sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Exercícios Espirituais para Crianças - PARTE SEGUNDA (Via iluminativa) - IV. A HUMILDADE

Nota do blogue: Acompanhe esse Especial AQUI.

Fr. Manuel Sancho, 
Exercícios Espirituais para Crianças
1955
PARTE SEGUNDA A Imitação de Cristo
(Via iluminativa)


VI. VIDA OCULTA DE CRISTO

1. Conexão desta meditação com as anteriores. 2. História da vida oculta de Cristo. —3. Humildade que nela resplandece. — 4.Sua obediência: a) Na vida oculta Ele praticou especialmente esta virtude; b) Quem obedece; c) Porque obedece; d) Como obedece.

1. — Tereis observado que, desde que começamos a segunda semana de Exercícios, isto é, desde a consideração do Reino de Cristo, caminhamos sempre de olhos voltados para Ele, o que é ir pela via iluminativa. Na última explicação falei-vos da humildade, virtude que Cristo tão excelentemente nos ensinou na Sua Encarnação e no Seu nascimento. Mas, como essa virtude é tão necessária e se aplica a todos os atos da vida espiritual, não é de estranhar que hoje, ao falar-vos da vida oculta de Cristo, sejam a humildade e a obediência as virtudes que na época mais longa da vida de Cristo resplandecem. Por isto, quadra neste lugar a explicação que hoje nos ocupa, explicação que indubitavelmente chegará ao vosso coraçãozinho, por tratar de Cristo na época em que Ele era mais parecido convosco, na épo­ca da infância e da Sua primeira juventude.


2. — Não me deterei a vos contar aquilo que já sabeis a respeito da vida de Jesus na infância. A adoração dos Reis Magos, a perseguição de Herodes, a fuga para o Egito, o regresso à Galiléia e, finalmente, a perda e o encontro do Menino Jesus no Templo: estes fatos todos vós os sabeis de memória. Somente vos direi algo da vida oculta que Jesus menino e adolescente levou em companhia de José e da Virgem Maria, em Nazaré.

Figurai uma casinha parecida com uma cabana no seu aspecto tosco e pobre. A casa está unida, suas paredes estão pegadas a umas penhas em que há cavada uma gruta que forma como que o fundo da casa, e na entrada desta há um jardinzinho.

Assim se explica hoje em dia aos viajores o lugar ocupado por uma igreja, lugar a que chamam casa de nutrição, como se dis­séssemos casa onde o divino Menino cresceu “em idade e ciência diante de Deus e dos homens” (Lc 11, 52). Quando Ele era pequeno, assim de vossa idade, ajudava Sua mãe e seu pai putativo nos afazeres domésticos; trazia água da fonte próxima, a que agora chamam Fonte da Virgem, amontoava aparas e rebotalhos de madeira, que levava ao lar, cumpria diversos misteres. Nos momentos livres que seus pais lhe concediam, brincava. Pasmai! também brincava! E como vós brincaríeis bem com Ele! Entre parên­teses, dir-vos-ei que Ele sabe brincar muito bem de esconder, coisa de que ainda agora, sendo grande, brinca. Escondido está na Eucaristia; escondido está quando deixa a alma atribulada e aparentemente só; escondido quando o chamamos e Ele se faz de desentendido, para que com mais eficácia o forcemos. Quando tiverdes desejo de estar com o divino Menino e de amá-lO e beijá-lO, chegai-vos ao SS. Sacramento e dizei-Lhe:

Por que te escondes, meu Jesus? Quando te verão meus olhos? Sei que estás aí: a fé mo ensina, mas eu quisera ver-Te como estavas em Nazaré. Manifesta-me Tua presença por Tuas graças suaves, como a manifestavas às crianças de Nazaré por Tua amabilidade requintada. Oh! Jesus, quão bem sabes o brinquedo de esconder que o amor te ensinou! e como atormentas o meu pobre coração ansioso por Ti! Não te escondas de mim totalmente, meu Jesus!

Convém que as considerações sobre Jesus no Seu nascimento, na Sua vida oculta, na Sua vida privada, vão entremeadas de afe­tos, porque falar de Jesus não é simplesmen­te contar uma história qualquer, porém uma história do amor imenso que Ele nos teve.

