terça-feira, 22 de janeiro de 2013

XIV- A morte (continuação)

Nota do blogue: Meus agradecimentos para uma bela alma pela transcrição desse capítulo. Deus lhe pague, querida de Deus.

Indigna escrava do Crucificado e da SS. Virgem,
Letícia de Paula


(Jesus Cristo falando ao coração do Sacerdote, ou meditações eclesiásticas para todos os dias do mês, escritas em italiano pelo Missionário e doutor Bartholomeu do Monte traduzidas pelo Pe. Francisco José Duarte de Macedo, ano de 1910)

I. Filho, sabes que qual for a vida, tal há de ser a morte. Eu mesmo te disse nas Escrituras, que a morte dos bons é preciosa.
Quantos sacerdotes no momento da morte exclamaram, transbordando de alegria: Ah! Nunca julguei que fosse tão suave o morrer! Ditoso morrer depois de muitos trabalhos sofridos pela salvação das almas!
Pelo contrário te disse, que a morte dos maus será péssima. Quantos sacerdotes, tendo vivido no pecado, na ociosidade, ou tendo abusado dos talentos que tinham recebido, morreram, amaldiçoando a hora em que nasceram, e o tempo em que aprenderam a ler e a escrever!
Desejas, filho, a morte dos justos. Mas como terás morte de justo, se a vida é de pecador? Porque não dás crédito às Minhas ameaças e protestos, à tua experiência, a teus mesmos olhos, que tem presenciado as consolações dos justos e a consternação dos pecados naquela hora?
Tu, filho, ensinas e pregas aos outros estas mesmas verdades; haverá pois para ti outro Evangelho, outra Lei, outra Escritura? Porque vives uma vida que conheces e confessas te não pode dar conforto nem confiança na hora da morte?

II. – Morre bem, filho, não quem começa bem, mas quem persevera até o fim. Para morrer bem, é necessário o especial dom da Minha graça final.[1]
Tu esperas este dom; mas lembra-te que Judas, chamado por Mim ao Apostolado, começou bem e acabou mal. Lembra-te que são mui poucos os sacerdotes que vivem como devem, e por isso mesmo mui poucos os que morrem como desejam; lembra-te também que muitos sacerdotes, ainda que santos, naquela tremenda hora temeram e tremeram de morrer mal.
Eia pois, toma uma firme resolução; e, com temor e tremor santo, opera tua salvação por meio de trabalhos, vigílias, esmolas, orações, sacrifícios, jejuns e castidade.[2]
Sou eu mesmo que te aviso para teu bem. Se viveres sem fervor e sem temor, e diferires tua emenda, de certo deverei ver-te apesar do Meu amor, eternamente perdido.
Há já muito tempo que te espero: acaba com esses desejos que nunca executas. Sê firme e constante no bem; por que a morte, para colher-te, não esperará aquele ano ou aquele dia em que estejas em graça e fervor: ela há de vir quando menos o pensares[3].

III. – Hás de morrer, filho, uma só vez: e se dessa morreres mal, ai de ti! A tua ruína é suma, é irreparável, é eterna.
Eu morri na cruz, para que tu pudesses ter uma boa morte. Podia mandar-te morte improvisa, e colher-te em pecado, como a outros muitos; mas não o fiz, esperando, como bom pai, que te voltasses para Mim.
Outra vez te admoesto: está preparado, porque não sabes o dia nem a hora. És excessivamente cruel para contigo, e ingrato para Comigo, se diferes um momento a tua conversão.
Considera bem, filho, que o perdão que hoje te ofereço e prometo, está seguro, se hoje te arrependes e te convertes de todo o coração; mas para o dia de amanhã nem Eu te prometo, nem tu podes contar com ele.
Reconhece quanto Sou solícito pelo teu bem, até em te deixar incerta a hora da morte; para que, ignorando-a, estejas sempre preparado[4].

Fruto. – Salda tuas contas com Deus e com o próximo.
Faze o teu testamento, diz Santo Agostinho, enquanto tens saúde, enquanto és senhor das tuas faculdades. A alma à Deus, o corpo à terra, e os bens da fortuna a quem pertencem.
Considera bem agora qual desejarias que tivesse sido, na hora da tua morte, o teu procedimento para com Deus, para com o próximo e para contigo mesmo; e faze já o que então desejarás ter feito. Não morre de morte improvisa quem sempre está preparado, e sempre pensa que há de morrer.
O Beato Gregório Barbarigo, tendo recebido com extraordinária devoção os santos sacramentos, considerando nos juízos de Deus, onde em breve havia de comparecer, se encheu de tal espanto e horror, que levantava a miúdo as mãos e os olhos ao Céu, e com voz lamentosa repetia: Que será? Que será? E assim sofreu por algum tempo esta forte agitação, pelo temor do rigoroso juízo, até que à tempestade sucedeu a bonança. E que será de ti...?



[1] De perseverantiae munere, de quo scriptum est: Qui perseveraverit usque in finem, hic salvus erit: quod quidem haberi non potest, nisi ab eo, qui potens est, eum qui stat, statuere, ut perseveranter stet; et eum qui cadit, restituere: nemo sibi certi aliquid absoluta certitudine polliceatur: tamestsi in Dei auxilio firmissimam spem reponere omnes debent. (Concil, Trid., IV, 13.)

[2] Veruntamen qui se existimant stare, videant, ne cadant; et cum timore, et tremore salutem suam operentur in laboribus, in vigiliis, in eleemosynis, in orationibus, et oblationibus, in jejuniis, et castitate. Formidare enim debent, scientis quod in spem gloriae, et nondum in gloriam renati sumus de pugna, quae superset, … (Ibidem.)

[3] ...Qua hora non putatis...veniet. (LUC., XII, 40.) Sicut in diebus Noe et in diebus Loth, errant edentes et bibentes, emebant et vendebant, plantabant… et non cognoverunt,… ita erit adventus Filii Hominis. (MATH., XXIV, 37-39.)

[4] Horam voro ultimam Dominus noster ideirco voluit nobis esse incognitam, ut semper possit esse suspecta ut dum illam pravidere non possumus, ad illam sine intermissione praeparemur. (S.GREG., Hom, 13.)
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