domingo, 15 de dezembro de 2013

O BOM COMBATE NA ALMA GENEROSA - Parte XXIII

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI.

O BOM COMBATE 
NA
ALMA GENEROSA

Missionárias de Jesus Crucificado de Campinas


Livro confortador das almas que gemem e choram neste vale de lágrimas

Almas que aspirais à santidade, porém que tendes muitas lutas a vencer, vou apresentar-vos um livro admirável, que vos dará força nas horas difíceis de vossa peregrinação! Este livro admirável vai ser ditado por Mim. Este livro é Jesus mesmo; sim, é Jesus manso e humilde de coração, sofrendo os tormentos os mais ignominiosos e as humilhações as mais vis no Seu Sacratíssimo Corpo, quando por este exílio passou fazendo o bem.

Este livro divino tem sido a força dos mártires e o alento de todas as almas que o abrem e procuram meditar nos seus amorosos ensinamentos.

Ó almas, que desejais estar um dia ao nosso lado e bem junto de nosso trono de amor, meditai nestas páginas e elas serão a vossa coragem nas horas difíceis. Sim, amados filhos, recorrei a este livro, quando, batidos pelo desânimo; meditai no que ele vos ensina e tereis coragem para enfrentardes as vossas lutas com destreza, dando assim a Jesus amor por amor, vida por vida!

Comecemos a folhear este livro de amor, impregnado de mansidão e de santa paciência! Que páginas admiráveis, amados filhos!...

Brilha como o sol no firmamento esta primeira e admirável página — a santa conformidade de Jesus no Getsêmani!

“Fiat voluntas tua”, quem pronunciou esta comovedora palavra? Foi pronunciada por Jesus, Rei dos céus e da terra!

Acabava Jesus de presenciar a mais horrenda cena no Getsêmani! Esta terrível cena, amados Meus, que Jesus viu naquela hora dolorosa, foi saber que, apesar de Sua morte ignominiosa, não acreditando no Seu amor, parte de Seus filhos se perderia, engolfando-se nos prazeres da carne e desprezando as castas delícias de Sua ardente caridade. Amados filhos, Jesus, derramando sangue pela força da dor. E sentindo que Seu Coração vai desfalecer, suplica a Seu Pai, que d’Ele afaste cálice tão amargo!

Seu Pai envia-Lhe um anjo que Lhe diz: É vontade de Deus que bebas este cálice até a última gota! Então Jesus, dizendo que “a Sua vontade se cumpra”, numa infinita con­formidade oferece-Se a Seu Pai, pela vossa redenção.

Amados filhos, Seu Pai não O vem confortar, mas envia-Lhe um anjo. Oh! como seria confortador para Jesus receber aquelas palavras de Seu mesmo Pai. No entanto, para mais merecer para vossas almas, Seu Pai envia-Lhe um anjo, em vez d’Ele próprio descer do céu.

Porém, a Sua infinita conformidade brilha ainda hoje como o sol, para ser a vossa força, quando batidos pela luta que tiverdes convosco mesmos ou com o inimigo do vossas almas!

Que lição admirável nesta bela página para vós, que tendes de vencer o mal. Jesus não desanimou, apesar da dor esmagadora e terrível; Ele, como Filho, chama por Seu adorável Pai: Meu Pai, se é possível, afastai de Mim este cálice, porém se Vossa vontade é que Eu o beba, que ela se cumpra. E seu Pai, vendo Seu querido Filho esma­gado pela dor, envia-Lhe um anjo para dizer-Lhe que era a Sua vontade que o bebesse até a última gota! Filhos Meus, Jesus não deixou de sofrer no Seu coração e na Sua alma! Aceita mais, vai à procura de Seus caros apóstolos e como os achou dormindo, disse-lhes: Nem ao menos pudestes velai uma hora comigo?! Sim, Jesus sentiu necessidade de corações amigos que d’Ele se compadecessem, tanto assim que se queixou à Sua cara esposa Margarida Maria do abandono desta hora!

