quarta-feira, 21 de julho de 2010

Mãe

Mãe



Em ti penso, contigo sonho, anjo da guarda da minha infância! Treme a minha pena e o meu coração bate mais depressa quando escrevo esta palavra: "Mãe". A grandeza desaparecida dos dias passados torna à minha presença como se me acenasse de um longínquo e espesso nevoeiro. Surgem as recordações dos dias soalheiros da primavera, das carinhosas mãos da mãe que tão solicitamente me cuidavam. E vibram as cordas da minha alma.

Quem pode compreender totalmente o sentido dessa palavra? Quem há que não estremeça ao pensar naquela que nunca o deixou de amar desde o primeiro instante da vida, que sorria como um sol sobre o seu berço, que sofria quando o seu pequeno estava doente e padecia?

Que coração se não enche de emoção quando pensa naqueles dias da infância em que  nada mais existia além da mãe? Talvez tenha sido para muitos a primeira e a única alegria da vida!

É bom pensar nesses tempos, em que a alegria e a claridade nos rodeavam, em que a dor e as preocupações ainda não tinham aparecido, porque a mãe impedia a sua entrada na sagrada ilha da infância.

Quem pode dizer o significado da palavra "Mãe"?

Estudiosos, novos e velhos, aprenderam na vida muitas definições, procurei-a durante muito tempo e nunca a poderei esquecer, embora tenha sido difícil encontrá-la.

Se reuníssemos tudo o que Petöfi escreve em longínquas terras, e Torth Kalman canta sobre a mãe no lar, ou o que um órfão soluça no cemitério; se ouvíssemos as canções populares e os grandes poetas do povo ou os brilhantes elogios dos grandes educadores; se nos fosse possível penetrar na alma despedaçada de qualquer mãe quando visita na prisão o seu filho perdido; se contássemos as horas em que o olhar materno vela junto do berço de um filho doente; se pudéssemos convoca, da longínqua história, a orgulhosa mãe dos Gracos ou juntar em salva de ouro o delicado coração de Elisabeth Szilagy ou de Hellene Zriny e o fiel coração da mulher de um trabalhador que incansavelmente cuida, noite e dia, dos que ama; se, finalmente, trouxéssemos ainda a célebre figura de mãe do cemitério de Génova e, sobre isto tudo, fizéssemos resplandecer a imagem da Madona, teríamos apenas um débil reflexo do que é a mãe. Mas a profundidade dessa maravilha não estaria ainda esgotada.

(A Mãe, pelo Cardeal Mindszenty)

PS: Grifos meus.
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