sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A impureza (Sacerdote)

Nota do blogue: Agradeço a Daniella Buarque, irmã e amiga em Cristo, pela transcrição desse capítulo. Deus lhe pague, querida de Deus.

Indigna escrava do Crucificado e da SS. Virgem,
Letícia de Paula


(Jesus Cristo falando ao coração do Sacerdote, ou meditações eclesiásticas para todos os dias do mês, escritas em italiano pelo Missionário e doutor Bartholomeu do Monte traduzidas pelo Pe. Francisco José Duarte de Macedo, ano de 1910)


I. - Filho, ainda que sejas pio, fervoroso, humilde e tudo o que quiseres, se não és casto, nada és em Minha presença. Quem quer ser Meu amigo deve amar a pureza; muito mais um ministro Meu, que se obrigou solenemente a viver casto.
Se uma só vista curiosa, um mau pensamento consentido torna réus de culpa grave os seculares, quanto mais réu serás tu, em quem os pecados contra a castidade são gravíssimos sacrilégios?
Parece-te, filho, que aquela língua, que todos os dias Me chama e faz baixar do Céu ao altar, deva ser imunda? Que as mãos, que tocam a Minha carne imaculada, devam ser sórdidas? Que quem tem no coração o ídolo da torpeza, deva receber o Filho da Virgem?
Se Me queres ofender, busca outra língua, e não essa que tinges com o Meu Sangue; busca outras mãos, e não essas que tocam a Minha Carne Sacrossanta; busca outro coração, e não esse que deve arder no Meu Amor.
Com que rosto ousarás aproximar-te do Meu Altar, ardendo em chama impura? Como não te horrorizas de consagrar o Meu Puríssimo Corpo, e de representar-Me, a Mim, que Sou espelho de pureza?!

II. - Não te envergonhas, filho, de ser escravo de uma paixão torpe, tu que devias viver uma vida mais que angélica, emulando a Minha Pureza?
Deves ser com o teu exemplo, com o desvelo e doutrina o defensor e o propagador da virtude da castidade; mas como o serás, se não és casto? Com que eficácia pregarás aos outros, no púlpito ou no confessionário, que sejam puros, se o não és tu?
Que farão os seculares, hoje tão inclinados a conversas e atos lascivos, se te vêem obrar e ouvem falar como eles?
Para evitares o mau exemplo é necessário que fujas de toda a familiaridade e frequência não só má, mas até da que simplesmente se possa suspeitar mal.[1] Não digas: Eu sei em minha consciência, e Deus, meu Juiz, me é testemunha de que não peco nisto nem venialmente[2]; não te basta isto; não, porque és devedor aos fiéis da mais santa edificação[3]. E sendo assim, com quanta maior razão deves evitar o trato e familiaridade com as pessoas que sabes são impudicas? Quantos estragos e ruínas trarias às Minhas pobres almas? Não seria isto inspirar-lhes coragem para pecar? Arrastá-las a todo o gênero de maldades, e, com o teu exemplo, subministrar-lhes o veneno da morte e a condenação eterna, tu, que devias conduzi-las ao Céu?!

III. - Foge, filho, foge de por os pés neste caminho escorregadio; porque é fácil a entrada nele; mas oh, quão difícil é depois a saída![4]

O demônio emprega mais e maiores tentações contra os sacerdotes; porque lucra mais com a sua queda, que com a dos outros.
Lembra-te que vives rodeado de perigos contínuos. Varões exímios na virtude e vida espiritual, de cuja queda se podia recear tanto, quanto da dos Jerônimos, dos Ambrósios, dos Gregórios santos, caíram.[5]
Infeliz de ti, filho, se cais neste vício! Uma queda arrasta consigo mil pecados de pensamentos, de obras tuas e de outras, de injustiças, de impiedades, de sacrilégios, etc.
Depois a força do hábito, a violência da paixão, a cegueira do entendimento e a dureza do coração levam a estado tal, que já se não atendem os avisos dos parentes, os rogos dos bons, as correções dos superiores, nem toda a murmuração do público; já os não detém a perda da honra, da fazenda, da vida, da alma, nem as cãs que lhes cobrem a cabeça.
Já se não atendem, antes se desprezam, as Minhas luzes e graças, os remorsos, os castigos, as misérias públicas e até os mesmos milagres; abusa-se sacrilegamente das confissões, das Missas e de todos os Sacramentos; já se não crê ou se não tem o juízo, o inferno, a eternidade com todos os seus horrores[6].
Deste modo ou morrem ao fim repentinamente, ou, recebendo naquela hora os Sacramentos em pecado, como os receberam em vida, param na condenação eterna.
Foge, filho, foge e teme esse abismo[7]; por um lisonjeiro e momentâneo prazer não queiras ser comparado ao mais insensato dos brutos (jumentis insipientibus); não entres em tão horroroso caminho, que conduz à perdição eterna.
Se, porém tens ânimo de condenar-te, corre após teus imundos prazeres; mas lembra-te que Eu estou sobre esta Cruz, padecendo por ti; ao menos hás de confessar que Eu te quis salvar; mas que tu, a despeito das Minhas Chagas e do Meu Amor, te quiseste condenar.