Não penseis que Jesus deixou de sentir no Seu Coração tão negra ingratidão da parte de Seus amigos, por não O terem acompanhado na Sua dor, ao menos com as suas preces ao Pai. Jesus sofreu, porque Seu Coração, sendo como foi formado pelo amor, é sensibilíssimo!

E com este exemplo o que nos ensina Jesus? Ensina-nos que podeis sentir a necessidade de serdes confortados por Deus nas horas angustiosas, como Jesus sentiu: porém o Seu exemplo, nesta admirável página, é que Ele não foi confor­tado, mas, sim, fortalecido pela santa conformidade, quando o anjo Lhe disse que aquela era a vontade de Deus.

Amados filhos, o que representa este anjo? Este anjo é a vontade de Deus; é este anjo que deve vos fortificar para levantar-vos donde vos achais esmagados pela dor, para irdes ao encontro de vossos inimigos, ainda que com o coração dilacerado como Jesus! Jesus Se apresentou aos Seus algozes com o coração atravessado com uma lança cruel e esta de dois gumes cortantes — a ingratidão de Seus filhos nos séculos vindouros e o abandono de Seus caros amigos, que tanto Lhe doeu!

Se algum dia a dor vos visitar, e com ela a indiferença de vossos amigos, não fiqueis apavorados se vosso coração sangrar; lembrai-vos de Jesus e dizei: Enviai-me, Senhor, o Vosso anjo, isto é, dizei-me que esta é a Vossa santíssima vontade, para bem de minha alma e de muitas almas, pelas quais ofereço minhas penas. Depois deveis vos levantar e ir à frente de vossos inimigos, lançando-os por terra, com a fortaleza tirada da santa conformidade. Com coragem disponde-vos a sofrer as pancadas que vos quiserem dar, para merecerdes a coroa da santa mansidão!

Folheemos mais uma bela página deste livro admirável. Vamos ao encontro de Jesus manietado, perguntemos-Lhe porque motivo Se deixou prender, depois de mostrar aos Seus inimigos o Seu poder? Jesus vos responde por Mim: Deixei-Me prender por mãos sacrílegas, para hoje poder-vos dizer que, por vosso amor, não poupei o Meu sacratíssimo corpo. Sim, amados filhos, Jesus deixa Seu corpo à mercê dos Seus inimigos, para mostrar-vos que Seu amor é infinito!

Oh! que lição admirável! Como brilha nesta página o ardente amor de Jesus!

Vamos, almas que sofreis tentações e dificuldades, vamos ao encontro de Jesus arrastado nelas ruas como um malfeitor, cercado de soldados, que, armados com a ira satânica, parecem levar à prisão um facínora!

Contemplai comigo a face adorável de Meu Filho, porque estas coisas que vos falo mais aproveitarão às vossas almas, se as contemplardes bem de perto.

Vejamos portanto, Jesus amarrado, com a face lívida, Seus olhos amortecidos, como que contemplando alguma coisa! Jesus Me revelou, amados filhos que quando Se viu amarrado por aqueles pobres e infelizes soldados, avistou no decorrer dos séculos almas de boa vontade, sedentas de perfeição, porém fracas e necessitando de exemplo, que lhes servisse de estímulo para poderem chegar ao porto seguro — o Paraíso. Ainda que, com o coração despedaçado e a alma em agonia, contemplando esta visão futura, sente-Se confortado, porque Seu exemplo vai ser a força de milhões e milhões de almas; Sua aceitação voluntária vai ser o ali­mento de tantas almas, que fracas tremem à vista de um pequeno sacrifício!