Prossigamos a nossa narração:

A Virgem instruía Seu Filho na lei de Moisés, fazia-Lhe de mestra, e Ele, que sabia tudo enquanto Deus, enquanto homem recebia lições de uma donzelinha. Como Jesus tinha vindo ao mundo para nos remir, em­bora fosse Menino, com a gravidade de um homem passeava à noite no terraço que têm as casas da Palestina, e, contemplando o céu, pensava em nós, orava por cada um de vós, porque era infinito e nada escapava ao Seu entendimento divino.

Uma sombra de tristeza pousava-lhe sobre aquela fronte serena de menino: nublava-a o pensamento da sua morte espantosa, e, como homem, Ele a sentia, embora intensamente a desejasse. Naquelas meditações surpreendia-O Sua Mãe, que O compreendia, porque ninguém compreendeu Jesus como Maria, e dizia-Lhe que era hora de repousar. O Menino mansamente obedecia; Maria recebia no Seu coração a tristeza de Seu Filho, beijava-O, e o Menino sorria.

Já maior, ajudava Seu pai no seu labor de carpintaria tosca, pois é tradição que S. José fazia arados e jugos, e manejava a garlopa, o malho, a verruma, o martelo... E, ao dar marteladas pregando pregos, Jesus pensava nas marteladas que sobre Ele haviam de desfechar os seus algozes pregando-o na cruz.

Não procurava a publicidade, trabalhava no seio da família, orava, obedecia. Amava sua Mãe como ninguém amou a sua, e ao bendito S. José como ninguém amou seu pai. Nunca replicava, rezava em comum com eles, adi­vinhava-lhes os pensamentos para os pôr em prática imediatamente.

Eu creio que, conhecendo os mistérios da redenção e não ignorando os futuros padecimentos de Seu Filho muito amado, a Virgem alguma vez, ao Lhe beijar a fronte, deixaria cair sobre ela puríssimas lágrimas. Mas um sorriso de Jesus dissiparia a tristeza do porvir brumoso, com a alegria do bem atualmente possuído. Por outra parte, as doces intimidades que provinham, sobretudo de Jesus, como da Sua fonte natural, derramariam sobre aquela casinha venturosa como que um orvalho celestial de inefável felicidade, orvalho com que Jesus banha tudo o que toca. Essa vida oculta de Jesus com Sua família parece-me uma mistura destas duas coisas. As histórias nada nos deixaram dessa etapa da vida de Jesus, a mais longa e a mais oculta.

3. — Mas, deixando de lado o que poderia acontecer na vida oculta de Jesus, duas virtudes podemos tirar dela. A primeira é a humildade que Jesus praticou durante Sua vida toda, mas sobretudo na Encarnação e no seu Nascimento, como já vimos e agora acabamos de considerar na Sua prolongada vida oculta de trinta anos.

Deus-Homem, oculto trinta anos, sem fazer ostensivamente coisa alguma! Aquele que havia de fazer tanto ruído, revolvendo o mundo, passava existência tranquila trabalhando como carpinteiro, ignorado de todos, o último de todos! Conta-nos o Evangelho que os que viam os milagres d’Ele e ouviam a Sua doutrina maravilhosa, diziam: “Não é este porventura o filho do carpinteiro?” E, se o tivessem conhecido, os Seus vizinhos de Nazaré também poderiam dizer então: “Este é o Filho de Deus? Este é aquele que há de transtornar a humanidade? Este é aquele que há de atrair a Si todo o mundo? Este carpinteiro é um ente tão grande assim? É Deus? Este?”

Oh! como confunde a nossa soberba Jesus Menino, Jesus adolescente, passando em Nazaré a Sua vida oculta! Como é diferente o proceder daqueles que, parecendo-lhes estarem no mundo para grandes coisas, só desejam publicidade, ruído, fama. Verdade é que os bombos soam muito, e já não soa tanto um bloco de ouro.

