terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Doutrina Cristã - Parte 7

Nota do blogue: Acompanhar esse Especial AQUI.

Monsenhor Francisco Pascucci, 1935, Doutrina Cristã
tradução por Padre Armando Guerrazzi, 2.ª Edição, biblioteca Anchieta.


CREDO

Art. V. - Desceu aos infernos, ao terceiro dia ressuscitou dos mortos.

A descida ao Limbo

36. - A alma divina de Jesus, separada de Seu corpo divino, desceu ad inferos, aos lugares inferiores. Acha-se indicado com estas palavras o Limbo, isto é, o lugar, onde se encontravam as almas dos justos do antigo pacto. Esperavam a Redenção, para poderem entrar no Céu. A presença do Redentor difundiu alegria infinda àquelas almas justas e lhes fez gozar da essencial bem-aventurança, que é a visão de Deus. Verificou-se então a promessa feita por Jesus ao bom ladrão: "Em verdade te digo, hoje estarás comigo no Paraíso".

A Ressurreição

37.- Ao alvorecer do terceiro dia, que era o primeiro da semana, a alma de Jesus se Lhe reuniu ao corpo, e Jesus ressuscitou. Do sepulcro ainda fechado, saiu Ele glorioso e triunfante, para não morrer mais. Forte terremoto sacudiu a terra a Anjo do Senhor derrubou a pedra que fechava o sepulcro.
A ressurreição de Jesus é em si o maior dos milagres, porque Jesus ressuscitara por virtude própria, - e é a maior prova de Sua divindade assim como da verdade de Sua doutrina. O corpo ressuscitado de Jesus possuía todas as atualidades dos corpos gloriosos, isto é, a agilidade, a impassibilidade, a subtileza, o esplendor: - conservou as cicatrizes das cinco chagas para maior conforto dos bons, para maior confusão dos ímpios no dia do juízo e para melhor demonstrar aos discípulos a Sua real ressurreição.

Aparições

38. - Jesus ressuscitado quis ficar por quarenta dias na terra:

a) para mostrar que verdadeiramente ressuscitara. Apareceu, de fato, muitas vezes em vários lugares, a muitas pessoas e em tempos diversos: - apareceu a São Pedro, à Madalena, às pias senhoras, aos apóstolos no Cenáculo, comendo com eles e fazendo-Se tocar por Santo Tomé, que não queria crer na Ressurreição;
b) para confirmar na fé a Seus discípulos e instruí-los mais profundamente em Sua doutrina. Naqueles dias perfez a instituição dos sacramentos e conferiu a São Pedro o primado, constituindo-o chefe.

Art. VI. Subiu ao céu, está sentado à mão direita de Deus Padre Onipotente.

Ascensão e glória no Céu

39. - Passados quarenta dias, o Redentor convidou os Seus discípulos a irem ao monte das Oliveiras, e, ali, erguidas as mãos, os abençoou; acompanhado das almas dos justos, partiu do meio deles, elevando-Se ao céu. Subira ao céu por virtude própria, não como Deus, porque já o era, mas como Homem-Deus.
E foi tomar posse, como homem também, da eterna gloria, para Ele preparada pelo Padre em premio de quanto fizera e sofrera em obediência á sua santa vontade.
Desde aquele dia, a humanidade de Jesus deixou de estar neste mundo com presença visível: ficou, porém, entre os homens com presença invisível no augusto Sacramento do Altar. Como Deus, Jesus está em todos os lugares; como Deus e homem, está no céu e no Santíssimo Sacramento do Altar.
No céu, fica sentado à direita de Deus Padre Onipotente. A Escritura se adapta com essas palavras à nossa linguagem; quer significar que, assim como nós damos à direita ao personagem mais digno, assim também no céu a humanidade santíssima de Jesus Cristo tem o primeiro lugar de honra e de poder após a Divindade.

Art. VII. - Donde há de julgar os vivos e os mortos

Juízo particular e universal

40. - No fim do mundo, Jesus Cristo voltará, visivelmente, à nossa terra, com grande poder e majestade, para julgar os vivos e os mortos, isto é, a todos os bons e maus, segundo as obras deles. Não deveremos esperar pelo fim do mundo para sermos julgados, porquanto haverá dois juízos: - um particular ou individual, logo após a morte; outro, universal, no fim do mundo.
Este segundo juízo não reformará a sentença do primeiro, mas o confirmará com maior solenidade:
a) para a glória de Deus, para que todos conheçam e sejam constrangidos a confessar que Deus fez bem todas as coisas e assim justificada seja a Sua Providência;
b) para a glória de Jesus, condenado e desprezado pelos homens, para que todos O reconheçam por Deus e soberano Juiz;
c) para a glória dos santos, afim de que sejam exaltados diante de todos, os que viveram cá na humildade e, não raro, padeceram perseguições;
d) para confusão dos maus, afim de que sejam envergonhados diante de todos e desmascarada a hipocrisia dos perversos.
Nada sabemos do lugar e do tempo, onde se fará o juízo universal. Jesus Cristo, no Santo Evangelho, nos fala somente dos sinais precursores do juízo e do modo como se desenrola. Far-se-á num instante: Deus iluminará todas as consciências: não haverá necessidade de exames nem de interrogações, as ações de cada um todos as verão como queridas e realizadas. A sentença, dá-la-á Jesus, que chamara para o céu os justos, com as palavras: "Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do reino preparado para vós desde a fundação do mundo" e condenara os maus com a sentença: "Apartai-vos de mim malditos, para o fogo eterno, que está preparado para o demônio e para os seus anjos". (Mat. XXV, 34-41.)