Como é admirável esta página, como brilha nela a bondade de Jesus, apesar de se ver tão ignominiosamente tratado! Conforta-Se Ele com a lembrança de que Sua ignominia vai ser a força e o alimento das almas. Jesus, amados Meus, conhece vossa fraqueza, por isso Ele não se admira, quando vos vê desanimados; ao contrário, como Pai solí­cito, deixou remédio para todos os vossos males. Sim, n’Ele se encontram todos os remédios. Só vos resta aproximar-vos d’Ele com amor e confiança, para poderdes receber tudo de que precisais. Sua bondade não tem limites para com os que O procuram. Eis que, para mais vos provar Sua bon­dade, deixa-Se amarrar, como se na realidade fosse um mal­feitor! Sim, Jesus é o malfeitor do mal, isto é, o destruidor do pecado, porque Ele, vindo ao mundo, destrói o pecado por meio do admirável sacramento da penitência. Eis porque, sendo o malfeitor do mal, O prendem e Ele obedece aos Seus algozes, para que mais brilhe Sua encantadora bondade em favor dos homens!

Oh! almas que Me ouvis, quantas vezes como Jesus sereis martirizadas pelos inimigos de vossa alma, e somente porque desejais ser malfeitoras do mal, isto é, destruidoras das paixões, que em vós se levantam, ou quem sabe em favor do vosso próximo; quantas vezes exaustos pela luta, tereis necessidade de confortar vossa alma tão aba­tida! Ó filhos Meus, folheai este livro que é Jesus sofredor, e tereis alento nas vossas penas, tereis força nas vossas lutas! Sim, é neste livro divino que aprendereis a ciência das ciências, que consiste na vossa santificação e na con­quista das almas para a Jerusalém Celeste.

Folheemos mais uma admirável página deste divino livro!

Amados filhos, Jesus foi sempre heróico nos Seus sacrifícios, pois aceita com amor tudo o que Seus adversários Lhe apresentam! Eis que agora O levam à prisão e ali Lhe urbem ultrajes sem conta!

Jesus, sempre bom e generoso, aceita com resignação tudo isso sem proferir palavra, dando mesmo ocasião aos algozes de pensarem que Ele era um idiota ou insensível à dor. Pobres e infelizes algozes! Seus corações obcecados, não puderam compreender seu silêncio no meio de tantos vitupérios e profanações! Como é doloroso contemplar este quadro, pois Jesus também amava estes infelizes, que não quiseram abrir seus olhos para contemplar a divina formo­sura; pois nesta hora, como Jesus Me revelou, Seu rosto achava-Se incandescente de amor, lembrando-Se que nos séculos futuros, almas generosas compreenderiam este Seu silêncio, no meio dos mais vis insultos!

Ó silencio admirável, tens sido a força de tantas almas no meio das provas, as mais dolorosas!

Os pobres soldados não puderam compreender este silêncio de Jesus, porque suas almas se achavam obcecadas pelas paixões! Almas que me ledes, quantas vezes, como Jesus, não sereis compreendidas no vosso modo de proceder! Oh! convido-vos então a guardar silêncio, e neste silêncio a vos regozijardes, lembrando-vos que ele será ímã, que há de atrair para vós os olhares amorosos de Jesus.

Filhos Meus, se à imitação de Jesus souberdes vos calar nas horas de provação, Jesus olhar-vos-á, comprazendo-Se no vosso silêncio, dando-vos em troca os tesouros de Sua caridade infinita!

Bem-aventurados os que souberem calar-se nas horas de provação, porque só então Jesus compartilhará de sua dor, dando-lhe em troca os amplexos de Sua ardente caridade.

Amados filhos, não penseis que calar-se nas horas em que sois caluniados e que não sois compreendidos, seja fácil! Ah! não é fácil; é preciso ter bastante amor de Deus, que é o que dá força para poder calar-se! Quando se é inocente ou quando tendes penas a sofrer, a natureza humana pede desabafo; eis porque é necessário uma força sobrena­tural que domine a natureza fraca.

