sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O BOM COMBATE NA ALMA GENEROSA - Parte XXXVI

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.

O BOM COMBATE 
NA
ALMA GENEROSA

Missionárias de Jesus Crucificado de Campinas


LAPIDAÇÕES DE AMOR

Almas Minhas, que tanto desejais a perfeição, vou hoje mostrar-vos que Meu amor é o cinzel sagrado, que vai lapidar vossa alma, para que as Minhas divinas perfeições em vós se reflitam. As muralhas da Pátria amada, disse João no seu Apo­calipse, são formadas de pedras preciosas. Sim, é por esta linguagem que podereis compreender as riquezas, que se acham no Céu...

Vou hoje, amadas Minhas, dizer-vos que vós sois também pedras preciosas, que um dia haveis de ornar a Minha cidade santa; mas é preciso que estas pedras sejam de valor e bem lapidadas, formando já neste mundo as muralhas de Minha Santa Igreja, para que os Meus inimi­gos nela não entrem.


Amadas Minhas, a pedra preciosa acha-se envolta de terra, porque na terra foi criada, e sem ser lapidada ela não tem brilho. O seu fulgor acha-se escondido até que, a Poder de cinzeladas, ela se torna brilhante.

A vossa alma é também uma pedra envolta no bruto. Sim, ela aparece neste mundo manchada pelo pecado de Adão. No Sacramento do Batismo torna-se esta alma limpa, porém não brilhante, porque o brilho está reservado para o divino cinzel, que é Meu amor. É verdade que se mor­êsseis depois do Batismo entraríeis no Céu imediatamente, mas não brilharíeis como as almas, que foram lapi­dadas pelo amor.

Vamos ver, amadas Minhas, como o amor lapida as almas que lhe são dóceis.

Depois do Batismo vêm os sacramentos da Penitência, a Sagrada Comunhão e os Conselhos evangélicos. Tudo isto é fruto do amor, tornando a alma cada dia mais brilhante e mais semelhante a Mim. Porém o amor não se contenta com este brilho, ele deseja que Minhas perfeições reflitam nestas almas, que lhe deram acolhimento. Vede tantas almas sofrendo temivelmente torturas de toda espécie, depois de praticar os conselhos evangélicos! O que vem a ser isto? É o divino cinzel lapidando a alma, para depois lapidar também a morada desta alma, o corpo.

Vede uma alma que procura ser obediente, casta e humilde, quanto mais procura ser perfeita, menos perfeita se julga! Como entender isso? É o divino cinzel desbastando a pedra para descobrir seu brilho. Porque uma alma, depois de renunciar a tudo que é menos puro, ainda se acha em aflição, pensando que não é pura a está muito longe de praticar a pureza? Ah! é porque o divino cinzel está desbas­tando a pedra e tirando tudo o que nela seja menos bri­lhante.

Porque uma alma, depois de fazer o seu voto de pobre­za, acha que não é verdadeiramente pobre à imitação de seu Esposo? É porque o divino cinzel está tirando tudo, que possa ofuscar o brilho desta pedra preciosa. Eis, ama­das almas, o motivo pelo qual gemeis depois de tão genero­samente abraçardes a perfeição.

O Meu divino amor é muito exigente, e quem se lhe entregar tem de ser cinzelado, por isso quem não quiser ser cinzelado, a ele não se entrega; saibam, porém, que sem ele não há perfeição.

Almas Minhas, desejo-vos ver perfeitas conforme as exigências de Meu amor, eis porque, dando-vos estas lições de amor, desejo que vos entregueis às suas exigências, sem reclamações, sem temor nem tristezas. Continuemos para que compreendais bem o que o amor pode fazer, para que assim não vos alarmeis, quando sentirdes o que Meus verdadeiros servos sentiram e o que Minha amadíssima Mãe sentiu...

Uma alma, que deseja imensamente Me amar, despreza o mundo com suas comodidades e promessas enganado­ras, entra para a religião, abraça os conselhos evangélicos com imensa alegria e em tudo acha prazer. O Meu amor a satisfaz, a obediência torna-se para esta alma um doce festim, a pobreza causa-lhe imensa satisfação, a prática da pureza faz-lhe ver, com os olhos da fé, seu Divinal Esposo rodeado de Virgens. O amor desejoso de lapidar esta alma, a enamora e lhe faz desejar o Sacrifício. Começa então a pedir sacrifícios! Meu Deus, dai-me a loucura da cruz, dai-me o martírio de amor, a sede de humilhações! Esta e a hora bendita em que o Divino Lapidador começa a usar de Seu cinzel.

