segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O Coração de Jesus pede reparação


(Cristo Rei e Salvador, práticas sobre a pessoa de Nosso Senhor
e o Seu amantíssimo Coração 
por Mariófilo, 1937)

O Coração de Jesus pede reparação.
Não podemos negar que a santa Igreja cerca o tabernáculo de todo o carinho[1]. O que ela possui de mais rico em cerimônias, de mais belo em poesia e música, coloca-o ao serviço do Santíssimo Sacramento. Com Santo Tomás de Aquino, diz aos seus filhos:

Quanto podes, tanto o louva;
pois Ele excede o louvor,
nem tu bem louvá-lO podes.

Grande é o numero de fiéis que, obedientes à santa Igreja, tocados pelo amor excessivo do amantíssimo Coração de Jesus, cercam o tabernáculo com toda a atenção, fé e amor. É, entretanto, verdade também que o amantíssimo Coração de Jesus é profunda e frequentemente ofendido e magoado neste Seu Sacramento de amor. Não lembramos os infiéis, que nem O conhecem; não lembramos os protestantes, que O negam; nem os maus católicos, que abandonaram a sua religião; nem quero chamar a vossa atenção para o afastamento da recepção deste Sacramento por parte de tanta gente ignorante. Fora disto, quantas ofensas ao divino Coração da parte dos fiéis que lhe deviam consagrar todo o amor. Estas irreverências na igreja, em particular por ocasião de casamentos e batizados! Não somente da parte das pessoas que, raras vezes, e só por ocasião de uma cerimônia extraordinária, entram na igreja; não; infelizmente, de muitos que conhecem a sua religião, que frequentam sempre a igreja; oh! como esquecem a santidade do lugar e a presença de Jesus!
Quantos há que entram na igreja como se entra em um teatro ou no cinema! Mais triste ainda: moços e mocinhas há que escolhem a igreja para os seus namoros; entram na igreja de braço dado, rindo e conversando, prouvera a Deus não fossem conversas indignas; sem compostura, sem modéstia, sem reverência ao lugar, magoam o Coração de Jesus, que, entretanto arde em desejos de lhes lançar a benção.
Que dizer da assistência à santa Missa? dessas tantas irreverências, distrações, vaidade e falta de atenção?
E as nossas comunhões? Não deviam ser o maior consolo para Jesus? Mas, como Lhe dói esta frieza; esta falta de preparação, a pressa de sair e a pressa de esquecê-lO.
Emocionantes são as queixas que o Coração de Jesus dirigiu a santa Margarida Maria. "Eis - diz Ele - eis aqui o Coração que tanto amou aos homens, que nada poupou até se esgotar e consumir, para lhes testemunhar seu amor, e, em lugar de agradecimento, só recebe ingratidões da maior parte deles pelas irreverências e sacrilégios, pelas friezas e desprezos com que me tratam neste meu Sacramento de amor... e, o que me é mais sensível, é ser Eu assim tratado por corações que me são consagrados!"
Qual o Coração que ouve tão magoadas queixas sem sentir grande compaixão por este Coração? Quem não deseja consolar este Coração amantíssimo? Quem não se sente humilhado, lembrando as próprias ingratidões que ofenderam o Seu amorosíssimo Coração?
Prestemos-lhe a reparação que Ele pede a santa Margarida: "Por isto - continua Jesus, - por isto te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do SS. Sacramento seja dedicada a uma festa particular em honra do Meu Coração, para lhe darem reparação pelos indignos tratamentos que tem recebido, fazendo-se para este fim atos de desagravo e comunhões reparadoras".
Também o papa Leão XIII ensina que "o fim do culto ao Sagrado Coração de Jesus consiste em reparar, por meio de atos de adoração, amor e devoção, a ingratidão tão comum entre os homens, e, pelo Santíssimo Coração de Jesus reconciliar o gênero humano com Deus".
Vamos, pois, atender ao pedido tão insistente de Jesus, desagravando o Seu Coração ofendido pelas ingratidões dos homens. Prestemos-lhe a devida reparação. Consolemo-lo com a nossa fidelidade. Reparemos as irreverências pela nossa piedade e nosso respeito diante do tabernáculo. Reparemos a falta de devoção de tantos fiéis em assistir à santa Missa, pela nossa atenção, fé e devoção.
Visitando-O no Seu Sacramento e adorando-O com fé e respeito, reparemos a indiferença de tantos cristãos, que não O visitam, que O esquecem e abandonam. Reparemos as irreverências nas igrejas pelas conversas e maneiras menos respeitosas, mormente da parte da mocidade, edificando o próximo com o nosso modo respeitoso e devoto. Reparemos as comunhões recebidas sem preparação, maquinalmente, com frieza e sentimentos profanos, fazendo a nossa comunhão com todo o fervor possível. Reparemos, enfim, todas as ofensas que o Seu Coração recebe dos fieis ingratos, consolando-o pelo nosso amor, gratidão, adoração e fidelidade. Seja o nosso sentir o que cantamos:

Seja amado e louvado
De Jesus o Coração;
Adoremos e lhe demos
Glória, amor, reparação.



[1] Nota do blogue: Tristemente é possível constatar nos tempos atuais e já de algumas décadas (piorando a cada dia) que o Santíssimo Sacramento já não é mais tratado com o carinho e zelo que os Seus “guardiões” (aqui menciono guardiões referindo-me ao clero) deveriam tratá-lO. É posto de lado nas igrejas, retirado do altar [altar trocado por uma mesa]; segurado por mãos indignas (ministros e em especial ministras da Eucaristia [que não têm mãos consagradas para isso]); recebido não de joelhos, como se Ele não fosse o Rei dos reis... e se realmente Cristo Eucarístico está presente nessas igrejas é de temer e tremer o grande silêncio da IRA de Deus. Que Deus se apiede de nós e que seja feita justiça! 
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