Já vistes nos moinhos de água das torrentes como ferve a espuma? A água precipita-se formando borbotões e, sobre eles, aparatosa, fervente, turbulenta, aparece a espuma. Ui! como deve ser terrível a espuma, que dessa forma se nos apresenta! Todavia, ela não é nada. Mal aparece, desfaz-se. Em compensação, as pepitas de ouro não se vêem, estão no fundo da torrente, ocultas entre areias e pedrinhas.

Assim são os soberbos: espuma e só espuma. Os humildes, ricos em verdade, calam-se e estão ocultos entre ofícios vis, como as pepitas de ouro entre o cascalho da torrente. Assim estava oculto Jesus de Nazaré; não era espuma no vazio e no bulício; era bloco de ouro acendrado de amor aos homens, ouro riquíssimo das mais excelsas virtudes.

Era uma vez um valdevinos vestido de rei, parecendo rei de comédia, arlequim de feira. Era um pobre diabo que fora elevado ao governo supremo do país por uma revolução popular, como as tempestades soem revolver o fundo dos rios e trazer vermes à superfície. O reizinho gritava e gesticulava e dava chicotadas no povo soberano, e expedia “ukases” e tossia bem forte. Era um cruel forrado de tolo, e fazia muitíssimo ruído. A nação precipitava-se no abismo vertiginosamente.

Um pobre homem, um campônio rústico e virtuoso, tendo a mão no cabo do arado e nos lábios o Deus que manda as chuvas temporãs e as tardias, ia lavrando a sua terra.

Enquanto os homens públicos, dirigidos pelo arlequim soberbo, todo espuma e estardalhaço, traziam à nação a fome e miséria mais espantosa, a terra que o calado labrego fecundou com seu suor cobriu-se de messes... e com isso a sociedade salvou-se da sua total ruína.

Assim faz o humilde calado; com suas virtudes ocultas salva a sociedade, enquanto os amotinadores prometedores de grandes bens e verdadeiros males a levam ao despenhadeiro.

A consequência disto é bem simples. Não queirais ser famosos, não queirais sobressair como a espuma, não queirais ser arlequins da sociedade. Imitai a Cristo; aprendei da Sua vida oculta a humildade, e assim, ao vos salvardes, salvareis a sociedade em que viveis.

Há meninos que, mal sabem que um b com a faz ba, já lhes parece que sabem muito, e têm ânsia de comunicar a sua ciência. Outros quereriam empunhar a férula do mestre e desferir palmatoadas a torto e a direito. Oh! quão bem o fariam! Outros querem brilhar com discursos e poesias, e ensinar-nos a nós, pobrezinhos que não sabemos. Uns sonham redimir a humanidade e fazer cátedra pública de virtudes que eles não praticam. Estes últimos não sois vós, incapazes ainda de tanto orgulho; mas indubitavelmente tereis ouvido falar desses novos redentores.

Coitadinhos duns e doutros! Os meninos a quem apetece sobressair e ensinar, e os homens que se dizem redentores, quão diferente proceder têm do verdadeiro Redentor do mundo, no seu humilde retiro de Nazaré!

Da vida oculta de Jesus, meus filhos, aprendei a não quererdes brilhar, e apetecei o vosso cantinho, o vosso labor oculto, como o do campônio, o vosso viver trabalhando, estudando e obedecendo por amor de Deus; assim imitareis a humílima vida oculta de Cristo.

4. — De propósito empreguei a palavra obedecer, porque esta é a outra virtude que brilha como um sol na vida oculta de Cristo.

a) O santo Evangelho resume toda a vida que Cristo passou em Nazaré, em companhia de S. José e da Virgem, com estas simples palavras: “Erat subditus illis". Era-lhes submisso; obedecia-lhes. Que fez Cristo nessa etapa, a mais longa da Sua vida? Obedecer, somente obedecer. S. José dispõe-se a fugir para o Egito; o Menino, que, embora ainda tão pequeno, tudo compreendia, obedece. S. José volta do Egito, o Menino obedece satisfeito. S. José permanece em Nazaré, o Menino ali permanece obediente. Obedecia aos mandados, às insinuações, ao agradável, ao penoso, a tudo.