O desabafo jamais foi pecado, mas as almas que dese­jam cada vez mais estarem unidas a Jesus devem procurar, à medida de suas forças, guardar as primícias de suas penas para Jesus, que há de ser o confidente destas almas, que suspiram por tão nobre ideal — a união perfeita com seu Deus. Aqui, porém, almas Minhas que Me ouvis, é preciso que entendais. Quando se tratar de certas tentações, que tiram a paz e tranquilidade de vossas consciências, deveis vos manifestar sem demora ao anjo que vos foi dado, pelo qual vos falará Jesus, tirando-vos das armadilhas satânicas e das quais não saíreis vitoriosas, se não fizerdes este ato de humildade. Os sentidos presos pela tentação, pre­cisam ser libertos pelo poder, que foi dado por Deus a estes anjos, que são os ministros do altar!

Podia Jesus mesmo instruir a Paulo no caminho de Damasco, mas Ele o envia a um destes anjos para que lhe diga o que devia fazer.

Quer Jesus que estes anjos sejam os dispensadores de Sua divina misericórdia; eis porque, almas Minhas, quando vos achardes tentadas, deveis como a criança correr aos pés daqueles a quem foi dito: Tudo o que ligardes na terra será ligado no Céu. Sim, por este motivo, deveis recorrer a estes anjos de caridade, porém, quando sentirdes necessidade de desabafo, correi aos pés de Jesus preso no tabernáculo, onde está para ser o vosso consolo, o vosso amigo e a vossa força. Mas se preferirdes o desabafo com as criaturas, em vez de irdes junto d’Ele, jamais chegareis à santidade almejada pelas vossas almas. Jesus, no silêncio admirável da Sua prisão, não Se privou de dirigir Suas ardentes súplicas ao Pai, ainda que, naquelas horas de dor e agonia, o céu Lhe estivesse fechado! Jamais cessou de conversar com Seu Pai, ainda que este se conservasse silencioso, para Jesus mais merecer a bem de vossas almas. Portanto, almas atribuladas, quando aos pés de Jesus Sacra­mentado não experimentardes consolação alguma, procedei como Ele, suplicai, chorai aos Seus pés, porque Jesus não é insensível às vossas penas; ao contrário recolhe todas elas e vos dá em troca bens incompreensíveis à vossa pobre inteligência. Só um dia no céu é que podereis ver as vossas penas e as vossas lágrimas, coroadas de glória.

Agora tudo vos é obscuro, porém quando vos for dado entrar ma Mansão da luz, vereis claramente quão bom foi chorar em silêncio aos pés de Jesus sacramentado.

Almas Minhas, como devíeis suspirar por poderdes desabafar com Jesus neste divino Sacramento! E como devíeis ser ciosas de que só Ele soubesse de vossas penas! Como estes momentos serão preciosos para vossas almas!

Almas que sofreis sem serdes acalentadas, lembrai-vos de Jesus, que passou por esta dura prova, para hoje poder-vos dizer: Meditai em Mim e tereis força. Eu também fui provado, para mais merecer para vossas almas. Vós, se assim sois tratadas é para um dia brilhardes no céu como o sol. Sim, Jesus assim vos fala para vos alentar com a Minha linguagem de Mãe; portanto todos que sofreis tantas securas e provações, animai-vos, porque só aos que carre­garem sua cruz, negando tudo a si, ser-lhes-á dado estarem bem perto de Jesus, na Jerusalém Celeste!

Folheemos mais uma página deste divino livro. Vamos ao encontro de Jesus nos tribunais para ver o que Ele nos ensina nesta tremenda humilhação! Jesus, como um manso cordeiro, deixa-Se levar com tanta doçura e sere­nidade, que parece que vai não condenado à morte, mas, sim, para um rico festim! Ó meus filhos, Jesus, na sereni­dade de Seu semblante divino, mostra que vai para um belo festim; e sabeis qual seja ele? É o festim do amor! É nesta admirável página, que Ele vai mostrar as finezas de Seu ardente amor! É este o festim desejado e ardente­mente almejado! Sim, Jesus estava ansioso em mostrar aos homens as qualidades de Seu ardente amor, que são a for­taleza, a calma e a serenidade no Sacrifício!

