quinta-feira, 22 de abril de 2010

Não há porta fechada

Não há porta fechada


Aborrece-se muita dona de casa porque o pó lhe entra por toda parte e lhe dificulta manter o asseio na casa. Pior do que o pó é a dor. Não há porta que possa vedar a entrada. Dores físicas, dores morais provenientes das imperfeições pessoais, das justaposições de naturezas dissemelhantes.

É teu lar feliz e risonho? Cuidado! A felicidade em chegando a certa plenitude já começa a tornar-se uma ameaça. O que importa é ter a alma preparada para os momentos dolorosos. A fortuna rodou, a pobreza tornou-se inquilina da casa, as doenças, as desinteligências chegaram de uma só vez, com bagagem e tudo - eis a hora para a esposa cristã e forte amparar o marido.

O marido, diante de tanto infortúnio, sucumbiu, já não é o mesmo homem. E justamente nessa hora nasceu a mulher, pois o ditado afirma "que o sofrimento mata o homem e faz nascer a mulher".

Cônscia dessa missão, a esposa abafa suas dores, põe nos lábios o sorriso que alegra, põe nas mãos as sedas que acariciam as chagas. Atira-se ao dever e não admite desânimos.

- Deus foi bom para comigo, disse-me um marido, rico outrora e falido agora. Minha senhora sujeitou-se sem queixas e sem desfalecimentos às exigências da derrocada. É a primeira a ajudar-me e por nada tolera que eu desanime.

Veio a dor à tua casa, "como visita misericordiosa"? A ti, leitora, compete fazer-lhe sala, com toda a elegância de cristã, com toda a fidalguia de filha de mártires. Para auxiliar o esposo, a esposa tem um programa definido. Com ele reparte as alegrias e acorda as energias adormecidas. Ei-lo:

Nas penas - assiste o marido.
Nos cuidados - aconselha-o.
Nos trabalhos - ajuda-o.
Nas doenças - dele cuida.
Nas tentações - ampara-o.

Tais eram os pensamentos de Deus, quando te conduziu ao altar como noiva de um cristão. Que miséria, quando o marido se põe a chorar histéricamente, e a mulher não se cansa de censurá-lo pelo que fez e pelo que deixa de fazer. No meio de tanta lágrima e tão grande torrente de palavras a felicidade roda como folha seca...

(Excertos do livro: Três chamas do lar, do Pe. Geraldo Pires de Souza)

PS: Grifos meus.
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