O que se passa com esta alma ontem tão fervorosa? Sente hoje que já não tem mais aquele desejo de estar aos pés do altar, custa-lhe tanto aí permanecer! O que é que aconteceu a esta alma tão fervorosa? Aconteceu o que ela pediu a loucura da cruz! O Divino Amor começou sua obra de perfeição. Primeiramente estava aos pés do altar pela consolação que recebia, e agora está porque é a vonta­de daquele que a chamou à perfeição. O que aconteceu a esta alma que ontem obedecia alegremente e com satisfação, e hoje tanto lhe custa obedecer? É que esta alma está sendo lapidada na sua obediência. Obedecia com satisfa­ção própria e hoje o amor tirou-lhe esta satisfação, para ensinar-lhe a obedecer somente por amor de seu Deus, dando-lhe assim ocasião ao amor de cortar o gosto sensi­tivo, obedecendo somente com espírito de fé!

O que aconteceu com esta alma que ontem sorria, quando a superiora lhe pedia sacrifício e hoje tornou-se melancólica? Aconteceu que o divino cinzel está desbastan­do todas as imperfeições da pedra, tirando-lhe toda a con­solação humana e divina; e ela, como ainda não conhece a verdadeira virtude, que consiste em gostar sem gostar, em sorrir sem gostar, em obedecer sem ter vontade, esta alma, que ontem estava, mergulhada nas consolações e hoje tudo Ele foi tirado, sente-se melancólica colérica e enfada-se: Começa esta alma a sondar os desígnios de Deus e a pedir-lhe satisfações. Porque assim procedeis comigo? dizem tantas almas. Pobres almas, por ignorância assim fazem, esquecem-se de que se entregaram ao amor, o qual as está cinzelando para torná-las brilhantes como o sol, onde as Minhas perfeições podam ser refletida. Esquecem-se que nos ardores em que se achavam, Me disseram: Dai-me Senhor, a loucura da cruz, a sede de humilhações e o martírio do amor!

Como se pode ser louco na cruz, se não for nela prega­do? Como se pode ter sede de humilhações, sem ser nelas saciado? Como se pode sofrer o martírio do amor, se não é martirizado?! É preciso, almas Minhas, que tanto desejais a perfeição, que reflitais e leveis a sério negócio tão importante. A perfeição não se adquire nas consolações, porque estas são para o Céu; a perfeição só se adquire a poder de cinzeladas e estas dolorosas! Oh! Se conhecêsseis o seu valor as desejaríeis, ainda que com sacrifício! Como Minha armadíssima Mãe foi cinzelada pelo amor, sempre foi dócil. Não vos iludais, caríssimas esposas, Minha Mãe não viveu mergulhada nas consolações; Ela, desde os três anos até Sua morte, teve muitas consolações é verdade, porém depois de Mim, foi no mundo, quem mais sofreu. Se Maria que, não tinha a culpa original, foi assim cinzelada, como vós não vos haveis de entregar ao divino Lapidador, para vos tornardes brilhantes e assim poderdes ser pedras de valor?

Amadas filhas, esposas queridas, quantas almas por in­felicidade não chegam a ser brilhantes, porque não se dei­xam lapidar! Aqui fique bem patente, que todos os que desejam ser brilhantes tem de ser lapidados, e nesse trabalho quanto mais dóceis forem, mais brilhantes serão. Serão la­pidados na fé para mais Me verem no Céu, lapidados na es­perança para mais serem inundados de Mim mesmo, lapi­dados na caridade, para mais saciados serem no Meu amor.

Ó almas que desejais a perfeição, lembrem-vos que se não fordes mergulhadas no fogo, não podereis ser amolda­das em Mim: portanto, alma que ontem tanto desejavas a loucura da cruz, e que hoje estás pregada de pés e mãos, conforme desejavas amar-Me até o Sacrifício, agora tens de Me amar, não na satisfação, mas na dor, porque é assim que vos ensinei a Me amar no alto da cruz!

Almas que Me desejais amar, dissestes-Me que desejá­veis as humilhações e que delas tínheis sede; vede como agora, estais saciadas nesta sede; como o demônio vos hu­milha, dando-vos pensamentos tão baixos e fazendo com que os homens vos caluniem, vos injuriem e vos levem até aos tribunais, como Me levaram a Mim! Almas, que ontem Me pedíeis martírio de amor, hoje estais dizendo: Ó Meu Deus, não vos encontro, não vos acho nem na ora­ção, nem tão pouco no trabalho. Este é o martírio de amor o qual fez minha Mãe sair deste mundo em procura de Seu Amado. Tudo isso, filhas Minhas, são cinzeladas amorosas, que tornam vossas almas mais brilhantes que o sol.