Apresentando-O aos juízes, acusam-nO de blasfemador, porque Ele se diz Filho de Deus. Jesus responde com toda a firmeza, que é Filho de Deus, declarando ainda haver ensinado publicamente e nada temendo pelas consequências desta afirmativa. Foi quando uma mão sacrílega, impulsionada pelo ódio satânico, estalou na Sua divina face!! Oh! Meus filhos, parai aqui, meditai; o divino Filho permite que uma mão sacrílega se lance contra Seu rosto com toda a violência e furor diabólico. Jesus, o manso Jesus, responde com toda a calma e bondade: Se fiz mal, dize-Me em quê e se fiz bem, porque Me feres? Vede que doce linguagem a de Jesus! Assim falou para mostrar aos Seus agressores que n’Ele não podiam achar culpa, e os intimou a que dissessem qual o mal que tinha feito! Se disse a verdade, porque Me feres?! Pobres homens, n’Ele não acharam culpa, mas só caridade, e eis porque o condenaram à morte! Chegou a hora do festim, chegou a hora suspirada de mostrar à humanidade que Seu amor é forte, mais forte do que a própria morte! Por isso se regozija com a sentença de morrer em uma dura cruz! Seu ardente amor voa então até os séculos vindouros e vê mi­lhões de almas prostradas diante de Sua cruz, recebendo o perdão de seus pecados e este perdão distilado de Sua misericórdia infinita.

Vamos agora à flagelação, onde esta página brilha como o sol, pela Sua paciência e mansidão! Vamos encon­trá-lO vestido com uma túnica rubra, e esta tecida com o Seu precioso sangue, o qual sai em borbotões de Seu corpo Santíssimo, todo rasgado pela força e pela quantidade dos açoites, que acaba de suportar sem proferir palavra.

Oh! filhos Meus, aqui aos pés de Jesus flagelado, vos convido a refletirdes por instantes, para poderdes contem­plar este Jesus em uma chaga viva e com a face amortecida pelas dores! Os Seus divinos olhos, porém, brilham, e deles saem chamas abrasadoras, que hão de ferir todas as almas, que meditarem nesta cena de sangue! Oh! almas que sofreis dores físicas ou morais, almas enfim que levais uma vida de trabalhos e penas, as vossas dores serão como para vós às de Jesus?! Ó todos que sofreis, convido-vos a meditardes neste quadro sanguinolento, do qual Jesus assim me falou: Minha Mãe, Eu te poupei de ver-Me neste estado, porque não resistirias, cairias fulminada pela força da dor! Oh! Minha Mãe, disse-Me ainda Jesus, todos os que realmente meditarem neste quadro sanguinolento, morrerão para as vaidades do mundo e chegarão a um alto grau de perfeição.

Sim, quem será que depois de bem meditar nos tormen­tos, pelos quais Jesus aqui passou, quem será que ainda há de ter coragem de proporcionar satisfação a seus apetites e paixões?! Qual será o coração que, depois de bem meditar neste quadro, terá a ousadia de se apegar às vaidades, que desaparecem como a fumaça?! Portanto razão teve Jesus quando Me disse: Quem meditar neste quadro sanguinolento, chega a um alto grau de perfeição.

Filhos Meus muito amados, que tendes lutas a vencer, dificuldades a trilhar, molhai-as todas no corpo ensan­guentado de Jesus e tudo se vos tornará leve, tudo vos será fácil a vista do que Jesus padeceu por vosso amor. Almas desanimadas, convido-vos, a meditardes todos os dias na flagelação de Jesus, e Eu, vossa Mãe, vos asseguro que, em breve vos tornareis fortes. Meus filhos, Jesus sofredor é o remédio para todos os vossos males. Sim, Ele é fortificante para as vossas fraquezas, portanto, quando vos sentirdes fracos vinde buscar, aos pés de Jesus sofredor, a força para as vossas fraquezas. Não vos esqueçais que Ele cobrir-vos-á com a púrpura de Seu Precioso sangue, dando-vos assim o calor no meio do inverno de vossa pobre vida! Sim, o exílio é um duro inverno, a que se resiste e só enche de méritos, se for aquecido ao sol da presença real de Jesus, que Se acha com a púrpura sagrada de Seu precioso sangue para vos cobrir.