Art. VIII. - Creio no Espírito Santo
            O Espírito Santo

41. - Professamos crer no Espírito Santo, terceira pessoa da SSma. Trindade, procedente do Pai e do Filho por via de amor.
Macedônio negou a divindade do Espírito Santo; pelo que a Igreja, no Concilio Constantinopolitano do ano 381, juntou ao Símbolo Niceno uma afirmação explícita contra essa heresia. Focio negou que o Espírito Santo procedesse também do Filho, e a Igreja contra esse erro ajuntou ao símbolo Niceno-Constantinopolitano a afirmação explícita: "qui ex Patre Filio - que procedit - que procede do Padre e do Filho".

Manifestações

42. - O Espírito Santo Se manifestou no Batismo de Jesus em forma de pomba, e é a forma em que vem comumente figurado; no dia de Pentecostes, desceu sobre Maria Santíssima e os Apóstolos, no Cenáculo, em forma de línguas de fogo - símbolo da chama purificadora e transformadora do Evangelho.

Obras atribuídas ao Espírito Santo. - Dons e efeitos

43. - Ao Espírito Santo se atribui particularmente a santificação das almas, obra de amor: comunica invisivelmente a graça às nossas almas, santificando-as; opera em todos os sacramentos, mas em dois de modo especial e eficaz: na Crisma, isto é, quando se recebe a abundância dos sete dons, e na Ordem, em que o ministro de Jesus Cristo recebe, com o caráter, uma plenitude de luz, força e santidade, como a tiveram os apóstolos, para cumprirem bem os próprios deveres e fazerem dignamente as obras de Deus. Ao Espírito Santo se recorre para se Lhe implorar luz, força e consolação.
Os sete dons do Espírito Santo são: - sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus.

Art. IX. - A Santa Igreja Católica, a comunhão dos Santos.

Origem e definição da Igreja.

44. - Jesus Cristo veio à terra para salvar a todos os homens.

A esse fim duas coisas seriam necessárias: ensinar-lhes a verdade e infundir-lhes, na vontade, a força para praticá-la. A obra de Jesus Cristo devia perpetuar-se na terra: nesse objetivo quis Ele instituir uma sociedade, onde precisamente pudessem os homens encontrar os meios de conseguirem a salvação eterna. A tal sociedade chamou-lhe Igreja, palavra grega que equivale a assembléia, reunião. Jesus, realmente, entre os que O seguiam, a doze escolhidos, que chamou Apóstolos, lhes deu o poder de ensinar, santificar e reger; e aos fiéis incumbiu-lhes o de crerem naqueles e lhes obedecerem. À testa dos doze, pôs São Pedro; tudo para a glória de Deus e salvação das almas. Temos, pois, todos os elementos de uma sociedade, isto é, cabeça, membros, fim e meios.
Tal sociedade fora prenunciada pelos profetas. E Jesus Cristo dele falou frequentemente em Suas parábolas, quando assemelhava "o reino dos céus" a um campo, em que vai semeada a boa semente de par com a cizânia; a uma rede, onde há bons e maus peixes; a um celeiro, em que há grão e palha, etc.
A Igreja é, portanto, a sociedade dos verdadeiros cristãos, isto é, dos batizados, que professam a fé e doutrina de Jesus Cristo, participam dos seus sacramentos e obedecem aos pastores por Ele estabelecidos.
Note-se a expressão "verdadeiros cristãos", porque não basta ser batizado para se pertencer verdadeiramente à Igreja; faz-se mister ainda professem a verdadeira fé, frequentem os sacramentos e obedeçam aos legítimos pastores. Jesus Cristo fundou uma sociedade: a) visível, que possa facilmente ser reconhecida, e não uma sociedade de espíritos; b) religiosa, sobrenatural no fim a colimar, que é a vida eterna, e nos meios que conferem a graça; c) necessária, enquanto fora dela se não pode obter a salvação; d) perfeita, enquanto possui fim e meios próprios e é independente de qualquer outra sociedade; e) desigual e hierárquica, pois nela há quem governa e quem deve obedecer.
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