domingo, 11 de abril de 2010

O Cura de Ars e Santa Filomena

O Cura de Ars e Santa Filomena


Ao regressar de Mugnano e França, Paulina foi visitar o seu querido amigo, o Venerável Cura de Ars, a quem contou toda a sua milagrosa cura. O santo sacerdote, enquanto a escutava com uma atenção cheia de enlevo sentiu abrasar-se-lhe o coração no amor de Santa Filomena. Grande foi a sua alegria quando Paulina lhe ofereceu uma parte das preciosas relíquias que trouxera consigo. Imediatamente foi erigida na sua Igreja uma capela em honra da Virgem Mártir, e aí ficaram as relíquias devidamente.

Em breve, se tornou essa capela teatro de inúmeras curas, conversões e milagres. O Padre Vianney consagrou-se por voto especial a Santa Filomena, e logo se tornou evidência uma intimidade maravilhosa entre o bom sacerdote e aquela a quem ele considerava sua Celeste Padroeira. Tudo ele fazia por amor dela e tudo ela fazia por ele.

A Santa aparecia-lhe, conversava com ele, e tudo lhe concedia satisfazendo as suas preces. Ele, tratava-a pelos mais carinhosos nomes; e ela comprazia-se em lhe prodigalizar as mais assombrosas graças. O seu privilégio, de taumaturgo era extraordinário; mas longe de lhe causar o menor assomo de vaidade, era para ele a maior cruz que cumpria suportar e conduzir.

O seu costume era atribuir a culpa de tudo a Santa Filomena - "Foi Santa Filomena. O meu desejo era que ela fizesse os seus milagres fora daqui", - dizia ele com um sorriso. Mas da mesma forma a Santa parecia continuar a sentir prazer em mortificar o seu santo amigo, distribuindo os seus prodígiosos benefícios por intermédio das mãos dele.

Uma vez, uma mulher, ao meio da igreja repleta de fiéis, suplicou-lhe que abençoasse um seu filhinho doente. O venerável Cura não pode resistir às súplicas da pobre mãe. Abençoou a criança e ela imediatamente recuperou a saúde. Perturbadíssimo, o santo homem exclamou: - "Saiam! saiam depressa para a sacristia! Eu quisera que Santa Filomena tivesse curado a criança lá em casa!".

A propósito de tudo e até sem ser a propósito ele falava na sua querida Santinha. Dentro de pouco tempo, ressoava o nome dela por toda a França. Todas as dioceses tinham altares, capelas e igrejas dedicadas à Taumaturga. Só em Langres havia nada menos de doze igrejas consagradas à sua devoção.

As suas festas: o 11 de agosto, - a principal festividade; o 25 de maio, - descobrimento das suas Relíquias; e o domingo dentro do oitavário da Ascenção, a festa do seu Patrocínio - começaram a ser celebradas com grande pompa e a atrair imensa multidão.

Um novo laço de amor

Das várias maravilhas que se viam em Arc durante a vida do santo pastor, nenhuma era tão grande como a da própria existência do venerando sacerdote. O seu débil corpo estava de tal maneira depauperado por jejuns tão rigorosos e tantos exercícios de penitência que o seu definhado aspecto deixava aterrados os visitantes de Ars. Apesar da sua extrema fraqueza, o trabalho incessante a que ele se votava em cada dia seria suficiente para exaurir a mais hercúlea força, se com ela fosse dotado.

Sucediam-se os dias, e a multidão comprimia-se em Ars, vinda não só de todos os pontos da França, como de Inglaterra, da Irlanda, da Alemanha, e de outros países da Europa.

Os doentes, atribulados, almas santas e desamparados pecadores, todos afluiam ali e cercavam o seu confessionário. Passavam então longas horas, dias inteiros, esperando a vez de confiar as suas mágoas àquele coração cheio de amor, ou de o consultar sobre a solução de alguma grave dificuldade, ou de lhe confessar os pecados e malefícios de toda uma existência.