Vamos ver agora, como a morada de vossas almas deve ser cinzelada, tornando assim no dia do Juízo Universal, vossos corpos merecedores de ressurgirem gloriosos do sepulcro, dando-lhes a ventura de se unirem de novo à alma, que se acha tão repleta de felicidade!

Eu, descendo ao mundo, tomei um corpo, formado pelo Espírito Santo no seio de Maria: portanto, esta natureza humana, tão decaída pelo pecado dos primeiros pais, ficou honrada por Mim, tomando-a como morada de uma alma, na qual ia mostrar-vos Minha imensa misericórdia. Portanto esta natureza humana, sendo companheira e morada de uma alma, criada pelo amor, tem de ser beneficiada, sendo também ela cinzelada pelo amor.

Como a natureza pode ser cinzelada pelo amor, se ela tem tão más inclinações? Sim, pode ser cinzelada e tornar- se de matéria bruta em matéria bela, pela qual a alma irra­dia as divinas perfeições, nela esculpidas pelo amor.

Amadíssimos filhos, chamo aqui a vossa atenção para Maria Santíssima. Vede todo Seu exterior irradiando o que lhe ia na alma, quando os discípulos amados chegavam de suas penosas jornadas de apostolado. Só um olhar de Maria era o suficiente para deixá-los de novo com força. O que é que fez com que Maria, somente com simples olhar, desse tanta força aos que tiveram a ventura de fitá-lA? É porque o amor lapidou todo o Seu exterior, dando-Lhe assim olhares de misericórdia e de compaixão de Meus caros discípulos.

Deixemos agora Maria, vamos ao encontro de Meus outros verdadeiros amigos. Porque um doce sorriso deles derruba por terra um malfeitor? Quantas vezes os Meus servos foram assaltados por malfeitores e, à vista destes verdadeiros amigos, eram desarmados com um simples sorriso. Porque com tão pouco uma muralha de ódio caiu por terra? Porque a natureza destes servos foi cinzelada pelo amor.

Como o amor pode cinzelar o exterior? O amor cin­zela o exterior, dando à natureza um desejo veemente de se tornar uma imagem perfeita de Mim.

Oh! almas que Me ouvis, se pudesses ver qual a docili­dade de todo o Meu exterior, desejaríeis ser Minhas copias perfeitas! Mas haverá necessidade disto? Sim, porque vós sois morada da Santíssima Trindade, e não se pode compreender um santo sem gravidade. É preciso que a na­tureza a pratique para merecer o que vai ser e gozar no céu. É preciso que a natureza seja sujeita ao espírito. Sendo como sois filhos do pecado, a vossa natureza em si tem inclinações perversas, por isso o amor precisa lapidá-la, tornando-a, de bruta, uma pedra preciosa, onde todos pos­sam ver Minhas divinas perfeições. São dolorosas estas lapidações; sim, são dolorosas e custam tanto, que muitos morreram no combate, sem ter adquirido o descanso neste mundo. Como o divino Lapidador começa a lapidar pelo coração, são estas lapidações as mais dolorosas e difíceis à natureza. O coração é um terrível inimigo, que muitas vezes Me expulsa para longe, quando ele envereda para o mal, mas se é dócil o divino Lapidador, torna-se o centro de todos os afetos, de todas as ações as mais sublimes, em favor da própria perfeição e em favor de Minha glória. Quanta dor, porém, causam as divinas cinzeladas para des­gastar esta preciosa pedra, que se vai tornar o refletor da divina caridade e onde se aninhará o amor puro e santo para com Deus. Vede, como o divino Lapidador começa a engastar esta pedra.

Uma donzela rica deixa seus queridos pais, suas rique­zas e seu bem estar; isto lhe causa imensa dor porque o seu coração se acha apegado a tudo, entretanto o divino cinzel começa a trabalhar, a dar seus primeiros retoques. Sofre-se com estas cinzeladas amorosas, mas apesar de sofrer ela é forte e abandona tudo que o seu coração lhe pede deixando-se levar pelo divino Lapidador para seu coração ser esmerilhado no amor.

