quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A Mãe segundo a vontade de Deus/ XI - Do amor de Nosso Senhor Jesus Cristo

Nota do blogue: Acompanhe esse especial AQUI

A Mãe segundo a vontade de Deus ou Deveres da Mãe Cristã para com os seus filhos, 
do célebre Padre J. Berthier, M.S
Edição de 1927


XI - Do amor de Nosso Senhor Jesus Cristo

Com o leite, fez Santa Mônica receber a Santo Agostinho o nome e o amor de Jesus Cristo.

Também, no meio dos erros da sua moci­dade, S. Agostinho nunca pode esquecer essa ra­diosa e comovente figura de Nosso Senhor. Lemos a este propósito o que ele próprio escreveu no livro das suas Confissões: «O nome de Jesus Cristo, diz ele, ficou sempre no fundo do meu coração; e sem este nome nenhum livro, por mais interessante que fosse, podia satisfazer a minha alma.»

Em tempos mais próximos de nós, Virgínia Bruni, essa admirável viúva, de quem por várias vezes temos falado, conversava muitas vezes com os filhos acerca dos benefícios de que nos enche Jesus Cristo. Quando lhes dava alguma coisa, nunca dei­xava de observar que tudo provinha de Jesus Cristo. Depois do jantar, e depois da ceia, levava-os à igreja, para dar graças ao Divino Mestre, a quem lhes fazia pedir a benção e socorro para eles e para sua mãe. Quando cometiam alguma falta, exigia que, primeiro que tudo, pedissem perdão a Jesus Cristo; e quando os via humilhados e arrependidos: «Está bem, lhes dizia, Jesus Cristo é tão bom que já vos perdoou; e eu também vos perdôo.» Estas admiráveis mães tinham compreendido que o prin­cipal a colocar diante dos olhos das crianças é Jesus Cristo, o centro do toda a religião e nossa única esperança.

No nosso século principalmente, em que a pes­soa adorável do Filho de Deus é o objeto de tantas e tão horríveis blasfêmias, as mulheres cristãs não devem desprezar nada para inspirar a seus filhos um grande respeito e um ardente amor pelo divino Salvador.

Jesus Cristo é o Libertador prometido a Adão, quando foi expulso do paraíso terrestre; para Ele se voltavam os desejos dos patriarcas, dos profetas, dos justos da antiga lei, e de todas as nações, que suspiravam pela Sua vinda. Jesus Cristo é o Mediador entre o Céu, e a terra; só por Ele podemos ser salvos; é o Filho de Deus, o Verbo eterno, o próprio Deus, revestido da nossa natureza, afim de estar, de alguma forma, mais perto dos homens, e de poder mais facilmente assenhorear-se dos seus cora­ções. Como é o explendor da glória do Padre, sus­tenta tudo com o Seu poder, sendo constituído o herdeiro do universo. Jesus Cristo ó o juiz dos vivos e dos mortos, e a recompensa para que todos nós tendemos, é o início e o fim, o princípio e o termo. Nele estão ocultos todos os tesouros da ciência, da sabedoria, da beleza, da misericórdia. Habituada por santas reflexões a procurar estes tesouros divinos, uma mãe cristã descobrirá inesgotáveis riquezas a seus filhos, pintar-lhes-há o amor de Jesus para com os homens, falar-lhes-há do presépio de Belém, e do Rei do Céu, que Se fez menino, pobre e sofre­dor, para nossa salvação; far-lhes-há a comovente narração dos trinta e três anos de humilhações, de sacrifícios e trabalhos do divino Mestre, e principalmente da Sua dolorosa morte e paixão. A coroa de espinhos, os açoites, os escarros, as bofetadas, os cravos, o fel e vinagre não serão laços capazes de prender todos os corações ao jugo suave do amor de Jesus?

A mãe, segundo a vontade de Deus, não se esque­cerá também do quadro da ressurreição gloriosa e da ascensão triunfante de Jesus, ao Céu, onde está sentado à direita de Deus Padre, e vive sempre para intercedei por nós. Fará observar que o meio de testemunhar a Jesus o nosso reconhecimento, por tudo quanto fez e sofreu por nós, é imitar os exemplos que nos deixou. Ele veio à terra para nos ensi­nar o caminho do Céu; seria, pois, tornar inútil a Sua vinda, se não seguíssemos o caminho que nos traçou. «Jesus Cristo, diz Santo Ireneu, fez-Se me­nino, para santificar os meninos; fez-Se pequeno para santificar os pequenos, dando-lhes o exemplo da piedade, da santidade e da submissão; fez-Se criança para servir de modelo às crianças.»

«É preciso acostumar as crianças a considerar a vida de Jesus Cristo como nosso exemplo, e a Sua palavra, como nossa lei, escrevia Fénelon. Escolhei entre os Seus discursos e as Suas ações o mais pro­porcionado às crianças. Se a criança se impacienta por sofrer algum incômodo, exortai-a a que se lem­bre de Jesus Cristo na cruz; se não puder resol­ver-se a algum trabalho fatigante, mostrai-lhe Jesus Cristo trabalhando até aos trinta anos num estabe­lecimento; se quiser ser louvado e estimado, falai-lhe nos opróbrios por que o Senhor passou; se não puder conciliar-se com as pessoas que o rodeiam, fazei-lhes considerar Jesus Cristo falando com os pecadores e hipócritas; se testemunhar algum ressentimento, mostrai-lhe Jesus, morrendo sobre a cruz, por aqueles próprios que O faziam morrer; se se deixar arrebatar por uma alegria imodesta, pintai-lhe a doçura e a modéstia de Jesus Cristo, tão grave e sério durante toda a Sua vida. Fazei com que a criança medite muitas vezes, acerca do que Jesus Cristo pensaria, e diria das nossas conversa­ções, dos nossos divertimentos, das nossas ocupa­ções, ainda mesmo as mais sérias, se ainda estivesse visível entre nós. Qual seria o nosso espanto o a nossa confusão, continuareis vós, se Jesus apare­cesse de repente no meio de nós, quando estamos no mais profundo esquecimento da Sua lei? Não é isso o que acontecerá a todos nós, quando morrermos? Numa palavra, esforçai-vos para que Jesus seja o modelo e o fim de todas as ações de vossos filhos. Ó Jesus, tesouro das nossas almas, atraí a Vós, com laços de amor, os corações de todas as mães cristãs, afim de que elas vos façam conhecer, e amar!
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