domingo, 11 de abril de 2010

Ideal esquecido

Ideal esquecido



A submissão é uma das mais profundas necessidades do coração humano. Após século e meio de falso liberalismo, durante o qual se negou que qualquer coisa fosse verdade, e não importava aquilo em que se acreditava, o mundo reagiu ao totalitarismo. Cansou-se da sua liberdade, como sucede às crianças das escolas "progressivas", que acabam por se fatigar da liberdade que têm, de fazer o que lhes apetece.

A liberdade cansa aqueles que querem fugir à responsabilidade. É então que eles procuram um falso deus, em cujas mãos se entregam e, assim, já não têm mais em que pensar, nem precisam de tomar decisões.

Nazismo, Fascismo e Comunismo surgiram no séxulo XX, como falsas reações contra o liberalismo. A vontade própria repudia sempre a verdade que a desafia. Seja qual for o êxito obtido, a vontade própria nunca está satisfeita, e é essa a razão por que o egocentrista foi sempre pronto a criticar.

A fronte que ostenta a coroa está constrangida, não porque se sinta cansada do peso da coroa, mas sim porque está fatigada de si mesma.

Dentro dos limites do seu poder, o reinante pode fazer limitações, torna-se monótona, estagnada como um pântano. Um rio pode ser mais feliz do que um pântano porque tem as suas margens e limites; um pântano é um vale de liberdade que perdeu as suas praias e se tornou "liberal".

Apenas aqueles que possuem uma verdade são realmente livres de servidão e do fardo de si próprios. "A Verdade libertar-vos-á", disse o Divino Salvador.

Só o lutador de "box" que conhece a verdade sobre a luta, é que terá a liberdade de se conservar de pé. Só o homem que conhecer as verdades relativas à engenharia está apto a construir uma ponte que se mantenha firme.

O amante da verdade vive sob a eterna lei da retidão e, porque se submete a ela, logra paz...

Há duas espécies de verdade: a especulativa e a prática. A verdade especulativa é a verdade do conhecimento, tal como chegou até nós, através da filosofia, da mecânica, da física e da química. A verdade prática, contudo, diz respeito às ações e à existência, tal como a ética e os costumes.

A primeira espécie de verdade aceita-se facilmente. Por exemplo, Londres é a capital da Inglaterra. Aceitar esta afirmação não implica alteração na nossa conduta, nem exerce qualquer influência sobre as nossas vidas. A verdade da moral, tal como a pureza, a justiça, a prudência e a caridade, não são tão fáceis de aceitar porque pedem muitas vezes alterações no nosso comportamento.

É esta a razão pela qual muitos homens aceitam mais dificilmente objeções contra os princípios da moral do que contra uma teoria científica. O nosso Divino Mestre referiu-se à dificuldade em aceitar as verdades práticas quando disse: "Não vireis até mim, porque as vossas vidas estão erradas".

... A verdade compara-se aos filões de metal que se ocultam no seio da terra. São, por vezes, extremamente finos e não correm ao longo de uma camada contínua. Se perdemos o filão, seremos forçados a cavar quilômetros e quilômetros, para voltar a encontrá-lo.

As sementes da verdade comparam-se às pepitas do ouro que os pesquisadores encontram; podem ser descobertas após uma longa busca e, depois, ainda precisam de ser peneiradas das escórias com muita paciência, queimadas com sacrifício, para eliminar os sedimentos e, finalmente, carecem de ser lavadas na torrente da honestidade.

Repare-se quantas vezes na vida pública atual os homens acusam outrem de estar a mentir. Por que será que eles não falam nunca da Verdade? É possível que estudassem na mesma escola em que Pilatos estudou, e perguntem como ele: "O que é a verdade?", e depois lhe voltem as costas.

É preciso ter acumulado muita prática de virtude para qualquer de nós chegar a descobrir a Verdade.

(Excertos do livro: Paz de Espírito, do Arcebispo Fulton J.Sheen)

PS: Grifos meus.
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