Quando S. José lhe dizia: Jesus, apanha o cepilho, — o Menino apanhava o cepilho. — Agora a garlopa, — e assim o fazia com muito gosto o Menino, obedecendo a tudo prontamente e com alegria.

Sendo Deus, Jesus podia, num suspiro, fazer um arado melhor do que os de então, de ouro e de madeiras preciosas; contudo, parecia-lhe melhor o que aquele santo varão S. José ordenava, pois em bondade ninguém O ganhava; e entre os dois eles faziam o Seu arado com fadigas. Como vedes, Jesus sujeitava o Seu próprio parecer ao de S. José.

No melhor da coisa, ouvia-se a voz da Virgem: Meu filho, não há água em casa, — e lá se ia Jesus à fonte com Seu cântaro ao ombro.

À hora de jantar, Ele comia com alegria o seu caldo sem procurar finuras, antes dando graças a Seu Pai celestial. Assim fazeis vós, quando vos queixais, resmungando porque tal prato não vos agrada, ou porque desejais geléias e doces? Quão pouco imitam a Jesus obediente os meninos que assim procedem!

Ao considerardes o Menino Jesus obe­decendo a S. José e à Virgem, talvez Ele não vos pareça mui digno de admiração porque, direis, “às vezes eu também obedeço”.

Discorrer assim indica escasso conheci­mento do assunto que tratamos. Vereis às vezes uma pedra preciosa, um diamante, por exemplo, tosco e sem polimento. Mas li­mai-o, poli-o, esfregai-o na roda do lapidário, e Ele lançará faíscas, e a sua limpa beleza vos causará admiração. Assim acontece com estes mistérios de Jesus Cristo. Se considerardes a Sua vida de obediência em Nazaré como a vida de um menino ou adolescente, ela não vos chamará a atenção; mas, se considerardes quem é aquele Menino, quem é aquele Jovem que obedece a tudo quanto lhe mandam Seus pais, maravilhar-vos-eis das cintilações daquela alma puríssima, e, se considerardes como Ele obedece, subirá de ponto a vossa admiração e entusiasmo.

b) Quem é aquele Menino que obedece? É Deus, reparai bem; é Deus, é aquele que fez todas as coisas, aquele que deu o ser a Seu próprio pai putativo e a Sua Mãe a Virgem Maria, é o Deus a quem adoram, tremendo, anjos e querubins; é o Deus que, com um simples olhar ou um ato da Sua vontade, instantaneamente pode criar milhares de mundos bons, e mesmo melhores do que este que habitamos; é o Deus imenso, onipotente, belíssimo, infinito, sem medida. E este Deus, oculto no frágil corpinho de um menino ou de um adolescente, este Deus-Homem, a quem todas as criaturas obedecem, este Deus serra tábuas com Seu pai putativo, ajuda Sua Mãe, varre quando Ela Lhe diz que varra, limpa quando Lhe diz que limpe, dorme quando Lhe diz que durma... Oh! agora já não achareis isso tão simples, não é verdade? Não é a mesma coisa lavar pratos uma copeira ou uma imperatriz; não é a mesma coisa um soldado obedecer a um capitão ou um general obedecer a um recruta. E Deus é mais do que uma imperatriz ou do que um general.

Humilhai a vossa fronte e meditai e ru­minai devagar este mistério da obediência de Cristo em Nazaré, e dizei-lhe: “Meu Je­sus, Tu obedecendo dessa maneira? Por que tanta humildade? Por que te sujeitares e seguires em tudo a vontade alheia? — Oh, Meu filho, — diz-nos Ele ao coração, — oh, Meu filho, faço-o por ti, porque vejo que a tua grande desobediência tu a trazes no sangue, herdada! Soberbo e desobediente por inclinação, sê doravante humilde e obediente, em vista da Minha humildade e obediência”. Será possível que não ouçais esta voz do bom Jesus? Desde já prometereis ser obedientes, não replicar, fazer a vontade dos vossos superiores, como Jesus, com presteza e alegria, sujeitando o vosso parecer ao alheio.