Um simples olhar seu ia direto ao coração do mais desumano criminoso. O seu evangélico sorriso confortava o mais desolado. Uma palavra - subitamente inspirada - resolvia a mais nebulosa dúvida.

Mas como vivia ele?
Era este o milagre de Ars.

Por fim, pareceu que a sua maravilhosa existência atingira o seu termo. Era no princípio de Maio de 1843. Nunca se tinha visto em Ars tão extraordinária afluência. O servo de Deus sucumbia a uma fadiga esmagadora. Em adição às devoções habituais, era seu costume, no mês de Maio, arrancar-se do confessionário e subir ai púlpito para falar à multidão dos fiéis. Nesse ano, ao terceiro dia, viu-se forçado a parar no meio da sua exortação.

Debalde quis substituir a prática pela leitura de um trecho religioso. Não pode continuar. Por último tentou recitar as orações usuais, mas foi em vão. A voz e as forças faltaram-lhe completamente.

Com dificuldade conseguiu descer os degraus do púlpito e chegar ao seu humilde quarto, onde, inteiramente prostrado, se deixou cair no pobre catre que lhe servia de cama. Santo Deus! parecia que o fim era chegado.

O médico, logo à primeira vista, reconheceu que o caso era de gravidade extrema. De hora para hora o caso tornava-se mais alarmante, até que no quinto dia a doença atingiu a mais aguda crise. Três médicos eminentes foram chamados e tiveram de usar os mais poderosos remédios para combater o mal; mas tudo parecia inútil.

Cada momento e as síncopes sucediam-se uns aos outros sem descanso. A violência da febre era invencível. Já não restava esperança.

Por último o perigo tornou-se tão iminente que o confessor do Cura resolveu ministrar-lhe os últimos sacramentos da Igreja, que o agonizante sacerdote recebeu com fervorosa devoção. Quando lhe foi fieta a pergunta: - "Perdoais aos vossos inimigos?" ele respondeu docemente: - "Eu nunca desejei mal a ninguém".

No decorrer de toda essa noite o alarme do povo manteve-se no auge; o seu venerando Cura ia deixá-los; que desolação!

Como a manhã não trouxesse quaisquer melhoras, o Padre Vianney pediu que a Missa fosse oferecida por sua intenção no altar da sua querida Santinha. Antes de principiar o Santo Sacrifício, parecia que um estranho medo se apossara do enfermo, tão extraordinária e terrível ansiedade, tais manifestações da mais singular perturbação se lhe estampavam na fisionomia.

Até houve quem julgasse que a morte estava a dois passos; mas, apenas o Santo Sacrifício começou, toda esse perturbação desapareceu e, de um instante para o outro, ele ficou inteiramente calmo.

Parecia ter visto alguma coisa consoladora, porque ao terminar a Missa exclamou para o seu carinhoso enfermeiro: - "Meu amigo, uma grande transformação se operou em mim; estou curado". Sem dúvida alguma a sua querida Santinha lhe apareceu, porque ouviram-no pronunciar muitas vezes, como se falasse com alguém presente, o amado nome de Filomena.

Quando alguém, mais tarde, notava em sua presença que a sua cura tinha sido milagrosa ele acentuava: - "Milagrosa, de fato; bem podeis dizê-lo!" Evidentemente não tinha a menor dúvida de que devia o seu restabelecimento a Santa Filomena.

A sua convalescença foi rápida. Impaciente por voltar à atividade, embora ainda extremamente fraco, dirigiu-se à igreja, onde, ajoelhando ante o altar do Santíssimo Sacramento desabafou a alma em atos de fervoroso amor e de adoração. Depois, erguendo-se, foi até junto do altar de Santa Filomena, onde orou por largo tempo com a maior alegria e consolação.

Santa FIlomena tinha-lhe, realmente, aparecido e nos seus misteriosos colóquios revelara-lhe segredos que haviam de o encher de felicidade até ao último dia de sua vida.

(Excertos do livro: Santa Filomena a Grande Milagrosa - por E.D.M)

PS: Grifos meus
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