quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Grandeza e alegria da maternidade - Pio XII


Sem dúvida a voz da natureza fala nela e põe-lhe no coração o desejo, a alegria, a coragem, o amor, a vontade cuidar de seu filho; mas, para vencer as sugestões da pusilanimidade sob todas as suas formas, essa voz precisa ser reforçada, e, por assim dizer, assumir um tom sobrenatural.

Pertence-vos fazer a jovem mãe degustar, menos pelas vossas palavras do que por toda a vossa maneira de ser e de agir, a grandeza, a beleza, a nobreza dessa vida que desperta, que se forma e lhe vive no seio, que nasce dela, que ela carrega em seus braços e nutre com seu leite; fazer resplandecer aos olhos dela e no seu coração o grande dom de Deus e ela e a seu filho. Por numerosos exemplos, a Sagrada Escritura faz-vos ouvir o eco das preces súplices e, depois, dos cantos de agradecida alegria, de tantas mães finalmente atendidas após haverem longamente implorado por suas lágrimas a graça da maternidade.

Mesmo as dores que, desde a culpa original, a mãe deve suportar para dar à luz seu filho não fazem senão apertar mais estreitamente o laço que os une; ela o ama tanto mais quanto mais sofrimentos ele lhe custou. Foi o que exprimiu com comovente e profunda simplicidade Aquele que formou o coração das mães:

"A mulher, quando dá a luz seu filho, já não se lembra das dores, por causa da alegria de haver dado um filho ao mundo".

Além disto, pela pena do apóstolo São Paulo, o Espírito Santo mostra ainda a grandeza e a alegria da maternidade. Deus dá à mãe o filho, mas no próprio dom ele a faz cooperar efetivamente para o desabrochar da flor cujo germe Ele lhe depositara nas entranhas, e essa cooperação torna-se um meio para conduzi-la à sua salvação eterna: "A mulher salvar-se-á pelos filhos que puser no mundo".

Esse perfeito acordo da razão com a fé, dá-vos a garantia de estardes na plena verdade... Aliás, não precisamos demonstrar-vos, a vós que tendes a experiência disso, o quanto hoje em dia é necessário esse apostolado de estima e do amor à nova vida. Ai! Não são raros os casos em que mesmo por uma simples e discreta alusão falar dos filhos como de uma "benção" é o bastante para provocar a contradição ou mesmo, às vezes, a zombaria. Muito mais freqüentemente reinam a idéia e a expressão do "peso" fastidioso dos filhos. Quanto essa mentalidade é oposta ao pensamento de Deus e à linguagem da Sagrada Escritura, e mesmo à sã razão e o sentimento da natureza!

(Pio XII e os problemas do mundo moderno)
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