c) Mas sabeis por que é que Ele obedece? Por amor de vós. Amor a nós, sempre amor a nós, humilha-O até o nosso barro e O faz obedecer e sujeitar-Se naquela vida oculta de Nazaré. Então, assim Te traz cativo o amor, meu Jesus? Então, é o amor que Te torna obediente e humilde? O amor, ó minha vida, o amor Te cativa e Te faz viver naquela humilde casinha; o amor Te move quando Tu Te moves obedecendo; o amor faz-Te empunhar o cepilho, pegar o cântaro, varrer com Tua Mãe; o amor manda-Te dormir, e Tu dormes; o amor faz-Te velar, e Tu velas. O amor Te estimula, o amor Te força... e assim a Tua obediência é um ato de amor a mim... Oh meu amor! Como pode haver quem não Te ame?

Animados por tão sublime exemplo, cheios de amor a Jesus, desde já fazei propósitos de obedecer sempre, pois Ele obedeceu por amor de nós.

Obedeceu sobretudo para dar glória a Seu Pai Celestial. Deus determinou que toda criatura vá ao seu fim obedecendo a outra criatura que o representa, e esta a outra pela mesma razão; e recebe muita glória ao ver que o homem se sujeita a outro homem por amor de Deus, honrando-o assim de modo excelente. Assim Jesus obedecia a Maria e a José, olhando a Seu Pai, que por meio deles lhe mandava. Com isto Ele nos ensina como devemos considerar a obediência.

Um regimento vai a operações com o seu coronel à frente. Cada soldado obedece ao seu cabo, os cabos e sargentos obedecem aos tenentes, estes aos capitães... Obedecem cegamente, sem criticar, e operam todos eles com precisão admirável. Como um simples soldado obedece igualmente o próprio filho do coronel. Ao qual diz o general em-chefe que dirige as operações:

Amigo, isto redunda em glória para ti, pois todos obedecem aos chefes subalternos como tu mesmo.

Nisto, passa por diante dos dois chefes, com passo marcial, um soldadinho que olha risonho para o coronel.
E esse bravo soldado? — pergunta o general.

É meu filho.
E ele obedece como os outros?
Exatamente: é o primeiro na discipli­na, e a nenhum cede em bravura.
Isto, sim, é que honra ao sr. muito mais, coronel.
E com isto o bravo militar fica satis­feitíssimo.
Igualmente, com a obediência aos nossos superiores, nós honramos a Deus; mas Je­sus Cristo honra-O de maneira excelentíssi­ma obedecendo a S. José e à Virgem.

Olhai, finalmente, como é que Jesus obedece a Seus pais. Obedece pronta e silenciosamente, sem replicar. Não se parecia convosco, que às vezes ides aos vossos mandados murmurando entre dentes não sei que ladainhas; ou então fazeis o que vos mandam movendo-vos preguiçosamente, como as tartarugas. Quanto custa a uma tartaruga mover-se! Assim vos moveis vós para a obediência. Assim não era Jesus.

Ademais, obedecia com alegria. O seu gosto era fazer a vontade da Virgem e de São José. É vosso gosto fazer a vontade dos vossos superiores? Refleti um pouco, e vos vereis desobedientes e maus; mas animai-vos desde agora com o exemplo de Cristo, e começai nova vida. Que íntima alegria acharíeis se, ao irdes deitar-vos à noite, examinando a vossa consciência, pudésseis dizer:

Por amor ao bom Jesus obedeci hoje aos meus superiores com presteza e alegria. Graças, meu Jesus, que hoje posso oferecer-vos este punhado de rosas de obediência.

Por mais que vos custe, a isso estais obrigados. Com o exemplo de Cristo, resolvei-vos a praticar virtude tão necessária, e dizei à Virgem:

Minha Mãe, as nossas desobediências quotidianas ligam-se umas às outras, como elos funestos de uma cadeia que nos sujeita ao demônio. Quebra esta cadeia, ó Virgem Maria das Mercês; redime-nos da torpe escravidão da desobediência, e, com o teu auxílio, seguiremos a Jesus pelo caminho da obediência, que é o caminho que leva ao céu.

Pedi-Lhe comigo esta mercê, rezando-lhe três Ave-Marias.
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