quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

O ÍDOLO DO DINHEIRO - Caso verídico e terrível contado por S. Leonardo de Porto Maurício

Por um indigno escravo de Nosso Senhor

O deus do nosso tempo é o dinheiro. Quão numerosos são os que se prostram diante dele e lhe oferecem adoração em todo tempo e lugar! O resultado é que, correndo atrás deste ídolo, esquecem o verdadeiro Deus, e, por consequência, precipitam-se num abismo de desgraças e perdem toda a felicidade, enquanto que - na afirmação do Profeta Davi - aqueles que buscam a Deus antes de tudo ( dinheiro, parente, amigo, jogo etc.), não caem em nenhum verdadeiro mal e abundam em todos os bens. (cf. Salmo XXXIII, 11). "Os ricos tiveram necessidade e fome, mas os que buscam o Senhor, não terão falta de bem algum". Esta palavra se verifica ainda mais naqueles que, antes de se entregarem a seu trabalho ou a seus negócios, têm o cuidado de assistir à Santa Missa.
   É o que prova a história dos três negociantes de Gúbio, Itália. Dirigiram-se a uma feira que se realizava num burgo chamado Cisterno. Depois de vender suas mercadorias, dois deles começaram a pensar na volta e resolveram partir no dia seguinte de madrugada, a fim de estarem em casa ao cair da tarde. O terceiro, homem de fé e que amava a Deus acima de tudo, discordou desta resolução dos dois amigos e declarou sem respeito humano, que, sendo o dia seguinte um domingo, não se punha a caminho sem ter antes ouvido a Santa Missa. E exortou os outros, se queriam voltar como tinham vindo, a concordar em assistir em primeiro lugar ao Santo Sacrifício da Missa; em seguida, fariam uma refeição e partiriam mais satisfeitos. Além disso, se não pudessem chegar naquela mesma noite a Gubio, não faltariam albergues confortáveis no caminho.
   Não se renderam os companheiros a aviso tão sensato e salutar; mas decididos a chegar aquela mesma noite a seus lares, responderam que Deus havia de perdoar-lhes se por aquela vez faltassem à Missa no Domingo. Assim, no domingo, antes da aurora, sem entrar sequer na igreja, montaram a cavalo e tomaram a estrada para sua terra. Em breve chegaram ao rio Corfuone, que a chuva torrencial da noite anterior engrossara a ponto de fazer transbordar. A água, em corrente impetuosa, sacudira e deslocara bastante a ponte de madeira. Os dois negociantes meteram-se por ela com seus animais, mas, bem não tinham chegado ao meio, roupeu-se a madeirame à pressão da água e os dois cavaleiros precipitaram-se no rio onde se afogaram, perdendo assim dinheiro, mercadorias e a vida, e, quem sabe, ainda a alma. Ao fragor desta catástrofe, acorreram os camponeses, e por meio de ganchos e varapaus conseguiram retirar os cadáveres que deixaram estendidos na margem, para que fossem identificados e se lhes pudesse dar sepultura.
   O terceiro, entretanto, que se deixara ficar para cumprir o preceito de ouvir Missa, pôs-se a caminho alegre e animado. Ao chegar à mesma torrente, viu na margem os dois mortos, e por curiosidade se deteve para olhá-los. Reconheceu imediatamente seus dois amigos, e ouviu emocionado o descrição da tragédia. Levantou, então, as mãos aos céus, agradecendo a Deus que tão misericordiosamente o preservara de sememlhante desgraça, e abençoou mil vezes a hora que consagrara à Santa Missa, à qual devia estar são e salvo. Ao chegar a sua cidade, comunicou a triste notícia e excitou em todos os corações um vivo desejo de nunca perder a Santa Missa nos Domingos e até, o quanto for possível, assisti-la todos os dias.
   Permiti-me escrever aqui: continua S. Leonardo, malditos ídolos que afasatam de Deus nosso coração e tiram de certo modo à liberdade de pensar no grande negócio da salvação eterna!
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