo coração é uma alegria. Por isso, podemos exclamar com o Espírito Santo: «Oh! quanto é bom e agradável os irmãos viverem juntos e em paz uns com os outros!» (Salm. CXXXII, I).
            Este amor é uma flor bela e santa que perfuma uma casa toda. Um dia em que a morte cortou esta rosa de ouro da felicidade fraterna, Jesus Cristo fê-la renascer. À irmã desolada Ele diz: «teu irmão ressuscitará.» (Jo. XI, 23).
            Plutarco dizia que considerava o amor de seu irmão como o presente mais digno que tinha recebido do destino.
            Nada substitui o amor de um irmão ou de uma irmã, diz Mgr. Baunard, é a metade de nós mesmos. Tenhamos por ele grande apreço.
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