Esta donzela entra para a vida perfeita, seus cálculos estão cumpridos, mas seu coração lhe pede afetos, lhe pede carinhos; e isso porque o coração ainda não está completamente desapegado! Ó cinzeladas dolorosas que vão bater fortemente para deste coração tornar um vaso de eleição, onde Eu vou depositar a caridade perfeita, uma humildade profunda, juntamente com a qualidade mais preciosa que no Meu Coração habita — a santa mansidão. Mas, para este coração ser ornado com tão sublimes qualidades, é preciso que seja martirizado pelas cinzeladas do Meu amor, tiran­do-lhe tudo o que é da terra. Este trabalho é longo e penoso para quem deseja ser saciado de Minhas qualidades. Oh! Minhas amadas, que Me ouvis, quem desejar ser em Minhas qualidades engolfado, é preciso que sofra este martírio do coração. Sim, o divino cinzelador que é Meu amor, enquanto não encontrar o coração esmerilhado pelo mesmo amor, não descansa, não vos deixando descanso, causando-vos agonias dolorosas. Se fordes fortes, sereis esmerilhadas no Meu amor, tornando vosso coração um vaso de eleição, onde as qualidades de Meu Coração serão depositadas, podendo assim beneficiar a vossa própria alma, dando estas mesmas qualidades a todos que delas tiverem sede.

Depois de bem lapidar o coração, vem a necessidade de lapidar todo o vosso exterior, a língua, os olhos, os ouvidos, enfim toda a vossa natureza, a qual deve respirar santidade como um corpo, onde habita a Santíssima Trin­dade.

Como o divino Lapidador cinzela a língua? Dando-lhe horror a toda a palavra vã, dando-lhe amor ao silencio, desejo de somente louvar a seu Deus. Isto, porém, se fará sem martírio? Ah! não, são dolorosas as cinzeladas, quan­do se sente o desejo de comentar certas coisas que para se calar causa um tormento a que muitas almas não resistem. A segunda emboscada do inimigo é com a pessoa que encontram: dão asas à língua, satisfazendo-lhe! A língua, é uma arma terrível para o mal e uma arma bendita para o bem; por isso, ela, sendo reginada pelo amor, torna-se uma espada bendita nas Minhas mãos. Oh! a língua de Meus verdadeiras servos, que se deixaram cinzelar pelo amor, foi uma espada bendita nas Minhas mãos e que usei para a derrota do inimigo, mas para isto é necessário que dela seja dócil nas mãos de tão sábio artista, como é Meu amor. Sim, a língua que é impulsionada por Meu amor, não detrata, só fala por necessidade e com caridade, esta língua terá no céu a ventura de falar Comigo, louvando-Me de um modo especial; por isso, esposas amadas, entregai vossa língua ao divino artista e ela será espada bendita nas Minhas mãos.
Prossigamos a descrever as divinas lapidações.

Como o amor lapida os olhos? A visão é um tesouro da natureza humana e um reflexo da alma. Pelos olhos os meus santos desprendiam raios de luz! Ah! olhai um Meu servo, e logo percebereis por seu olhar que tem uma alma cândida, mas para chegar a isto, é necessário que sejam estes olhos lapidados pelo divino cinzel. Como o divino cinzel lapida os olhos? Lapida-os quando os obriga a se fecharem para tudo que é da terra e para somente Me verem em tudo o que fazem.

Não é isto um martírio, trazer sempre os olhos fecha­dos para as curiosidades e novidades? Sim, é um martírio, o qual dará no céu a estes olhos a ventura de Me contem­plarem mais perfeitamente. Já neste mundo estes olhos irradiarão luz para os que ainda andam nas trevas.

Entregai, amadas Minhas, os vossos olhos ao divino Lapidador e eles serão sol refletores de Minha divina Luz!

Prossigamos. Os ouvidos também devem ser cinzelados pelo divino amor! Vede como isso há de ser.

A curiosidade de saber tudo é um perigo para a alma, por isso o amor precisa cinzelar, cortando esta curiosidade, fazendo com que vossos ouvidos ouçam somente coisas santas. Se a vossa missão é de ouvir coisas que vos desa­gradam, a caridade a isto vos impulsione, porém, quando se tratar de ouvir coisas por curiosidade, ou coisa que toquem na honra do vosso próximo, não deis ouvidos, deixai o divino Lapidador trabalhar, mortificando-vos neste ponto e lembrando-vos que se vos deixardes assim lapidar, tereis a ventura de serdes na pátria amada inebriadas de divi­nas melodias.

Entregai-vos ao divino cinzel, que Ele bem sabe dar suas cinzeladas amorosas, dando-vos um horror de ouvirdes curiosidades e palavras vãs.

Enfim, todo o vosso exterior, amadas Minhas, deve ser cinzelado pelo amor; o vosso modo de andar, sentar, etc.

Sim, como templo da Santíssima Trindade, o vosso porte deve ser nobre; deixai portanto retinir o divino cinzel, pois Ele sabe fazer obras de arte.

O vosso Jesus que vos abençoará eternamente, se estas coisas souberdes praticar, deixando-vos cinzelar pelo Meu amor, que vos deseja ver perfeitas, mas que para isto é ne­cessário receber os seus golpes com dor.

Jesus Crucificado, do Reino do amor.

Pelas mãos de Maria.
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