Fruto. - Foge do ócio[8]; acautela os sentidos[9]; mortifica a carne ao menos com o estudo, com a sobriedade e abstinência.
Recorre às chagas de Jesus, mormente no tempo da tentação[10]. Tem fervorosa devoção para com Maria Santíssima.
Evita a conversação de pessoas díscolas e mundanas, principalmente de mulheres; não te fiando até nas que são piedosas[11]. Santo Inácio dizia: Que do trato frequente com mulheres, ainda que espirituais, nasce ou chama que queima, ou fumo que tisna a fama.
Também te não fies nas parentas. São Filipe Nery adverte: Que o demônio saberá dizer mulher, e não irmã; e que na guerra dos sentidos os covardes, que fogem, são os vencedores.

Notas:
1. Cavete omnes suspiciones; et quidquid probabiliter fingi potest, ne fingatur, ante devita. (HIERON., Epist. ad Nepotian., 2.)
2. Neque paratum habeas illud et trivio: sufficit mihi conscientia mea; non euro  quid de me loquantur homines. Apostolus enim jubet provideri bona, non tantum coram Deo, sed etiam coram omnibus hominibus. (HIERON., Epist. 11)
3. Propter nos conscientia nostra sufficit nobis; propter alios vero fama nostra nos debet pollui. Qui fidens conscientiae suae, negligit famam suam, crudelis est: maxime in loco isto positus, de quo dicit Apostolus: Circa omnes te ipsum bonorum operum exemplum praebe. (AUGUST., Serm.)
4. Fovea profunda, ei putens augustus... (Proverb., XXII, 14; XXIII, 17). Haec rubigo vix potest aboleri: praecipue quia tales personae quasi nunquam integre et plene confitentur... Saepe mutant confessarium... Sed, quod pejus est, eum quaerere deberent medicos spirituales cautos, peritos, et expertos, qui scirent illam aegritudinem, ei causas ejus agnoscere, ac congruum remedium adhibere, non solum id non faciunt; sed si semel ad aliquem talem pervenerint, ipsum ex tune fugiunt: quaerunt ergo confessores idiotas, etc. (S. THOM., Opuscul. 64).
5. Multos vulneratos dejecit, et fortissimi quique interfecti sunt. (Prov. VII, 26) Non in praeterita castitate confidas: nec sanctior enim David, nec Salomone potes esse sapientior. (HIERON., Epist. 2).
6. Quando ab impudica libidine capta fuerit anima, nullum sinit videre ulterius, non praecipitium, non gehennam, non timorem... Et quomodo qui sunt orbati, si vel in fixo meridie steterint sub medio coeli, lucem non suspiciunt: ita isti quoque, etiamsi innumerabilia undique insonent salutaria dogmata, illorum anima hoc morbo praeoccupata, omnibus ejusmodi verbis aures obstruunt. (S. JOAN CHRYSOST., Hom. 11. 1ª Corint.)
De luxuria enim caecitas mentis, inconsideratio, inconstantia, praecipitatio, amor sui, odium Dei, affectus praesentis saeculi, horror autem, vel desperatio futuri generantur. (S. GREG., Moral., 31)
7. Libidinem fugiendam esse Apostolus evidenter ostendit: qui cumomnibus vitiis praedicaverit resistendum, dum contra libidinem loqueretur, non dixit resistite, sed fugit fornicationem... ergo contra libidinis impetum apprehende fugam, si vis obtinere victoriam. Nec tibi verecundum sit fugere, si castitatis palman desideras obtinere, etc. (S. AUGUST., Serm. 250 de Temp.)
8. Facit aliquid operis, ut te sempre Diabolus inveniat occupatum (HIERON., Ad Rust. Ep. 4). Salamon per otium semetipsum involvit fornicarionibus... Libido cedit rebus, cedit operibus; cedit luxuria laboribus et industriae (S. BERN., De modo bene vivendi)
9. Averte faciem tuam a muliere compta: propter speciem mulieris multi perierunt: et ex hoc concupiscientia quasi ignis exardescit: Speciem mulieris multi admirati, reprobi facti sunt. In medio mulierum noli commorari: de vestimentis enim procedit tinen, a muliere iniquitas viri (Eccl., IX, 8-11); XLII, 12-13; Eccles., VII, 27). Unde ab omnibus christianis, praecipue tamen Clericis sive monachis, mulierum familiaritas vitanda est; quia sine ulla dubitatione, qui familiaritatem non vult vitare, cito dilabitur in ruinam (AUGUST., Serrm.).
Nec solum extrancarum, sed etiam ancillarum nostratum, vel quarumcumque vicinarum, aut filiae, aut alumnae, aut ancillae, vitanda familiaritas, ei secreta collocutio, atque refrenanda ocularum incauta fragilitas: quia illarum quanto vilior conditio, tanto facilior ruina est (Ibidem).
10. Quum me pulsat turpis aliqua cogitatio, recurro ad vulnera Christi. Cum me premit caro mea recordatione vulnerum Domini mei resurgo, etc. (AUG., Manual., 22).
11. Nec tamen quia sactiores fuerint, ait S. Augustinus, ideo minus eavendae. Quo enim sactiores fuerint, eo magis alliciunt: et sub praetextu blandi sermonis immiseet se viscus impiisimae libidinis... Noverint spirituales, quod licet carnalis affectio sit omnibus periculosalosa est magis, maxime quando conversantur cum persona, quae spiritualis videtur, etc. (S. THOM., Opusc)
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