quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

A Mãe segundo a vontade de Deus/ XVI- Da submissão à autoridade

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI

A Mãe segundo a vontade de Deus ou Deveres da Mãe Cristã para com os seus filhos, 
do célebre Padre J. Berthier, M.S
Edição de 1927


XVI- Da submissão à autoridade

«Nunca deixes o orgulho reinar no teu coração; porque esse vício é a origem de todos os males» dizia muitas vezes Tobias a seu filho. Seguindo o exemplo deste santo velho, a mãe segundo a vontade de Deus extirpará do coração de seus filhos essa raiz de toda a iniquidade, com todos os seus amargos rebentões.


Ora o primeiro fruto do orgulho é o desprezo da autoridade e o espírito de insubmissão, que põe em perigo a sociedade moderna, e que arrancou esta ameaça à augusta Mãe de Deus : «Se o meu povo não quiser submeter-se, sou forçada a deixar mo­ver-se o braço de meu Filho»[1]. Todo o homem sensato o pode observar; a mais santa autoridade, a da Igreja e de seu augusto chefe é indignamente desprezada, não só pelos infiéis, mas até por filhos rebeldes e ingratos. Os tronos sustentam-se hoje com grande dificuldade, agitados pelo vento da independência e da revolta. Não tendes ouvido a cada passo os velhos a queixarem-se de que se não respeitam os seus cabelos brancos? E os pais não se queixam igualmente da insubmissão de seus filhos? Onde encontrar remédio para tão profunda chaga, senão no zelo das mães verdadeiramente cristãs, que, com o leite, farão beber a seus filhos o respeito da auto­ridade, e o espírito de submissão às suas leis se elas próprias estiverem bem compenetrada da mais profunda veneração e do mais terno amor pela santa Igreja, e pelo Soberano Pontífice, o vigário infalível de Jesus Cristo, essas mães saberão trans­plantar esse sentimentos, do seu coração, para o coração de seus filhos.

Não é isso mesmo o que nós lemos acerca de M. Frémiot, presidente do parlamento de Borgonha, e pai da santa baronesa do Chantal? Ficando viúvo com três filhos, este generoso cristão reunia-os pela manhã e à noite sobre os joelhos, ou em torno de si, e falava-lhes com a mais profunda convicção do poder e dos benefícios da Igreja, das suas glórias e das suas provações. Sua fi­lha Joana Francisca (depois canonizada), estre­mecia alternativamente de alegria ou de indigna­ção, quando seu pai contava os triunfos ou as dores da Igreja. Os sentimentos que nasceram das exortações paternas ficaram tão profundamente radicados no seu coração, que, mais tarde, não podia atravessar, sem derramar lágrimas, os luga­res, donde os hereges haviam banido a fé da santa Igreja romana.

«Fazei amar e respeitar às crianças todas as comunidades que concorrem para o serviço da Igreja, escrevia Fénelon; não permitais nunca que elas zombem do hábito ou do estado reli­gioso.» Num século em que os ímpios empregam gracejos sacrílegos e as mais negras calúnias, para fazerem odiar e desprezar a religião e os seus minis­tros, uma mulher cristã, longe de permitir que se pro­firam tais palavras, diante de seus filhos, fará quanto em si caiba, por lhes inspirar o respeito pelas coisas santas, e pelas pessoas revestidas dum caráter sagrado, mormente os sacerdotes de Jesus Cristo. Não é o Padre o representante de Deus na terra, e não recebeu uma autoridade e um poder que Deus não concedeu aos anjos do Céu? Se, porém, arras­tado pelo peso da fraqueza humana, a que o não pôde subtrair o mais sublime ministério, se, dizemos nós, o Padre esquecesse o que deve a si próprio e o que deve a Deus, não esqueceria a mãe cristã estas palavras do grande imperador Constantino:

«Se eu visse em falta um homem revestido dum caráter sagrado, cobri-lo-ia com o meu manto, para esconder a sua fraqueza a todos o olhos.»

Não há poder que não provenha de Deus, diz S. Paulo; quem pois resiste ao poder, resiste à ordem estabelecida por Deus. O desprezo por uma autoridade qualquer arrasta o desprezo de todas as outras autoridades. É preciso, pois, fazer respeitar pelas crianças o poder civil, e todos quan­tos dele estão revestidos, embora não se possa con­cordar com as leis que ferem a justiça ou os direi­tos do Deus e da Igreja. A velhice também deve ser por elas respeitada. «Levantai-vos em sinal de respeito perante a cãs do ancião», diz Salomão, e Deus fez-nos conhecer o castigo dessas crianças que ousaram insultar o profeta Eliseu chamando-lhe careca. Saíram alguns ursos duma floresta vizinha, e devoraram esses desgraçados.

S. Jerônimo escrevia a Laíta: — Acostumai vossa filha a correr com dedicação para os braços de sua avó, quando a vir; que lhe faça carícias, e que lhe recite algumas palavras dos cânticos sagrados.» Este conselho é hoje completamente desconhecido. Quanto é custoso ver o avô ou a avó, tristemente assentados, bebendo juntamente com as suas lágrimas, os desprezos dos netos, a quem os próprios pais ensinam com suas palavras e exemplos, a desprezar os que são dignos de tanta veneração e de tanto amor! Sabei, mulheres cristãs, que vossos filhos vos tratarão um dia como vós tratais os vossos pais na sua velhice; e ai de vós se não tendes senão ultrajes para os cabelos brancos dum pai, e duma mãe!... Todas as manhãs, apenas faziam a sua oração, todos os filhos da Senhora de Chantal iam abraçar o seu avô, e a própria mãe os acompanhava, para lhes dar o exemplo do respeito filial, que todos os filhos de­vem ter para com seus pais.


[1] Palavras da Santíssima Virgem aos dois pastores de la Salette.
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