terça-feira, 24 de novembro de 2009

ESPECIAL - Os deveres do marido e da mulher - 6 Partes (Papa Pio XII)

Os deveres do marido e da mulher
Papa Pio XII

Parte e última
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6ª e última parte

Mas a cooperação do homem para a felicidade do lar não pode parar nem se restringir ao respeito e à consideração para com a consorte de uma vida: deve ir até ver, apreciar, reconhecer a obra e os esforços dela que, silenciosa e assídua, se dedica a tornar a comum moradia o mais confortável, mais agradável e mais alegre possível.

Com quanto amoroso cuidado aquela jovem tudo dispôs para festejar, tão alegremente como à circunstância convém, o aniversário do dia, em que ela, diante do altar, se uniu a ele que devia se tornar o companheiro de sua vida e de sua felicidade, e que agora está para voltar à casa do seu trabalho ou da sua oficina!

Olhai aquela mesa: flôres delicadas a embelezam e alegram. O jantar foi por ela preparado com todo cuidado; escolheu o que há de melhor, aquilo que a ele agrada mais. Mas eis que o homem, pelas longas horas do trabalho, penosas talvez, mais do que de costume, nervoso por contrariedades imprevistas, retorna, mais tarde do que de costume, sério e preocupado por outros pensamentos: as alegres e afetuosas palavras que o acolhem, caem no vazio e o deixam mudo: na mesa preparada com tanto amor parece que ele nada percebe: só olha e observa aquele prato, bem preparado para fazer-lhe prazer, que foi porém cozido um pouco demais, e disto ele se lamenta, sem pensar que a causa foi o seu atraso e a longa espera.

Come depressa, devendo, como ele diz, sair logo após o jantar. A pobre mulher tinha sonhado, para após o jantar, uma doce tarde, transcorrida junto a ele...encontra-se ela, agora, sozinha na casa deserta; precisa de toda sua fé e de toda sua coragem para reprimir o fluxo das lágrimas que lhe vêm aos olhos!

... Sem dúvida o marido poderá alegar em sua desculpa as duras canseiras de um dia de inteiro trabalho, tornado mais pesado pelo desprazer e pelo tédio. Mas crê ou pensa ele que a sua mulher jamais sinta nem prove cansaço, nem encontre aborrecimentos?

O amor verdadeiro e profundo, em um e em outra, deverá ser e mostrar-se mais forte do que o cansaço e o enfado, mais forte que as mudanças de tempo e de estação, mais forte do que o variar do humor pessoal e o advir de imprevista má sorte.

Convém dominar a si mesmo, e aos acontecimentos exteriores, sem ceder e sem colocar-se ao sabor dos mesmos. É preciso saber tirar da fonte do recíproco amor o sorriso, o agradecimento, a apreciação, as afeições e cortesias: dar alegria a quem vos dá tristeza.

Quando portanto, ó homens, vos encontrais em casa, onde a conversa e o repouso concederão renovo às vossas forças, não persistais em ver e procurar os pequenos defeitos, inevitáveis em toda a obra humana; procurai antes todo bem, muito ou pouco que for, bem que vos é oferecido como fruto de penosos esforços, de cuidadosa vigilância, de afetuosos cuidados femininos, para fazer de vossa moradia familiar, ainda que modesta, um pequeno paraíso de felicidade e de alegria.

Não deixeis de considerar tanto o bem e amar no fundo de vosso pensamento e coração, não; fazei aparece e sentir abertamente também àquela que não poupou cuidados para vos dar tal prazer, e cuja melhor e mais doce rcompensa será aquele sorriso amável, aquela palavra graciosa, aquele olhar atento e complacente, donde ela deduzirá todo vosso reconhecimento.

(Discurso aos esposos, 8 de abril, 1942 - Pio XII, retirado do livro: Pio XII e os problemas do mundo moderno)

PS: Grifos meus
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