sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Doutrina Cristã - Parte 4

Monsenhor Francisco Pascucci, 1935, Doutrina Cristã
tradução por Padre Armando Guerrazzi, 2.ª Edição, biblioteca Anchieta.

Art. 11. - E em Jesus Cristo, um só Seu Filho, nosso Senhor.

O Homem-Deus Redentor

22. - Vinda a plenitude dos tempos, isto é, o tempo estabelecido por Deus para a redenção do mundo, o Filho unigênito do Padre, por Ele gerado desde toda eternidade, Se fez homem. Cumpre-se destarte a união da natureza divina com a natureza humana numa única pessoa.
A natureza divina era necessária, para que a redenção tivesse valor infinito; a natureza humana era necessária, para que o Filho de Deus pudesse sofrer e morrer.
Temos assim o segundo mistério principal da nossa fé: - Encarnação, Paixão e Morte de Jesus Cristo. E é justamente esse o nome que assume o Homem-Deus: - Jesus, que significa Salvador; Cristo, que significa ungido e consagrado.
O verificarem-se as profecias faz reconhecer em Jesus o Messias prometido; porém, Suas obras, isto é, os Deus milagres e as Suas profecias, lhe demonstram a divindade.

Divindade de Jesus Cristo: os testemunhos

23. - Jesus Cristo era verdadeiramente Deus.
Afirmara-o Padre Eterno no Batismo de Jesus e na Transfiguração:
- "Este é meu Filho dileto, no qual pus as minhas complacências" (Mat. III, 17).
Afirmara-o mais vezes Ele mesmo, Jesus, quando falou a Nicodemos: "Tanto amou Deus o mundo que deu seu Filho Unigênito" (Jo. III, 15); aprovando e louvando a Pedro pela sua confissão: "Tu és o Cristo Filho de Deus vivo", (Mat. XVI, 16); respondendo a Filipe: "Quem me vê a mim, vê também o Pai (Jo. XIV, 9); proclamando mais de uma vez: "Eu e o Pai somos uma mesma coisa" (Jo. X, 3); e, por fim, confessando altamente a divindade em face de Caifás, que o conjurava a dizer se era Ele o Cristo, filho de Deus bendito: "Tu o disseste" (Mat. XXVI, 64). Tais afirmações, confirmou-as com milagres e profecias.

As provas da Divindade: Milagres

24. - Milagre é um fato sensível superior a todas as forças da natureza criada, fato de tal ordem que somente pode vir de Deus, autor da natureza.
Deve ser um fato sensível, que realmente caia sob os sentidos, para que possa verificar-se e ter desse modo valor probativo;
deve ser superior a todas as leis da natureza de forma a não poder ser produzido pelas forças naturais; mas será devido só à intervenção da causa primeira, que é Deus.
Deus, de fato, havendo desde a eternidade estatuído as leis da natureza, preestabeleceu também as exceções a essas leis, para serem cumpridas no tempo.
Os milagres podem distinguir-se em acima e fora das leis da natureza e contra esta. - São acima, se o fato excede a todas as forças naturais, como, por exemplo, a ressurreição dos mortos; são contra, se o fato ocorre de modo contrário ao que regularmente acontece em casos semelhantes, como, por exemplo, os três jovens não serem queimados na fornalha de Babilônia; são fora, quando o efeito poderia ser produzido também pelas forças da natureza, mas em outras circunstâncias e de outro modo, como, por exemplo, a cura instantânea de um enfermo a uma simples palavra.
O milagre feito em confirmação de uma doutrina demonstra com certeza a verdade da mesma, visto como Deus não pode intervir a confirmar com milagres uma doutrina falsa.
É, porém, necessário observar:

a) que o fato miraculoso tenha verdadeiramente acontecido;
b) que o fato seja verdadeiramente miraculoso, isto é, superior a todas as forças da natureza: e nós conhecemos bem o que a natureza não pode nem poderá fazer nunca;
c) que o fato seja realizado em confirmação daquela doutrina, que se quer fazer aceitar por verdadeira.
Ora, Jesus Cristo realizou verdadeiramente fatos superiores a todas as forças humanas e às da natureza, e os operou em confirmação da Sua divindade.
1. - Os milagres, operados por Jesus Cristo, são historicamente provados. Narram-no-los testemunhas oculares, que não poderiam ter-nos referido coisas falsas, pois, quando eles escreveram os Evangelhos, ainda viviam os inimigos de Jesus, e esses teriam podido taxá-los de mentira, se houvera.
2. - Os fatos foram realizados por Jesus Cristo, em nome próprio, para demonstrar a Sua divindade. Assim na cura do paralítico, sarado propositalmente para demonstrar que tinha Jesus Cristo o poder de perdoar os pecados, e que logicamente era Deus (Mat. IX, 1-7). Os santos operaram, outrossim, milagres e os operam, mas em nome de Deus e para provarem a verdade da doutrina de Jesus Cristo.

As profecias

25. - Além de se verificarem em Jesus Cristo as profecias do Antigo Testamento, fez Ele também profecias Suas, que se verificaram todas e com todas as minúcias.
Assim, predisse a Sua paixão, morte e ressurreição, a negação de Pedro e o abandono dos Apóstolos, a destruição de Jerusalém, a difusão do Seu Evangelho pelo mundo, a dispersão do povo judeu, etc.
Logo, Jesus Cristo é verdadeiro Deus: - esta é a verdade ensinada pela Igreja contra a heresia de Ário, que negava a divindade do Verbo, e foi condenado pelo Concílio de Nicéia em 325. 
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