Continuemos a folhear este admirável livro.

Vamos contemplar a Jesus na manifestação de Seu ardentíssimo amor. Oh! Meus filhos, se soubésseis ler nesta página admirável, vossas penas e dores seriam dulcificadas pela lembrança do quanto Jesus sofreu, para manifestar-vos Seu infinito amor! Esta página rubra brilha ante os escolhidos que nela souberem ler, bebendo nos Seus ensinamentos força e vigor para lutarem com destreza, e ganharem a vitória almejada — o Paraíso.

Mas qual é esta página? É Jesus coroado de agudíssimos espinhos! Os pobres soldados O coroaram de Rei de burla! Jesus aceitou com toda a paciência essa coroa, que Lhe causou tanta dor, que vos é impossível compreender! Oh! quem será capaz de compreender o que então Jesus sofreu?! Criatura alguma jamais compreendeu o quanto Jesus sofreu na Sua humanidade por vosso amor!

Amados filhos, meditai, nesta admirável página, a lição que Jesus vos dá com o Seu exemplo de paciência, acei­tando o que os Seus inimigos Lhe querem dar! Ele não vê Seus inimigos, mas, sim, o Seu coração, que Lhe diz: Amo os homens e por eles aceito tudo o que me quiserdes dar! Eis, amados filhos, Seu amor em ação. Sim, o amor que Lhe abrasa o coração, deseja irradiar-se e manifestar-se. E qual é a maior manifestação do amor senão o sacrifício? – Por isso não vê os verdugos, senão para os amar e pedir por eles perdão. “Meu Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem.” Isso não disse Jesus somente no alto da cruz, mas, sim, em toda a Sua Paixão, pois muitas vezes enviou a Seu Pai tal súplica. Sim, amados filhos, na coroação de espinhos transborda Seu ardentíssimo amor manifesto pela paciência, com que suportou as Suas terríveis dores! De Seus olhos divinos pela agudeza da dor caem lágrimas de sangue; porém, de Sua boca divina não sai uma queixa! Somente no Seu coração murmura: “Meu Pai, Eu amo os homens!” Ó admirável exemplo, ó silêncio bendito, que será vossa força, ó almas, que sofreis! Sim, Jesus paciente deve ser a força, a couraça para poderdes resistir a tantas lutas e dores que tendes de passar! Jesus Se calou na Sua dor, para hoje vos dizer: Por Meu intermédio vinde a Jesus que Ele é a vossa força! Ó almas que sofreis, Jesus tudo suportou, para hoje vos dizer: Não temais, vinde a Mim que Sou vosso Pai, vosso amigo, vosso esposo e vosso tudo. Sim, filhos Meus, Jesus sofreu para Se compadecer de vossas penas e dores, pois Ele não é insensível aos vossos sofrimentos, antes bem os compreende, por isso hoje vos pode dizer: Ó Meus filhos, todos os que sofreis, vinde a Mim, Eu conheço vossa dor, vinde e Eu vos consolarei. Eu fui chamado pelo profeta o homem das dores, sim, na realidade tomei sobre Mim todas as vossas enfermidades e por todas elas sofri; portanto, vinde, que vos compreendo e tenho de vós compaixão!

Eis, filhos amados, o que Jesus vos diz pela Minha boca de Mãe solicita: Jesus é bom, compreende vossas penas e dores! Como se sentem as criaturas felizes, quando são compreendidas por um amigo. Jesus, o melhor dos amigos, vos compreende, portanto, vinde com confiança lançar-vos nos Seus braços, pois deles saíreis fortes para a luta.

Não vos esqueçais desta página admirável, onde brilha Sua infinita paciência, transbordamento de Seu infinito amor!

