quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A Mãe segundo a vontade de Deus/ XIII- Da pureza

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI

A Mãe segundo a vontade de Deus ou Deveres da Mãe Cristã para com os seus filhos, 
do célebre Padre J. Berthier, M.S
Edição de 1927


XIII- Da pureza

A pureza é a virtude dos anjos; torna o homem semelhante aos espíritos imortais, à Virgem Imacu­lada, a Jesus, ao próprio Deus. Quanto é bela essa virtude na fronte e no coração duma jovem! Que encantos celestes ela aumenta à beleza duma me­nina! Porque, é preciso dizê-lo: o vício que lhe é contrário, fato precoce da moleza em que crescem as crianças, murcha rapidamente as suas almas. Mui­tas crianças, desde a infância, bebem esse veneno, que corrompe o que há de mais nobre no seu espí­rito e no seu coração, roubando-lhe a vida da graça e a amizade de Deus. Ó mães preservai estas almas que vos são tão queridas, e que tão caras são a Deus, dum vício degradante para o homem e para o cristão, e fazei-lhes, logo desde a infância, amar a castidade.


É claro que se não deve dizer a uma criança, ainda na candura da inocência, em que consiste esta virtude, e porque faltas a pode ferir; mas deve-se desde o princípio preveni-la contra estas faltas, e cercar de uma barreira salutar o tesouro que possui, recomendando-lhe, e fazendo-lhe praticar a modéstia. Para o conseguir, deve a mãe cristã dizer muitas vezes a seu filho que Deus vê tudo, que seu olhar penetra as mais espessas trevas, os lugares mais ocultos, e o mais íntimo do nosso coração. — «Portanto, acrescentará ela, nada se deve fazer que ultraje a sua divina presença, nem nada se deve permitir, quando se esteja só e escondido, de que se possa corar diante dos homens. Meu filho, nós temos constantemente a nosso lado, para ser testemunha das nossas ações mais secretas, um anjo a quem Deus confiou a nossa guarda; não devemos entris­tecê-lo por ações que ofendam a Deus e expulsai todo o pensamento pouco modesto. O vosso corpo pertence a Jesus Cristo, é o templo do Espírito Santo; tratai-o com grande respeito. S. Luís Gonzaga tinha tanta modéstia, que não permitia nunca, durante a sua doença, que os criados, que o serviam vissem sequer ao menos descoberto a extremidade dos seus pés. Santo Estanislau desmaiava, quando ouvia uma palavra contra o pudor. Se companheiros infelizes vos aconselharem para o mal, fugi deles, desviai com horror os vossos ouvidos, e avisai sempre a vossa mãe acerca do que vos parecer perigoso.

A estas lições juntará uma mulher cristã a prática da mais exata modéstia, lavando e deitando os seus filhos, dando-lhes os peitos e vestindo-os. Julgamo-nos obrigados a entrar nestes pormenores, porque a negligência das mães e das amas, pode, a este respeito, ter consequências deploráveis. Devem preparar tudo, de forma que as crianças possam olhar para toda a parte, sem perigo. Que felicidade para eles que glória e que consolação para sua mãe, se eles pudessem chegar aos vinte anos, sem suspeitarem o mal!

«Virgínia Bruni, escreve o P. Ventura, falava muitas vezes a seus filhos das vantagens da pureza, fazendo-lha sentir tanto por palavras, como por exemplos. Excessivamente modesta, mesmo com os filhos, tanto em ações como em palavras, nada desprezava para os acostumar a um severo pudor; deitava-os quase vestidos, e com as mãos cruza­das sobre o peito; recordava-lhes que estava o anjo da guarda na sua presença, contente por vê-los em atitudes reservadas. Fazia-lhes ver que um só ato imodesto teria afligido Jesus Cristo, e Sua Santíssima Mãe, que gostam da modéstia principalmente nos me­ninos. Recitava com eles orações, e, vendo-os ador­mecidos, abençoava-os, recomendava-os a Deus, e só então os deixava sós no leito. Nenhum deles devia descobrir uma parte qualquer do corpo, em presença de outro, nem mesmo duas irmãs entre si; nenhum deles devia, mesmo a brincar que fosse, colocar as mãos sobre outro, e a mais inocente familiaridade que as meninas tivessem com seus irmãos, ou entre si, era punida com seve­ridade.»

Quando a criança teve a desgraça de adquirir o fatal conhecimento do mal, se a mãe o surpreen­desse a cometer alguma falta contra a pureza, de­veria pintar-lhe o vício vergonhoso, com as mais negras cores, e fazer-lhe sentir que esta paixão in­fame coloca o homem abaixo dos animais e dos próprios demônios; que profana os nossos corpos, e que, banindo Deus das nossas almas, atrai sobre nós eternos castigos. Deveria também exortá-lo mais abertamente, para a guarda dos sentidos e a modés­tia dos olhos. — «É pelos olhos, que são como as janelas da alma, que entra a morte, lhe diria ela; nunca os fixeis sobre uma pessoa do outro sexo.» Este conselho é dado pelo próprio Espírito Santo; o aquele santo homem que se chamou Job tinha feito um pacto com os olhos, afim de evitar todos os pensamentos culpados.


Para reparar a falta dum filho, e impedir que ele recaia novamente, é necessário que a mãe o leve a um bom confessor, que antecipadamente prevenirá. Se o temor de Deus e as exortações maternas forem impotentes para deterem na carreira do mal uma criança que erra, falar-lhe-á a mulher cristã nos estragos que o vício opera num corpo, e na desonra de que cobre os seus infelizes escravos. Numa pala­vra, tentará tudo, para arrancar essa alma à senda da perdição, em que rolam, de queda em queda, tantos infelizes mancebos.
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