terça-feira, 13 de abril de 2010

Presunção

Presunção

Um dos mais célebres pintores de retratos de todo o mundo disse um dia que jamais encontrara uma pessoa que, enquanto "poupasse" para ser retratada, não estivesse constantemente a falar de si. Este fato explica-se psicologicamente como um desejo de impressionar o artista com a própria importância, de maneira que ele possa transportá-la para a tela.

É, porém, mais provável que o hábito do egotismo já esteja tão profundamente enraizado, que o auto-elogio seja automático e se exiba da mesma maneira numa carruagem de luxo, ou no estúdio do artista.

Os indivíduos ricos são talvez os mais vangloriosos, emborra inconscientemente. Confundindo o possuir com o ser, pensam eles que, desde que possuam grandeza material, são necessariamente grandes. Tais indivíduos orgulhosos estão muito mais sujeitos aos aborrecimentos e à ansiedade do que aqueles que o não são, pois toda e qualquer prova, por pequena que seja, fere profundamente a sua sensibilidade doentia.

Nada tem contribuido tanto para o egotismo, o orgulho, a vaidade, o amor-próprio e a gabarolice, como a suposição de que um complexo de inferioridade está sempre errado. Se, com o fim de se defender, o indivíduo empurra os seus semelhantes, os afasta, para se apoderar dos primeiros lugares à mesa, manifesta uma doença psíquica e torna-se presa do orgulho satânico.

Daí por diante, é este o modelo do seu comportamento diário: depreciação dos esforços de outrem, exibição arrogante de um sonho e de uma ilusão, sensibilidade excessiva para quaisquer ofensas pessoais e dureza para como os sentimentos alheios.

O egocentrista, está só, e vive uma vida de mentira porque as verdades que lhe dizem respeito picariam a sua presunção.

O orgulho foi justamente classificado como fonte de todos os males. Tal como disse o grande poeta:

"Se foi esse pecado que motivou a queda dos anjos, como póde, pois, o homem, imagem do seu Criador, esperar vencer por meio dele?"

Nos dicursos modernos, raras vezes se pronuncia a palavra "Humildade", ou seja a virtude que regula a avaliação indevida que um homem faz de si próprio. A humildade não é auto-depreciação, pois o cantor talentoso não pode negar que canta.

Humildade é verdade, é cada qual ver-se a si próprio tal qual é, e não como pensa que é, nem como o público crê que ele seja, ou como as notícias da imprensa o descrevem.

Se uma candeia se comparar a um pirilampo, gaba-se realmente, de ser uma luz forte; se, porém, se comparar ao Sol, vê-se a si própria como um dos seus raios mais fracos. Assim como o artista deve julgar a sua pintura pelo modelo, e o gravador compara a sua moeda com aquela que lhe serve de exemplo, também o homem deve julgar-se pelo seu Criador e por tudo aquilo que Ele quer que o homem seja.

O homem humilde não fica abatido perante as censuras ou a indiferença dos outros. Se inconscientemente as provocou, penitencia-se das suas faltas; se reconhece que, de fato, as não mereceu, encara-as como insignificâncias. A humildade também nos impele de atribuir exagerado valor às dintinções e honrarias.

O elogio deixa o homem humilde constrangido, porquanto ele sabe que, quaisquer dons que possua, foi Deus quem lhos concedeu. Ele recebe o louvor tal como uma janela recebe a luz e não como a bateria recebe a corrente.

O homem realmente humilde, embora seja importante, desde que possua essa virtude, não aluga agentes de imprensa, não sopra as trombetas da fama, não se dá ares afetados, não desfralda bandeiras, não solicita lisonjas.

Enquanto ajuda e esclarece os seus semelhantes, ele deseja ser como os anjos que desempenham o papel de auxiliares, mantendo-se invisíveis...

(Excertos do livro: Paz de espírito, do Arcebispo Fulton J. Sheen)

PS: Grifos meus.
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