Continuemos a folhear este divino livro. Vamos ao encontro de Jesus, carregando Sua pesada cruz. Almas que Me ouvis, meditai um Deus com o madeiro da ignominia e do desprezo sobre Seus delicados ombros. Nesta via encontra-Me com a alma e o coração traspassados de dor, por vê-lO em tão lastimoso estado! Ó se não fosse Seu olhar divino, não O teria reconhecido, tal era o estado em que se achava!

Almas que sofreis, vossa dor será maior do que nossa dor? Ah! não, porque nossa dor foi na medida de nosso amor. Jesus, Meu doce Jesus Me ama com amor infinito e Meu amor, ainda que não seja infinito, não tem limites; eis porque a dor de Jesus sendo infinita, sem limites também foi a Minha dor! Portanto, nesta página admirável aprendei a sofrer com generosidade, e se forte for o vosso amor, fortes deveis também ser nas vossas penas e dores. Não vos esqueçais, porém que a dor e as penas são repelidas pela natureza e até pela própria alma; ao mesmo Jesus, a dor não deixou de Lhe causar temor no alto da cruz!

Vede-O no alto da cruz, a dizer no mais cruel de Seus padecimentos: Meu Deus, Meu Deus, porque Me abando­nastes! Sim, Meus caros filhos, as penas e as dores são os castigos do pecado, por isso é que causam horror a quem os tem de sofrer! Jesus, de boamente tudo sofreu por amor e vossas almas, porém, a dor não Lhe deixou de ser dor, nem a pena de ser pena! Sim, todos fomos criados, não para o sofrimento, mas para gozarmos de Deus e dos infinitos bens que nos preparou. Criados como fostes para gozar, a natureza se revolta, e a própria alma procura a liberdade; entretanto, como as penas e as dores são as provações do exílio, deveis, à nossa imitação, aceitá-las com amor e por amor da santificação das vossas almas.

Lembrai-vos, filhos Meus, que breves são as penas do exílio e eterna é a recompensa, se souberdes sofrer por amor, unindo vossas penas às nossas.

Continuemos a folhear este livro divino.

Vamos ao Calvário, onde Jesus, cravado de pés e mãos, mostra-Se à humanidade com os braços abertos para dizer a todos: Vinde a Mim; vinde que desejo vos abraçar com a Minha infinita misericórdia! De hoje em diante a mise­ricórdia será o pára-raio da Divina Justiça; todos os casti­gos estão neutralizados! Oh! Meus filhos, como Jesus, deixando-Se pregar em uma dura cruz, vos patenteia Sua misericórdia! Ó almas que sofreis de escrúpulo, contemplai a Sua santíssima misericórdia em ação! Vede-O dizendo ao bom ladrão: Hoje mesmo estarás comigo no Paraiso! Ó bondade de Jesus! Ó almas temerosas, contemplai Jesus, o Meu querido Filho que é Deus, com os braços abertos vos dizendo: Oh! não temas, porque, nesta dura cruz, já sofri por todos os teus pecados; só te resta agora, alma que temes, vires buscar aqui aos Meus pés, misericórdia e perdão, coragem e amor! Sim, filhos de Meu coração, não temais, porque temer a Jesus é um crime! Não deveis temê-lO, mas, sim, amá-lO, detestando tudo que possa ofendê-lO. Porém, se tiverdes a infelici­dade de cair em alguma falta, mesmo em pecado grave, não temais porque Jesus morreu pelos vossos pecados! Levantai-vos depressa, ide aos pés de Seu ministro, e Ele vos dirá: Vai-te em paz, teus pecados estão perdoados! Sim, Jesus, no alto da cruz, já os expiou; portanto, filhos Meus, Jesus é o livro confortador, é o livro divino, que dá força e vigor, que dá enfim a paz perene!

Alegrai-vos, filhos Meus que sofreis, porque tendes Pai e Mãe.

Jesus é vosso Pai e Eu Sou a vossa muito solícita Mãe, que sempre estou às vossas ordens, para vos dar tudo o que me pedirdes de bom e de bem para vossas almas.

Maria, vossa riqueza do Reino da misericórdia.


23-9-1931.
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